Em frente ao espelho
Por Eduardo Proffa
- Não! Não! Não!
Negarei três vezes que não choro por mim… Que não choro pelo fim, ou pelo novo recomeçar…
Choro pelo trajeto de catástrofes naturais que ocorreram nestes últimos meses…
Choro pela falta de consciência polÃtica…
Choro pelo grande Ãndice de analfabetismo…
Choro pelo pÃfio salário que recebemos…
Choro pelas drogas, mortes, estupros, prostituição infantil, pedofilia…
Choro por uma equipe palpável, e que com toda certeza tinha todas as condições de conquistar o hexa-campeonato…
Choro por tanta coisa, porém choro pelas perspectivas latentes que existiam em um “zilhão†de brasileiros…
Acredito que fizemos o nosso melhor e não posso entender que um locutor, ou comentarista que tenha condutas tão negligentes interfiram em nossos conceitos…
Execro pessoas que torçam contra seu paÃs, seus irmãos e seus pares…
Nosso mundo cego e medieval ainda é conduzido por regras definidas pela oligarquia e clero constituÃdo, porém não podemos nos deixar levar. Existem coisas mais importantes:
Nosso filho que vai nascer…
Nosso cônjuge e famÃlia…
Nosso trabalho…
Nosso amanhecer…
Nosso entardecer…
Nossos amigos…
Nossa poesia de viver…
Conduzir o barco no maremoto é que são elas!
Na vida tudo é mais importante do que tudo, é questão de prioridade… Então, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima…
Pensando direitinho: terça, tenho que trabalhar o dia inteiro…
Putz! Fazer o quê? Quem mandou acreditar em personagem de contos de fada… E, ainda tinha o pé frio do Mick Jagger…

