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Escola Margarez Lacet – Medalhista Olímpica Nacional – 2010

quinta-feira, setembro 23rd, 2010

Por Eduardo Proffa

Prólogo: De volta às letras…

Estivemos tão concentrados no objetivo de sermos medalhistas Olímpicos que fomos obrigados a nos distanciarmos da caneta e do papel. Porém, com o objetivo alcançado podemos novamente fazer as pazes neste breve relato.

Por vezes observamos que equipes têm êxitos e fracassos, e não sabemos por onde trilharam ou como se programaram para as tarefas, com base nisso descreveremos nossa programação:

Parte 1 – O recomeçar

Início do ano e os treinamentos iniciados em Fevereiro, para aproveitarmos o período de estiagem, o verão (pois, nossa quadra é de cimento e não tem cobertura – teto); nossos garotos eufóricos e, ao mesmo tempo displicentes, devido ao ano anterior, onde tivemos um ano de conquistas e pela primeira vez em vários anos de participação que uma Escola Pública representante do Estado nas Olimpíadas Escolares – Etapa Nacional na DIVISÃO ESPECIAL, classificou-se em 6º lugar, isso ao mesmo tempo em que nos motivava nos dava certa arrogância velada, coisa que não era proposital, mas sim, relativo à idade, principalmente para um grupo que nunca fora apontado como bom, e hoje ocupava lugar de destaque na cadeia produtiva do handebol alagoano.

Parte 2 – Ãgua fria

Em abril tivemos a Copa Guerreiros das Alagoas, e para privilegiar um fantástico grupo Juniores que estávamos treinando, unificamos com o nome e o emblema da Faculdade CESMAC – Centro de Ensino Superiores de Maceió, e passamos a configurar na tabela, em todas as categorias como CESMAC/MARGAREZ; A equipe venceu todos os desafios até se encontrar com o COC-Maceió, o qual despontava como principal adversário aos anseios olímpicos desejados…

Na disputa classificatória perdemos o primeiro jogo por 10 gols de diferença, um placar elástico para quem almeja o título; Contudo, nos classificamos para a final e, novamente nos deparamos com aquela excelente equipe; E, quem disse que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes? (permitam-me o sorriso gelado: rá, rá, rá…)… Tomamos outra saraivada de 10 gols, o que nos deu o 2º lugar na competição, mas abaixou a auto-estima da equipe… Não foi uma ducha de água fria, foi uma cachoeira.

Parte 3 – A Ressurreição

Trabalhar a motivação foi a pior tarefa, porém contava com alguns desfalques do nosso principal adversário… Além de resgatarmos alguns garotos que haviam deixado de treinar; No final da Copa Guerreiros, confidenciei ao meu capitão, Samuel Marinho, que iríamos mudar, trabalharíamos mais arrojados e comprometidos, e que nosso principal objetivo seria alcançado… Em maio aconteceu o prefácio disso no Campeonato Alagoano da categoria Infantil (atletas, nascidos até 1996, portanto 14 anos)… Jogamos todas as partidas muito bem, onde se observava a disciplina tática e a garra, vencemos todos os nossos desafios, inclusive, na final a equipe do COC-Maceió, por 10 gols, e nos sagramos Tri-Campeões Alagoanos Infantis.

Parte 4 – JEAL – Jogos Estudantis de Alagoas

Chegamos ao tempo crucial… Nestes jogos existe uma particularidade, as equipes são divididas em dois grupos: Particulares e Públicas, sangrando-se os Campeões de cada um para a final definitiva (onde tudo pode acontecer, por ser jogo único), que indica o representante do Estado de Alagoas na Etapa Nacional das Olimpíadas Escolares, tanto para a Divisão Especial (os 12 melhores estados do país), como para a Primeira Divisão (os que buscam acessão para a Divisão Especial); Fizemos um trajeto tranquilo, sem obstáculos substanciais (coisa que temos que rever para melhorarmos o nível técnico da competição, independente do vencedor nas próximas edições), na final não poderia ser diferente, encontramos a melhor equipe e lealmente competitiva de todos os tempos (isso, deve-se ao fato que o Professor do COC-Maceió, Tiago Caldas, além de AMIGO PESSOAL, foi atleta Bi-Campeão adulto pelo Margarez Lacet e nosso estagiário, nesta escola “rivalâ€,  quando se chamava INEI).

Final difícil: arquibancada cheia, stress, rivalidade… A partida se encaminhava com um enredo ameno, sem muitas delongas, contudo quando a partida estava se finalizando aconteceram nuances que só são permitidas nesta categoria, estávamos vencendo por seis gols, quando, faltando um minuto o COC-Maceió diminuiu para um… Tivemos um contra-ataque que não foi convertido em gol e na sequencia perdemos nosso segundo atleta, e ficamos com quatro atletas na linha, e ainda, um sete metros (pênalti) a favor deles, caso fosse convertido, seria empate e teríamos uma prorrogação… Mas, tudo estava traçado e o atleta da equipe adversária perdeu na conclusão, e vencemos o JEAL por um gol de diferença, por tanto, representantes legítimos na Edição Nacional.

Parte 5 – Muita água? O quê fazer?

Como temos quadra aberta, exposta aos céus, fica difícil treinarmos em agosto e setembro onde o período de chuva é latente por estas bandas do hemisfério, solução: entrarmos em competições para mantermos, pelo menos, a parte defensiva estimulada. No primeiro evento, colocamos nossa equipe infantil, na XII COPA SESC NORTE/NORDESTE na categoria de atletas até 16 anos. Para a nossa surpresa, o que era para ser motivo de treinamento, virou competição, e sem deixar de treinar as opções defensivas (individual, 5X1, 4X2 e 3X3) estivemos muito bem na competição a ponto de ficarmos em 3º lugar contra equipes muito mais experientes e de porte físico superior.

Parte 6 – Em casa (Tabuleiro dos Martins)

Nosso segundo evento de chuva foi o JOGAR – Jogos do Graciliano Ramos – Tabuleiro dos Martins, onde o propósito era jogarmos com garotos da mesma faixa-etária (96), para desafogarmos e mantermos o condicionamento físico e a auto-estima em alta, pois como estávamos nos preparando para a Etapa Nacional, tínhamos uma preparação mais definida que nossos adversários, o que nos capacitava para uma melhor condição competitiva… Que se concluiu ao vencermos nossos jogos com certa facilidade e nos tornarmos campeões invictos na competição.

Parte 7 – Conflitos em prol de uma causa

O terceiro evento aquático foi, coincidentemente, o JOLIM – Jogos Litorâneos de Maceió (muita água em cima e pelos lados)… Nossos atletas 95 – Anderson, Francisco, Diego e Henrique, ficaram tristes por estar numa categoria superior, 93 – juvenil, e só terem obtido o 3º lugar, pois os garotos 96 entraram na competição da categoria deles com o propósito, novamente, de manter a preparação para a Etapa Nacional das Olimpíadas Escolares… E, não é que mais uma vez o que parecia treinamento, tornou-se competição; Os garotos jogaram bem todas as partidas, inclusive a final, onde não mudamos a forma olímpica defensiva e sofremos marcação individual em toda a partida final, faz parte – ninguém quer perder; Resultado: ficamos em segundo lugar em outra competição de categoria acima da idade deles… Estávamos no caminho certo…

Parte 8 – 12 Guerreiros Caetés (Da esquerda para direita – Em pé: Dalysson, Filip, Diogo, Acioly, Samuel, Daniel, Felipe e Jackson; Sentados: Erick, Ronald, Joabson e Igor.)

Finalmente as Olimpíadas Escolares – DIVISÃO ESPECIAL 2010 – em Fortaleza/CE. Hotel magnânimo, cinco estrelas – Vila Galé, na Praia do Futuro, local propício para que almeja o pódio… Longe de tudo; Refeitório, ginásios, civilização… Tanto é que toda a estrutura ornamental do hotel era indígena, e com uma grande estátua do índio Tremembé, que povoou aquela região nos tempos de Cabral.

Nossa conspiração com o cosmo, todos os santos e espíritos nos deu subsídios de sincretismo para pedirmos ao cacique representativo da união e raça dos povos nativos uma força e inspiração na face do guerreiro que não se detém a pormenores, nem se desestimula pelas intempéries… Pois bem, nossos atletas fizeram uma campanha brilhante:

Parte 9 – Fase Classificatória

21 X 16, contra a Escola Diocesano – SE;

23 X 14, contra ETI Vinicius de Moraes – TO;

18 X 16, contra a equipe campeã de 2009, Colégio São José – SC;

Resultado: 1º lugar da chave.

Parte 10 – Semifinal

Na Divisão Especial só pode classificar uma equipe por grupo, e a segunda melhor colocada pelo saldo average, então foi assim; Grupo “A†– Margarez Lacet – AL, Grupo “B†– CE Mendes Duarte, Grupo “C†– Colégio Vinicius de Moraes – MT; e a melhor segunda equipe classificada foi o Colégio São José – SC, da nossa chave, resultado: sorteio. Não podendo as equipes classificadas do mesmo grupo se cruzar na semifinal, houve sorteio para os confrontos. Como numa premonição, enquanto aguardávamos o sorteio a professora de Santa Catarina fez um rascunho (rascunho este que definia empiricamente os finalistas) e se deu o que ela previu RJ X SC e AL X MT… As equipes nesta etapa estavam mais desgastadas, porém esperançosas… No primeiro confronto SC venceu o RJ por 23 X 18; e nós fomos derrotados pela melhor equipe da competição MT por 20 X 15 (nosso escalte mostrou que perdemos quinze contra-ataques com definição negligente, faltou-nos uma melhor sorte, tanto no sorteio como no jogo).

Parte 11 – A final

Companheiro pense num osso motivar crianças… Em primeiro lugar foi piscina pra todo mundo até a noitinha, depois um passeio e uma saborosa pizza, já no hotel vídeos, crônicas e uma ajuda divina, minha esposa que fez cesariana, dois dias antes na nossa viagem, estava com sangramento, nada preocupante, porém o suficiente para um primeiro grande estímulo… No dia da final lazer na piscina, jogo de Tênis, alongamentos com recreadores do hotel e uma particularidade: a equipe de transporte do COB – Comitê Olímpico Brasileiro nos esqueceu por uma hora, quando chegamos, a outra equipe do RJ já havia partido, tanto que nos disponibilizaram um Van para o deslocamento ao Ginásio da UNIFOR… Moral dada, moral restabelecida… Usamos aquele infortúnio como bandeira para o embate eminente, além de improvisarmos palavras de ordem, ouvimos doces acorde do Rock nacional adrenalizando, ainda mais nossas veias… Resultado: 16 X 14 para nós e um lugar garantido no pódio… Se não foi o mais alto, foi bem prazeroso fizemos uma campanha brilhante, com apenas uma derrota, moralmente fomos segundo, pois o 2º perdeu para nós e para os campeões…

Bem, o sol nasce para todos, como nasce uma canção… Vamos ficar sempre alertas, pois quem sabe um dia estaremos no lugar mais alto do pódio como guerreiros que nós somos, alagoanos, caetés.

Obrigado a todos e Viva a Villa Caeté!

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