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Entre & Vista a Villa – Rogério Dias

quarta-feira, novembro 25th, 2009

Conheci na Bienal do Livro, um cara louco, atrevido, destemido e inovador… Depois de um bate-papo descobri uma mente talentosa, crítica e gentil que procura seu espaço, sem esquecer sua origem periférica. Um dos fundadores do Quintal Cultural, artista raiz em ebulição com a Poesia Musicada no Pandeiro… Palhaço, ator, autor… Senhoras e senhores o multi-artista Rogério Dias.

Rogério Dias

Rogério Dias

01 – A Villa – Quem é Rogério Dias?

Rogério - Dentre os “istas” a mim colocado escolhi o de artista, disposto a todo tipo de arte, alguns me chamam de multi-artista, eu entendo que no sinônimo próprio Artista já contempla todos os seguimentos artísticos. Para alguns sou ator e para outros, diretor, escritor, cantor, compositor, palhaço e poeta. Minha poesia tem se destacado nos bastidores do movimento cultural alagoano, é a força da poesia marginal. O grande exemplo disso foi a publicação do livro “Os Poetas Sabem” em 2000 com tiragem e venda de 300 cópias, em 2005, lancei pela editora Graciliano Ramos o livro Tela de Plasma, com mais de 900 cópias vendidas e o CD Poesia Musicada no Pandeiro que já vai chegando na casa de 2000 mil cópias vendidas…Toda produção vendida com mochila nas costas. Sou isso, um produtor voraz que não espera por patrocínio, trabalha com o que tem… Papel e caneta.

02 – A Villa – Talento é aprendido ou desenvolvido? Por quê?

Rogério - É uma pergunta que requer filosofia, mas não tenho tempo, portanto, acho que tudo se aprende, o talento se desperta quando somos estimulados, temos talento quando fazemos o que gostamos, e tudo que é aprendido é possível ser desenvolvido. Acho que o talento a algo especial, que vem após o aprendizado. É um debate muito complexo, merece uma mesa redonda (risos).

03 – A Villa – Você tem múltiplas facetas artísticas. Fale-nos sobre elas.

Rogério – Elas fazem parte do que sou, está respondido na primeira pergunta.

04 – A Villa – Onde o Artista Rogério Dias está melhor enquadrado, hoje?

Rogério – Eu não me enquadro.

05 – A Villa – Como é a sua produção literária e musical e de onde vem tanta inspiração?

Rogério - Tenho a necessidade de criar e produzir, às vezes me sinto um porta voz de uma geração, como aquelas pessoas que escreviam cartas para os outros que não sabiam, é como se fosse colocado a mim essa função, minha inspiração vem da inquietação com essa cultura de massa esmagando possibilidade de desenvolvimento intelectual do povo e do desejo de ser útil a história e a construção de um mundo mais belo, como dizia Dostoyevisk. “A beleza salvará o mundo”.

06 – A Villa – Quando você enveredou para a cultura de inclusão?

Rogério - Quando eu tinha 11 anos, propôs a fundação do “Clube dos Amigos” e organizamos um piquenique no meu quintal onde hoje é o Quintal Cultural, o motivo do piquenique era porque estávamos todos de mal na rua, então a idéia era que no encontro todo mundo se falasse, e foi o que aconteceu. Semana passada encontrei um rapaz que ainda tem a carteirinha do clube dos amigos que estará a disposição na “Casa de ti Maria” onde ficará guardado todo material histórico do movimento cultural da rua sol nascente, então, acho que comecei por ai.

07 – A Villa – O que é o Quintal Cultural?

Rogério - Um símbolo de resistência de contracultura na periferia de Maceió.

08 – A Villa – O que ele representa para a comunidade local, mais precisamente no Bomparto?

Rogério – Representa a formação de uma geração sadia.

09 – A Villa – O que é Poesia Musicada no Pandeiro?

Rogério - A idéia foi furar o bloqueio cultural, com a banda Raggamuffin, todos os shows que fizemos foram instigados e levantou a galera, mesmo assim não conseguíamos espaço. Com o Poesia Musicada podemos tocar em todos os lugares onde somos e onde não somos convidados, o artista tem que estar onde o povo estar. Poesia musicada no pandeiro é além de tudo a continuação do coco alagoano, ao contrário de que muita gente diga que é um resgate, tenho convicção que o coco alagoano não precisa ser resgatado, ele precisa ser respeitado, ele esta presente na alma do alagoano e mais vivo do que nunca, basta bater um pandeiro do ritmo do coco para as pessoas levantarem. Não tive a intenção de fazer coco quando idealizei a poesia musicada no pandeiro, mas depois que nos apresentamos, várias pessoas que entendem do assunto disseram que era coco alagoano, em seguida descobri que minha família tem origem no Vale do Mundaú e no Vale do Paraíba, berços do coco alagoano.

10 – A Villa – Recentemente você fez uma maratona artística pelo país. Como foi essa experiência e por onde esteve?

Rogério - Sinceramente, saí de Alagoas puto com um cenário fechado tipo panelinha, falta de apoio da prefeitura e do Estado, gente boa querendo mostrar seus trabalhos e sem espaço cercado por alguns artistas pretensiosos. Essa experiência, que não foi a primeira, mas a mais importante porque aconteceu num momento de amadurecimento da minha vida e me trouxe a liberdade de saber que não preciso do cenário cultural alagoano, a hora que me der na telha vou embora. Nosso trabalho é muito bem vindo em todo Brasil (foi testado).

11 – A Villa – O que mudou na sua forma de criar e desenvolver seu trabalho artístico em Alagoas?

Rogério – Redescobri a liberdade, vou continuar produzindo o que eu quero sem me preocupar se o mercado vai gostar ou não, não mudou a minha forma de criar, mas me deu garantia de que minhas criações vão ser cada vez mais libertárias.

12 – A Villa – Como esta vendo a nova cena cultural de Alagoas?

Rogério - Acho que todos os alagoanos estão sentido que tem uma inquietação no ar, Alagoas esta para florir e sua primavera será das mais belas… Alagoas onde a dialética se deleita, quem não conhece teme, quem conhece respeita.

13 – A Villa – Acredita que esse bom momento cultural vai perdurar?

Rogério - Não há de perdurar, ele será um marco para uma nova Alagoas.

14 – A Villa – Quais são seus projetos mais urgentes?

Rogério - Pessoalmente, quero publicar meus novos livros já escritos (cinco livros) e gravar 50 das mais de 100 músicas de minha autoria. Enquanto movimento o que urge é interligar os movimentos culturais da periferia de Maceió.

15 – A Villa – Seu momento para finalizar a Entre & Vista a Villa?

Rogério - Parabenizar meu amigo Eduardo Proffa, por essa iniciativa que requer muita disponibilidade de tempo e convocar a todos e todas alagoanas para uma grande união pela cultura, um dos grandes passos é articularmos a bancada da cultura na Câmara de Vereadores de Maceió, muitos artistas tem influência e alguns apoiaram vereadores que foram eleitos, então vamos lá construir um projeto cultural para Maceió. Quem quiser conhecer nossos vídeos no You Tube é só clicar: Espinha de Peixe Comunicações.

Grande abraço a todos e a todas.

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Entre & Vista a Villa Caeté

quarta-feira, novembro 18th, 2009
Ari Lins Pedrosa

Ari Lins Pedrosa

Nosso primeiro entrevistado na coluna Entre & Vista a Villa, mostrará ao público caeté um poeta experiente, rico nas ações de promover cultura… Apaixonado por suas lembranças, ressalta seu momento ímpar defendendo as cores de Alagoas no selecionado de handebol… Um escritor que acredita no potencial das “pratas da casaâ€, sem que as mesmas deixem suas origens… E, que apesar de muito premiado mantém a humildade guerreira de quem busca um lugar ao sol… Senhoras e senhores: Ari Lins Pedrosa.

01 – A Villa – Quem é Ari Lins Pedrosa?

Ari - Uma pessoa simples, que vive do trabalho, para suas atividades e seu lar. Gosta de lê. Esta fazendo releitura dos Clássicos Universais. Respeita as opiniões dos outros, mesmo quando não concorda. Chegou a Maceió em 1996, com a transferência do pai – Funcionário Público Federal de Guarabira/PB. Filho de Raimundo Nonato dos Santos Pedrosa e Quitéria Lins Pedrosa (falecida). Casado com Virgínia Márcia Tenório Lins Pedrosa. Tem dois filhos: Leonardo Tenório Lins Pedrosa e Laís Tenório Lins Pedrosa;

Quarto lugar nos VIII Jogos Escolares Brasileiros – Jeb´s em 1976 com a Seleção Alagoana de Handebol em Porto Alegre-RS;

Medalha de Honra ao Mérito (em reconhecimento pela colaboração ao handebol de Alagoas) e Foto da Seleção Universitária, nos XXX Jogos Universitários Brasileiros – Jub´s em João Pessoa- PB – 1979, no livro Handebol (2° edição) – autor: Paulo Nagy Kunsagi, pág n°47 “Equipe mais disciplinada dos Jogosâ€;

Formado em Ciências Contábeis no Centro de Estudos Superiores de Maceió – Cesmac/Faccom.

02 – A Villa – Quando o homem Ari se descobriu poeta?

Ari - Nos idos de 1974, no Ginásio Dom Vital, nas aulas de literatura da professora Renilde Ferreira, entre versos metrificados e os versos brancos do modernismo.

03 – A Villa – O que o poeta faz para sobreviver?

Ari - Sou funcionário da Companhia Energética de Alagoas – Ceal, onde ocupo a função de Auditor. Também sou Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Industria Urbana no Estado de Alagoas – Urbanitários, onde ocupo o cargo de Diretor/Conselheiro Fiscal e Conselheiro Fiscal da Fundação Ceal de Assistência Social e Previdência – Faceal.

04 – A Villa – Quantos livros publicados e quais são?

Ari - São dez livros publicados:

1 – O Véu do Vento (Poesias/1987). Prefaciado por Jorge Amado “(…) Creio que se pode concluir, sem medo de erro, que, no caso de Ari Lins Pedrosa, estamos diante de um verdadeiro poeta (…)â€. Menção Honrosa – Prêmio Gustavo Paiva da Academia Alagoana de Letras /1986 e 2° Lugar, no I° Concurso de Poesias Internacional de Obras Publicadas 87/88 – 1990, pela Academia de Letras e Ciências de São Lourenço/MG.

2 – Jangada de Papel (Poesias/1990). 1° Lugar no Concurso de Poesias Internacional de Obras Publicadas 89/90 – 1991, pela Academia de Letras e Ciências de São Lourenço/MG.

3 – O Pescador de Sonhos (Poesias/1993).

4 – A Jangadinha Lenira e o Sol (Infantil-Estória/1999).

5 – Pintado o Sete (Infantil- Poesias e Estórias/2002).

6 – O Veludo da Uva (Hainetos/2003). Hainetos são construções poéticas criada pelo autor. Prêmio Tércio Wanderley I de Poesias da Academia Alagoana de Letras – 2001.

7 – Gota Urbana (Crônicas e Contos/2004).

8 – Vogais Atrevidas e Consoantes Inibidas (Poesias Infantil/2005).

9 – Jardineiro das Nuvens (Poesias/2006); e

10 – O Colecionador de Sonhos (Entrevistas Literárias/2007).

Quero destacar:

Citado no livro “Gilberto 40 anos de Poesia†-1999 do poeta Gilberto Mendonça Teles. Rio de Janeiro-RJ.

Participou do Relatório da Administração da Companha Energética de Alagoas – 2000, com vinte poemas. Maceió-AL.

Citado em vários dicionários poéticos, entre eles: “Enciclopédia de Literatura Brasileira – 1990. Afrânio Coutinho – Rio de Janeiro-RJ;

Dicionário de Poetas Contemporâneos 1991, 2° edição . Francisco Igreja. Rio de Janeiro-RJ e Endereçário Cultural -2000. Abel Beatriz Pereira. Florianópolis-SC.

Participou de trinta e duas antologias entre elas: “International Poetry Yearbook – 1994, editada por Teresinka Pereira e teve a colaboração da University of Colorado. Boulder, Colorado – U.S.A. – “Os cem novos poetas do mundoâ€.

05 – A Villa – Têm algum prêmio no currículo?

Ari - Sim. São 49 prêmios literários (nacionais e internacionais).

06 – A Villa – Participa de alguma Academia Literária?

Ari – Recebi um convite da Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes para integrá-la como Sócio Colaborador.

07 – A Villa – Alagoas tem diversas Academias Literárias. Como elas contribuem para o desenvolvimento literário do Estado?

Ari - No momento observo, que a maior movimentação literária é de grupos independentes, fazendo a cultura local aparecer.

08 – A Villa – Desenvolve algum projeto literário? Comente.

Ari - Sim.

Varal Poético: onde são enviadas mensagens poéticas aos companheiros da Ceal.

Mosquitinho Poético: onde são enviados poemas nossos para todo o Brasil e o exterior.

Concurso de Poesias: Há quartoze anos, comandamos este concurso nacional de poesias, sempre dando o nome de um poeta alagoano aos prêmios, uma forma de homenageá-los e divulgá-los.

Folha Notas Literárias: é um informativo literário mensal, onde divulgamos: poesias, livros, revistas literárias, jornais literários e noticias do meio. Ela é enviada pelo correio e internet.

Projeto Sururu de Capote: desde 1996, inspirado na “Corrente Poética†do paranaense Carlos Barros. O projeto com a mesma característica do projeto original, depois de ler um livro, deixá-lo em qualquer lugar, onde outra pessoa possa pegar, ler e novamente deixá-lo num lugar qualquer (evitando locais fechados. Na primeira página do livro tem as orientações com o nome do projeto).

09 – A Villa – Como utilizar a internet como ferramenta para a cultura?

Ari - Divulgando notícias do meio literário, através da Folha Nota Literária. (ari.lins@bol.com.br ou ari.pedrosa@ceal.com.br.)

10 – A Villa – Você que é tão conectado com outras culturas, como traçaria o perfil atual da Literatura Alagoana?

Ari - É um dos melhores momentos da cultura alagoana. Você observa pelo número de eventos e livros publicados.

11 – A Villa – Novas perspectivas, novos valores surgindo?

Ari - Sim, basta passar o olho crítico, na última bienal alagoana e os valores são muitos e de qualidade nacional. Sem esquecer: Um Sidney Wanderlei e Marcos de Farias.

12 – A Villa – Qual o futuro literário caeté?

Ari - É fazer o caminho de Jorge de Lima e Lêdo Ivo, sem sair de casa.

13 – A Villa – O que o Poeta Ari, ainda tem nas gavetas?

Ari - Sim alguns livros em fase de conclusão (Meus Estados – Meu País livro infanto- juvenil de poesia; poesias; charges; crônicas e contos; Peças Ãntimas Asas de borboletas, livro de epigramas; Os bichos, poesias infantis; Bom Tom, poesias infantis e uma segunda versão de entrevistas.).

14 – A Villa – Para quando esperar novas publicações?

Ari - No próximo ano (2009), se Deus permitir. Livro de poesia: Meus Estados – Meus País.

15 – A Villa – Seu momento para finalizar a Entre & Vista a Villa?

Ari - É um momento produtivo, com muitas idéias na cabeça. Quero parabenizá-lo, por fazer deste momento, um espaço para este simples poeta. Obrigado.

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