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O grande sucesso do I Festival da Palavra

domingo, março 21st, 2010

O Secretário Guilherme Lima premiando aos Artístas e Servidores Públicos Eduardo Proffa, Gal Monteiro e Alfredo Barbosa da categoria Compositores

O grande sucesso do I Festival da Palavra

Por Eduardo Proffa

Quem esteve no Teatro do Colégio Marista nos dias 19 e 20, pode constatar a quantidade e qualidade de talentos artísticos que se encontram em nossos Setores Públicos Estaduais. Todos os servidores participantes tiveram seu momento “star”.

 O I Festival da Palavra, promovido pela Secretaria de Estado da Gestão Pública, surge como um dos mais diversificados evento, desta categoria, no tocante a palavra, onde premia quem a trata bem: na Poesia, Conto, Composição e Interpretação.

O evento abrangeu todos os servidores públicos estadual. A Secretaria Executiva de Educação e Esportes – SEEE – obteve o maior número de finalistas, 19, quase 50% dos escolhidos nas quatro (04) categorias, e foi a grande vencedora das duas noites, cinco (05) premiados ao todo. Na categoria Poesia obteve os 1º, 2º e 3º lugares com Givonilzo Vieira com a poesia LIRA, Cleonice Nunes com MIRAGEM e Claudia da Silva com LUARES, respectivamente; na categoria Compositor obteve o 2º lugar com Eduardo Proffa e sua canção CARTÃO DE VISITA; na categoria Conto obteve o 3º lugar com Rubian Antonio que escreveu Caça e Caçador.

Os outros premiados foram: na categoria Conto, 1º lugar Márcio Ferreira da UNEAL com TATUAMUNHA e 2º lugar Sílvio Telles da Polícia Militar com A PAZ DE HELENA; na categoria Compositor o 1º lugar foi de Gal Monteiro do IZP e sua canção TRILHA e 3º lugar Alfredo Barbosa com UM PORTO SEGURO; na categoria Intérprete, os premiados em 1º, 2º e 3º lugar foram Andressa Caterine do DETRAN, Nelson Feitoza da Polícia Civil e Radjalma Barros da SEMDCH, respectivamente.

Os três (03) primeiros colocados de cada categoria receberão os seguintes prêmios: 1º Colocado: 01 (um) Computador portátil (Notebook); 2º Colocado: 01 (um) Computador portátil (Netbook); e, 3º Colocado: 01 (um) Computador de mesa (Desktop).

Além da inovação do Festival em todas as vertentes da Palavra, o que agradou bastante ao público presente foram as apresentações finais, onde desfilaram o talento de nossos artistas caetés. Na primeira noite o encerramento se deu com os irreverentes garotos do grupo Los Borachos Enamorados, já o encerramento do 2º dia foi com o Mega Show Elas Cantam Bossa Nova, com nossas grandes intérpretes Leureny Barbosa, Nara Cordeiro, Fhátima Santos, Elaine Kundera e Ana, que deram um brilho maior a nossa constelação de estrelas de Servidores Públicos.

Agora, é torcer e esperar pelo próximo Festival da Palavra e que venha ficar e fazer parte fixamente do nosso calendário cultural alagoano, tão carente de eventos deste porte. Aos sonhadores e realizadores desse projeto o nosso muito obrigado.

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Hoje, 19 – Começa o I Festival da Palavra

sexta-feira, março 19th, 2010

ORDEM DE APRESENTAÇÃO – FINALISTAS

CATEGORIA: COMPOSITOR

QUINTA dia 19 DE MARÇO – A partir das 19H30

1º – ALFREDO BARBOSA – UM PORTO SEGURO

2º – JAMISSON RODRIGUES – MEU MAIOR PRAZER

3º – MARCELO VIEIRA – A LUA E O MAR

4º – EDMILTON JUNIOR – O CARA MALUCO

5º – RENATA VILELA – PENSANDO EM VOCÊ

6º – EDUARDO PROFFA – CARTÃO DE VISITA

7º – GILVAN BISPO – SOM BRASILEIRO

8º – ANGÉLICA MONTEIRO – MEU CANTAR

9º – GAL MONTEIRO – TRILHA

ORDEM DE APRESENTAÇÃO – FINALISTAS

CATEGORIA: INTÉRPRETE

SEXTA dia 20 DE MARÇO – A partir das 19H30

1º – JAMISSON RODRIGUES – FAZ UM MILAGRE EM MIM

2º – RADJALMA LIMA – CAÇA E CAÇADOR

3º – ANGÉLICA MONTEIRO – FORÇA ESTRANHA

4º – ADEILDO JOSÉ – BAIXA DO SAPATEIRO

5º – APARECIDO DE OLIVEIRA – SERÁ

6º – ANDRESSA CATERINE – FRISSON

7º – NELSON FEITOZA – UM DIA FRIO

8º – NINA ROSA – O BÊBADO E O EQUILIBRISTA

9º – ROSELY MACIEL – POR ENQUANTO

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Morre Mestre Verdelinho

sexta-feira, março 19th, 2010

foto: Kelly Baêta

Mestre Verdelinho, Mário Francisco de Assis, faleceu, ontem, quinta, dia 18, aos 67 anos, após ter sido internado nesta manhã no Hospital Geral do Estado (HGE) com fortes dores no corpo, provavelmente ocasionado pelo câncer de bexiga, descoberto no ano passado.

 O mestre já tinha sofrido dois acidente vascular cerebral (AVC), e lutava contra o câncer, vivendo sobre uma cama.

 Seu corpo está sendo velado, na residência da família, na Rua dos Coqueiros, 614, na Chã da Jaqueira, (ao lado da Cavalaria) e o sepultamento está previsto para às 16h, hoje sexta-feira (19), no cemitério Santo Antônio, no bairro de Bebedouro, como era de desejo de Verdelinho.

 
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Handebol Alagoano faz bonito em Pernambuco.

quinta-feira, dezembro 24th, 2009

14 - Conexão - Linha Direta

Handebol Alagoano faz bonito em Pernambuco.

Por Eduardo Proffa

Nossas Seleções Alagoanas de Handebol Infantil do Masculino e Feminino estiveram bem nos jogos de intercâmbio com Clube Português de Pernambuco e obtiveram bons resultados na II Copa Open de Vicência, também em Pernambuco, neste último final de semana.

As seleções vinham se preparando a quatro meses, no caso do masculino, sob o comando dos Professores Eduardo Proffa e Paulo Henrique; e dois meses no feminino, com os professores Daniel Felippu e Pedro Ivo, com o objetivo de participarem do Troféu Cidade de Maceió de Seleções, porém o mesmo ficou inviabilizado de acontecer por uma série de fatores.

O Professor Ricardo Souza, o Ricardinho, Presidente da Federação Alagoana de Handebol, em comum acordo com os Técnicos das respectivas equipes decidiram premiar o esforço do período de treinamento, bem como o estresse e pressão dos cortes, com a participação do referido torneio e quando de passagem por Recife, fazer jogos com um dos principais clubes do Brasil, em se tratando de Handebol e que é na verdade quase uma seleção de todo o nordeste, haja vista que o mesmo clube acolhe nos seus quadros excelentes profissionais e alguns dos melhores atletas da região.

Em Recife a equipe feminina de Alagoas travou duas batalhas dignas de finais de campeonato. Na primeira partida a nossa Seleção jogou de forma precisa e inspirada, onde teve uma boa defesa e um bom contra-ataque e venceu por 16 X 15; no segundo confronto, pecamos um pouco na marcação e a equipe do Clube Português nos abateu por 17 X 15. Já no masculino a estória foi diferente, nossos garotos tiveram atitude agressiva, tanto na defesa quanto no ataque; com a defesa forte, onde variava do 3:3 para o 5:1 de acordo com a postura ofensiva do adversário e um contra-ataque mortal, a seleção Masculina obteve duas vitórias por 33 X 16 e 27 X 20.

Em Vicência, cidade acolhedora, quente e de enumeras ladeiras, que nos lembra à belíssima Santana do Ipanema; nossas Seleções participaram de duas competições, sendo no Mirim (que na nossa idade corresponde ao Infantil – 95/96) e o Infantil (que é o nosso Cadete – 93/94).

O Feminino foi inusitado, conseguiu ser Campeã na categoria mais velha e ficar em 2º lugar na categoria real. A equipe fez excelentes partidas contra equipes de forte poder de marcação e com ataques muito bons. Além dos títulos, a atleta Joicane Medeiros conquistou o prêmio de Melhor Atleta.

 A campanha:                                                              

                                       Jogos De Intercâmbio (Recife)

 

1º Jogo – Alagoas 16 X 15 Clube Português

 

2° Jogo – Alagoas 15 X 17 Clube Português

 

II Copa Open de Vicência

 

1º Jogo – Alagoas 19 X 05 Padre Guedes

 

2° Jogo – Alagoas 12 X 13 Limoeiro

 

3° Jogo – Alagoas 23 X 06 Padre Guedes

 

4º Jogo – Alagoas 12 X 09 Limoeiro

 

O masculino participou nas duas categorias, contudo teve que desistir da categoria mais velha devido ao horário avançado e alguns atletas terem que fazer prova hoje (21) e amanhã (22). Na categoria natural foi campeão com sobras, e teve o privilégio de jogar contra a equipe da Escola Padre Guedes, uma das classificadas para a Etapa Nacional da Copa Petrobrás. A mesma se prontificou de fazer seus jogos de preparação para essa etapa final, aqui em Maceió no início de Janeiro de 2010; na categoria mais velha fez dois jogos, venceu um e perdeu outro, um bom saldo para essa criançada que acredita no nosso handebol e tem o prazer de defender as cores da nossa bandeira. Além das vitórias coletivas, o atleta Anderson Roberto conquistou o prêmio de Melhor Atleta da competição.

A campanha:

                           Jogos de Intercâmbio (Recife)

1º Jogo – Alagoas 33 X 16 Clube Português

2° Jogo – Alagoas 27 X 20 Clube Português

 

II Copa Open de Vicência

 

1º Jogo – Alagoas 16 X 07 ICMJ

 

2º Jogo – Alagoas 18 X 10 Dom Bosco

 

3º Jogo – Alagoas 13 X 17 Tamandaré

 

4° Jogo – Alagoas 19 X 07 Padre Guedes

 

5° Jogo – Alagoas 20 X 10 Limoeiro

Sel Alagoana em Vicença-PEblog

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Bola Rei – por Eduardo Proffa

terça-feira, dezembro 22nd, 2009

04 - Coluna do Proffa

5º Bola Rei

Bola Rei

- Por Eduardo Proffa -

 

 

Bola

Embola

Embolar

Embolarei

 

Juntarei as crianças

Em suas totalidades.

A capacidade e a nuança

Serão postas à prova:

 

Do mais velho ao mais novo -

O iniciante e o veterano,

O verde e o maduro,

O espelho e o reflexo.

 

E este embrulho handebolístico

Manterá o mito,

O signo,

A primavera.

 

Onde toda a força,

Parecerá linda donzela.

 E toda beleza

Será retratada numa aquarela

 

- O que do sonho,

Tornou-se fruto;

E que de colhido,

Tornou-se vida…

 

Bola

Que embola.

De embolar,

Virou rei.

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O poético no poema Estação Sentimento, de Eduardo Proffa

sábado, dezembro 12th, 2009

06 - Mania de escrever

O poético no poema Estação Sentimento, de Eduardo Proffa

 

Marlon Pereira da Silva

Zilma Gonçalves Timóteo

 

 

A poesia

Tem tudo a ver

Com tua dor e alegrias,

Com as cores, as formas, os cheiros,

Os sabores e a música

Do mundo.

 

(…)

Com o sorriso da criança,

O diálogo dos namorados,

As lágrimas diante da morte,

Os olhos pedindo pão.

 

(…)

 

A poesia

- é só abrir os olhos e ver –

Tem tudo a ver

Com tudo.

 

José Paulo Paes, Tem tudo a ver

 

 

O presente trabalho analisa no poema Estação sentimento, de Eduardo Proffa, poeta radicado em Alagoas, se ele é poético, condição que o faz ser arte. Para tanto busca fundamentação em algumas teorias literárias. Primeiramente discorre-se sobre o que difere os termos poema e poesia, pois não se equivalem, uma vez que o primeiro é forma, concretude e o segundo é matéria para o poético, o artístico. Segue-se um breve perfil do autor, sua obra e seu tempo, logo após analisa-se sobre os fatores indispensáveis que garantem ao texto a poeticidade: lirismo, literariedade, ritmo e metáfora, e como que eles se efetivam no poema em questão.

                                                                                                

Palavras-chave: poema – poesia – poético – lirismo – literariedade – ritmo – metáfora

  

            O poema está em corpo, todo impresso em letras pretas sobre a superfície alcalina do papel – é matéria. Palpável, agora o poema é forma. É “o que se faz”, segundo Massaud Moisés. Sua disposição gráfica na página tende à verticalidade, mas não se exclui a horizontalidade, haja vista o conceito de modernidade na arte, com versos rimados e metrificados ou brancos e livres, divididos em estrofes ou não. A questão é, saber lidar com esses recursos formais da técnica é o relevante para imprimir ao poema o status de arte? Não. Para os teóricos o elemento preponderante que confere ao poema o status de arte é a poesia. De acordo com Octávio Paz, citado por Moraes (2001, p.72), reportando-se a Aristóteles, diz que “nem toda obra construída sob as leis da métrica [...] contem poesia”. Este teórico torna o seu ponto de vista mais enfático com a afirmação: “Um soneto não é um poema, mas uma forma literária, exceto quando esse mecanismo retórico – estrofes, metros e rimas – foi tocado pela poesia. Há maquinas de rimar, mas não de poetizar”. Moraes, baseada nesse teórico, menciona que “o poema, para ser arte literária, precisa ultrapassar a objetividade da forma, isto é, a disposição espacial em versos, estrofes, e unir a essa concretude – o seu lado visível e facilmente identificável – a subjetividade da poesia” (2001, p. 72).  

É importante ressaltar que a poesia não é suscetível apenas ao literário, mas a toda a forma de representação artística, imprimindo a estas, igualmente, o caráter de arte.

Sendo a poesia (não confundir com o gênero literário) o elemento de valor no fazer arte literária em versos, como ela se traduz? E como se efetiva? Para Hegel, é um conceito abstrato. Visto dessa forma, a poesia existiria como um estado de coisa latente, que se poderia apreender a qualquer instante, que se traduz, conforme  Moraes, (2001, P. 70) em emotividade, percepção sensorial, prazer estético; o que mostra a última estrofe do poema de José Paulo Paes na epígrafe desse texto. Para Massaud Moisés, a poesia é “essência artística”. Seria o que existe em estado primário e indispensável à obra e que faz com que esta atinja a configuração de arte. Esse teórico ainda a qualifica como “ação de fazer, criar alguma coisa”. Para fazer e criar alguma coisa exige o ser fazedor, construtor – o poeta. Este, para dar cabo da poesia, precisa ser criativo, respaldar-se na linguagem, apropriando-se de todas as possibilidades possíveis de construção de sentido: fonológico, morfológico, sintático, semântico, rítmico, pragmático, fugindo do meramente denotativo, extrapolando para o especial, o novo, conferindo dessa forma o estranhamento, o desvio, condição para a efetivação da poesia – o poético.

O poema passa a ser um texto poético, ultrapassando a simples questão da forma, quando a poesia se consubstancia nele através dos desvios da linguagem, do estranhamento que emerge do jogo com os sons, os sentidos, o ritmo das palavras, que caracterizam a poeticidade ou literariedade (MORAES, P. 79).   

 

 

            Em matéria da revista Língua Portuguesa, Bráulio Tavares discorre sobre o fazer literário em verso, ele salienta: “Antigamente, bastava um texto ser rimado e metrificado para ser chamado de poesia. Agora, não. O texto tem que ser poético” (2009, p. 54).

 

            Com base na proposição de poético, explicado acima é que analisaremos o poema Estação Sentimento, do poeta Eduardo Proffa, no que concerne a lírico, literariedade, ritmo e metáfora

 

Tão triste.

Tão triste.

Tão triste.

Tão triste.

 

Foi alegre…

Foi triste…

Foi alegre…

Foi triste…

Foi alegre…

Foi triste…

 

Úuuuuu!

Chora o trem

Na infinita partida

 

Dor

Como

Dói

 

Chora não

Vai não

Vem

Foi embora o trem

 

O trem já foi

Adeus amor

Adeus…

 

            Por ser um poeta buscando projeção, nada mais natural para um artista, “o artista tem de ir aonde o povo estar”,pois não há autor sem leitor, Eduardo Proffa ainda não é referencial, por esse motivo faz-se necessário traçarmos aqui um breve perfil seu.

            Paulistano de origem, vem para Maceió em 1970, então com cinco anos. Cursou Educação Física na UFAL. Hoje, é professor da rede estadual de ensino. Inquieto, de veia notadamente artística, derivando da música para a poesia. No espaço da música é compositor e cantor. Participou do Grupo de MPB Novo Tempo, foi tenor do coral da então Escola Técnica Federal de Alagoas, e com a banda Diário de Bordo – 1994-1998, recebeu o Prêmio Terra, de 1997 (Melhor banda de rock do estado de Alagoas). Desde 2003 participa do grupo vocal Nó na garganta, com o qual tem quatro músicas gravadas nos CDs do Festival de Música do SESC – FEMUSESC: Cantiga Miúda – 2003, Mariah – 2004, Mininum Unzurentu – 2005, Linda Sereia – 2006; FEMUSIC de 2005. Na literatura publicou seu único livro autoral de poemas em 2007 – Ecos da Cidade –, do qual faz parte o poema que é objeto de análise nesse artigo, participa da coletânea A poesia das Alagoas, organizada por Carlito Lima e Edilma Bonfim, 2007. Agita a cultura alagoana com projetos como De cara com a cultura, 1995; Para todos os cantos, 1996; Livro errante, 2008, com o qual recebeu o Prêmio Espia, de Alagoanos Notáveis na Cultura & Artes de Programa para Comunidade; lançou o Manifesto antropofágico alagoano (A construção da Villa Caeté), 2008; criou e edita a revista eletrônica semanal: A Villa Caeté em Revista; participou da III bienal Nacional do Livro de Alagoas, 2007. Em 2008 tornou-se membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste – ALANE/AL, em 2009 entrou para a Academia Maceioense de Letras. Tem os livros: Pois é, poesia, Estalagem do corpo, Bela nave, O olho do menino e Antes da melodia, veio a poesia, todos engavetados.

  

Lirismo em Estação sentimento

              Não há um conteúdo específico, estanque, a que somente se pode poetizar, conforme salienta Hegel “o conteúdo (lírico) pode oferecer uma grande variedade e ligar-se a todos os assuntos da vida” (1980, p. 221), portanto, toda e qualquer matéria: as coisas, os instantes, os comportamentos, as pessoas, o mundo estão repletos de lirismo. A expressão desse lirismo se dá de forma particular, restrita. Cada ser é um indivíduo único cujas sensações, impressões, reflexos dos elementos externos são captados conforme o seu modo subjetivo de senti-los: “A lírica deve mostrar o reflexo das coisas e dos acontecimentos na consciência individual” (STAIGER, 1997, p. 57).

            Partindo desses pressupostos, analisemos de que maneira o poema em questão é lírico. Para isso é interessante observar uma fala do poeta sobre o seu texto: “Está guardada em meu subconsciente a imagem do menino dando adeus na estação do trem”. A partir da observação desse instante, de um momento fortuito, prosaico, surgiu o elemento motivador, íntimo, que desencadeou no poeta a expressão da sua subjetividade, criando uma poesia a maneira do que Hegel chamou de poesias de circunstâncias:

 

“O elemento subjetivo da poesia lírica revela-se mais explicitamente, quando um acontecimento ou uma situação real se oferecem ao poeta de mero pretexto para exprimir o íntimo pensamento; mera ficção, como se esta ou aquela circunstância, este ou aquele acontecimento desencadeasse no poeta certos sentimentos até então latentes!” (1980, p. 227)  

 

 

            Como um flash o flagrante da imagem do menino e do seu gesto em direção ao trem que partia projeta no poeta um dizer, que extrapola a objetividade desse breve instante, provocando no ser lírico a associação e a produção com e de outras imagens cuja representação é a da vida. Estação sentimento é o lugar da vida com todo o seu ritmo, seu dinamismo, suas fases, cujo trem, que parte, leva consigo um pedaço marcante – alegre ou triste – dela, deixando impresso na memória as recordações de um tempo reverberando como um eco.

 

Literariedade

             Desde Aristóteles, chegando aos formalistas russos o discurso poético é visto como um discurso que prima pelo estranhamento, pela capacidade de dessignificar para ressignificar – desfamiliarização – mediante o uso especial, diferente, inovador, criativo da linguagem. A literatura é um espaço de transgressão, onde a linguagem paira totalmente livre para ser manipulada e explorada de modo a se fazer outra coisa, que fuja daquilo que é para todos, desconstruindo-se para se construir     diferente e estranha, mas chamativa porque capaz de surpreender.

            Segundo os formalistas russos, citado por Terry Eagleton, a linguagem literária se apropria do que eles chamam de “artifícios”: fonéticos, morfossintáticos, semânticos, rítmicos, métricos e imagéticos (EAGLETON, 1983, p. 04). Estes artifícios são responsáveis pela construção da literariedade.

            Reportando-se ao poema em estudo e fundamentando-se em CHKLOVSKI, percebe-se que há uma intenção de estranhamento no mesmo. De início, já no título nota-se um desvio ao ser associado os léxicos estação e sentimento. No contexto o primeiro é um substantivo que expressa um lugar, um ponto onde as pessoas esperam o trem para embarcar ou pode denotar períodos, quatro coisas diferentes – as estações do ano – ou as fases da vida humana, abrindo um leque de significações que vão desde algo concreto e percebido pela visão e o tato, a algo concreto, mas apenas conceitual, temporal e a algo múltiplo, vivido, mas não localizado, pois fugidio, fluído. O segundo funciona como um adjetivo que não descreve, podendo ser entendido apenas pelo viés da memória, das recordações das sensações e emoções que a estação – a vida – imprimiu ao longo dos seus ciclos. Também é marcante a disposição das estrofes em versos curtos, métrica essa que expressa sentido de velocidade, de repetição, do barulho do trem, daí o uso do artifício da aliteração que produz a sinestesia, fazendo criar a imagem do trem movimentando-se, ganhando velocidade, gritando. Outra transgressão é a personificação da máquina, essa grita e chora como se fosse um lamento, um sentimento humano, e ainda o uso de fonemas que expressam tristeza: n e m.

           

O ritmo do trem: vida

         A vestimenta do poema não estaria completa, de bom gosto e atraente se faltasse uma peça essencial: o ritmo. “Sem ritmo, mesmo o verso mais rimado é tão prosaico quanto um prospecto amorfo” (SPIRE, 2002 p. 135). O ritmo é exclusivamente poético. Sua feitura exige o inventivo, o lúdico, pois joga com possibilidades de significações que traduzem imagens: “O ritmo é sentido e diz algo” (PAZ, 1982. P. 70) A sua realização e efetivação se dá por meio de recursos os mais diversos: sonoros, fonológicos, paralelismo, pontuação, acentuação das sílabas poéticas, rima, metrificação.

            O ritmo é a estrela no poema Estação sentimento. A sua presença é a maior responsável por vestir esse poema com o tecido da arte.

            Nas duas primeiras estrofes a aliteração reproduz o barulho produzido pelo trem, que se intensifica à medida que a máquina ganha velocidade; é o ritmo da vida, cíclico, rotineiro. Na primeira estrofe o uso do paralelismo e do ponto final em cada verso denotam etapas encerradas, passadas, que podem ter sido curtas, daí a brevidade dos dísticos, mas vividas de forma intensa, o que está configurada na disposição das sílabas poéticas: duas fortes e uma fraca. A segunda estrofe reitera a primeira no que diz respeito aos eventos da vida, que se caracterizam pela alternância cíclica. As reticências instauram a fluidez do tempo. Tempo este que evoca a lembrança desses eventos que se sucedem de forma antagônica. O passado é memória onde estão guardados os eventos alegres e tristes. Afinal, o que foi mais experimentado? Penso que a resposta esteja no tamanho e na métrica dos versos: os da passagem da alegria são trissílabos, os da tristeza são dissílabos.

            A primeira e a segunda estrofes são a representação do genérico, do totalizante da vida. As demais estrofes são a imagem de um momento de passagem, um flash, que pode ter sido captado pela visão ou uma circunstância de um ciclo vital que ficou na memória: o trem partindo, indicando a despedida, a certeza do distanciamento, do acabar, o seu grito confundindo-se com o estado emocional de quem sente a faca cortante da perda, expressa na quarta estrofe. Na quinta estrofe vê-se alternância na medida dos versos bem como a presença dos fonemas nasais n e m demonstrado uma desaceleração do ritmo, significando um estado de melancolia, provocado pela certeza cabal da perda, como se fôssemos impotentes diante dos ditames da vida e do tempo, que fluem de modo irrefreável e que passam por cima da gente como um trem.

 

Metáforas

 

O poema Estação Sentimento expressa a metáfora da vida. A vida como um lugar próprio, ponto de partida e a vida com o que tem de mais característico nela, seus ciclos.  

A palavra trem simboliza jornada, destino. A coisa, o trem é um lugar que se quer em marcha, pra frente, passante, indo de um destino a outro: nascimento – infância – juventude – maioridade – velhice – morte; ou um momento marcante em qualquer um dos períodos que antecedem ao período final – morte: escola, o time de futebol da rua, mudança de um amigo, perda de um ente querido, de um amor…

O trem é dividido em vagões, cada um representa os dilemas diários, as idas e vindas, os ciclos da vida, que são caracterizados pelo jogo dicotômico ganhar x perder, construir x destruir, lembrar x esquecer, alegrar-se x entristecer-se. Dessa forma, encontra-se configurado o processo pelo qual se estabelece a metáfora, a relação de similaridade: “Essa abstração em busca da similaridade configura o processo metafórico, no qual as palavras perdem o seu sentido próprio para adquirirem outro, compatível com o contexto onde estão inseridas” (MORAES, 2001, p. 115)

A mesma metáfora encontra-se também presente no léxico estação: Lugar, ponto de partida e de chegada. A vida nada mais é do que essa estação, um lugar que é, mas que precisa está sendo, (des)sendo, um lugar de encontro, mas também de desencontro, de despedida, a vida como possibilidade de reinvenção dela mesma, em que cada estágio, cada período – a mudança que lhe é inerente – faz somar, diminuir, somar e diminuir, diminuir e somar, como as estações do ano, que trazem consigo mudanças substanciais, acarretando em perdas para uns e ganhos para outros.      

 

Considerações finais

 

 

Analisar criticamente uma obra literária não é coisa das mais simples, no entanto é perfeitamente possível quando se tem em mãos os referenciais teóricos. O poema “Estação sentimento”, de Eduardo Proffa, submetido a esse rigor metodológico convence, pois passou no crivo da ciência, no que diz respeito ao tratamento poético dado a obra, que concerne ao lirismo, à literariedade, ao ritmo e à metáfora. Ao fim da análise pode-se dizer que o poeta criou algo artístico, que surpreende pelo modo como a linguagem foi usada para se atingir tal fim. É notável também a capacidade do poeta de extrair de um evento fortuito, circunstancial, a poesia, que latejante, fere o seu dizer, que se espraia sensível, perpassando o particular – individual – para o universal – social.

O tratamento dado ao tema é original, mas o tema não. O poeta sabendo ou não criou um intertexto, que dialoga com Trem de ferro, de Manuel Bandeira, O trem de Alagoas, de Ascenso Ferreira e O trem das sete, de Raul Seixas.

Referências

 

EAGLETON, Terry. O que é literatura. In: _____. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 1983, p. 4.

 

HEGEL. Caráter geral da poesia lírica. In: _____.Estética: poesia. Vol. VII. Trad. Álvaro Ribeiro. Lisboa: Guimarães editores, 1980, p. 221 e 227.

 

MELLO, Ana Maria Lisboa de. O ritmo no discurso poético. In: _____. Poesia e imaginário. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. Col. Memória das Letras, v. 11, p. 135.

 

MORAES, Maria Heloisa M. de. O conceito de poesia. _____. Cor, som e sentido: a metáfora na poesia de Djavan. Curitiba: HD Livros/ Maceió: FAL, 2001, p. 70, 72 e 79.

 

_____. A metáfora na poesia de Djavan. In: _____. Cor, som e sentido: a metáfora na poesia de Djavan. Curitiba: HD Livros/ Maceió: FAL, 2001, p. 115.

 

PAZ, Octavio. O ritmo. In: _____. O arco e a lira. Trad. Olga Savary. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, p. 70.

 

PROFFA, Eduardo. Ecos da cidade. Maceió: E.S.O., 2007. p. 23.

 

STAIGER, Emil. Conceitos fundamentais de poética. Trad. Celeste Aída Galeão. Rio de Janeiro: tempo brasileiro, 1997, p. 57.

 

TAVARES, Bráulio. A arte de andar na linha. Língua portuguesa, Vícios de linguagem, São Paulo, n. 43, p. 54-55, maio 2009.

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Alagoas está de luto. A Villa Caeté perdeu nesta semana, dois grandes poetas.

sexta-feira, dezembro 11th, 2009

14 - Conexão - Linha Direta

Alagoas está de luto. A Villa Caeté perdeu nesta semana, dois grandes poetas.

José Rodrigues de Gouveia & Elza Cansançao de Medeiros

José Rodrigues de Gouveia & Elza Cansançao de Medeiros

A Academia Maceioense de Letras informa o falecimento de um dos fundadores da AML o Jornalista e Poeta: José Rodrigues de Gouveia; e, da Major Elza Cansanção de Medeiros, Acadêmica Efetiva , Major do Exército Brasileiro, escritora e poetisa.

Luto

- Por Eduardo Proffa -

As mãos

Enxugam as lágrimas no rosto

Enquanto o corpo é velado ao centro

As mãos

Acendem as brancas velas

Dando o ultimo brilho de luz ao ser

As mãos

Apertam as outras

Que trazem conforto nas condolências

A dor

Que sufoca

Vem com

O perene pesar

As mãos

Seguram o ataúde

O transporte conduz a procissão

As mãos

Cavam o túmulo

A semântica por si só é aflorada

As mãos

Unem-se no louvor

Na ladainha das vozes é o adeus da palavra

O sentimento

Que chora

Vem com uma

Febril saudade.

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Prefiro a poesia – de Eduardo Proffa

quinta-feira, dezembro 10th, 2009

04 - Coluna do Proffa

Prefiro a poesia

- Por Eduardo Proffa -

Não! Não! Não!

Entre as cifras e a luxúria

Prefiro a poesia…

Nela posso estar em todos os castelos,

Tomar os melhores vinhos,

Divagar em raros livros,

Frequentar belas mansões,

Dirigir possantes carros,

Viajar ao longínquo do planeta…

E, principalmente…

Comer todas as putas

Que um dia

Alguém ousou imaginar.

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Papel no Varal no Corujão do SESI

quinta-feira, dezembro 10th, 2009

14 - Conexão - Linha Direta

No Corujão do SESI deste sábado, 13 de dezembro, haverá a participação do Projeto Papel no Varal de Ricardo Cabús.

Teremos Poesia na madrugada Maceioense.

PAPEL NO VARAL

Corujão SESI – Sábado – 12/12

PROGRAMAÇÃO

22h30 – Lançamento da HQ Duo, de Pablo Casado e Felipe Cunha
23h15 – Filme: Gigante
01h00 – Papel no Varal – Poesia no Corujão
02h00 – Filme: (500) Dias com Ela
03h40 – Show da banda Basttian
04h00 – Filme Deixa ela Entrar
Preço: R$ 16.00 (inteira) e R$ 8,00 (meia)

Informações sobre o evento:

Centro Cultural SESI
(82) 9371-9234/ 3235-5191

www.centroculturalsesi.com.br

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Dia Internacional de Combate a Corrupção

quarta-feira, dezembro 9th, 2009

04 - Coluna do ProffaTiago7

Ao lado

- Por Eduardo Proffa -

Mora

Aqui

Ao lado

A moral.

- Moral da estória?

Mora

Aqui

Ao lado

O amoral.

- Moral da história.

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