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Banca de concurso da UFRN contraria 2ª lei da termodinâmica.

quinta-feira, novembro 5th, 2009

Com a expansão das universidades públicas no Brasil vários concursos estão sendo abertos para o preenchimento de vagas para professores doutores, e todos, de uma maneira geral, seguem a mesma fórmula:

Uma prova escrita onde o candidato deve dissertar sobre um ou mais assuntos do programa que foi disponibilizado no edital, ou então deve resolver questões deste mesmo programa, sendo eliminado aquele que não atingir a média 7,00, numa prova que vale 10,0, média esta calculada de três correções feita pelos 3 membros da banca de forma imparcial e totalmente independente.

Este modelo já carrega um vício, pois, se um dos membros da banca conferir uma nota menor do que 1 a um dos candidatos pouco importa que os demais lhe dêem a nota máxima, ele já esta eliminado, ou seja, a opinião de 1 suplanta a dos demais em si tratando de eliminação do candidato.

Mas o mais grave é que esta forma de avaliação irá medir, de uma forma condenada por vários educadores famosos como Mario Sérgio Cortella, Roberto Freire, entre outros, se o candidato estudou bem o programa do concurso e se foi capaz de reproduzir o que estudou no momento da prova escrita, ou ainda, se ele conseguiu fazer isto melhor que os seus concorrentes, como se a prova fosse para selecionar “aluno doutorâ€.

O princípio fundamental da universidade é a indissociabilidade entre o Ensino, a Pesquisa e a Extensão, portanto apenas no segundo momento, durante a prova didática, é que ele terá avaliada sua capacidade de colaborar com uma das competências que compõem o princípio formador da universidade, lembrando que elas são indissolúveis.

Mas ainda neste momento o candidato poderá ser eliminado, caso a nota de um dos membros da banca for abaixo do que 1, ou se a média das três avaliações for menor do que 7,00.

Ai sim, após estes dois filtros o candidato será avaliado pelo seu memorial descritivo ou programa de atuação profissional ou plano de trabalho, enfim, será avaliado pelas suas propostas e planos para a pesquisa e a extensão universitária, concluindo desta forma o quanto ele esta alinhado com as demais competências que compõem o principio que fundamenta uma universidade. Mas neste momento o caráter da avaliação é apenas classificatório, sendo desnecessária tal etapa caso o número de vagas seja igual ou maior que os candidatos que chegaram até aqui. Será esta a forma correta de selecionar professores doutores?

Em concurso recente para Biofísica e Física na UFRN foi cobrado numa das questões que dissertassem sobre as leis da termodinâmica e como elas se relacionavam com a vida. Após a correção da prova escrita, feita de forma imparcial e independente pelos 3 membros da banca, as notas de um dos candidatos foram 6,5 e 6,5 e 6,5, ou seja, entropia zero. A banca contrariou frontalmente a 2ª lei da termodinâmica. A probabilidade desta ocorrência é de 1 para 100! (cem fatorial). Será que os membros da banca têm outra definição para a 2ª lei da termodinâmica e por isto eliminaram o candidato? Em quantos outros concursos esta lei está sendo colocada em cheque? Devemos rever nossos conceitos termodinâmicos? Por favor, reitor da UFRN e demais reitores do Brasil, ministro da educação, onde esta a verdade? Eis a questão, Ubi Veritas?

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Brasil desperdiça jovens com doutorado.

sexta-feira, outubro 23rd, 2009

Notícia vinculada no site da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de mato Grosso do Sul, pasmem … em 10 de fevereiro de 2004. Já se dizia o seguinte: “Entre os milhões de desempregados brasileiros, começa a crescer um contingente de profissionais superqualificados que não conseguem colocação ou têm de se contentar com ocupações para as quais a sua formação é irrelevante.â€

Pelo levantamento feito na época constatou-se que Entre 2000 e 2002 formaram-se 16.130 novos doutores no Brasil, dos quais menos da metade, 7.758, foram fixados, isto é, conseguiram emprego na área de sua formação.

Será que hoje a realidade é a mesma? Ou a situação piorou? E o que pode estar acontecendo? Me lembro de haver lido nesta época uma declaração do então ministro da educação dizendo que não eram necessários 30% de mestres E doutores e sim 30% de mestres OU doutores para que uma IES fosse considerada Universidade. Esta declaração foi feita em resposta a uma reclamação generalizada das Universidades Privadas que alegavam não haver no mercado número suficiente de doutores para cumprir a norma do MEC. Foi uma caçada às bruxas, ou melhor, aos doutores, a ponto de colegas defenderem suas teses e não comunicarem às suas instituições receosos da demissão.

Hoje vemos acontecer fatos piores do que o citado. Existem universidades federais na nossa região e em vários locais no Brasil abrindo vagas para mestres, e o que é pior, para especialistas, como se a universidade não tivesse comprometida com o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. E o mesmo vem acontecendo com os Institutos Federais que também estão sendo vocacionadas para a pesquisa e a extensão.

Como exigir de um professor mestre ou especialista que submeta um projeto de pesquisa a algum órgão de fomento já que em todos os editais a exigência é que o coordenador tenha título de doutor? Se pensarmos em termos internacionais ai sim, é fundamental aumentar o número de doutores nas universidades brasileiras, sejam públicas ou privadas para termos visibilidade, vejam o exemplo da USP ranqueada entre as 40 melhores do mundo. Isto é fato, as universidades do Sudeste só abrem concurso para doutores, e porque o mesmo não se repetir Brasil afora?

É fundamental que o MEC abra os olhos e normatize tais concursos antes que todas as vagas sejam preenchidas por não Doutores. Esta é a melhor forma de incentivar os mestres a se tornarem doutores e os especialistas se tornarem mestres e posteriormente doutores. Caso isto não seja feito as universidades deverão arcar com este custo de Up Grade acadêmico de transformar os seus professores em doutores usando o dinheiro da sociedade enquanto alguns milhares de doutores amargam o peso da não colocação no mercado.

A universidades e institutos que utilizam desta prática alegam que não conseguem atrair doutores, mas será que é verdade? Ou não? Com quem esta á verdade? Eis a questão, Ubi Veritas?

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