Os meios de comunicação por força de lei devem ter cuidado ao colocar no ar reportagens sem antes fazer uma análise técnica do que esta sendo dito.
A reportagem a que me refiro dizia a respeito do caótico trânsito de Maceió. Ele é caótico por culpa única e exclusiva das autoridades da cidade e não pela falta de educação dos motoristas e pedestres como concluiu a reportagem, agravado pela falta de respeito das manifestações quase diárias. Tanto os apresentadores e a reporter que participaram da reportagem quanto o gestor da SMTT que foi entrevistado deram um show de como é fácil tirar o seu da reta usando o maior canal de comunicação atual que é a televisão. Foram filmados locais de trânsito rápido, como a região da antiga rodoviária, onde a SMTT irresponsavelmente pintou uma faixa de pedestre aonde deveria ter uma passarela. Aquele viaduto foi construído para desafogar o trânsito, e portanto, o pedestre também merece ser visto como um ator do mesmo. É muito fácil perceber que uma faixa ou um semáforo para pedestre vai simplesmente anular o objetivo da obra. Enquanto não vem a passarela a culpa recai sobre o motorista, que ao chegar naquele ponto já pegou o engarrafamento da Fernandez Lima e demais conexões, e caso todo o tráfego dali parar para a passagem dos pedestres, com certeza tudo pra cima ficará engarrafado. O melhor para as autoridades e jogar o pedestre contra o motorista e ficar de bonzinho só olhando, e o pior, com a ajuda da televisão. Isto pra mim se aproxima do que podemos chamar de formação de quadrilha, mas como não sou juiz muito menos advogado eu não posso fazer nada, só ficar com as minhas suspeitas.
Vamos ao ponto: é fato que em Maceió o número de carros somado ao número de pedestres supera em muito, e de uma forma criminosamente irresponsável, os espaços disponíveis para tanto uns quanto os outros conviverem pacificamente. Diga-se de passagem que tal crime estatal não é exclusividade de Maceió, toda cidade no Brasil com cerca de 500 mil habitantes ou mais que cresce desordenadamente sofre do mesmo mal. Enfim, voltemos a Maceió, o que acontece com a cidade é o seguinte: em toda obra pra melhorar o tráfego na cidade nunca é olhado o lado do pedestre, no máximo pinta-se uma faixa aonde deve ser construir uma passarela. Imagine só, a maior característica da cidade é o grande número de pessoas que andam a pé pelas ruas, porque pelas calçadas eventualmente é impossível trafegar, pois, via de regra estão tomadas pelo comércio. Dito isto o que deve ser feito? O mesmo que foi feito no centro, ou seja, em locais com um grande número de pedestres nas ruas é fundamental que se elimine ou reduza o trânsito de veículos, seja com a construção de calçadões, seja com o trânsito em mão única e aumento da largura das calçadas. Ou seja, é fundamental aumentar o espaço disponível para os pedestres.
O mesmo deve ser feito nos locais com grande trânsito de veículos, deve-se eliminar o trânsito de pedestres, seja com a construção de passarelas, seja com a colocação de cercas que impeçam que os pedestres cruzem a frente dos carros, enfim, o pedestre deve andar em um plano diferente do plano no qual os carros transitam. Meus amigos, pista de rolamento é feita para o trânsito de veículos, calçada é feita para pedestres. Será tão difícil entender algo tão simples? Posso preparar um curso de capacitação para treinar tanto as autoridades da cidade quanto os apresentadores e repórteres do citado tele jornal. E para facilitar o entendimento será ilustrado com figuras coloridas.
E o que fazer para as pessoas irem e virem, basta investir no transporte em massa e de QUALIDADE.
E por favor, parem de incentivar uma guerra desigual entre motoristas e pedestres, se não tem o que noticiar coloquem um programa cultural no horário do tele jornal. Será que tenho razão? Ubi Veritas?

