Eu não sou dois, e quando digo isso já sou três, pois não existiria eu sem que antes outro eu existisse.
E eu não sou par, pois tudo que é par é completo, e não há nada que exista em mim se não sombra de incompletude.
Não pertenço a ninguém, e se o faço ou o pareço fazer,não é por mal, é porque mesmo as flores quanto os espinhos tendem a estar no mesmo sÃtio, não porque se gostem, mas por estarem destinados a isto.
Eu não sou nem pequeno nem grande, depende muito mais do que se toma como padrão.
E eu não sou padrão, pois vejo que por fora e dentro de mim nada exista que não seja nuance.
E eu não sou mais eu…
Porque assim como as águas de um rio mudam de curso, assim eu sigo, deixando para trás quem um dia já fui, para entender aquilo que ainda virei a ser.
Mas tudo isso assim…  só.
Com a tristeza de quem não chorou e a alegria de quem ainda não sorriu.


