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A praga do voto vendido

sábado, julho 31st, 2010

Pois é.

É fogo de morro acima e água rebentando abaixo, tudo passando de eleição em eleição e a praga do voto vendido é uma prática nociva das mais corrosivas que a gente não consegue entender como é que se dá.

Na verdade, entender, entende; basta olhar pros lados e constatar o miserê da gota!

Aí entra essa abjeta jogada. E, sobre esta prática, até o TSE já fez campanha em cadeias de televisão.

De nada adianta, parece já entranhada no jeitinho brasileiro do votar em troca de quaisquer deztões, potocas emergenciais, brebotes ocasionais ou desimportâncias que fazem o paliativo momentâneo voto pelo agrado pecuniário, legitimando trepeças que representarão descompromissadamente essa mesmo gente vendida sem a menor parcimônia. E isso, acho eu, só empiora a situação que já é desembestadamente aguda no Brasil: broncas a fole!

O que é danado é que a grita pelas soluções dos problemas sociais são agigantadas a cada eleição que passa. Isso porque sujetinho passa fome, vive de bico, não tem escola, muito menos saneamento público, mora pendurado num morro ou embaixo da ponte sem a mínima condição de vida, se esborracha todo para conseguir o ínfimo ganha-pão, reclama dos transportes, da saúde pública, da polícia que não protege, das autoridades que não resolvem, do prefeito que não faz nada além de enricar e fazer o que quer, esperneia com tudo e, quando chegam às eleições, vendem o voto. Putzgrila!

Um despautério, né?

Há que se considerar que as práticas, tanto da compra de votos como da boca-de-urna são proibidas por lei, contudo todo mundo atua sambando ao arrepio da legislação.

O pior é que todo mundo sabe onde está acontecendo a derrama das esmolas em troca de voto, todo mundo sabe como é feita a transação, todo mundo sabe como agem na boca-de-urna e, apesar disso, nada é feito. Nem polícia nem Judiciário, mesmo sabendo onde ocorrem, chegam lá.

Alegam, pois, que basta um telefone anônimo, uma denúncia.

Ora, quem é doido denunciar?

No reino da impunidade, o sujeito que presta esse “desserviço†passará de cidadão vigilante para recalcitrante e mais perigoso transgressor dos “bons†costumes seculares da nojentice adquirida.

Pois, com certeza, como as coisas aqui andam ao contrário, o nome do petulante estará com todas as letras e as medidas do caixão na boca do algoz que, também com certeza, dará um desacerto no coitado do linguarudo.

Daí ainda vem aquele papo esdrúxulo de “todo mundo faz, por que não me aproveitar?â€. E é tão danado mesmo que quando a coisa degringola, só se pune o corrompido, nunca o corruptor – isso só com uma urucubaca da peste no meio de uma puxada de tapete ineivada. Quem corrompeu?

Pois é, todo mundo sabe, ninguém faz nada. É como a prática da propina, a espórtula institucionalizada na índole do brasileiro. E todo mundo sabe quem são os corruptos e os corruptores, mas só quando estes caem na desgraça de desagradar os achegados graúdos, é que a pele deles é descascada. Normalmente eles só caem debaixo da maior cruzeta, tramóia braba mesmo para desmoralizar o danado. Tirante isso, vista grossa para todos os lados.

O que fazer, afinal? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!

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