Olá, gentamiga,como diz o curau mais matuto da paróquia: ói eu aqui traveizi!!!
Como sou vaso ruim – feito diz o grande Maclém -, fico boiando. Ainda não foi dessa que emborquei. Confesso que enverguei, mas estou no ponto e pronto pra outra.
Passou a copa. Nem deu pra ver o jogo chocho de empate com Portugal, nem a lapada boa no Chile, muito menos o apagão do segundo tempo contra a Holanda. Parecia mais o governo de FHC, lembra? Chegou com pinta de resolver tudo e depois ficou naquela do não deu, armado na cláusula da reserva do possÃvel. Não segurou, já era. Assim mesmo foi o Dunga, era uma vez.
Ficou uma lição: futebol é uma metáfora da vida real, ou tragédia ou prêmio. Lidar com as duas precisa de resiliência. É como o cara e coroa: qual? Deu. Não deu. Foi, pós-modernamente.
Pois é, não deu pra ver nada da copa mesmo, nem quem ganhou, porque desde o dia 18 de junho que a vida pernambucalagoana deu uma desarrumada e perdeu o prumo. E depois de tudo perdido, quando a gente resolve aprumar a venta pra qualquer direção possÃvel, eis que as águas (e tudo que é do contra nessa hora), botam tudo a perder de novo. Apois, tá. Tudo feito aquela do lá vem o enterro voltando. E a gente só juntando os cacarecos que restou por aqui de novo.
Não deu mesmo pra ver nada porque a gente nem tinha se livrado da catástrofe, quando dei por mim, estava tudo alagado de novo. Duas enchentes? E então. Como o futebol: o impossÃvel também acontece. A França fez a gente de freguês. E a Holanda revidou. São Pedro achou pouco e fincou água no chão.
Com isso, a vida da gente virou rema remar, um sobe e desce danado, da gente ficar pior que SÃsifo e Fênix no balanço da canoa: das cinzas pra nada e vai e volta. Pra onde? Mas as TVs não mostravam a calamidade toda, a coisa era mais feia do que imaginam. Até o Lula viu isso. Mas como só valia copa do mundo, como sempre, nada de nada. Os de lá são mais importantes que os daqui.
Como tudo só vai pra onde a tv manda, nem sempre tudo é verdadeiro. Até na nossa catástrofe. Nada é mostrado da forma que é: só naquilo que mexer com bolsos graúdos e que ostente alguma coisa maior que a vida da gente: no final não valemos nada. E eu acendo minha cabeça de fósforo e fico a mandar patacoadas. Vamos aprumar a conversa? Vou falar daqui, como era Vandré: “e posso não agradar”.
Das coisas daqui tem outras: dizem por aà à boca miúda que tudo começou no açude das Nações, quando a Perdigão/Batavo achou de fazer uma barragem de acumulação para abastecimento pra sua unidade industrial, no leito do rio Papacacinha.
O que isso tem a ver com a cor da chita?
Seguinte: a copa já era e conforme matéria do Estadão e o depoimento da CIT de Bom Conselho que foi reproduzido no blog do jornalista Luis Nassif, o buraco é mais embaixo, cara pálida.
Sabe o que deu?
Segundo o professor Ricardo Sarmento Tenório, da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, a barragem estourou e virou um efeito em cadeia: barragens inundaram barragens e daà um tsunami tupiniquim inundou todo meio rural e urbano por onde passam os rios Canhoto, em Pernambuco, e Mundaú, em Alagoas. Resultado: rios, brejos e riachos tudo transbordando de arrastar até lembranças inesquecÃveis, bem como todos os festejos juninos e outras potocas mais. Parece que levou a seleção junto para que a gente possa olhar pra gente mesmo.
Se foi, há ainda que considerar que a Perdigão/Batavo já bancou muitos prefeitos, vereadores, deputados, governadores e senadores, afora anúncios de seus produtos nos principais veÃculos de comunicação de massa. Está explicado? Ou acha que alguém está doido de botar o dedo na ferida? Afinal, quem paga no final das contas? Entendeu ou quer que escreva por extenso?
Mas ninguém quer saber disso não. Se tinha uma copa do mundo, essa era a décima oitava, onde 9 tÃtulos eram europeus, agora 10; e outros 9 são latino-americanos (5 deles só do Brasil, 2 da Argentina e 2 do Uruguay contra 4 da Italia, 3 da Alemanha mais os da França e Inglaterra, agora o da Espanha), não dava pra perder essa disputa, né? Quem ficará na frente: Europa ou os terceiromundistas sulamericanos? Foi. Pro Brasil não deu e agora? Restava a garra argentina, uruguaia e paraguaia que dançaram, avalie. Só pediria uma coisa: cala a boca Galvão, pelamordedeus!!!
Entre tantas lições, o futebol nos dá mais uma: como o Estado não faz justiça, não resgata direitos nem equilibra as relações desequilibradas da nossa paradoxal e contraditória patriamada, só decide tudo pelo sinal de menor prejuÃzo. No futebol também: mesmo num erro escandaloso de cego checar, tudo morre na palavra final de um árbitro. E doa em quem doer. Êta, mundo véio, arrevirado e de porteira escancarada!
Vamos nessa!?
Dessa copa só ficou pra mim a dança do grande Tutu, as aprontadas da jabulani, as meladas da arbitragem, a musa gostosona do Paraguay, o paladar eca do técnico alemão e a esperança do Brasil voltar para ver a melecada toda que a gente está enfiado desde antanho.
Aà vem a encheção das enroladas eleitoreiras. Somente lengalenga e nada da gente sair do buraco. Se os polÃticos mentissem descaradamente menos e as eleições fossem mesmo coisa de dar um freio de arrumação na nossa desgraça, a coisa seria outra. Só serve para a mangação do Guia Eleitoral e a gente sapecar depois impropérios nos eleitos que compraram voto e não vão fazer pirocas nenhuma (a não ser encher o bolso deles com o puxa-encolhe dos interesses escusos dos poderosos).
Mesmo com essa descrença na cara-de-pau dos polÃticos, mesmo assim vou votar. Ainda não sei em quem, mas vou avaliar tudo, procurar um Ficha Limpa de lupa feito Arquimedes e sapecar meu voto. Pelo menos terei a consciência da minha missão cumprida na tentativa de fazer este Brasil um paÃs melhor. Pelo menos, né?
Então, vamos à luta, escolhendo o Ficha Limpa de mesmo – num balaio de podre sobra alguém? – , clamando pela justiça, aprumando a conversa & tataritaritatá!!!!
PS: Vem aà o lançamento do DVD do meu espetáculo infantil “Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas“. Enquanto isso, confira tudo no Brincarte ou no meu www.luizalbertomachado.com.br.


