
Estava eu no meio de uma reunião quando o celular me sacudiu com um estridulado insistente!
- Alô?
- Olha só, cortaram a energia, viu? –, disseram-me.
- Vôte!
- Foi. E arrancaram o disjuntor.
- Por que?
- Não sei.
Foi aà que eu liguei para a portaria do meu prédio e tomei pé da situação.
- Pois foi, seu Luiz, o cara lá da CEAL veio com um aviso de vistoria e eu acompanhei ele até lá, quando fez uma cara irônica, cortou a luz e arrancou o disjuntor dizendo que queria ver o senhor ligar a luz sem ele -, disse-me o porteiro.
- Como é?
- Foi isso mesmo, seu Luiz.
A reunião se prolongou pelo resto da manhã, passando pela tarde até pela noite adentro. E aquilo remoendo minha cabeça, atrapalhando minha concentração. Coisa danada, hem?
Quando eu saà tarde, fiquei pensando comigo como que podia a CEAL cortar uma luz com a conta devidamente paga e, ainda por cima, arrancar o disjuntor.
Chegando no meu prédio, o porteiro foi logo me dizendo:
- A CEAL acabou de sair, seu Luiz, restabeleceram sua luz e recolocaram o disjuntor no lugar. Agora uma coisa eu nunca vi: a CEAL re-ligar energia 9 horas da noite, isso eu nunca vi mesmo! -, disse-me para me apaziguar.
Realmente era muito estranho chegar um funcionário da CEAL de manhã, cortar a luz, arrancar o disjuntor e, de noite, voltar para re-colocar o disjuntor e re-ligar a luz.
Mistérios.
No outro dia tive a ingrata surpresa de me dar de cara com o funcionário da CEAL, com um sorriso maroto e me dizendo:
- O senhor paga muita energia, não é? Sua conta é muito alta. Se o senhor me der 250 reais eu faço um gato pro senhor economizar seu dinheiro e garanto que nem a CEAL descobre nem ninguém vem dar dor de cabeça pro senhor.
Olhei a lata de desplante do sujeito, fiquei encarando todo desproposito e dei-lhe as costas.
O pior ainda estava por vir: na conta do mês da Companhia Energética de Alagoas – CEAL, veio uma multa de auto-religação de 110 reais para eu pagar. Pode? O que restaria fazer, hem? Em quem confiar? A quem recorrer? Em Alagoas as coisas andam pra trás. Ou não?
Fiquei injuriado mais ainda, mas paguei. Sabia que se eu recorresse a qualquer instituição fiscalizadora ou reclamasse em Alagoas, a coisa não andaria, era só ouvido de moucos e eu ainda ganharia a antipatia de todos.
Nada não.
Por isso que o Brasil é o que é: quando não é corruptor comprando funcionário público, é corrompido dando cantada nos futuros corruptores.
Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!
Luiz Alberto Machado www.luizalbertomachado.com.br


