Posts para a tag ‘carnaval’

A Trupe do Fecamepa

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

FECAME~1

 

Gente, pela primeira vez em mais de 500 anos de camuflagens & presepadas, a trupe do FECAMEPA que, com certeza, desfila todo ano o ano todo e ninguém se dá conta do estrupício e do vitupério, agora sai do armário e promete botar para quebrar nas principais avenidas carnavalescas do país.

 

Eita! Vai bombar, eu sei, mesmo porque o bando dos cafasalafra não tem nada a perder e vai mostrar o poder de fogo da maior agremiação que faz deste Brasilzão a maior baderna trágica do planeta.

 

Pois é, perto dessa cambada qualquer escola de samba de gabarito é uma verdadeira pechincha. Bote fé!

 

O enredo traz a odisséia dos privilegiados tupiniquins, com o tema “Se existe futuro não verás país nenhum!”, onde são contadas pormenorizadamente as 5010 bancarrotas por segundo vezes milhares de golpes com todas as peripécias e falcatruas dos sabidos que chegaram lá e só se deram ao trabalho de virar urubu em cima da carniça, prometendo mundos e fundos no maior engodo de todos os tempos de sempre.

 

Na comissão de frente, vestidos a rigor com toda soberba peculiar está o Cabral fantasiado de Carmen Miranda com todo o séqüito de perós esfomeados e seus sicários, ladravazes, clérigos e outros facínoras apenados da patifaria de pior índole. Eles vão entoando o fado “Erramos o alvo, mas acertamos na botija, pá” com todo amostramento e sob o maior apupo da galera.

 

A segunda ala vem ao ritmo dos caboclinhos, os índios nus e estropiados com pinturas de guerra, índias fogosas rebolando aprisionadas e os jesuítas moribundos com uma imagem imensa do bispo Sardinha expondo a monumental faixa: “Não foram eles, não foram eles, é mentira!

 

A terceira ala traz o desfile dos negros acorrentados aos tombos com os seus tambores, bombos e alaridos, sob a imagem altissonante de Zumbi com a inscrição: “Liberdade pra sempre, Palmares”.

 

A quarta ala traz os açucarocratas barrigudos e vencedores enrolões, carregando uma imensa alegoria do maior símbolo dos mamoeiros: a usina de cana-de-açúcar. Eles expõem o barrunfado dos aditivos e refinanciamentos impagáveis dos contratos rurais, a substituição dos escravos por andorinhas humanas e a cara lisa da disfarçada isonomia do preço do álcool com a gasolina. Ih!

 

Na ala seguinte, os holandeses capitaneados por Nassau com uma alegoria “Não acreditaram em mim, agora é tarde!”, expondo a laranja mecânica do carrossel de Johan Cruijff e seu exército batavo composto por Marco van Basten, Dennis Bergkamp, Ruud Gullit, Patrick Kluivert, Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Clarence Seedorf, Ruud van Nistelrooy, dentre outros fregueses desde 94, com um estrondoso painel:onde se inscreve a frase: Nós apoiamos Calabar!.

 

Depois a outra ala, a dos mineiros aluados depois que surrupiaram todas as minas, agora só com todos os ouropéis restantes dos gerais, as vísceras de Tiradentes e os poemas dos Inconfidentes, cantando “Ó Minas Gerais, Ó Minas Gerais, Quem te conhece não esquece jamais, Ó Minas Gerais”.

 

Logo a seguir, a ala com D. João VI acompanhado de Carlota Joaquina e toda a corte de larápios suntuosos e refinados catingosos fugindo de Napoleão, abrindo os portos e afanando todas as pilas no solfejo: “Nós amamos o Banco do Brasil!”.

 

No meio da súcia, D. Pedro I com a espada empunhada aos berros: “Independência ou morte!” ao som de “(…) Brava gente brasileira! Longe vá temor servil Ou ficar a Pátria livre Ou morrer pelo Brasil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil”.

 

Na retaguarda D. Pedro II se escafedendo ao som de O Guarani de Carlos Gomes e com quase todos os lusos com os pés na bunda.

 

Engatados nessa malta, os barões do café com a União Democrática Ruralista – UDR, desfilando toda prepotência dos bandeirantes que desbravaram e foderam a alma de muito ser vivente. E ainda acham pouco.

 

Logo atrás a turma da República com os cavalos-batizados dos marechais e seus lambecus, os positivistas e os maçons entoando disfarçadamente o estribilho: “(…) Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!

 

A ala seguinte traz o Estado Novo de Getúlio Vargas com os militares, os gritos da Semana de Arte de 22, as arengas dos pioneiros da Educação e misturando tudo daqui com fascismo, populismo e reforma com base na Carta Del Lavoro.

 

Depois muitas turbulências, relâmpagos, trovões, vem a mais ouriçada das alas onde aparece Juscelino Kubitschek sob uma chuva de confetes e serpentinas, carregado pela turma da Bossa-Nova, do Cinema-Novo, da coisa nova que era “50 anos em 5”.

 

Depois dele, Jânio Quadros varrendo todo lixo pra sua casa, dando palmada nas bundinhas dos biquínis e gritando: “Isso é uma vergonha pro Brasil!”. E, logo após, Jango fugindo dos militares do golpe num pega-pra-capar com o lema “Liberdade jamais”.

 

Depois soldados, soldados, soldados. tanques de guerra, fuzis, carabinas, bazucas, metralhadoras, cavalos, soldados, soldados, soldados. Tudo ao som do hino do Tri e segurando o que é seu que ninguém é de ferro, né? Cadê os generais, almirantes e estrelados? Ôxe, só espaço vazio com uma bandeira enorme com a inscrição: “Nós limpamos o Brassilsilsilsilsilsi!!!!”.

 

Ao som do “O bêbado e a equilibrista”, da dupla Bosco & Aldir na voz de Elis, das bandeiras do Pasquim, dos desenhos do Henfil, das músicas do Chico Buarque e de muita esperança adiada, vem a ala da redemocratização disfarçada na posse que não houve de Tancredo-primeiro-ministro de novo, aos planos furados do Sarney e muita maracutaia nos balaios de gato. É a ala da Era da Nova República, “um sorvete em pleno sol”.

 

Acompanhando essa turma vem a cambada do Collorido algemado com a República das Alagoas e o Itamar todo enfeitado de cabide de calcinhas e tangas, com batom até no cabelo.

 

Na penúltima ala, lá vem FHC feito um inseticida vencido com pinta de estadista, puxando por uma mão, o Real e, na outra, Dona Rute lhe dando um esculacho, sendo acompanhada por todos os asseclas em cima do muro da tropical Social Democracia, das privatizações, das flexibilizações e das enrolações para a venda do país.

 

Por fim, a última ala do oba-oba avermelhado dos metidos a sérios carregando o aceno de Lula & Mariza a bordo do aerolula, acompanhado dum bocado de olhões dos excluídos, miseráveis e assalariado com uma flâmula tremulando em cada mão onde há uma paráfrase de O Corvo de Edgar Allan Poe: “O Brasil, nunca mais!”.

 

É a festa ao som do samba “Descobrimento do Brasil” de Gonzaguinha & Ivan Lins.

 

Quando tudo passa, ainda tem folia?

 

O que resta, então? Hum… Oxe, viva o carnaval!

 

Se dirigir, não beba. E se beber, me chame que a gente toma uma de estuporar tudo da sexta até a quarta-feira de cinzas.

 

PS: Não deixe de curtir os frevos da Folia Tataritaritatá no http://blogdotataritaritata.blogspot.com/ e a recreação infantil “Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas” no http://brincabrincarte.blogspot.com/ & feliz carnaval!!!!

PDF Creator    Enviar artigo em PDF   

A troça dos fabos

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

charge carnaval

Olhai, gente!

 

Já que o Brasil pára mesmo a partir de todo dezembro e segura as topadas para quando tudo começar a funcionar depois da gente sacolejar o espinhaço, soltar as camuflagens e botar pra frevar, vale, então, saber como é que fica e no que vai dar depois da festança toda.

 

O que sei que enquanto rolar fevereiro, a pândega rola solta no carnaval. E vamos que vamos, na santa frevada estimbungue solto na hora dos blocos, grêmios, escolas de samba, grupos de caboclinhos, guerreiros, troças, fuleragem a fole das trupes, viadagem e arteirice na bagaça, tudo lavando a engrenagem da caveira com a maior das carraspanas para se desligar das aperturas numa esvoaçante aventura pelos dias da maior festa do mundo.

 

Eu mesmo, gente, tô nessa e não abro nem prum trem! Estimbungue!

 

É quando me chega a notícia de que um desfile enfim ocorrerá, quando uma troça de galdripanas e bedeguelas apólidas invadirá todas as avenidas do país.

 

Trata-se da Troça dos Fabos.

 

Essa merece atenção redobrada porque arrebatará todos os prêmios nacionais, internacionais e quiçá universais também.

 

Vai ser o maior impado de ufanidade quando a gente provar que não só é pentacampeão do mundo no futebol ou campeoníssimo de outras baboseiras mais.

 

Essa vai botar pra rachar mesmo!

 

Antes de me encherem o saco perguntando o que droga é Fabo, eu digo: é o mesmo que Fabricante de Bosta, ou seja, o que todo brasileiro em sua esmagadora maioria é.

 

Por isso vai juntar tanto ocrídio monopse que se tornará a maior agremiação carnavalesca de todos os tempos, digna de menção nos anais da história vindoura. Quem viver, verá.

 

Bem, afinal o que é um Fabricante de Bosta mesmo, hem?

 

Simples, contraditória, paradoxal e complexamente é: aquele que leva vantagem em tudo, não bate prego sem estopa, entende de qualquer riscado, é amigo-da-onça, sectário inarredável, moralista de pau-oco, religioso de meia-tijela, enrica na Sudepone, não está nem aí para quem pintou a zebra, além de ser um verdadeiro baba-ovo.

 

Quer mais?

 

Tem: ele é só do contra, é um chato-de-galocha, só dá nó-cego e adora quanto mais purpurina melhor.

 

Entre as suas características ainda convém ressaltar a sua situação de ambivalente e de digitígrado, agératos escatimosos, solertes estaurólatras, siticulosos patuscos, vixe! Uma praga!

 

Um Fabo quando não é Pelé vira gandula que faz gol.

 

Quando não enche o saco, manda vírus pelo computador.

 

Quando não tem o que fazer, de nada arruma uma briga.

 

Quando quer fazer alguma coisa, pega carona na idéia dos outros.

 

Quando endoida come merda dele mesmo e torra dinheiro alheio.

 

Tudo isso quando não vira cover de tudo e se aproveita da leseira dos bestas, fã de big-brother, vende lixo por ouro e gato por lebre.

 

Tem mais: como é sabido que só, ele é perito no 5 deitado, 1 em pé e 4 rodando, manjou? E isso embaixo dos cobertores, ninguém viu, ninguém sacou. Só na moita.

 

Ah, ainda pula o muro para não gastar o ferrolho, se empazina com mortadela e arrota lagosta e só quer aparecer bem na fita porque está sempre por cima da carniça.

 

Também está aboletado jupiterianamente em todas as instituições das 3 esferas dos Poderes Públicos.

 

É mole?

 

Um detalhezinho importante é a de que quem não se enquadrou nessa descrição, das duas, uma: ou tá doido para se enturmar ou tá morrendo de inveja se roendo todo.

 

Como é uma troça de notáveis e anônimos, por questão de segurança (e de frescura mesmo), ela sairá em dia não determinado durante o carnaval porque já se amostram às escondidas e sob todos os holofotes midiáticos anos inteiros, isso desde que me entendo por gente de janeiro a dezembro, mas que só agora estão sendo descobertos sob esta nomenclatura.

 

Quer dizer então que podem surgir na semana pré, ou de preferência enquanto todo mundo tiver sacudindo a loucura e eles aprontarem aumentando os salários dos colegas parlamentares e do resto da cambada toda.

 

Pode ser que apareçam na terça-feira gorda para desviar a atenção de alguma pinóia braba.

 

Ou mesmo só entrarem na quarta-feira de cinzas, escondidos atrás do Bacalhau do Batata só para não dizer que não participaram às claras.

 

Afinal, eles existem, todo mundo vê, mas eles pensam que são invisíveis. E incólumes.

 

Aos interessados em se aglomerar nessa jactante e abjeta trupe, a assessoria de imprensa afirma que não haverá número limitado de participantes, podendo, pois, todo mundo se achegar bastando apenas se enquadrar entre os famigerados facínoras enrustidos, onanistas camuflados e surrupiadores afins, mangando de si e dos 180 milhões e lá vai tampão de abestalhados brasileiros.

 

Ressaltam que o desfile não procederá com alas nem nada que discrimine vez que se eles não se reconhecerem, com certeza não terão nenhuma hierarquia: tudo num bolo só.

 

Ou como se diz no popular: tudo farinha do mesmo saco.

 

O enredo será “De como uma terrinha tupiniquim dita paraíso tropical vira uma esculhambação sideral”, animada ao som da legendária marchinha do trio Ivan, Homero & Glauco Ferreira: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí”. Isso apresentando fantasias que vão desde cuecas endolaradas, pidões descarados, fofoqueiros da terrinha, alcagüetes da nação, servis caboetas, sorumbáticos das cagadas, misantropos dos desgovernos, tapias eurístomos, gandaieiros tardíloquos, pelegos da zona, traficantes do fisco, xumbetas bilionários, servidores da espórtula, pedófilos evangelizados, vampiros da saúde, lapiaus de merenda, sindicalistas da zona, sifrões gigantescos, propinodutos invisíveis, coroinha da bixiga-lixa e até o escambau! Tudo remontando as asneiras de quinhentos e tantos anos de vícios, safadezas e maruagens de colônia, pseudo-império, republiqueta velha e nova, tocada sob “Yes, nós temos bananas!”.

 

Com certeza essa troça será manchete em todos os jornais, tvs, rádios e sites do universo.

 

Vão dar pano pras mangas pros outros países aprenderem a como fazer de uma tragédia a mais hilariante piada universal.

 

Afinal, tudo é carnaval!

 

Veja mais acessando: www.luizalbertomachado.com.br

PDF Download    Enviar artigo em PDF