
Gente, pela primeira vez em mais de 500 anos de camuflagens & presepadas, a trupe do FECAMEPA que, com certeza, desfila todo ano o ano todo e ninguém se dá conta do estrupício e do vitupério, agora sai do armário e promete botar para quebrar nas principais avenidas carnavalescas do país.
Eita! Vai bombar, eu sei, mesmo porque o bando dos cafasalafra não tem nada a perder e vai mostrar o poder de fogo da maior agremiação que faz deste Brasilzão a maior baderna trágica do planeta.
Pois é, perto dessa cambada qualquer escola de samba de gabarito é uma verdadeira pechincha. Bote fé!
O enredo traz a odisséia dos privilegiados tupiniquins, com o tema “Se existe futuro não verás país nenhum!”, onde são contadas pormenorizadamente as 5010 bancarrotas por segundo vezes milhares de golpes com todas as peripécias e falcatruas dos sabidos que chegaram lá e só se deram ao trabalho de virar urubu em cima da carniça, prometendo mundos e fundos no maior engodo de todos os tempos de sempre.
Na comissão de frente, vestidos a rigor com toda soberba peculiar está o Cabral fantasiado de Carmen Miranda com todo o séqüito de perós esfomeados e seus sicários, ladravazes, clérigos e outros facínoras apenados da patifaria de pior índole. Eles vão entoando o fado “Erramos o alvo, mas acertamos na botija, pá” com todo amostramento e sob o maior apupo da galera.
A segunda ala vem ao ritmo dos caboclinhos, os índios nus e estropiados com pinturas de guerra, índias fogosas rebolando aprisionadas e os jesuítas moribundos com uma imagem imensa do bispo Sardinha expondo a monumental faixa: “Não foram eles, não foram eles, é mentira!”
A terceira ala traz o desfile dos negros acorrentados aos tombos com os seus tambores, bombos e alaridos, sob a imagem altissonante de Zumbi com a inscrição: “Liberdade pra sempre, Palmares”.
A quarta ala traz os açucarocratas barrigudos e vencedores enrolões, carregando uma imensa alegoria do maior símbolo dos mamoeiros: a usina de cana-de-açúcar. Eles expõem o barrunfado dos aditivos e refinanciamentos impagáveis dos contratos rurais, a substituição dos escravos por andorinhas humanas e a cara lisa da disfarçada isonomia do preço do álcool com a gasolina. Ih!
Na ala seguinte, os holandeses capitaneados por Nassau com uma alegoria “Não acreditaram em mim, agora é tarde!”, expondo a laranja mecânica do carrossel de Johan Cruijff e seu exército batavo composto por Marco van Basten, Dennis Bergkamp, Ruud Gullit, Patrick Kluivert, Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Clarence Seedorf, Ruud van Nistelrooy, dentre outros fregueses desde 94, com um estrondoso painel:onde se inscreve a frase: Nós apoiamos Calabar!.
Depois a outra ala, a dos mineiros aluados depois que surrupiaram todas as minas, agora só com todos os ouropéis restantes dos gerais, as vísceras de Tiradentes e os poemas dos Inconfidentes, cantando “Ó Minas Gerais, Ó Minas Gerais, Quem te conhece não esquece jamais, Ó Minas Gerais”.
Logo a seguir, a ala com D. João VI acompanhado de Carlota Joaquina e toda a corte de larápios suntuosos e refinados catingosos fugindo de Napoleão, abrindo os portos e afanando todas as pilas no solfejo: “Nós amamos o Banco do Brasil!”.
No meio da súcia, D. Pedro I com a espada empunhada aos berros: “Independência ou morte!” ao som de “(…) Brava gente brasileira! Longe vá temor servil Ou ficar a Pátria livre Ou morrer pelo Brasil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil”.
Na retaguarda D. Pedro II se escafedendo ao som de O Guarani de Carlos Gomes e com quase todos os lusos com os pés na bunda.
Engatados nessa malta, os barões do café com a União Democrática Ruralista – UDR, desfilando toda prepotência dos bandeirantes que desbravaram e foderam a alma de muito ser vivente. E ainda acham pouco.
Logo atrás a turma da República com os cavalos-batizados dos marechais e seus lambecus, os positivistas e os maçons entoando disfarçadamente o estribilho: “(…) Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!”
A ala seguinte traz o Estado Novo de Getúlio Vargas com os militares, os gritos da Semana de Arte de 22, as arengas dos pioneiros da Educação e misturando tudo daqui com fascismo, populismo e reforma com base na Carta Del Lavoro.
Depois muitas turbulências, relâmpagos, trovões, vem a mais ouriçada das alas onde aparece Juscelino Kubitschek sob uma chuva de confetes e serpentinas, carregado pela turma da Bossa-Nova, do Cinema-Novo, da coisa nova que era “50 anos em 5”.
Depois dele, Jânio Quadros varrendo todo lixo pra sua casa, dando palmada nas bundinhas dos biquínis e gritando: “Isso é uma vergonha pro Brasil!”. E, logo após, Jango fugindo dos militares do golpe num pega-pra-capar com o lema “Liberdade jamais”.
Depois soldados, soldados, soldados. tanques de guerra, fuzis, carabinas, bazucas, metralhadoras, cavalos, soldados, soldados, soldados. Tudo ao som do hino do Tri e segurando o que é seu que ninguém é de ferro, né? Cadê os generais, almirantes e estrelados? Ôxe, só espaço vazio com uma bandeira enorme com a inscrição: “Nós limpamos o Brassilsilsilsilsilsi!!!!”.
Ao som do “O bêbado e a equilibrista”, da dupla Bosco & Aldir na voz de Elis, das bandeiras do Pasquim, dos desenhos do Henfil, das músicas do Chico Buarque e de muita esperança adiada, vem a ala da redemocratização disfarçada na posse que não houve de Tancredo-primeiro-ministro de novo, aos planos furados do Sarney e muita maracutaia nos balaios de gato. É a ala da Era da Nova República, “um sorvete em pleno sol”.
Acompanhando essa turma vem a cambada do Collorido algemado com a República das Alagoas e o Itamar todo enfeitado de cabide de calcinhas e tangas, com batom até no cabelo.
Na penúltima ala, lá vem FHC feito um inseticida vencido com pinta de estadista, puxando por uma mão, o Real e, na outra, Dona Rute lhe dando um esculacho, sendo acompanhada por todos os asseclas em cima do muro da tropical Social Democracia, das privatizações, das flexibilizações e das enrolações para a venda do país.
Por fim, a última ala do oba-oba avermelhado dos metidos a sérios carregando o aceno de Lula & Mariza a bordo do aerolula, acompanhado dum bocado de olhões dos excluídos, miseráveis e assalariado com uma flâmula tremulando em cada mão onde há uma paráfrase de O Corvo de Edgar Allan Poe: “O Brasil, nunca mais!”.
É a festa ao som do samba “Descobrimento do Brasil” de Gonzaguinha & Ivan Lins.
Quando tudo passa, ainda tem folia?
O que resta, então? Hum… Oxe, viva o carnaval!
Se dirigir, não beba. E se beber, me chame que a gente toma uma de estuporar tudo da sexta até a quarta-feira de cinzas.
PS: Não deixe de curtir os frevos da Folia Tataritaritatá no http://blogdotataritaritata.blogspot.com/ e a recreação infantil “Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas” no http://brincabrincarte.blogspot.com/ & feliz carnaval!!!!


