
É janeiro e o sol contempla todas as manhãs no maior exemplo de justiça que se possa imaginar.
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É assim como eu vejo, podendo não ser esta a mesma ótica de outros, interpretando, então, cada qual ao seu modo. Este é o meu olhar.
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Mesmo que leve oito minutos e meio para tocar a pele bronzeando nossas mentes, o disco alado, indiscriminadamente, reluz para brancos, pretos, cafuzos, mamelucos, crioulos, mulatos, arianos, caboclos, mongóis, germanos e cores várias.
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Seja católico, batista, pentecostal, confucionista, judeu, quackers, budistas, anti-semitas, ateus.
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Seja que sexo for: homo, hetero, trans, hermafrodita ou assexuado.
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Seja flamenguista ou de que time for, ou ainda iconoclasta, maluco ou desdentado.
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Seja, enfim, rico, pobre, emergente, descamisado, bem-aventurado, burguês, desafortunado, aristocrata, quem quer que seja, o seu fulgir nos dá o privilégio de constatar a maior e mais verdadeira liberdade.
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Seja através do prisma de Newton ou nas citações da Cidade de Campanela, aprendemos que “o amor à coisa pública aumenta na medida em que se renuncia ao interesse particular… ninguém deve apropriar-se das partes que cabe aos outros“.
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E mesmo sob as vicissitudes inopinadas, do etéreo brilhante devemos ter a mesma atitude de Manco Capac, o inca primeiro, que abriu os olhos e inquiriu das criaturas da ignomÃnia, o que esperavam de tal vileza quando o sol dava vida para serviço dos homens e vegetais e tudo do mundo.
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Ou como os Maias e a bela lição de modéstia de vigoroso astro, fazendo do ser humano um ser subalterno e acidental.
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Fábulas maias pregam que se se nasce de noite, só se realiza ao alvorecer.
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Irradiante, pois, nos ensina que os deuses são matinais para honrar a alma, indo, com sua majestade, do oriente ao ocidente a caminho da constelação de Lira.
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E eu, curaca silente, tiro minhas sandálias para sentir o chão, voltado para o leste, aplaudindo o espetáculo dos clarões da aurora dourando a vida de todos.
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Beijo, na catarse do momento, os primeiros raios e os guardo no meu relicário para entregá-los à s mãos puras que “contemplam-no como a imagem de Deus, chamam-no de excelso rosto do Onipotente, estátua viva, fonte de toda luz, calor, vida e felicidade de todas as coisas“.
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Por isso, sigo fiel contrito pelas supremas hierofanias solares, colhendo no Livro dos Mortos: “o ontem me criou. Eis hoje. Eu crio amanhãs“.
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© Luiz Alberto Machado. www.luizalbertomachado.com.br


