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Entre fichas toscas & zoadeiro brabo!

domingo, setembro 12th, 2010

Nesses tempos de eleição, lengalenga e fuleragem, nada melhor que refletir sobre a sua vida e a de todos os brasileiros. Afinal, se você acha o Brasil uma merda, a culpa também é sua. Quem mandou eleger trastes para dar um rumo pra nossa vida?

Se a gente fizer uma retrospectiva nos últimos 22 anos de vigência da Carta Cidadã, a gente botou um bocado de trepeça nas prefeituras, nas Câmaras de Vereadores, nos governos estaduais, nas Assembléias Legislativas, no Congresso Nacional e na presidência da República.

Por causa disso, a saúde está doente, a segurança insegura, a educação emburrecida, a previdência imprevidente e a coisa mais empenou pro nosso lado castigando nosso couro. Resultado: coprólitos irresponsáveis que a gente soltou a granel, deu cabo da gente se atolar ainda mais na maior mutreta!

Ressalva: não que eu esteja fazendo uma apologia nostálgica do período ditatorial ou da presepada que foi a nossa vida da colonização dos perós até a republiqueta mandonista e oligárquica dos tempos pós-getulista. Nada disso. O que eu estou dizendo é que se eles cagaram tudo de 1500 até 1988, daí por diante, a cagada passou a ser nossa, viu?

É bom pensar também que se sua vida é uma bosta – nada demais, você está atolado nela mesmo desde que nasceu -, então seja solidário: tem gente que se enfiou no tolote há muito tempo com o pé enfiado na jaca e a alma com cabeça de Ema, que até hoje não conseguiu dar jeito pra se perfumar.

É preciso que a gente institua individualmente a gestão das flatulências descabidas, dos borborigmos despropositais, e parar de excretar o que todos nós – Fabos da vida – só aprendemos a fazer a vida toda: fabricar tolotadas.

Então, olho aberto e fé em Deus (se ainda resta algum deus que nos salve dessa tragédia toda. Leia-se: Equívocos dos filhos de Caim – http://www.tataritaritata.com.br/croniqueta6.htm)

Se você é daquelas que vai na conversa do Serra, lembre-se que ele estaria melhor na fita com a Família Adams, ou no Congresso Nacional com aquela cara de coveiro que sabe dar golpes baixos para equilibrar o bafafá geral.

Se não consegue visualizar saída, então é só perceber que o negócio mesmo parece que é melhor você brincar de uni-duni-tê entre Dilma e Marina, fechando os olhos e atirando no escuro. Mas se for mais pessimista, melhor apostar no Doro (vide perfil do sujeito acessando: http://tudoglobal.com/tataritaritata/25421/doro-o-futuro-presidente-do-brasil.html), pois este não tem partido, é ficha podre na Serasa (pelo menos, né?) e tá doido para arrumar um hacker boca-quente para enfiar a foto dele na urna eleitoral. Se conseguir esse intento, está eleito. Não duvide.

Verdade! Depois de assistir o Hilário Eleitoral Gratuito, minha nossa! Ainda existe óleo de peroba? O que tem de cara-de-pau pintando de probo, não está no gibi.

Por isso, em prol do Doro tem muitas coisas: não tem vice, não se aliou com senador, deputado ou governador algum, está lascado em bandas (mas quem num tá?) e, ainda, por cima, perdeu o prazo para registrar a candidatura no TSE. Por causa disso, ele está correndo pelas beiradas, não está sujeito à legislação, não quer saber do horário gratuito para não encher o saco de ninguém, não aluga sua paciência e nem sai com carro de som poluindo seu juízo.

A plataforma dele está assentada no Programa Educacional Revolucionário Escambau, no qual todo mundo será alfabetizado de uma hora pra outra, teibei!; na limpeza geral do Fecamepa; em aparecer pra ser glorificado com os 15 segundos de glória que todo mundo tem direito; e não se arvorar a fazer promessa alguma (segundo ele, não sendo santo, não promete nada).

No meio desse mata-burro, eu prefiro sacanear com a chacrínica proposta de aumentar a confusão, colocando no bolo das melecas uma questão bastante chata como a de saber quem atende pior: o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal? (Vide o rancking desse jogo duro: http://blogdotataritaritata.blogspot.com/2010/08/competicao-da-ruindade-bb-x-caixa.html). O que você acha?

Sei que a senhora já deve estar com o açucareiro esborrando pela goela com as minhas lorotas, mas veja só: se a gente não encarar a coisa em cima duma risada, pipoca tudo da gente ter um troço, é ou não é? Então, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!

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Voto moral

terça-feira, agosto 24th, 2010

A consolidação indubitável da democracia é confirmada, dentre outras ações, pelo exercício pleno do voto. Por resultado de tal participação, a escolha individual se reflete no anseio da coletividade, formando, assim, livremente, os desígnios da população.

Afinal, com o embate eleitoral nasce o nosso discernimento para optar por aquele que represente bem os nossos objetivos, muito embora a gente nunca tenha acertado. Pelo menos tentamos e precisamos tentar sempre.

Infelizmente, com a pugna dos candidatos nasce o caos e, com ele, uma grita de discordâncias que vai se insinuando até se acentuar claramente sobre a nossa preferência.

Na verdade, é um zoadeiro dos diabos que não leva a lugar nenhum. Isso porque se é para o bem da democracia, temos de fazer cumprir o nosso papel.

Por causa disso somos molestados por despropósitos imensuráveis e imblóglios que mais confundem as já tacanhas frivolidades de metas nas arguições fúteis dos postulantes. É cada patranha chega dar nos nervos.

Virulentamente invadem com propostas perniciosas e inócuas a nossa santa paciência, carregados de imposturas e engodos, como o de salvar a humanidade de mais de milhares de anos de vícios em apenas um mandato.

Os detentores dos despautérios se comprometem a melhorar nossa condição de vida, quando tal propositura foge das esferas de tal pleito.

Para se ter uma idéia do desplante, os intrépidos sequer encaram de frente as contradições sociais já imanentes nas questões por eles advogadas, desconhecendo totalmente a tragédia que há por trás da nossa sobrevivência. Inclusive, muitos dos que estão agora pleiteando cargos eletivos já tiveram oportunidade de representar nossa gente. E, apesar disso, nada fizeram ou se tem feito para amenizar as rachaduras de tais contradições. Pelo contrário, avalizaram o tempo todo tais controvérsias.

No entanto, esses incólumes pretendentes prometem deus e o mundo, azucrinando não só com os seus portentosos carros-de-som nossos ouvidos, com as mais fervorosas aparições, com discursos de meia tigela, encardidos pela força do tempo, com a imunidade dos santos e a impunidade dos desmiolados.

Mesmo assim, desprestigiados sob a pecha da ineficiência, fazem tudo para chamar atenção, não conseguindo esconder no bojo de suas candidaturas que por trás das decisões políticas, há todo um processo de acordo, conchavos e pizzas. E que no final das contas, sobra pra gente mesmo. E só.

Perdulários, insistem em não admitir que o legislativo seja um antro de aves de rapinas, sedentas de poder; que o executivo seja o ninho das raposas obesas, sentadas sobre o baú dos interesses gerais; e que o judiciário seja a preguiça absorta, contando cifrões e sentenças prescritas.

Falastrões, apenas, com discursos distantes da ação inventam de tudo antes das eleições. Depois, quem vê o cara de novo morre, só de 4 em 4 anos mesmo quando eles precisam abrir os dentes, os braços e o bolso de novo. Sem contar a nossa triste recaída de reeleger as trepeças mais reincidentes da história. Eu mesmo só vejo todo mundo dizer que fulano dos grudes não podia ser sequer eleito, quando, na verdade, o sujeitinho já tem 5 ou 6 mandatos encarreados, reeleito ninguém sabe como. Coisas do Brasil mesmo.

Contudo, devemos exercer o voto seguindo o critério moral, seja na majoritária, quanto nas proporcionais.

Vigilantes.

O voto deve ter o sentido do dever cumprido para produzir efeitos benéficos e cobrar dos nossos eleitos que alijem todos os trapaceadores que sequer ruborizam diante do flagrante dos seus próprios pecados.

O sufrágio universal é a nossa subscrição voluntária na participação de nossa posição antagônica mediante tantos descalabros.

Precisamos exercer a cidadania e, com ela, pleitear condições mais favoráveis de vida. E isso votando consciente para que o Brasil possa contar, de verdade, com o brasileiro.

PS: Lançamento do DVD do meu espetáculo infantil Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas. Confira detalhes acessando: http://brincabrincarte.blogspot.com/ ou www.luizalbertomachado.com.br

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Desejo ganha FEMI 2010

sexta-feira, agosto 13th, 2010

A minha música “Desejo†nasceu de sopetão. Foi. Tudo começou um dia quando a namorada me ligou de manhã com um convite para o almoço.

Estava eu, na época, como redator geral de uma emissora de rádio, carregado de trabalho até as pestanas. Coisa de louco. Era que toda manhã era correria da grande, iniciada pelas 4 da madrugada e só se concluía por volta do meio dia, quando eu entrava no ar para apresentar outro programa jornalístico. Era uma barra ter que preparar um jornal com uma crônica diária que ia pro ar às 7 em ponto, elaborar notícias para serem veiculadas de meia em meia hora, até fechar o programa noticioso de meio dia. Estafante, porém, tarefa deliciosa demais. Foi exatamente no meio dessa loucura, que recebi a intimação com hora e local marcados e, não tendo escapatória, aceitei. Afinal, era uma convocação irrecorrível.

Lá, por volta das 13 horas, eu cheguei todo avexado, como sempre. O suor correndo da tampa aos fundos aumentava mais o meu vexame. Entretanto, era hora de relaxar da labuta diária e tomar ciência da razão do convite. Foi quando de forma inexorável e com cara de poucos amigos, a namorada tascou:

- Sabe que dia é hoje, Luiz Alberto Machado?

Ih! Pelo soletrado do meu nome completo, sabia que coisa boa não viria para minha banda.

- Sei -, respondi.

- Então, me diga que dia é hoje?

- Sexta-feira!

- Sexta-feira de que mês?

- Sexta-feira, 18 de abril de mil novecentos e…. -, soltei sem nem saber direito mesmo que ano era (acho que foi de 86, 87 ou 88, por aí, um desse).

- Certo. E o que isso representa, Luiz Alberto Machado? -, cada vez que ela dizia meu nome de forma repuxada, enfática e detalhada, mais eu percebia que o mar não estava para peixe.

- Hum?!?

- Isso mesmo, senhor Luiz Alberto Machado. O que representa o dia de hoje?

Gente, eu vasculhei todos os arquivos do cérebro e só me vieram à memória as comemorações do Dia de Monteiro Lobato e, por causa disso, o Dia Nacional do Livro Infantil, também Dia do Amigo, aniversário de morte de Einstein e… (era me lembrando e gaguejando em voz alta, e ela só sim, sim, sim…. e que mais?). Vixe, que aperto! Que mais? Será que esqueci algo importante? Danada dessa minha ignorância, sempre passando batido em tudo. Ô memória para me deixar na mão.

- Que mais? -, indaguei com a cara mais atarantada de quem perdeu o bonde do mundo e com a sensação mais cínica de que estava passando em branco por algo que não deveria jamais farrapar.

- Sim, isso mesmo, senhor Luiz Alberto Machado.

- Peraí -, pedi arrego e fiquei matutando enquanto tapiava com pedido de cerveja.

- Hum…. deixa ver, 18 de abril, é… e…. -, rebuscava até dos registros acásicos para minha salvação naquele momento cilada e ingerindo ligeiramente a cerveja. Que saia-justa! E me arrependi de ter aceitado o convite na hora.

- Pois é, senhor Luiz Alberto Machado. Já que não se lembra, vou refrescar sua cabecinha tola: hoje é meu aniversário. E agora vou deixá-lo num mato sem cachorro: cadê meu presente?

Minha nossa! E agora? Procurei terra no chão, não encontrei. Procurei um buraco para me socar e nada. Danou-se! Como sair dessa, hem? Não deu outra. Com o riso mais amarelado impossível, peitei:

- Surpresa! O seu presente está na mala do carro! Queria mesmo ver a sua carinha de invocada mesmo! Peraí, deixa eu tomar uns goles que já vou trazer o seu presente.

Fiz o que pude para empurrar com a barriga a situação. O que eu tinha para dar de presente? Nada. Sair correndo para comprar àquela hora só ia confirmar que eu me esqueci bonitinho da data. Não podia. Tinha que sair do aperto de qualquer jeito e tome gole e as catracas do quengo fumaçando. Gente, que viela! Pensei comigo: agora tô fudido mesmo. E tome gole de cerveja e blá blá blá.

- Luiz Alberto Machado não enrole, cadê meu presente?

As idéias davam nó no juízo quando arrisquei:

- Vou buscar, dois minutos só.

Virei o copo, saí do restaurante enquanto ela me acompanhava com o olhar aos mínimos movimentos. Abri a mala do carro e só tinha uns papéis, dois gravadores e o violão. Ih! E agora? Fiquei remexendo na mala do carro como que estivesse procurando algo. De vez em quando eu voltava o olhar para ver a situação e ela lá vigilante, inexorável. Fiz que procurava mexendo nas coisas, remexia tudo, revirava, mãos na cabeça, coração saindo pela boca, garganta seca, a terra rodando, a coisa ficando feia, quando resolvi pegar um calhamaço de papel, um dos gravadores e o violão. Voltei atrapalhado, papel voando, gravador se espatifando no chão, voltei, peguei o outro, apanhei o rebentado e segui pra mesa. Quando me sentei, ela cruzou os braços e fez a cara mais reprovadora do mundo. Ora botava as mãos nos quartos com ar nada açucareiro. Ah essa minha mania de estar sempre pulando aperto. Sempre assim. Contudo, não dei o braço a torcer e comecei a dedilhar o violão dizendo:

- Olha só, o seu presente está pronto, só que não decorei ainda. Vou ver se me lembro detalhadamente. É assim….

E fiquei enrolando versos criados na hora, cantarolando uma melodia que não existia e fazendo e refazendo tudo, sempre dizendo que havia lembrado, eita, já esqueci, ah, lembrei de novo, sim, é isso e assim foi.

Ao cabo de meia hora mais ou menos de peitica e peleja, eu disse:

- É isso, seu presente é esse:

Quero ficar no seu coração

E assim poder sonhar

Toda aventura que pintar da emoção

Todo fervura que brotar da sua mão

Para iluminar a reticência que aprumou a minha vida

E um dia ser feliz e nada mais

 

Quero ficar no seu coração

E assim me agasalhar

Do frio impune que semeia a solidão

E feito imune repetir a sensação

Que vai para lua na volúpia mais fervida

E um dia ser feliz e nada mais

 

E quando o jeito de você virar absoluta adoração

Será o véu perfeito e a ternura abraçará minha ilusão

Quero o meu destino a confundir-se com o seu

E sermos um, o que a sina prometeu

E o que sobrar de nós será um ninho verdadeiro

E um dia ser feliz e nada mais

Gente, verdade! Do jeito que fiz, ficou. Enrolei tanto que a música ficou prontinha com a letra e tudo. Ufa! Como estava em processo de criação não deu para acompanhar as feições que ela deve ter exposto na maior das desconfianças. Só sei que ao terminar de cantá-la todinha (devidamente registrada no gravador para não perdê-la e nem confiar na memória), eu abri os olhos e flagrei um lindo sorriso dela.

- É pra mim? -, perguntou-me com o jeito de menina angelical e com as faces risonhas de quem ganha um presente que gostou.

- Sim, pra você. É sua.

- Não acredito!

- Verdade. Vou copiar a letra agorinha aqui para que você guarde como o meu presente pro seu aniversário.

E copiei a letra numa folha, coloquei a data e assinei. Pronto, estava dado o presente.

Passaram-se os anos, o namoro se foi, mas a música ficou. Incorporei a letra nos meus livros publicados “Paixão Legendáriaâ€, de 1991, e na antologia “Primeira Reuniãoâ€, de 1992. E eu sempre cantarolei a canção nas minhas modestas apresentações musicais, em recitais, saraus, lançamentos e por aí, até o dia, muito tempo depois, em que Derinha Rocha pegou uma câmara e me filmou cantando a dita canção. A minha perfomance não estava lá grande coisa, mas gostei e aceitei a indicação de abrir uma página no YouTube. Por causa disso a coisa pegou e com poucos dias tinha mais 1 mil e 500 visitas. Fiquei, claro, maravilhado com isso.

Por causa disso, em 2007 (ou foi 2008?), a Sônia Mello me liga e diz que quer gravar essa e outras músicas minhas. Sonia Mello? Exatamente a cantora que nos anos 70 e 80 gravou uma penca de long-playngs só com músicas de Roberto & Erasmo Carlos. Eu mesmo já havia me apaixonado por ela só por causa da capa de um dos discos em que ela está encostada num SP2 (lembram? Era o carro dos meus sonhos adolescentes!). Oxe! Então, um pedido desses a gente não nega, né? Fiquei mais assanhado que pinto no lixo. E todo atabalhoado fiz atender seu pedido. Peguei o violão, gravei do jeito que saiu, passei pro computador e enviei duas: “Desejo†e “Aurora/Minha Vozâ€. Fiquei com o coração na mão. A expectativa, nossa! Um abismo de espera.

Quando ela falou comigo pedindo as músicas, ela me disse que era para integrar um projeto de um cd que ela estava gravando sob o título de “Destino†e que, entre outras músicas, uma delas era uma feita pela respeitável dupla Roberto & Erasmo exclusivamente para ela. Ora, estar ao lado dos compositores mais aclamados pela população brasileira, não era coisa para se relevar, não acha? Apois, foi. Quando dei por nada na vida, recebo um mail e uma ligação dela.

- Luiz, dá uma olhada e me diz se Desejo ficou ao seu gosto.

Como é? Abri a caixa de mail e lá estava. Ouvi, ouvi, re-ouvi e não me contive. Estava bem demais com o arranjo que o Guga Mendonça fez. Nossa, dessa vez o presentação era meu. E o melhor ainda estava por vir. É que ao invés de “Destinoâ€, ela nomeou seu disco “Desejoâ€, ou seja, a minha música se tornava o carro-chefe do seu projeto. E Roberto & Erasmo? Claro, não só inseriu a música deles, como também a minha “Aurora/Minha vozâ€. Nossa, uma festa!

Em 2008, mais de 20 anos depois da criação da música, me encontro com a Sônia Mello e ela me entrega o cd em mãos. Fiquei tão abestalhado que falei pelos cotovelos, a ponto de me esquecer uma coisa importante: de agradecer. Pois, foi. Veja que sujeito mais melepeiro sou eu. Esqueci do aniversário da musa, esqueci de agradecer também a intérprete. Coisa de ingrato brabo.

Quando é agora, “Desejo†me proporciona mais um momento de alegria: acaba de ser premiada com primeiro lugar no FEMI 2010 (Festival da Música Independente), promovido pelo Projeto Sociocultural Vozes do Meu Brasil e do Clube Sua Arte na Rede, que reuniu no Japão mais de 600 composições do planeta, peneiradas para 60 avaliações, resultando em 20 escolhidas. Eita! Realmente foi. Estou todo ancho, chega me sinto maior que o meu próprio tamanho (desce, desgraçado!). Só me resta uma coisa: a minha gratidão pela interpretação e iniciativa da Sônia Mello e do flagrante para criação dos clipes (primeiro, o meu solo; depois, a homenagem à Mônica Belucci com a canção na voz de Sônia) feitos pela Derinha Rocha. Para vocês, meu muito obrigado.

Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!

www.luizalbertomachado.com.br

PS-1: Para quem quiser conferir o clipe é só acessar http://www.youtube.com/user/luizalbertomachado e quem quiser baixar gratuitamente em mp3 é só acessar: http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/luiz_alberto_machado

PS-2: Um lembrete: Lançamento do DVD do meu espetáculo infantil Nitolino no reino encantado de todas as coisas no próximo dia 26 de agosto, a partir das 15 hs no Espaço Cultutal Linda Mascarenhas, em Maceió. Confira os detalhes no blog Brincarte.

 

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A praga do voto vendido

sábado, julho 31st, 2010

Pois é.

É fogo de morro acima e água rebentando abaixo, tudo passando de eleição em eleição e a praga do voto vendido é uma prática nociva das mais corrosivas que a gente não consegue entender como é que se dá.

Na verdade, entender, entende; basta olhar pros lados e constatar o miserê da gota!

Aí entra essa abjeta jogada. E, sobre esta prática, até o TSE já fez campanha em cadeias de televisão.

De nada adianta, parece já entranhada no jeitinho brasileiro do votar em troca de quaisquer deztões, potocas emergenciais, brebotes ocasionais ou desimportâncias que fazem o paliativo momentâneo voto pelo agrado pecuniário, legitimando trepeças que representarão descompromissadamente essa mesmo gente vendida sem a menor parcimônia. E isso, acho eu, só empiora a situação que já é desembestadamente aguda no Brasil: broncas a fole!

O que é danado é que a grita pelas soluções dos problemas sociais são agigantadas a cada eleição que passa. Isso porque sujetinho passa fome, vive de bico, não tem escola, muito menos saneamento público, mora pendurado num morro ou embaixo da ponte sem a mínima condição de vida, se esborracha todo para conseguir o ínfimo ganha-pão, reclama dos transportes, da saúde pública, da polícia que não protege, das autoridades que não resolvem, do prefeito que não faz nada além de enricar e fazer o que quer, esperneia com tudo e, quando chegam às eleições, vendem o voto. Putzgrila!

Um despautério, né?

Há que se considerar que as práticas, tanto da compra de votos como da boca-de-urna são proibidas por lei, contudo todo mundo atua sambando ao arrepio da legislação.

O pior é que todo mundo sabe onde está acontecendo a derrama das esmolas em troca de voto, todo mundo sabe como é feita a transação, todo mundo sabe como agem na boca-de-urna e, apesar disso, nada é feito. Nem polícia nem Judiciário, mesmo sabendo onde ocorrem, chegam lá.

Alegam, pois, que basta um telefone anônimo, uma denúncia.

Ora, quem é doido denunciar?

No reino da impunidade, o sujeito que presta esse “desserviço†passará de cidadão vigilante para recalcitrante e mais perigoso transgressor dos “bons†costumes seculares da nojentice adquirida.

Pois, com certeza, como as coisas aqui andam ao contrário, o nome do petulante estará com todas as letras e as medidas do caixão na boca do algoz que, também com certeza, dará um desacerto no coitado do linguarudo.

Daí ainda vem aquele papo esdrúxulo de “todo mundo faz, por que não me aproveitar?â€. E é tão danado mesmo que quando a coisa degringola, só se pune o corrompido, nunca o corruptor – isso só com uma urucubaca da peste no meio de uma puxada de tapete ineivada. Quem corrompeu?

Pois é, todo mundo sabe, ninguém faz nada. É como a prática da propina, a espórtula institucionalizada na índole do brasileiro. E todo mundo sabe quem são os corruptos e os corruptores, mas só quando estes caem na desgraça de desagradar os achegados graúdos, é que a pele deles é descascada. Normalmente eles só caem debaixo da maior cruzeta, tramóia braba mesmo para desmoralizar o danado. Tirante isso, vista grossa para todos os lados.

O que fazer, afinal? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!

PS: Vem aí o lançamento do DVD do meu espetáculo infantil “Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas“. Enquanto isso, confira tudo no Brincarte ou no meu www.luizalbertomachado.com.br.

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Depois da copa a encheção das eleições

sexta-feira, julho 23rd, 2010

Olá, gentamiga,como diz o curau mais matuto da paróquia: ói eu aqui traveizi!!!

Como sou vaso ruim – feito diz o grande Maclém -, fico boiando. Ainda não foi dessa que emborquei. Confesso que enverguei, mas estou no ponto e pronto pra outra.

Passou a copa. Nem deu pra ver o jogo chocho de empate com Portugal, nem a lapada boa no Chile, muito menos o apagão do segundo tempo contra a Holanda. Parecia mais o governo de FHC, lembra? Chegou com pinta de resolver tudo e depois ficou naquela do não deu, armado na cláusula da reserva do possível. Não segurou, já era. Assim mesmo foi o Dunga, era uma vez.

Ficou uma lição: futebol é uma metáfora da vida real, ou tragédia ou prêmio. Lidar com as duas precisa de resiliência. É como o cara e coroa: qual? Deu. Não deu. Foi, pós-modernamente.

Pois é, não deu pra ver nada da copa mesmo, nem quem ganhou, porque desde o dia 18 de junho que a vida pernambucalagoana deu uma desarrumada e perdeu o prumo. E depois de tudo perdido, quando a gente resolve aprumar a venta pra qualquer direção possível, eis que as águas (e tudo que é do contra nessa hora), botam tudo a perder de novo. Apois, tá. Tudo feito aquela do lá vem o enterro voltando. E a gente só juntando os cacarecos que restou por aqui de novo.

Não deu mesmo pra ver nada porque a gente nem tinha se livrado da catástrofe, quando dei por mim, estava tudo alagado de novo. Duas enchentes? E então. Como o futebol: o impossível também acontece. A França fez a gente de freguês. E a Holanda revidou. São Pedro achou pouco e fincou água no chão.

Com isso, a vida da gente virou rema remar, um sobe e desce danado, da gente ficar pior que Sísifo e Fênix no balanço da canoa: das cinzas pra nada e vai e volta. Pra onde? Mas as TVs não mostravam a calamidade toda, a coisa era mais feia do que imaginam. Até o Lula viu isso. Mas como só valia copa do mundo, como sempre, nada de nada. Os de lá são mais importantes que os daqui.

Como tudo só vai pra onde a tv manda, nem sempre tudo é verdadeiro. Até na nossa catástrofe. Nada é mostrado da forma que é: só naquilo que mexer com bolsos graúdos e que ostente alguma coisa maior que a vida da gente: no final não valemos nada. E eu acendo minha cabeça de fósforo e fico a mandar patacoadas. Vamos aprumar a conversa? Vou falar daqui, como era Vandré: “e posso não agradar”.

Das coisas daqui tem outras: dizem por aí à boca miúda que tudo começou no açude das Nações, quando a Perdigão/Batavo achou de fazer uma barragem de acumulação para abastecimento pra sua unidade industrial, no leito do rio Papacacinha.

O que isso tem a ver com a cor da chita?

Seguinte: a copa já era e conforme matéria do Estadão e o  depoimento da CIT de Bom Conselho que foi reproduzido no blog do jornalista Luis Nassif, o buraco é mais embaixo, cara pálida.

Sabe o que deu?

Segundo o professor Ricardo Sarmento Tenório, da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, a barragem estourou e virou um efeito em cadeia: barragens inundaram barragens e daí um tsunami tupiniquim inundou todo meio rural e urbano por onde passam os rios Canhoto, em Pernambuco, e Mundaú, em Alagoas. Resultado: rios, brejos e riachos tudo transbordando de arrastar até lembranças inesquecíveis, bem como todos os festejos juninos e outras potocas mais. Parece que levou a seleção junto para que a gente possa olhar pra gente mesmo.

Se foi, há ainda que considerar que a Perdigão/Batavo já bancou muitos prefeitos, vereadores, deputados, governadores e senadores, afora anúncios de seus produtos nos principais veículos de comunicação de massa. Está explicado? Ou acha que alguém está doido de botar o dedo na ferida? Afinal, quem paga no final das contas? Entendeu ou quer que escreva por extenso?

Mas ninguém quer saber disso não. Se tinha uma copa do mundo, essa era a décima oitava, onde 9 títulos eram europeus, agora 10; e outros 9 são latino-americanos (5 deles só do Brasil, 2 da Argentina e 2 do Uruguay contra 4 da Italia, 3 da Alemanha mais os da França e Inglaterra, agora o da Espanha), não dava pra perder essa disputa, né? Quem ficará na frente: Europa ou os terceiromundistas sulamericanos? Foi. Pro Brasil não deu e agora? Restava a garra argentina, uruguaia e paraguaia que dançaram, avalie. Só pediria uma coisa: cala a boca Galvão, pelamordedeus!!!

Entre tantas lições, o futebol nos dá mais uma: como o Estado não faz justiça, não resgata direitos nem equilibra as relações desequilibradas da nossa paradoxal e contraditória patriamada, só decide tudo pelo sinal de menor prejuízo. No futebol também: mesmo num erro escandaloso de cego checar, tudo morre na palavra final de um árbitro. E doa em quem doer. Êta, mundo véio, arrevirado e de porteira escancarada!

Vamos nessa!?

Dessa copa só ficou pra mim a dança do grande Tutu, as aprontadas da jabulani, as meladas da arbitragem, a musa gostosona do Paraguay, o paladar eca do técnico alemão e a esperança do Brasil voltar para ver a melecada toda que a gente está enfiado desde antanho.

Aí vem a encheção das enroladas eleitoreiras. Somente lengalenga e nada da gente sair do buraco. Se os políticos mentissem descaradamente menos e as eleições fossem mesmo coisa de dar um freio de arrumação na nossa desgraça, a coisa seria outra. Só serve para a mangação do Guia Eleitoral e a gente sapecar depois impropérios nos eleitos que compraram voto e não vão fazer pirocas nenhuma (a não ser encher o bolso deles com o puxa-encolhe dos interesses escusos dos poderosos).

Mesmo com essa descrença na cara-de-pau dos políticos, mesmo assim vou votar. Ainda não sei em quem, mas vou avaliar tudo, procurar um Ficha Limpa de lupa feito Arquimedes e sapecar meu voto. Pelo menos terei a consciência da minha missão cumprida na tentativa de fazer este Brasil um país melhor. Pelo menos, né?

Então, vamos à luta, escolhendo o Ficha Limpa de mesmo – num balaio de podre sobra alguém? – , clamando pela justiça, aprumando a conversa & tataritaritatá!!!!

PS: Vem aí o lançamento do DVD do meu espetáculo infantil “Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas“. Enquanto isso, confira tudo no Brincarte ou no meu www.luizalbertomachado.com.br.

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Confissões de perna-de-pau

segunda-feira, maio 24th, 2010

 

Deixando a modéstia de lado, devo dizer à meia dúzia de gatos pingados amigos & amigas achegados, que eu quase fui um renomado jogador de futebol. Quase mesmo, viu?
Noutras palavras: quase fui um craque.

Verdade!

Faltou muito pouco, mas muito menos que um cabelinho-de-sapo para que na verdade eu fosse uma celebridade do futebol, dessas laureadas e decantadas nas mesas redondas de domingo, desfilando carro importado e cheio das Marias-chuteiras penduradas no meu bolso.

Devo admitir que se não fossem os desestímulos de familiares, amigos e desafetos, seria mesmo um daqueles dos mais aclamados e afamados ídolos da bola, de estufar as redes adversárias e sair na foto gesticulando obscenidades no maior auê com a galera torcedora, berrando: ói nóis na fita, mano!
Também foi fator decisivo para tanto, aquela instabilidade em me definir por uma vocação. Vê só. Primeiro eu queria ser motorista de ônibus interestadual.
Depois fiquei indeciso se virava padre, pastor ou dono de uma mediunidade capaz de dialogar com almas de outro mundo, quando na verdade eu queria ser logo e, de uma hora para outra, um avatar daqueles de andar por cima das águas, atravessar parede e andar invisível por aí.
Foi quando veio a professora primária que, com seu jeito fascinante e encantador, saiu bulindo com meus sentimentos precoces até me levar por uma paixonite agudíssima, a ponto de provocar-me a escrever quadrinhas inocentes com a cor da calcinha dela. E o pior: com o flagra e o castigo na escola, vi que poesia não poderia ser minha praia.
Muitos contribuíram para que eu não fosse nada além de um badameco polichinelo, reduzido a uma irrisória existência entediada.
Minha mãe mesmo não arredava o pé de me ver um proeminente médico, mesmo cônscia da minha inapropriada mania de desmaiar toda vez que eu visse sangue escorrendo no que quer que fosse. Já era.
Meu pai batia o pé para que eu seguisse a carreira de advogado porque, com certeza, coitada da esperança dele, eu seria um jurisconsulto brilhante e respeitado. Minchou.
Já meu avô paterno sonhava em me ver um fazendeiro aboiando gado do muito e mandando e desmandando em tudo. Deu fora.
Afinal, com tudo isso na idéia, deu-me então aquela notória e peculiar indecisão de ficar boiando na pasmaceira, sem saber qual que seria mesmo no fim das contas pro que eu devia servir de verdade. Qual, meu?
Felizmente, o restante da parentalha evidentemente mais desconfiada que eu virasse mesmo serventia para nada, ficava só de soslaio e só esperando mesmo no que eu pudesse chegar, na verdade, a ser.

Claro, só aprontava reinando célere. Assim, adivinhavam meu futuro: coprólitos indesejáveis nas errâncias reiteradas. Melou geral.
Só faltou quem me quisesse engenheiro. Ainda bem que ninguém apostou nisso, o que seria um desastre calamitoso. Não tenho até hoje a mínima noção para evitar desastres.
Com isso tudo, mesmo assim ainda insisto que eu seria mesmo um craque da bola.
Claro que não possuía aquela, digamos perícia peculiar aos privilegiados de nascença no trato com a redondinha para dribles desconcertantes, toques mirabolantes, pontaria certeira, ginga cheia de cacoetes da malandragem, jeitão de só bordejar no balanço do navio e outras peculiaridades afins.

Contudo, com certeza, houvesse mais incentivadores eu seria talvez o maior de todos os tempos.
Também devo considerar que, em primeiro lugar, não fossem as moletas de um zagueiro coxo e os paralelepípedos que apareceram de repente na beira do campo quando eu estava na maior carreira de doido, eu seria um avassalador de defesas. Besteira, depois de abrir o maior samboque no joelho, estrupiar a perna e dilacerar a coxa, além de levar uma pisa daquelas bem dada e ficar no estaleiro por meses a fio, queria mais o quê? Só concentração ou estaleiro. Babau.
Diziam que melhor seria eu me destinar a ser jogador de porrinha, baralho, dominó, peteca. Pois, evitaria piores acidentes.

 
Mesmo sendo um desajeitado confesso, considero na conta do atrapalho o olho-gordo dos invejosos como um dos óbices intransponíveis para decolar na minha carreira. Sabe por quê? Só me deixavam, pelo menos, na regra três se eu levasse a bola.

Ou então só me deixavam entrar na linha depois de ficar uma eternidade no banco de reservas esperando que alguém torasse a canela, ou quebrasse o pé, ou entronchasse o pescoço, ou fosse vítima da maior arriada de lenha. Aí por ausência real de quem substituir o escoriado, eu entrava. Isso normalmente aos 45 minutos do segundo-tempo. Aí, bem outra: nem suava a camisa e o juiz, outro dos antipáticos do meu talento, já encerrava a partida. Tudo uma verdadeira conspiração, né não?
A inveja era tanta que dava até para notar certa satisfação nos meus pares de time pelo fato de eu não ter nem tocado na bola, ué?
Persistente, ôxe, fui mais além e inventei de me especializar melhor embaixo das traves e fiz uma tentativa de servir pro gol, para ver se minha sina mudava. Deu certo, logo fui convocado a defender o time, porque o titular se estrupiou todo, justo numa dessas horas bem apertadas.
O pior de tudo, nem conto: não fosse a lapada raçuda dada por um atacante adversário, daquelas que vem feito um torpedo quebrando tudo, resultado: quase perco os dedos e fico estuporado com a caixa dos peitos empenada, findando num desmaio pela chapuletada de, até hoje, me deixar com uma tosse braba. Por causa disso, goleiro nunca mais. Óbvio, né?
Como não sou de desistir fácil, ainda enfrentei mais, principalmente aqueles mais aproveitadores que só me escalavam como integrante do time se eu comprasse o padrão para todos os jogadores. Pelo menos eu ficava ali no meio dos que estavam de fora, incentivando a turma do jogo prá ganhar a partida.
Tirante tudo isso eu acho que seria um craque da hora. E claro, seria bem provável que eu chegasse a ser maior que Pelé, Maradona, Zico, ou.

De uma coisa, enfim, eu sei: seria um craque célebre não fosse eu, a vida toda, um perna-de-pau. Vamos aprumar a conversar e tataritaritatá! Bié, bié, glup, glup!

PS: no próximo dia 27 de maio, com sessões às 10 e 15 horas, estarei com o meu espetáculo infantil Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, no Espaço Cultural Lindas Mascarenhas – Farol, Maceió – AL. Espero você lá. Informações: 82 8845 4611 ou no Brincarte da minha home Page: www.luizalbertomachado.com.br

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Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas

sábado, maio 1st, 2010

NITOLINO

Tudo começou lá pelo início da década de 80, quando eu e alguns amigos nos reunimos para criar a Revista A Região e, por conseqüência, as Edições Bagaço.

Foi neste tempo de fundação da Bagaço fui convocado e resolvi adaptar o livro de Elita Afonso Ferreira, “O valente Galozé†para teatro.

Como era o primeiro título da nossa editora, tivemos a idéia de lançar o livro com uma encenação da história. Foi ótimo, deu tudo certo. Depois adaptei outros livros da memorável amiga que se mantém guardada no meu coração. Não só ela que está no céu, como também os parceiros e conterrâneos vivinhos da silva que tocam hoje a Bagaço.

Foi por ai que fui peitado para escrever um livro para o publico infantil.

O argumento era forte: se eu já fazia teatro, por que não literatura? Engoli seco e desconversei. Fiquei temeroso um longo tempo e resolvi estudar o assunto.

Ao longo de 10 anos matutei e madurei a idéia.

Aí no meio desse sacolejado, findei um textinho “O reino encantado de todas as coisas†que ganhou ilustração e capa que gostei, sendo lançada em 1992 juntamente com a minha antologia poética “Primeira Reuniãoâ€, pela Bagaço.

Não era para tal, mas esses dois livros marcaram minha despedida da editora pernambucana, quando então passei a residir em Maceió com outro projeto comendo no juízo. Era o que me fez criar, em 1995, o “Nascente – publicação lítero-culturalâ€, um tablóide, 24 páginas coloridas, que circulou até 1999. E a publicação do meu segundo livro infantil “Falange, falanginha, falangetaâ€, pelo selo que criei, Edições Nascente, e que foi adotado em diversos educandários de Maceió e do Estado de Alagoas.

Já estava tocando firme o Prêmio Nascente de Arte Infanto-Juvenil, destinado a estudantes de Educação Infantil e Ensino Fundamental, quando em 1998 publiquei a primeira edição da Antologia Brincarte, com trabalho da garotada participante do concurso promovido pelo tabloide, e o meu terceiro livro infantil “O lobisomem zonzoâ€, com capa e ilustrações de Josemar Britto.

Entrei 1999 com a derrocada da política econômica de FHC, a publicação da segunda edição da antologia Brincarte e o meu quarto livro infantil, “O Cravo e a Rosaâ€, uma experiência de contar a história em cordel, ilustrada por Josemar Brito. Foi um sucesso!

Em 2001 foi a vez do meu quinto livrinho infantil, “Alvoradinha: calango verde do mato bomâ€, lançado durante a semana do livro do SESC-AL e com apoio cultura da então Alvorada Móveis, comandada pelo empresário Marcos Alexandre Martins Palmeira. Com este lançamento, fiquei realizando uma série de recreações pedagógicas assentadas sobre o meu livro “Falange, falanginha, falangeta†e criei o blog infanto-juvenil “Brincarteâ€, reunindo meus textos, informações, curiosidades, eventos e diversas dicas para a garotada.

Em 2008 dei uma re-arrumada nas publicações para prosseguir o projeto iniciado de anos atrás e lancei duma vez o livrinho “Turma do Brincarteâ€, além do cordel e zine impresso Tataritaritatá, dando vez a realização de uma série de novas recreações infantis, palestras e oficinas, todas voltadas para a literatura, música, teatro e o lúdico dentro do contexto da ética e da cidadania no compromisso com o meio ambiente: pelo direito de viver e deixar viver. Estas recreações, palestras e oficinas foram realizadas em diversas escolas das redes pública e privada de Alagoas.

Daí lancei em 2009 o livrinho “Frevo Brincarte†dando continuidade ao projeto iniciado no ano anterior e culminando com a apresentação do quadro “Tataritaritatá†no programa “Alagoas frente e versoâ€, na Radio Difusora de Alagoas. Na seção radiofônica, havia apresentação de músicas, textos, eventos, entrevistas, bem como o destaque para o trabalho dedicado à área infanto-juvenil denominada Brincarte.

Foi exatamente nesta época que nasceu o Nitolino, resultado de uma série de experiências identificadas com a minha própria infância, os meus livros publicados e as recreações que eu realizara, a ponto de levar o personagem a partir do MenininhoNito até virar o SuperNito.

No meio dessas experiências surgiu, então, a idéia do “Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisasâ€, inicialmente como recreação infantil com publico alvo nos estudantes de Educação Infantil e primeiro ciclo do Ensino Fundamental, tendo por objetivo o de promover por meio dos gêneros musicais nordestinos, da literatura, do teatro e do lúdico, o hábito da leitura, onde a fantasia emerge com frevos e outros ritmos populares, levando a brincadeira da identidade pelos temas transversais ética, cidadania, meio ambiente, saúde e multiculturalidade.

Deu-se, então, de recreação pedagógica virar espetáculo teatral que terá estréia no próximo dia 06 de maio e com temporada de apresentações todas as quintas do mês de maio, dias 13, 20 e 27, sempre com sessões às 10 e às 16 horas, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, numa iniciativa das Edições Nascente e da Cooperativa da Música de Alagoas – Comusa.

Espero com este espetáculo passar um pouco das minhas vivências e experiências para todos os presentes. E conto com a sua participação.

SERVIÇO:

Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, espetáculo infantil de Luiz Alberto Machado. Estréia: dia 06 de maio, às 10hs/16hs, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas – Av. Fernandes Lima – Farol, ao lado do CEPA. Temporada: todas as quintas do mês de maio, dias 06, 13, 20 e 27 sempre às 10 e 16hs. Censura: livre. Duração: 90 minutos. Capacidade: 100 poltronas. Promoção: Edições Nascente/Cooperativa da Música de Alagoas – Comusa. Apoio Cultural: IZP/Espaço Cultural Linda Mascarenhas. Ingressos: Grátis. Informações/reservas/convites: 82 8845.4611 ou www.luizalbertomachado.com.br

PS: confira o clipe do Nitolino no YouTube acessando http://www.youtube.com/luizalbertomachado e o blog Brincarte acessando http://brincabrincarte.blogspot.com/

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Crônica de amor por ela

terça-feira, março 2nd, 2010

Imagem: Andromeda (1852), do pintor do Romantismo francês, Eugene Delacroix (1798-1863).

 

Crônica de amor por ela

Luiz Alberto Machado

Nada merece mais a nossa gratidão que o ventre materno, seja ela simples dona de casa alagoana ou uma resignada do mosteiro de Argenteuil.

Decerto todos nós passamos pelo canal de parturição. Nós, vivos ou mortos, já viajamos nove meses na aeronave do ventre, dependentes da ternura materna até termos a consciência do oxigênio e da vida.

Nada seria interessante se não fosse o poder da concepção que elas carregam no ventre, seja ela secretária executiva de Natal ou trabalhadora de Orange.

Nada é mais admirável que a fecundação quando tudo se faz de prazer atravessando a zona pelúcida para gerar filhos da vida, adubados pelo carinho e a ternura da maternidade, seja de uma simples balconista de Terezina ou aquela de Guaratinguetá de Di Cavalcanti.

Admirável é a sua anatomia, o seu design belo de recipiente do amor e do prazer, seja ela gueixa de Kioto, Aprés le l bain de Degas ou vendedoras de frutas da Martinica. Ou mesmo a de Unamuno no banho, ou costureira do mercado de Abi Djan.

Que seja amada como uma simples rendeira de Aracati, ou mestiça do Gabão; ou tuaregue do Níger; ou ticoqueira da cana-de-açúcar.

Que seja amiga mesmo como camponesa nordestina ou do milharal do Haiti. Ou mesmo uma cachorrona sexy, maluca pauleira, fatal miss ou sedutora perversa.

Que seja malandra, dócil ou abestada, ou quitandeiras do Recife, prostitutas de Brasília ou a executante de alaúde de Caravaggio.

Sempre serão belas mesmo que seja uma simples jovem turca, ou esquimó da Groenlândia ou, mesmo, a Garota de Ipanema.

Sempre serão exuberantes mesmo na simplicidade daquela das colinas de Chittagong em Bangladesh ou aquela lavadeira de Portinari. Ou uma nativa birmanesa, ou aquela marabá de Rodolfo Amoedo. Ou mesmo a colhedora de chá do Ceilão ou uma linda índia Kamayurá. Ou, ainda, Le bain au serail de Theodore Chasseriau.

Pode ser uma humilde tecelã de seda em Bali ou operária de qualquer montadora de São Bernardo do Campo. Ou a nômade Fars, ou humilde verdureira da feira de Caruaru.

Pode ser uma dedicada vendedora de cosméticos de Aracaju ou Nu à contre jour de Bonnard. Ou uma Diana de Lee Falk, ou a Danae de Rembrand.

Pode ser uma teimosa da vida ou Fleurs de la prairie de Maillol ou humilde enfermeira de um hospital de João Pessoa.

Pode ser uma adolescente eterna sonhadora ou a estudante de Anita Malfati ou uma nativa das ilhas Trobriand, ou a Vênus Anaduomene de Ingres ou As Artes de Van Gogh.

Que seja musa dos escritores, poetas e compositores ou mesmo uma perdida nas veredas da vida, ou Vairumati de Gaugin, Vênus de Brozino ou a que carda lã no Nepal.

Seja a Bovary de Balzac ou a dedicada submersa entre marido e filhos. Ou a Nu de Modigliani ou uma passageira de Olinda; seja a mãe de Almada Negreiros, ou de Gorki, ou Valentina de Guiido Crepax.

Seja ela Velta, ou Lôra Burra, a Vênus de Urbino de Ticiano ou Léda Atomique de Salvador Dali; ou femme de frisant de Toulouse-Lautrec; ou uma da cadeira de David Lingare.

Mas também que seja ela Safo, louca, aguerrida ou desgarrada. Que seja uma sumidade intelectual ou muçulmana de Oman, mestiça de Cuenca, mulata do Rio de Janeiro ou mesmo estabanada andrógina da noite na paulicéia desvairada.

Seja mesmo o que for: a “Mulher†de Geraldinho Azevedo & Neila Tavares, ou mesmo “Todas elas juntas num só ser†de Lenine & Carlos Rennó, ou tantas outras grandes e anônimas mulheres deste planeta, aqui só gratidão. Obrigado por existirem. Esta a minha homenagem, MULHER.

PS: veja mais Crônica de amor por ela no Guia de Poesia ou no blog de Música acessando: www.luizalbertomachado.com.br ou no YouTube acessando: http://www.youtube.com/luizalbertomachado

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A Trupe do Fecamepa

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

FECAME~1

 

Gente, pela primeira vez em mais de 500 anos de camuflagens & presepadas, a trupe do FECAMEPA que, com certeza, desfila todo ano o ano todo e ninguém se dá conta do estrupício e do vitupério, agora sai do armário e promete botar para quebrar nas principais avenidas carnavalescas do país.

 

Eita! Vai bombar, eu sei, mesmo porque o bando dos cafasalafra não tem nada a perder e vai mostrar o poder de fogo da maior agremiação que faz deste Brasilzão a maior baderna trágica do planeta.

 

Pois é, perto dessa cambada qualquer escola de samba de gabarito é uma verdadeira pechincha. Bote fé!

 

O enredo traz a odisséia dos privilegiados tupiniquins, com o tema “Se existe futuro não verás país nenhum!â€, onde são contadas pormenorizadamente as 5010 bancarrotas por segundo vezes milhares de golpes com todas as peripécias e falcatruas dos sabidos que chegaram lá e só se deram ao trabalho de virar urubu em cima da carniça, prometendo mundos e fundos no maior engodo de todos os tempos de sempre.

 

Na comissão de frente, vestidos a rigor com toda soberba peculiar está o Cabral fantasiado de Carmen Miranda com todo o séqüito de perós esfomeados e seus sicários, ladravazes, clérigos e outros facínoras apenados da patifaria de pior índole. Eles vão entoando o fado “Erramos o alvo, mas acertamos na botija, pá†com todo amostramento e sob o maior apupo da galera.

 

A segunda ala vem ao ritmo dos caboclinhos, os índios nus e estropiados com pinturas de guerra, índias fogosas rebolando aprisionadas e os jesuítas moribundos com uma imagem imensa do bispo Sardinha expondo a monumental faixa: “Não foram eles, não foram eles, é mentira!â€

 

A terceira ala traz o desfile dos negros acorrentados aos tombos com os seus tambores, bombos e alaridos, sob a imagem altissonante de Zumbi com a inscrição: “Liberdade pra sempre, Palmaresâ€.

 

A quarta ala traz os açucarocratas barrigudos e vencedores enrolões, carregando uma imensa alegoria do maior símbolo dos mamoeiros: a usina de cana-de-açúcar. Eles expõem o barrunfado dos aditivos e refinanciamentos impagáveis dos contratos rurais, a substituição dos escravos por andorinhas humanas e a cara lisa da disfarçada isonomia do preço do álcool com a gasolina. Ih!

 

Na ala seguinte, os holandeses capitaneados por Nassau com uma alegoria “Não acreditaram em mim, agora é tarde!â€, expondo a laranja mecânica do carrossel de Johan Cruijff e seu exército batavo composto por Marco van Basten, Dennis Bergkamp, Ruud Gullit, Patrick Kluivert, Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Clarence Seedorf, Ruud van Nistelrooy, dentre outros fregueses desde 94, com um estrondoso painel:onde se inscreve a frase: Nós apoiamos Calabar!.

 

Depois a outra ala, a dos mineiros aluados depois que surrupiaram todas as minas, agora só com todos os ouropéis restantes dos gerais, as vísceras de Tiradentes e os poemas dos Inconfidentes, cantando “Ó Minas Gerais, Ó Minas Gerais, Quem te conhece não esquece jamais, Ó Minas Geraisâ€.

 

Logo a seguir, a ala com D. João VI acompanhado de Carlota Joaquina e toda a corte de larápios suntuosos e refinados catingosos fugindo de Napoleão, abrindo os portos e afanando todas as pilas no solfejo: “Nós amamos o Banco do Brasil!â€.

 

No meio da súcia, D. Pedro I com a espada empunhada aos berros: “Independência ou morte!†ao som de “(…) Brava gente brasileira! Longe vá temor servil Ou ficar a Pátria livre Ou morrer pelo Brasil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasilâ€.

 

Na retaguarda D. Pedro II se escafedendo ao som de O Guarani de Carlos Gomes e com quase todos os lusos com os pés na bunda.

 

Engatados nessa malta, os barões do café com a União Democrática Ruralista – UDR, desfilando toda prepotência dos bandeirantes que desbravaram e foderam a alma de muito ser vivente. E ainda acham pouco.

 

Logo atrás a turma da República com os cavalos-batizados dos marechais e seus lambecus, os positivistas e os maçons entoando disfarçadamente o estribilho: “(…) Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!â€

 

A ala seguinte traz o Estado Novo de Getúlio Vargas com os militares, os gritos da Semana de Arte de 22, as arengas dos pioneiros da Educação e misturando tudo daqui com fascismo, populismo e reforma com base na Carta Del Lavoro.

 

Depois muitas turbulências, relâmpagos, trovões, vem a mais ouriçada das alas onde aparece Juscelino Kubitschek sob uma chuva de confetes e serpentinas, carregado pela turma da Bossa-Nova, do Cinema-Novo, da coisa nova que era “50 anos em 5â€.

 

Depois dele, Jânio Quadros varrendo todo lixo pra sua casa, dando palmada nas bundinhas dos biquínis e gritando: “Isso é uma vergonha pro Brasil!â€. E, logo após, Jango fugindo dos militares do golpe num pega-pra-capar com o lema “Liberdade jamaisâ€.

 

Depois soldados, soldados, soldados. tanques de guerra, fuzis, carabinas, bazucas, metralhadoras, cavalos, soldados, soldados, soldados. Tudo ao som do hino do Tri e segurando o que é seu que ninguém é de ferro, né? Cadê os generais, almirantes e estrelados? Ôxe, só espaço vazio com uma bandeira enorme com a inscrição: “Nós limpamos o Brassilsilsilsilsilsi!!!!â€.

 

Ao som do “O bêbado e a equilibristaâ€, da dupla Bosco & Aldir na voz de Elis, das bandeiras do Pasquim, dos desenhos do Henfil, das músicas do Chico Buarque e de muita esperança adiada, vem a ala da redemocratização disfarçada na posse que não houve de Tancredo-primeiro-ministro de novo, aos planos furados do Sarney e muita maracutaia nos balaios de gato. É a ala da Era da Nova República, “um sorvete em pleno solâ€.

 

Acompanhando essa turma vem a cambada do Collorido algemado com a República das Alagoas e o Itamar todo enfeitado de cabide de calcinhas e tangas, com batom até no cabelo.

 

Na penúltima ala, lá vem FHC feito um inseticida vencido com pinta de estadista, puxando por uma mão, o Real e, na outra, Dona Rute lhe dando um esculacho, sendo acompanhada por todos os asseclas em cima do muro da tropical Social Democracia, das privatizações, das flexibilizações e das enrolações para a venda do país.

 

Por fim, a última ala do oba-oba avermelhado dos metidos a sérios carregando o aceno de Lula & Mariza a bordo do aerolula, acompanhado dum bocado de olhões dos excluídos, miseráveis e assalariado com uma flâmula tremulando em cada mão onde há uma paráfrase de O Corvo de Edgar Allan Poe: “O Brasil, nunca mais!â€.

 

É a festa ao som do samba “Descobrimento do Brasil†de Gonzaguinha & Ivan Lins.

 

Quando tudo passa, ainda tem folia?

 

O que resta, então? Hum… Oxe, viva o carnaval!

 

Se dirigir, não beba. E se beber, me chame que a gente toma uma de estuporar tudo da sexta até a quarta-feira de cinzas.

 

PS: Não deixe de curtir os frevos da Folia Tataritaritatá no http://blogdotataritaritata.blogspot.com/ e a recreação infantil “Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas†no http://brincabrincarte.blogspot.com/ & feliz carnaval!!!!

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A troça dos fabos

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

charge carnaval

Olhai, gente!

 

Já que o Brasil pára mesmo a partir de todo dezembro e segura as topadas para quando tudo começar a funcionar depois da gente sacolejar o espinhaço, soltar as camuflagens e botar pra frevar, vale, então, saber como é que fica e no que vai dar depois da festança toda.

 

O que sei que enquanto rolar fevereiro, a pândega rola solta no carnaval. E vamos que vamos, na santa frevada estimbungue solto na hora dos blocos, grêmios, escolas de samba, grupos de caboclinhos, guerreiros, troças, fuleragem a fole das trupes, viadagem e arteirice na bagaça, tudo lavando a engrenagem da caveira com a maior das carraspanas para se desligar das aperturas numa esvoaçante aventura pelos dias da maior festa do mundo.

 

Eu mesmo, gente, tô nessa e não abro nem prum trem! Estimbungue!

 

É quando me chega a notícia de que um desfile enfim ocorrerá, quando uma troça de galdripanas e bedeguelas apólidas invadirá todas as avenidas do país.

 

Trata-se da Troça dos Fabos.

 

Essa merece atenção redobrada porque arrebatará todos os prêmios nacionais, internacionais e quiçá universais também.

 

Vai ser o maior impado de ufanidade quando a gente provar que não só é pentacampeão do mundo no futebol ou campeoníssimo de outras baboseiras mais.

 

Essa vai botar pra rachar mesmo!

 

Antes de me encherem o saco perguntando o que droga é Fabo, eu digo: é o mesmo que Fabricante de Bosta, ou seja, o que todo brasileiro em sua esmagadora maioria é.

 

Por isso vai juntar tanto ocrídio monopse que se tornará a maior agremiação carnavalesca de todos os tempos, digna de menção nos anais da história vindoura. Quem viver, verá.

 

Bem, afinal o que é um Fabricante de Bosta mesmo, hem?

 

Simples, contraditória, paradoxal e complexamente é: aquele que leva vantagem em tudo, não bate prego sem estopa, entende de qualquer riscado, é amigo-da-onça, sectário inarredável, moralista de pau-oco, religioso de meia-tijela, enrica na Sudepone, não está nem aí para quem pintou a zebra, além de ser um verdadeiro baba-ovo.

 

Quer mais?

 

Tem: ele é só do contra, é um chato-de-galocha, só dá nó-cego e adora quanto mais purpurina melhor.

 

Entre as suas características ainda convém ressaltar a sua situação de ambivalente e de digitígrado, agératos escatimosos, solertes estaurólatras, siticulosos patuscos, vixe! Uma praga!

 

Um Fabo quando não é Pelé vira gandula que faz gol.

 

Quando não enche o saco, manda vírus pelo computador.

 

Quando não tem o que fazer, de nada arruma uma briga.

 

Quando quer fazer alguma coisa, pega carona na idéia dos outros.

 

Quando endoida come merda dele mesmo e torra dinheiro alheio.

 

Tudo isso quando não vira cover de tudo e se aproveita da leseira dos bestas, fã de big-brother, vende lixo por ouro e gato por lebre.

 

Tem mais: como é sabido que só, ele é perito no 5 deitado, 1 em pé e 4 rodando, manjou? E isso embaixo dos cobertores, ninguém viu, ninguém sacou. Só na moita.

 

Ah, ainda pula o muro para não gastar o ferrolho, se empazina com mortadela e arrota lagosta e só quer aparecer bem na fita porque está sempre por cima da carniça.

 

Também está aboletado jupiterianamente em todas as instituições das 3 esferas dos Poderes Públicos.

 

É mole?

 

Um detalhezinho importante é a de que quem não se enquadrou nessa descrição, das duas, uma: ou tá doido para se enturmar ou tá morrendo de inveja se roendo todo.

 

Como é uma troça de notáveis e anônimos, por questão de segurança (e de frescura mesmo), ela sairá em dia não determinado durante o carnaval porque já se amostram às escondidas e sob todos os holofotes midiáticos anos inteiros, isso desde que me entendo por gente de janeiro a dezembro, mas que só agora estão sendo descobertos sob esta nomenclatura.

 

Quer dizer então que podem surgir na semana pré, ou de preferência enquanto todo mundo tiver sacudindo a loucura e eles aprontarem aumentando os salários dos colegas parlamentares e do resto da cambada toda.

 

Pode ser que apareçam na terça-feira gorda para desviar a atenção de alguma pinóia braba.

 

Ou mesmo só entrarem na quarta-feira de cinzas, escondidos atrás do Bacalhau do Batata só para não dizer que não participaram às claras.

 

Afinal, eles existem, todo mundo vê, mas eles pensam que são invisíveis. E incólumes.

 

Aos interessados em se aglomerar nessa jactante e abjeta trupe, a assessoria de imprensa afirma que não haverá número limitado de participantes, podendo, pois, todo mundo se achegar bastando apenas se enquadrar entre os famigerados facínoras enrustidos, onanistas camuflados e surrupiadores afins, mangando de si e dos 180 milhões e lá vai tampão de abestalhados brasileiros.

 

Ressaltam que o desfile não procederá com alas nem nada que discrimine vez que se eles não se reconhecerem, com certeza não terão nenhuma hierarquia: tudo num bolo só.

 

Ou como se diz no popular: tudo farinha do mesmo saco.

 

O enredo será “De como uma terrinha tupiniquim dita paraíso tropical vira uma esculhambação sideralâ€, animada ao som da legendária marchinha do trio Ivan, Homero & Glauco Ferreira: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aíâ€. Isso apresentando fantasias que vão desde cuecas endolaradas, pidões descarados, fofoqueiros da terrinha, alcagüetes da nação, servis caboetas, sorumbáticos das cagadas, misantropos dos desgovernos, tapias eurístomos, gandaieiros tardíloquos, pelegos da zona, traficantes do fisco, xumbetas bilionários, servidores da espórtula, pedófilos evangelizados, vampiros da saúde, lapiaus de merenda, sindicalistas da zona, sifrões gigantescos, propinodutos invisíveis, coroinha da bixiga-lixa e até o escambau! Tudo remontando as asneiras de quinhentos e tantos anos de vícios, safadezas e maruagens de colônia, pseudo-império, republiqueta velha e nova, tocada sob “Yes, nós temos bananas!â€.

 

Com certeza essa troça será manchete em todos os jornais, tvs, rádios e sites do universo.

 

Vão dar pano pras mangas pros outros países aprenderem a como fazer de uma tragédia a mais hilariante piada universal.

 

Afinal, tudo é carnaval!

 

Veja mais acessando: www.luizalbertomachado.com.br

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