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‘O Bem Amado’ estreia nas telas com direção de Guel Arraes

sexta-feira, julho 23rd, 2010

Marco Nanini e Mateus Nachtergaele: ‘há muitos Odoricos por aí’. Foto: Divulgação

Luiz Carlos Merten

SÃO PAULO – Filho do ex-governador Miguel Arraes, Guel acompanhou a família no exílio, quando seu pai foi cassado pelo regime militar, nos anos 1960. A política faz parte do seu universo desde garoto, mas, como diretor, Guel gosta de encará-la por linhas tortas, mesmo sabendo que todo filme é sempre político. É um diretor que os críticos amam odiar, porque ocupa um espaço, o da produção comercial bem-feita, prosseguindo no cinema as pesquisas de linguagem de seus programas na TV. Muitos projetos – O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro – foram feitos para TV e cinema e a acusação em geral é esta – seus filmes são ‘televisivos’. Guel faz agora seu filme mais assumidamente político.

Por que adaptar O Bem Amado em 2010?

A política é como o futebol no Brasil. Todo mundo escala a seleção, todo mundo avalia os políticos, mas as regras quase nunca são as mesmas. Tenho para mim que os lugares que se levam a sério são os melhores para se fazer comédia. Com exceções – Romance é outra coisa, o meu Tristão e Isolda -, o que me atrai é o humor. Até por ter convivido internamente com esse mundo da política, sempre fui atraído pela peça de Dias Gomes que deu origem à novela e à série. Odorico Paraguaçu virou o emblema do político brasileiro. Existem muitos Odoricos por aí e eles acham o personagem divertido, são os primeiros a rir. Mas nenhum assume que Odorico é o retrato deles, daí meu desejo de fazer o filme.

O País mudou muito entre a peça do Dias, a novela e o filme. Como trabalhou isso?

Era o desafio e, ao mesmo tempo, o bacana desse projeto. Muita gente avalia meu trabalho pelas inovações de linguagem. Podem até não gostar, mas desde Armação Ilimitada sei que tenho uma marca. Quando comecei a fazer TV, era tudo muito parado, o humor, de chanchada. Acho que contribuí para uma sofisticação da linguagem de TV e alguns críticos vão dizer que refaço minha TV no cinema. Não vou polemizar se é ou não verdade. Não concordo, mas a crítica é livre. Só que aqui não queria centrar o filme na linguagem. Era o personagem que me interessava, o retrato que ele fornecia do Brasil. O País mudou. O Odorico da ditadura não podia ser o mesmo da democracia. E com ele mudou tudo. A sátira política virou uma farsa. As Cajazeiras, que tinham um perfil, agora têm outro. São mais peruas. Gosto dessas mudanças.

Seu estilo é muito baseado nos detalhes, e é algo que já vem do trabalho na TV.

Sempre fui atento, na vida, a detalhes, a tudo. Levei isso para a televisão, com certeza, e agora trago para o cinema. O próprio processo do filme espelha o que digo. Quando propus a (Marco) Nanini que refizéssemos o Odorico, ele se assustou um pouco, porque é um personagem com muitos donos. O Dias (Gomes), o Paulo (Gracindo), que criou o papel na TV. Nanini descobriu que os direitos da peça estavam livres e resolveu encená-la. Fiz uma adaptação, a montagem não era a peça, algumas cenas vieram para o cinema. Nanini testou o personagem no palco e, depois, antes de filmar, tivemos algumas semanas de ensaios, não muitas. Sempre tivemos claro, por exemplo, que ele interpretava um ator. Todos os políticos são atores, e o Odorico não foge à regra. Levamos essa coisa até o limite da farsa, o que é difícil, mas o Nanini é muito bom de trabalhar no fio da navalha.

(O ator, que se integrou à entrevista, realizada num hotel de São Paulo, dá seu depoimento. “Guel é ótimo diretor. Ele sabe o universo que quer criar, porque trabalha muito no roteiro e na decupagem, antes de filmar. E ele tem essa facilidade. Ele envolve o ator, compreende a gente, nos seduz. Como trabalhamos juntos há muito tempo, conheço seu método, onde ele vai posicionar a câmera, essas coisas. E, como trabalho no limite, já sei identificar suas pequenas indicações, sem que ele precise realmente falar, ou explicar.”

Fonte: Estadão

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“O Bem Amado” está em Festival de Cinema de Recife

terça-feira, abril 27th, 2010

A 14º edição do Cine PE – Festival do Audiovisual – que começou segunda-feira, dia 26, em Recife, e vai até o dia 2 de maio – traz duas das principais produções cinematográficas mais aguardadas do ano: “O bem amado”, de Guel Arraes, e “Quincas Berro D’Água”, de Sérgio Machado. Guel é, inclusive, um dos homenageados do festival este ano, ao lado de Tony Ramos e Julia Lemmertz. A escolha foi do Alfredo Bertini, codiretor do evento, e sua mulher, Sandra.

- Guel é pernambucano e devíamos uma homenagem a ele. Já Tony Ramos e Julia Lemmertz, são grandes atores do cinema nacional. Discutimos e achamos que esses deveriam ser nossos homenageados de 2010 – explica Bertini.

Apesar do evento não contar com uma seleção vasta de títulos inéditos, aposta na mistura heterogênea de filmes populares com outros mais “cults”. Bertini explica que o Festival agrada principalmente os pernambucanos, que têm dois dias (o fim de semana logo antes da abertura do festival) dedicados a eles, com a exibição de filmes exclusivamente do estado.

- Muitos filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, da Laís, já estrearam no circuito RJ-SP, mas ainda são inéditos no resto do país. Fora isso, vamos mostrar em primeira mão “Léo e Bia”, de Oswaldo Montenegro e os filmes de Guel e Sérgio Machado, que estão fora da competição. O importante é que o festival é popular e já entrou no circuito dos eventos relevantes do País – comemora Bertini.

A mostra competitiva de longas é composta por seis títulos: “O homem mau dorme bem”, de Geraldo Moraes, “As melhores coisas do mundo”, de Laís Bodanzky, “Léo e Bia”, de Oswaldo Montenegro, “Não Se Pode Viver Sem Amor”, de Jorge Durán. Dois documentários de São Paulo completam a lista: “Cinema de Guerrilha”, de Evaldo Mocarzel; e “Sequestro”, de Wolney Atalla.

O documentário inédito, “Continuação”, de Rodrigo Pinto, sobre o músico pernambucano Lenine, encerrará o evento na noite do dia 2 de maio, no novo Cine São Luiz, antes da cerimônia de premiação.

Fonte: Cinema .com

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