Posts para a tag ‘psiquiatria’

O abandono que gera dependência

sexta-feira, março 19th, 2010

Estava refletindo sobre uma situação muito frequente nos hospitais de urgência: o “piti”, também conhecido como “peripaque”.

O portador de tal mazela é o tipo de paciente mais negligenciado e, ainda assim, frequentador assíduo dos hospitais gerais. Tal paciente dá de cara com o desprezo e falta de paciência dos médicos atarefados e comprometidos com doenças importantes de verdade ali no plantão; sofrem com a falta de atendimento, mesmo quando atendidos. Recebem terapêuticas doses de injeções com água destilada, beliscões e gritos. Além dos reconfortantes prognósticos: “você não tem nada”, “é coisa da sua cabeça” ou até um “isso é frescura”.

A realidade dos serviços de urgência do nosso país é de superlotação, falta de recursos, péssimas condições de trabalho e remuneração pífia dos profissionais. Esses fatores somam-se dando como resultado a qualidade da assistência prestada a qualquer paciente, mas quando esse paciente é um “peripaque” tais fatores multiplicam-se elevados a potência da falta de empatia. O resultado raramente é tratamento.

…e assim, refletindo, veio-me à cabeça uma passagem do livroPsicopatologia e semiologia dos transtornos mentais por Paulo Dalgalarrondo:

A Histeria conta uma história. O afeto intolerável e a situação conflitante tornam-se inconscientes, através do recalcamento. O vínculo com a consciência se faz através dos sintomas: esconde e insinua a situação conflitante. As manifestações corporais são o retorno do recalcado. A via é simbólica, oposta à via anatômica. O corpo narra, fala, descarrega. O afeto é convertido na qualidade física da manifestação corporal. O corpo dramatiza como num jogo de mímica, à procura de um decifrador. Corpo simbólico, história, corpo mímica, pedindo e evitando ao mesmo tempo ser desvendado. Não há lesão orgânica. A via é a da escrita. A anatomia é singular, relacionada à história da sexualidade e da vida do paciente. Contudo, o vínculo com a realidade é mantido. E quem a vivencia precisa de ajuda. Que não a neguemos.

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Sentir raiva é ruim, esconder a raiva é pior ainda

quarta-feira, janeiro 6th, 2010

Homens que não expressam abertamente sua raiva diante de situações onde se sentem muito prejudicados, como por exemplo, se forem tratados injustamente no trabalho, duplicam o risco de um ataque cardíaco, conforme sugere uma pesquisa sueca. Os pesquisadores analisaram 2.755 trabalhadores do sexo masculino em Estocolmo que não tinham tido um ataque cardíaco.

As pessoas pesquisadas foram questionadas sobre como lidavam com o conflito no trabalho, fosse com superiores ou com colegas. Os pesquisadores dizem que o estudo mostra uma forte relação entre a raiva reprimida e doenças cardíacas.

As pessoas foram divididas em dois grupos; aquelas que lidavam racionalmente com os conflitos possíveis de gerar raiva, opinando ou manifestando descontentamento e aquelas que, embora sendo mobilizadas emocionalmente, deixavam as coisas passarem, não manifestavam qualquer reação emocional ao conflito. As pessoas do grupo, digamos, passivas, desenvolveram sintomas como cefaléia, dor de estômago ou apresentaram mau humor em casa.

Esse estudo começou em 1992 e terminou em 2003. Até o último ano de observação 47 das 2.755 pessoas estudadas tiveram um ataque cardíaco ou morte por doença cardíaca. Os homens que deixavam as coisas passarem sem dizer nada diante de situações estimulantes de raiva tiveram o dobro do risco de um ataque cardíaco ou morte por doença cardíaca grave, em comparação com os homens que agiam, questionavam e lidavam racionalmente com a situação.

Os pesquisadores acreditam que a raiva pode produzir tensões fisiológicas se não for externada, e estas tensões internas levam ao aumento da pressão arterial que, eventualmente, acabam prejudicando o sistema cardiovascular. ODr. Constanze Leineweber, do Stress Research Institute de Estocolmo, que liderou esse estudo disse: “… apesar de existir uma pesquisa anterior apontando sobre isso, a surpresa foi que a associação entre a raiva reprimida e doenças do coração não parecia ser tão forte como se demonstrou agora”. Fonte:BBC .

A Raiva não é contra-indicada ao ser humano apenas por questão ética, mas, sobretudo, por seu aspecto médico. A Raiva mata ou, pelo menos, aumenta os riscos de ter algum problema sério de saúde, desde uma simples crise alérgica, ou grave úlcera digestiva, até um fulminante ataque cardíaco.

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Quem vai ao psiquiatra é doido é?

quarta-feira, dezembro 16th, 2009

Olá queridos insanos e insanas…

…estava eu fazendo minhas pesquisas e navegando pelo mundo virtualmente insano quando me deparei com este belo texto da psiquiatra Dra. Glaise Franco,  de  Aracaju,  respondendo, de forma simples e elucidativa, a um tabu acompanhado de preconceitos (ou falta de conceitos?) muito comum:

Quem vai consultar psiquiatra é doido?

Não. Por uma razão simples: aqueles a quem chamam de “doido”, isto é, a pessoa que perdeu o juízo de realidade, são incapazes de perceberem-se como tal, logo não se acreditam doentes, ou necessitando de tratamento, ou ajuda médica.

Apesar de ser de DESCONHECIMENTO inclusive da maioria das outras especialidades médicas,a maior causa de procura à consultórios psiquiátricos são os TRANSTORNOS DE ANSIEDADE. Os TRANSTORNOS DE HUMOR também são outra importante causa de procura.

Quadros clínicos coroados por sintomas psicóticos são minoria. Então, embora algumas pessoas imaginem que um consultório psiquiátrico é um local barulhento, cheio de gente gritando, insana, na verdade, para estas pessoas o nosso consultório psiquiátrico é uma decepção porque: costuma ser um local calmo, onde cada paciente aguarda na sala de espera seu horário (hora marcada), ouvindo som ambiente (do pop à MPB), enquanto folheia revistas, etc.

Agitação, gritaria, pessoas psicóticas – estas são cenas de pronto-socorro psiquiátrico em dia de pacientes graves. Assim como ninguém vai ao consultório de um cirurgião e lá chegando entrará, às pressas, um paciente esfaqueado sangrando como se estivesse em um dos filmes da franquia “sexta-feira 13”: o paciente sangrando é um caso gravíssimo e irá ao pronto-socorro.

fonte: http://glaise.softdr.com/pages/home.php

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