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Auto-hemoterapia: Um método eficaz de tratamento?

sexta-feira, novembro 13th, 2009

A auto-hemoterapia é um procedimento, sem reconhecimento científico, que consiste em retirar sangue de uma veia e aplicá-lo no músculo da própria pessoa. Recentemente esse método tem sido amplamente divulgado através da internet e do dvd: “Auto-hemoterapia: contribuição para a saúde” no qual o clínico-geral Dr. Luiz Moura explica o método através de relatos de diversos casos. Este método provocaria uma ativação do sistema imune o que desencadearia uma série de processos de cura, parcial ou mesmo total e estaria indicado para várias doenças infecciosas, alérgicas, auto-imunes, corpos estranhos, como os cistos ovarianos, miomas, obstruções de vasos sangüíneos, entre outras enfermidades, que são prontamente combatidas pelos macrófagos.

No artigo “AUTO-HEMOTERAPIA, PROBIÓTICOS E OS IMUNOESTIMULADORES” o Dr. João Veiga, médico cirurgião e secretário da Saúde de Olinda explica:

“A colocação de sangue retirado da veia na musculatura funciona como um estímulo de neutrófilos, monócitos e linfócitos que se dirigem para o local com a função de limpeza, remove coágulos, bactérias e tecidos lesionados. Os monócitos evoluem para macrófagos que exercem a fagocitose de qualquer substância, bactéria ou tecido residual. Segrega uma série de substâncias (citoquinas e fatores de crescimento) que estimulam mais ainda os neutrófilos para produzir tecido de regeneração e formação de novos vasos (angiogênese), como também a produção local de óxido nítrico. Além desta ação local, vamos falar assim, os macrófagos estimulam os linfócitos, que liberam as interleucinas e interferon, que são substâncias estimuladoras dos linfócitos T e B, outras células do nosso sistema imunológico, este que nos defende de infecções, câncer e outras agressões ao nosso corpo.”

Apesar de tais benefícios, não existem estudos científicos, considerados suficientemente adequados e embasados, que comprovem a eficácia ou até mesmo a ineficácia de tal método. Assim sendo, órgãos e sociedades médicas, científicas e reguladoras – a citar: CFM ( Conselho Federal de Medicina) SBHH ( Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia) e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) – opõem-se e proíbem a prática de tal método por qualquer médico.

A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia- SBHH vem a público esclarecer o que se segue:
A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia NÃO RECONHECE do ponto de vista científico o procedimento “auto-hemoterapia”;

  • Não existe na literatura médica, tanto nacional quanto internacional, qualquer estudo com evidências científicas sobre o referido tema;
  • Por não existirem informações científicas sobre o referido procedimento, são desconhecidos os possíveis efeitos colaterais e complicações desta prática, podendo colocar em risco a saúde dos pacientes a ela submetidos;
  • Agrega-se a este parecer, a Resolução do Conselho Federal de Medicina- Resolução CFM no 1.499/98, que em seu artigo 1º, “Proíbe aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica”.

Frente ao exposto, a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia não recomenda a prática desse procedimento. O comunicado é assinado pelo Presidente da SBHH, Dr. Carlos Chiattone.

Apesar do exposto pela SBHH em seu esclarecimento, durante minha pesquisa sobre o assunto para a confecção desse “post” encontrei vários artigos, monografias e estudos de casos relacionados ao assunto. Sendo assim, entendo que a SBHH não considera tais artigos existentes como suficientemente embasados, ou não produzem evidências científicas claras do processo decorrente de tal método terapêutico. Vale, ainda, ficar atento para os possíveis riscos do procedimento.

Riscos da Auto-Hemoterapia :

Especialistas afirmam que tal método, ao contrário do que o Dr. Luiz Moura diz em seu DVD, possui riscos em potencial para os pacientes que se submetem ao mesmo, dentre eles:

  • Formação de Abcessos (uma acumulação de pus, geralmente causada por uma infecção bacteriana).
  • Infecção generalizada
  • Possível abandono do tratamento convencional ao se utilizar da auto-hemoterapia. Quanto a esse ítem até mesmo o Dr. João Veiga, defensor da hemoterapia, afirma em seu artigo não ter dúvidas da eficácia do método como coadjuvante .
  • Necrose ( manifestação final de uma célula que sofreu lesões irreversíveis ).
  • Transmissão de doenças
  • Sensibilização com antígenos eritrocitários e/ou leucoplaquetários.

Diante de tanta polêmica e ainda uma indefinição sobre o assunto , faço aqui as seguintes observações:

Para os pacientes: A eficácia desse método pode ser devido ao fator psicológico, ou o chamado efeito Placebo : apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está sendo tratado. O placebo pode ser eficaz porque pode reduzir a ansiedade do paciente, revertendo assim uma série de respostas orgânicas que dificultam a cura espontânea. Além disso deve-se considerar os possíveis riscos associados a tal método.

Para os médicos: Além de toda polêmica da falta de evidências científicas que comprovem os benifícios do método, vale a recomendação do órgão que regulamenta a classe: Conselho Federal de Medicina- Resolução CFM no 1.499/98, que em seu artigo 1º, “Proíbe aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica”. Estando o médico, diante da ilegalidade da mesma, passível de ser penalizado jurídicamente.


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