Ao longo de muitos anos, até que o Governo Fernando Henrique mudasse a face da prestação de serviços públicos no Brasil com as exitosas privatizações das empresas de telefonia e eletricidade, o cliente, alcunhado pelos “funcionários” dessas empresas de usuário, só podia reclamar ao Papa. Serviços ineficientes, falta do produto e mau atendimento eram enfrentados sem que houvesse muita alternativa de solução administrativa que colocasse como prioridade a satisfação dos clientes. Com a privatização, veio a necessidade de se estabelecer e por em prática toda uma série de procedimentos legais que pudessem garantir ou assegurar a qualidade e o preço desses serviços. Assim, outra importante criação do Governo FHC foi a implantação das agências de regulação, as quais, apesar de desqualificadas no Governo Lula, conseguiram sobreviver e lutam para proteger os direitos dos clientes e a boa qualidade dos serviços.
Durante o X SIBESA – Simpósio Ãtalo Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, realizado pela ABES entre 28.02 e 03.03.10 em Maceió, um dos painéis tratou dos Principais Desafios da Regulação no Brasil. E aqui, vale a pena falar da regulação sobre os serviços de saneamento, uma área como sempre de difÃcil adaptação à s mudanças e modernização, principalmente porque ainda guarda graves resquicios da máxima: o que é público, não é de ninguém. Apesar dos avanços visÃveis no setor com a existência de empresas públicas, serviços municipais e concessionárias privadas que dão permanentes exemplos de boa gestão, ainda há uma grande parcela de concessionárias públicas e autarquias municipais que esperam o retorno ao passado como solução para os problemas do presente.
Uma das maneiras capazes de auxiliar a todos, clientes, concessionárias públicas e governos, é  a regulação. Isto quer dizer, ter agências reguladoras capacitadas e fortes atuando sobre a prestação dos serviços de saneamento. E aqui há um importante registro a ser feito. A existência da agência de regulação não está associada apenas a relevante tarefa de analisar e aprovar tarifas,mas sim, antes de tudo, a existência dela está diretamente associada à qualidade dos serviços e a garantia de acesso universal.

