A ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental tem a honra de, este ano, dentro do PNQS, poder receber as candidaturas de duas empresas de saneamento nordestinas: o DESO – Companhia de Saneamento de Sergipe e a CASAL. Quem poderia imaginar há alguns anos, que o DESO ou a CASAL – Companhia de Saneamento de Alagoas, poderiam concorrer ao PNQS – Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento? Principalmente, quando se sabe que este prêmio já existe desde 1997 e é patrocinado por grandes empresas nacionais e entidades como CAIXA e CNI-SENAI. Ou mesmo, por saber que as principais empresas do setor e serviços municipais de cidades importantes, já ganharam o prêmio e estarão de novo este ano concorrendo. No caso da CASAL, chegar até este ponto é fruto de uma longa e histórica caminhada, que se iniciou com a fundação da empresa e passou pela contribuição de todos os seus empregados desde aquela data, tanto aqueles que estão aposentados, como aqueles que hoje atuam diretamente para a consolidação da CASAL como a referência estadual dos serviços de saneamento. Muita coisa tem mudado nesta empresa pública alagoana, a começar, pelo entendimento interno de seu papel perante a sociedade e da sua importância para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Estado de Alagoas. Conhecer seu real perfil de prestadora de serviços públicos essenciais e ter um foco claro de mercado e negócio, representou o primeiro indicativo de mudança sustentável e de reposicionamento de uma marca que, ao longo do tempo, vinha perdendo identidade e auto-estima empresarial. De uma empresa que rejeitava novos clientes e dizia aos prefeitos que eles deveriam se virar para resolver os problemas graves de suas cidades, surgiu outra, interessada e preocupada em atender bem a todos os clientes, sejam eles particulares, públicos, ligados ou não aos sistemas da CASAL. Os resultados empresariais já alcançados mostram uma realidade onde se constata o óbvio gerencial, cujos resultados são vistos em estados com São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Ceará e Bahia, ou cidades como Campinas, Porto Alegre e Ituiutaba/MG. Prestar serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, não pode levar a prejuÃzos financeiros ou déficits permanentes, afinal, mesmo sendo serviço público, vale a regra elementar de qualquer negócio: quem vende bem um serviço essencial, não tem como ter prejuÃzo ou ficar em estado falimentar. É claro que ao se habilitar para disputar o PNQS, não significa que tudo está perfeito ou que não há grandes desafios a serem vencidos. Há sim. Ainda falta água e esgotamento sanitário em regiões atendidas pela CASAL; os serviços possuem deficiências de atendimento e muitos clientes ainda não acreditam nas mudanças que ocorreram e estão seguindo com firmeza, determinação, compromisso e apoio dos empregados. Um extraordinário sinal de mudança está nos resultados obtidos no programa de redução de perdas e de eficiência comercial, sendo possÃvel ter aumento real de volumes de água para Maceió e efetiva recuperação da receita da empresa, não só com a cobrança ativa pelos serviços prestados, mais também, pela melhoria na qualidade. A cultura das empresas de saneamento é essencialmente de prestadores de serviços públicos e ela, nunca poderá ser empecilho para mudanças empresariais que busquem atender mais e melhor a muitos clientes.
Posts para a tag ‘Gestão pública’
CASAL: CULTURA X MUDANÇAS
domingo, agosto 22nd, 2010As cidades e as águas.
quinta-feira, janeiro 21st, 2010Quando não havia internet e nem tão pouco era possÃvel acessar facilmente imagens de todo o mundo pela televisão, se imaginava que as catástrofes naturais,salvo para alguns poucos que podiam viajar para o exterior,eram aquelas aprendidas nas aulas de geografia.Vulcões,terremotos,tufões,furacões e maremotos,por exemplo.Como no Brasil não havia nada disso, o que mais preocupava era uma enchente de inverno que atingia normalmente as camadas mais pobres, moradoras das periferias. Graças a globalização, instantaneamente se vê o que acontece em qualquer parte do planeta e se viu ainda que as enchentes que aqui acontecem,também acontecem por exemplo,na Europa. As causas são as mesmas: em algum momento o homem promoveu alterações no meio ambiente que resultam hoje nas enchentes, dotadas de alto poder de destruição.
Qual a diferença entre as enchentes na Alemanha e no Brasil? Do ponto de vista fÃsico, quase nenhum. Do ponto de vista urbano,a diferença é grande. As destruições causadas pelas enchentes nas capitais brasileiras não podem realmente serem postas como de responsabilidade dos atuais prefeitos, salvo a execução de alguma obra mal construÃda ou da decisão de não fazer obras necessárias. A causa apontada por 9 entre 10 polÃticos, técnicos e gestores públicos sempre aponta para o crescimento desordenado das cidades. E é verdade. O problema é que esta não é a causa e sim o resultado de uma causa maior que é o absoluto abandono do planejamento e da gestão dos serviços públicos nas cidades. O efeito são as enchentes e alagamentos constantes com danos materiais ao patrimônio particular e público, além das mortes e doenças que à s vezes incapacitam as pessoas para o trabalho.
Na Alemanha e mais especificamente, na Baviera, a solução para reduzir os impactos ambientais foi um pacto firmado na sociedade que estabeleceu compromissos, controles e regulação, de modo que os gestores públicos eleitos ou empregados do estado, trabalhassem com base em planos e projetos que reduzem os impactos decorrentes, por exemplo, das cheias que ocorrem após o inverno ou no perÃodo de chuvas.
E no Brasil? Que controles há?Que leis são respeitadas quando se trata de invasão de  terrenos públicos, encostas, fundos de vales?Quem regula a gestão pública?Quem exige que deve haver uma planejamento de longo prazo, planos e projetos para que se executem obras de habitação, abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem de águas pluviais e coleta, transporte e tratamento de lixo? A resposta é simples: muitos e ninguém.O resultado é que tudo pode ser feito e a cada dia as cidades vão se transformando em zonas de alto risco para a maioria,pois, se as chuvas não matam por desmoronamentos, matam por afogamento em plena via pública.
Será que poderia se pensar também em um pacto pela boa e eficiente gestão das cidades no Brasil?Sem dúvidas que sim. O problema é que o maior desafio está na compatibilização do interesse polÃtico com a sobrevivência das cidades. Do jeito que o Lulismo avança no Brasil fortalecendo e induzindo práticas puramente eleitoreiras e com a aprovação quase unânime dessas práticas pela população, é difÃcil acreditar que alguém assuma sair do imediatismo para a ação de longo prazo. Será que dá para imaginar algum prefeito propondo aos seus eleitores e vereadores a execução de um projeto de pavimentação que contemple a execução de drenagem de águas pluviais e do sistema de  esgotamento sanitário antes do asfaltamento da rua? Ou ainda um prefeito que desista de fazer milhares de casas em uma área da cidade completamente desprovida de infraestrutura? A resposta geral é não. O pior é que a população não aceitaria a justificativa de que antes do asfalto é mais importante a drenagem,o esgotamento sanitário e o abastecimento de água.

