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Triste Fernandes Lima.

quinta-feira, abril 15th, 2010

A avenida Fernandes Lima é uma das mais importantes vias urbanas de Maceió e seu nome se origina do Dr. José Fernandes de Barros Lima, nascido no Passo de Camaragibe e governador de Alagoas entre 1918 e 1924. Certamente ele deve viver se remexendo no túmulo o tempo todo em razão dos impublicáveis adjetivos com os quais, os motoristas, os pedestres e os trabalhadores de estabelecimentos localizados na avenida que leva seu nome, o ofendem das 5:00 da manhã até as 22:00 horas, todos os dias, há anos. Ele, coitado, não imagina como o nome Fernandes Lima está associado ao caos urbano, a má gestão de cidades, a incompetência na administração do trânsito e a submissão ao interesse de minorias. O pior é que a avenida Fernandes Lima é apenas um exemplo do descontrole e da falta de soluções a médio prazo para os graves problemas de trânsito da capital alagoana. São suas irmãs legítimas do caos urbano e da falta de gestão do trânsito as avenidas Gustavo Paiva, Barão de Atalaia, Dona Constança, Jatiúca,Amélia Rosa e todas as ruas do centro da cidade. Destaque-se que na Barão de Atalaia a vergonha é completa,pois, o conhecido Bompreço da Buarque de Macêdo faz o que quer com seus caminhões de carga e descarga.

Justiça se faça ao Prefeito Cícero Almeida que depois de muitos anos tomou medidas elementares, porém importantes, para melhorar o tráfego na cidade e até mesmo na avenida Fernandes Lima. Os contornos de quadra são bons exemplos disso e mais dois viadutos tipo “pula engarrafamento” como o sobre a Gustavo Paiva e Ladeira da Rodoviária Velha, complementando o pioneiro da Praça do Bonfim. É evidente que nada disso será solução para a falta de ruas em Maceió. Quem mora aqui há mais de 20 anos observa que nada de novo foi acrescentado como solução para os gargalos existentes. O novo, reconheça-se, aparece nas áreas de expansão da cidade.

Há um mito sobre a solução para os engarrafamentos da avenida Fernandes Lima tão representativo como o sistema Pratagy o é para solucionar o problema da falta de água em Maceió. Ele é conhecido como o sistema viário do Vale do Reginaldo, timidamente iniciado e seguindo o ritmo do PAC. Ele não solucionará os engarrafamentos da Fernandes Lima de jeito nenhum. Talvez reduza ou divida os congestionamentos. Maceió precisa de vias de escoamento paralelas a Fernandes Lima largas e que possibilitem o trânsito urbano rápido e seguro, não os becos que existem hoje contornando o CEAGB ou esbarrando no Quartel do 59º BIMTz. Mesmo que se conclua o sistema do Vale do Reginaldo, as paralelas devem ser feitas e já.É preciso que algum Prefeito tenha coragem de desapropriar casas, alargar ruas, reduzir calçadas e criar ruas novas. Cidades crescem e se desenvolvem assim.

Outro grave problema que na Fernandes Lima tem apenas uma amostra, é o domínio absoluto de meia dúzia de supermercados e estabelecimentos comerciais sobre a vida de mais de meio milhão de pessoas. Aqui está uma das mais sérias atitudes de desrespeito ao interesse comum e visível submissão a vontade de minorias. Como alguém pode acreditar que haverá desabastecimento nos supermercados da cidade se o tráfego de caminhões de todo o tamanho que fazem carga e descarga durante o dia for transferido para o horário noturno? Só o Coronel Coutinho que, como eterno moderador, tenta agradar as minorias. Agora, quando se pensava que Maceió ia começar a mostrar sinais de organização do tráfego na Fernandes Lima com a aplicação da Lei Municipal que proíbe caminhões de trafegarem durante o dia, o Coronel Coutinho, sem saber o que fazer, concordou com meia dúzia de empresários e resolveu estudar uma solução que justifique a penalização diária de mais de cem mil pessoas em detrimento do favorecimento de menos de mil.

O Prefeito Cícero Almeida, que vem fazendo com os técnicos da Prefeitura um bom trabalho na cidade, precisa usar sua criatividade e competência para deixar enquanto é tempo, pelo menos um plano diretor desenvolvimento urbano para Maceió, senão, até o VLT vai para no meio de congestionamentos. O problema do trânsito em Maceió está se transformando em um caso de saúde pública.

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