Posts para a tag ‘falta de água’

A água reutilizada

terça-feira, junho 15th, 2010

Este tema ainda aparece como um tabu a ser vencido por nossa sociedade. Um tabu, simplesmente porque não se tem trabalhado de forma organizada e planejada o binômio demanda x oferta de água, principalmente para as cidades maiores e capitais do Brasil. A ANA – Agência Nacional de Ãguas vem desenvolvendo estudos e publicou em 2009 o Atlas de Abastecimento Urbano que apresenta dados muito importantes para que se avalie a situação de mananciais e de sistemas urbanos de abastecimento de água nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, a partir da avaliação de cada uma das grandes bacias hidrográficas dessas regiões. Com o diagnóstico feito se constata que 36 % dos sistemas pesquisados possuem sistemas de abastecimento de água que atendem satisfatoriamente a demanda até 2015; 64%, requerem investimentos para garantir a oferta até 2025, sendo que para 13% serão necessários novos mananciais e 51% deverão fazer adequações nos sistemas  de produção.

A situação não é confortável e também, não é estarrecedora. Para os 1.896 municípios pesquisados, sem dúvidas há também outras questões emergenciais que precisam ser administradas. Entre elas: o elevado índice de perdas nos sistemas de abastecimento de água e a falta de políticas que definam com clareza as regras para o reuso de água, uma das alternativas para conservação dos mananciais e para redução dos desperdícios de água. Sobre a redução das perdas já há excelentes exemplos no Brasil de empresas prestadoras dos serviços de saneamento, estaduais, municipais e privadas que vem trabalhando com padrões internacionais, obtendo expressivos resultados.

Quanto ao reuso, ainda há muito a fazer quando se trata de utilizar este sistema em sistemas não industriais, pois, nas indústrias, notadamente em São Paulo, já há muitos casos de reuso em andamento. A SABESP – Companhia de Saneamento de São Paulo, está implantando o Programa AQUAPOLO AMBIENTAL para o Pólo Petroquímico do ABC, onde serão investidos R$ 130 milhões para coletar e distribuir água de reuso da ETE – Estação de Tratamento de Esgotos do ABC. No COMPERJ – Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, também está em curso a adoção de sistema semelhante ao de São Paulo. Todos envolvem vazões altas, como 1.000 l/s e 3.000 l/s.

Nas grandes cidades e nas regiões metropolitanas, onde há um claro desequilíbrio na relação oferta x demanda, o potencial para reuso também é elevado e, de certa forma, viável economicamente. Não só para muitas industrias, como também para condomínios de apartamentos e de casas, shoppings, supermercados, etc. Faltam as regras técnicas e legais, os códigos e os projetos de engenharia para que se torne obrigatório o reuso de água para utilização na irrigação de parques, jardins, lavagem de pisos e garagens, descargas sanitárias e lavagem de veículos. Sem a inclusão da parcela da água de reuso como um dos itens do balanço hídrico em cada bacia hidrográfica e especificamente para as grandes cidades e regiões metropolitanas, será cada vez mais difícil garantir a conservação dos mananciais e o atendimento das demandas.


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A importância do saneamento

terça-feira, abril 13th, 2010

O PAC, mais uma das marcas do Governo Lula, permitiu que se voltasse a ter uma quantidade de investimentos em saneamento que há muito não se via. É claro que o programa é mais eleitoreiro que técnico e tem mais propaganda que realidade, afinal, apenas pouco mais de 10 % das obras foram concluídas e seria pior, se se levasse em consideração apenas os contratos que foram aprovados após o lançamento do PAC. A existência de recursos financeiros nas mãos de muitos governantes, nunca foi a senha para a melhoria da qualidade de vida da população, muito pelo contrário. Basta olhar para o Rio de Janeiro, um estado rico, que nada em royalties e, no entanto, tem uma situação sofrível na área de saneamento, com índices ruins de abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos (lixo) e drenagem de águas pluviais.

Há sempre uma questão de fundo, para usar uma expressão tão cara àqueles que diziam ter um jeito diferente de governar, a ser analisada. As carências na área do saneamento ambiental não são olhadas com a visão de quem precisa dos serviços. Os planejamentos, via de regra, olham para as obras que poderão ser executadas e não para os serviços e sua qualidade. O maior problema do Brasil hoje, apesar dos avanços, está na gestão. Pior, está na gestão puramente pública. Está naquelas localidades onde prevalecem vontades eleitorais, cartorialismo, falta de profissionalismo e uso particular do que é público.

Para mudar a qualidade dos serviços, ter sustentabilidade e alcançar a universalização, é preciso ser e fazer diferente. É preciso entender que o mercado de saneamento mudou e que os usuários não existem mais, são clientes com direitos e deveres. A coragem de mudar já pode ser vista em estados como São Paulo, Minas Gerais e Ceará, onde, desde a década de 90, as companhias de saneamento vem mudando e apresentando resultados de empresas privadas. Para estas empresas o importante é atender cada vez melhor aos seus clientes,e, para isto, elas não exitaram em fazer parcerias com a iniciativa privada via PPP de modo que se obtivesse a eficiência operacional que conduz ao bom atendimento e ao resultado financeiro que dá sustentabilidade para qualquer negócio seja ele público ou privado. Essas empresas também não temem trabalhar em ambientes regulados.

Aqui em Alagoas, a PPP do Agreste será sem dúvidas o fazer diferente para ter um efetivo resultado melhor. Não será apenas pela rapidez e qualidade das obras e depois, dos serviços que a população de Arapiraca e mais nove municípios terão. Será muito mais, será o atendimento a curto prazo de uma solução reclamada há anos pela população. Será o passo real da CASAL para se transformar em uma empresa sustentável.

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Lá vem a água do canal.

sexta-feira, abril 2nd, 2010

O canal adutor do sertão que está sendo implantado em Alagoas desde 1995 é uma obra muito importante e de grande valor econômico,social e ecológico. Ele vem sendo apresentado como a solução para a falta de água nas regiões do sertão, da bacia leiteira  e do agreste, pois, com 32 m³/s de capacidade, sem dúvidas, poderá mudar a face daquelas regiões com a completa mudança no perfil do indicadores de saúde pública e geração de renda. Só para exemplificar, a CASAL, operando em Maceió e em mais setenta e um municípios produz em seus sistemas aproximadamente 3,5 m³/s, ou seja, a CASAL não será o maior cliente dessa importante obra de aproveitamento de recursos hídricos.

É evidente que os técnicos alagoanos que desenvolvem e gerenciam este projeto sabem ele é muito mais que um canal para transportar água bruta por 275 km. É mais certo ainda, que o Estado está se preparando para ter uma estrutura de gestão de recursos hídricos que possa não só operar as bombas , as quais, isoladamente, fornecerão cada uma 2,17 m³/s mais também, ter usos sustentáveis e econômicos para toda esta água. A cada dia fica claro também que os órgão competentes do Estado estão se capacitando para fazer com que o canal seja um empreendimento que traga riqueza e empregos para Alagoas, já que, ele não poderá nunca ser tratado como uma obra social que levará água para matar a sede dos mais necessitados. O Governo Teotônio Vilela, como tem demonstrado em relação à modernização do Estado, está trabalhando para fazer do canal adutor do sertão um empreendimento que atrairá empresas agrícolas e até indústrias, com se fez em Petrolina.

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Jogar a toalha?Nunca.

sexta-feira, março 5th, 2010

Há poucos dias um importante, sério e respeitado radialista de Maceió, diante da inaceitável falta de água que há muito tempo assola a cidade, indignado e representando toda uma sofrida população, afirmou que a “CASAL havia jogado a toalha”, expressão muito grave e que, sem dúvidas, poderia trazer repercussões de difícil projeção.

A crise que Maceió vive hoje é nada mais nada menos que uma coisa anunciada e previsível, infelizmente, compartilhada por muitos brasileiros Brasil a fora. Começa com má gestão, passa pela falta de recursos financeiros e volta para  a má gestão. Um ciclo cruel que tem tudo a ver com ação e/ou inação governamental, ingerência política canibalesca, perda de auto estima empresarial, falta de visão comercial de fornecedor de serviço e perda da confiança dos clientes.

A demanda gerada hoje em cidades como Maceió é capaz, sem dúvidas, de levar governantes e dirigentes equilibrados a cometerem loucuras administrativas e desatinos técnicos para atender às reclamações e pressões da sociedade que não quer mais esperar muito tempo, ainda que seja para ter seus problemas resolvidos por um longo prazo. Maceió esperou longo tempo pelo Sistema Pratagy que opera a título precário, graças a Deus. Agora anseia pela conclusão do mesmo Pratagy e já sonha com a transposição do Rio Mearim e, quem sabe, em breve não esperará pelas águas do São Francisco, o que seria um absurdo.

De volta à questão da toalha jogada, é importante cotejar o que está sendo feito com aquilo que ainda transparece na falta do serviço regular e confiável de abastecimento de água. A cidade cresceu e a demanda aumentou sem que os investimentos acompanhassem o acontecido. Falar do passado não vai ajudar a resolver nada e pode até piorar a situação atual. Fundamental e saber o que está sendo feito e o que resultará dai. Melhorar a gestão, reduzir as perdas, receber daqueles que usam o serviço e não querem pagar. Esta foi a receita de sucesso das empresas que se destacam hoje.

A primeira grande ação e que a população muitas vezes desconhece teve caráter gerencial e pautou-se pela implantação de uma estrutura organizacional que priorizou a profissionalização visando a obtenção de resultados; a segunda está bem delineada nos investimentos que estão sendo realizados e a terceira, na capacitação dos empregados da CASAL para que trabalhem com foco na sustentabilidade da empresa, do serviço e da relação com o cliente. Não basta entupir a CASAL de emendas parlamentares e com projetos de péssima qualidade como já se fez, é preciso construir uma empresa de verdade que prime pela busca constante e permanente de melhoria para seus clientes.

Para ter um sistema de abastecimento de água em Maceió que atenda a todos, todo dia, é preciso ter uma gestão profissionalizada contínua que saiba conjugar a execução de boas obras com a prática de boa gestão. O governo Teotônio Vilela está realmente dando a CASAL a grande oportunidade para mudar e se tornar sustentável. Muitos já são os sinais dessa mudança, um deles está no ajuste financeiro que levou a redução das dívidas e a capacitação para obter financiamentos, coisa que não acontecia desde 1990. A solução da falta de água não se dá em curto prazo e sim, nos próximos dois anos, havendo com certeza, este ano, excelentes resultados.

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Ãgua para Arapiraca!

terça-feira, janeiro 26th, 2010

O sofrimento do povo Arapiraquense é antigo.Vem da década de setenta quando não havia praticamente água encanada na cidade e as cacimbas de fundo de quintal forneciam o precioso líquido, normalmente contaminado. O progresso foi chegando, a cidade crescendo, a primeira adutora do Agreste vindo do São Francisco foi executada, quase 60 quilômetros de tubos para atender a nove municípios, o principal deles, Arapiraca. A água era em pouco tempo insuficiente. Arapiraca continuava crescendo e lá pela década de noventa veio a duplicação da adutora do Agreste. Arapiraca não é só a segunda cidade do Estado. É hoje a metrópole do Agreste e continua sofrendo com falta de água. É claro que há ainda graves deficiências gerenciais na gestão dos serviços de saneamento,normalmente decorrentes de costumes gravados de um passado de sérias interferências políticas na gestão. Não há dúvidas no entanto, de que existe falta de água e que a solução para atender a demanda de Arapiraca pelos próximos vinte anos, fazendo face às demandas que o crescimento da cidade vem trazendo,passa pela construção de uma nova adutora,principalmente agora que se instalará na região a Mineração Vale Verde.

Para resolver o problema a CASAL, como órgão técnico do Estado, contratou estudos e projetos que levaram a elaboração de uma PPP – Parceria Público Privada, que possibilitará a implantação de uma nova adutora, uma nova estação de tratamento de água e a recuperação das adutoras existentes, levando mais 1.000.000 l/hora só para a cidade de Arapiraca e permitindo que se atenda as outras nove cidades do sistema adutor do Agreste hoje existente,com mais água, em decorrência dos ajustes  e da eficiência operacional que o sistema, como um todo, terá.

A questão crucial que cabe ao povo de Arapiraca também acompanhar e saber, é que a PPP é a forma mais rápida e viável em todos os sentidos de se ter definitivamente resolvida a falta de água na cidade. Este tipo de parceria e o modelo proposto para o novo sistema do Agreste, não implicará em aumento de tarifas e manterá a CASAL com a responsabilidade pela gestão da distribuição de água. Pela previsão da CASAL,as obras se iniciarão em junho de 2010 e em dezembro de 2011 os moradores da cidade de Arapiraca poderão dizer que lá não falta água.

A cidade de Arapiraca vem sendo um exemplo de boa administração municipal e,na área de saneamento,demonstra que sabe associar desenvolvimento sustentável com saúde pública e proteção ao meio ambiente. Com certeza, a PPP que não é da CASAL, nem do Governo do Estado, será a melhor solução para dar qualidade de vida ao povo de Arapiraca,Craíbas,São Brás, Traipu, Campo Grande, Feira Grande, Olho D´Ãgua Grande, Girau do Ponciano, Lagoa da Canoa,Igaci e Coité do Nóia.A PPP é uma ação pioneira que colocará a região do Agreste, Arapiraca, a CASAL e os Governantes envolvidos no processo no grupo daqueles que hoje encontram soluções responsáveis para resolver problemas de interesse da sociedade sem esperar pelas promessas do Governo Federal.

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Falta água em Maceió

quarta-feira, dezembro 23rd, 2009

A falta de água em Maceió é uma característica das capitais brasileiras nos últimos 25 anos. Paradoxalmente, mesmo com os investimentos do PLANASA – Plano Nacional de Saneamento nas décadas de 70 e 80, Maceió não se preparou para o crescimento populacional que se acelerou e, nem tão pouco, para as mudanças no cenário urbano que surgiram. Comportados arrabaldes onde moravam os honrados e honestos pobres, se transformaram em populosas favelas que abrigam uma heterogênea classe social que varia do miserável sem teto até o rico traficante de drogas; os bairros burgueses mudaram de zona urbana e de tipo de moradia, saindo de casarões para grandes apartamentos, fazendo com que no lugar de uma residência com 7 (sete) pessoas, surgisse um prédio de apartamentos com mais de 50 pessoas.

Alagoas projeta em sua capital aquilo que é sua característica ainda,porquanto se origina na sua raiz cultural e costumes sociais: só resolve seus problemas se houver pelo menos um padrinho político. Há uma significativa dificuldade para que os problemas sejam resolvidos com base em planejamento, gestão e uso da técnica. Acima de tudo,espera-se pelo chefe político da ocasião. A cidade sofre,portanto, há décadas, com a falta de ação governamental capaz de administrar as demandas da sociedade com base na gestão pública responsável e eficiente,associando os interesses eleitorais e políticos legítimos, com o planejamento e resultados.

A falta de água crônica em Maceió se agravou nos últimos 10 (dez) anos exatamente porque se entendeu que as soluções viriam com a execução de obras, sem estudos e sem planejamento. Bastava juntar um padrinho político, uma empreiteira, um jogo de planilhas orçamentárias e um desenho. Pronto. Dinheiro chegando, obras iniciadas e sem fim definitivo, dissociadas do interesse público e mal construídas. O resultado: ainda não se chegou a acabar com a falta de água.

O governador Teotônio Vilela, entendendo a gravidade da situação, iniciou e está promovendo uma corajossíma mudança na gestão dos serviços de saneamento em Alagoas. A nova visão da SEINFRA dá a CASAL a condição de se posicionar no mercado como uma empresa viável e capaz de resolver problemas, deixando de ser uma empresa que caminhava, até 2006, para se acabar. Rejeitava clientes, abandonava as Prefeituras e vegetava, apenas se justificando diante dos problemas que enfrentava todo dia em um processo que tornou seu dedicado quadro de empregados refém de interesses que visavam só usar a empresa.

A mudança e a melhorias dos serviços apenas começou.É preciso mais tempo para recuperar os sistemas, modernizar os serviços e profissionalizar a gestão. A grave falta de água que aumenta a cada verão tem agora um claro horizonte de encerramento com a iniciada transformação da CASAL em empresa que trabalha com foco no melhor atendimento aos seus clientes e na efetiva prestação de um serviço que associa resultados empresariais com equilíbrio financeiro. Para solucionar de vez a falta de água não basta executar obras, é preciso ter um planejamento de longo prazo que propicie a gestão racional da oferta e da demanda de água  para que se alcance a prestação sustentável dos serviços.

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COP 15 – Ãgua e Energia Elétrica

terça-feira, dezembro 8th, 2009

Os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário brasileiros consumiram aproximadamente 9,6 bilhões de kWh em 2006, ou seja, cerca de 3% do consumo total do país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) 2006, da Secretaria Nacional de Saneamento (SNSA) do Ministério das Cidades. Esse volume representa um gasto anual dos prestadores de serviços de saneamento com energia elétrica da ordem de R$ 2,5 bilhões. Considerando a margem possível de economia de cerca de 25%, o custo anual da ineficiência energética no setor representa um gasto adicional de cerca de R$ 600 milhões, que poderiam ser revertidos para a melhoria dos próprios sistemas. A energia elétrica é o segundo maior custo no saneamento, perdendo apenas para os gastos com recursos humanos. Em algumas companhias já é o primeiro fator de custos e deixou para trás as despesas com produtos químicos. Além dessa condição operacional e financeira do saneamento na matriz de consumo de energia elétrica, é relevante destacar que para os prestadores dos serviços de distribuição de energia elétrica, os serviços de saneamento são grandes clientes, sendo nos estados pobres do Norte e Nordeste, as maiores contas para aquelas distribuidoras. Apesar disso, o setor de saneamento é um mal tratado cliente pelo setor energético no Brasil. Como houve e ainda há uma grande interferência da equivocada visão de que os serviços de saneamento não são auto-sustentáveis e devem ser bancados pelo poder público, pouco se fez para reduzir a tão falada e verdadeira ineficiência energética no setor de saneamento.

Há alguns anos a ELETROBRÃS vem coordenando um dos mais bem sucedidos programas de uso racional de energia elétrica, o PROCEL, hoje quase uma marca comercial para indústrias e população usuária de geladeiras, TVs e outros aparelhos elétricos. No setor de saneamento, em que pese atuar desde 2001, ainda não conseguiu resultados significativos, em parte por insistir em desconhecer características operacionais dos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário e, de outra parte, por impor limitações de captação de recursos para serviços que apresentam mais necessidade de apoio e possuem menos condições de pagamento. Sem dúvidas reduzir desperdícios e perdas nos sistemas, como também, racionalizar o uso da energia elétrica, são ações importantes para melhorar a qualidade dos serviços e contribuir objetivamente para a eficiente gestão de recursos hídricos. No entanto, atuar junto aos prestadores de serviços de saneamento sem se envolver com uma ação integrada que busque também a solução para a baixa qualidade da energia elétrica fornecida ou ainda, para a oferta insuficiente desse insumo fundamental para o acionamento das bombas nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, é continuar contribuindo para a manutenção do desperdício de dinheiro e de tecnologia. Acabar com a ineficiência energética nos prestadores de serviços de saneamento, não passa apenas pela substituição de motores ou colocação de novos equipamentos em quadros de comando. É preciso ter energia elétrica e de boa qualidade, pois a população já começa a perceber que, em muitos casos, a falta de água não está só na ineficiência gerencial do Governo ou do prestador de serviço.

Os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário brasileiros consumiram aproximadamente 9,6 bilhões de kWh em 2006, ou seja, cerca de 3% do consumo total do país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) 2006, da Secretaria Nacional de Saneamento (SNSA) do Ministério das Cidades. Esse volume representa um gasto anual dos prestadores de serviços de saneamento com energia elétrica da ordem de R$ 2,5 bilhões. Considerando a margem possível de economia de cerca de 25%, o custo anual da ineficiência energética no setor representa um gasto adicional de cerca de R$ 600 milhões, que poderiam ser revertidos para a melhoria dos próprios sistemas. A energia elétrica é o segundo maior custo no saneamento, perdendo apenas para os gastos com recursos humanos. Em algumas companhias já é o primeiro fator de custos e deixou para trás as despesas com produtos químicos. Além dessa condição operacional e financeira do saneamento na matriz de consumo de energia elétrica, é relevante destacar que para os prestadores dos serviços de distribuição de energia elétrica, os serviços de saneamento são grandes clientes, sendo nos estados pobres do Norte e Nordeste, as maiores contas para aquelas distribuidoras. Apesar disso, o setor de saneamento é um mal tratado cliente pelo setor energético no Brasil. Como houve e ainda há uma grande interferência da equivocada visão de que os serviços de saneamento não são auto-sustentáveis e devem ser bancados pelo poder público, pouco se fez para reduzir a tão falada e verdadeira ineficiência energética no setor de saneamento.

Há alguns anos a ELETROBRÃS vem coordenando um dos mais bem sucedidos programas de uso racional de energia elétrica, o PROCEL, hoje quase uma marca comercial para indústrias e população usuária de geladeiras, TVs e outros aparelhos elétricos. No setor de saneamento, em que pese atuar desde 2001, ainda não conseguiu resultados significativos, em parte por insistir em desconhecer características operacionais dos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário e, de outra parte, por impor limitações de captação de recursos para serviços que apresentam mais necessidade de apoio e possuem menos condições de pagamento. Sem dúvidas reduzir desperdícios e perdas nos sistemas, como também, racionalizar o uso da energia elétrica, são ações importantes para melhorar a qualidade dos serviços e contribuir objetivamente para a eficiente gestão de recursos hídricos. No entanto, atuar junto aos prestadores de serviços de saneamento sem se envolver com uma ação integrada que busque também a solução para a baixa qualidade da energia elétrica fornecida ou ainda, para a oferta insuficiente desse insumo fundamental para o acionamento das bombas nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, é continuar contribuindo para a manutenção do desperdício de dinheiro e de tecnologia. Acabar com a ineficiência energética nos prestadores de serviços de saneamento, não passa apenas pela substituição de motores ou colocação de novos equipamentos em quadros de comando. É preciso ter energia elétrica e de boa qualidade, pois a população já começa a perceber que, em muitos casos, a falta de água não está só na ineficiência gerencial do Governo ou do prestador de serviço.

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Apagões, falta de água, engarrafamentos…

sexta-feira, novembro 13th, 2009

Diante de um fato que podia acontecer em qualquer lugar do mundo, parte significativa do Governo Lula ficou completamente enrolada para explicar o tal apagão. O nosso presidente, reencarnação de Deus e Pedro Ãlvares Cabral, tratou logo de dizer que fez em sete anos 30% do que foi feito nos últimos 123 anos em linha de transmissão de energia elétrica, como se isto pudesse esclarecer o ocorrido. Assim, mediocramente, os membros do Governo ficaram ora comparando o apagão de hoje com os do passado, para mostrar que o de Lula não foi pior que o de Fernando Henrique e ora protegendo a ministra Dilma Roussef, escalada para representar Lula na presidência da República a partir de 2011. Na verdade o apagão, por sua gravidade, não permitiu que questões mais sérias fossem levadas em conta. Na seqüência dele veio a falta de água e toda uma lógica confusão urbana decorrente dos problemas e limitações existentes hoje na distribuição de energia elétrica e de água. Isto sem se falar também na paralisação dos sistemas de esgotamento sanitário. O apagão não desnudou apenas a fragilidade do sistema elétrico apontada pelos estudiosos, escancarou todas as deficiências estruturais das capitais e cidades brasileiras onde os limites entre a oferta e a demanda por energia elétrica, serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, vias públicas e espaços urbanos qualificados já não existe mais. Ele mostrou no atacado o que diariamente acontece no varejo, pois, são comuns os apagões elétricos transitórios nas áreas urbanas e rurais, os quais agravam a falta de água crônica existente. E por que é tão difícil para qualquer governo enfrentar tais dificuldades?

Muitas razões existem. Os já conhecidos crescimento descontrolado das cidades e a falta de investimentos em infraestrutura parecem ser a principal razão. Realmente podem até ser, só que não são a causa de todos os males urbanos, pois antes de tudo deveria haver planejamento, planos de governo e gestão sustentável. É óbvio que a estrutura político-partidária brasileira não tem o menor interesse em ouvir falar em planejamento de longo prazo e entende o médio prazo como no máximo quatro anos. Com os arranjos eleitorais decorrentes da infinidade de partidos no país, a estrutura administrativa de quase todos os níveis de Governo é uma salada de interesses, sendo comum o completo desencontro entre o que pensa o governante principal e o que fazem seus executivos imediatos dedicados a prestarem contas de seu trabalho ao partido ou ao padrinho que os indicou. O apagão pode ser útil para mostrar que o Brasil precisa de um plano de desenvolvimento de longo prazo e as cidades, precisam com urgência de planos estratégicos que definam com objetividade quais as demandas e como, quando, por quem e a que custo poderão ser atendidas. Tudo isto, inserido em um modelo real de gestão profissional e competente para que o planejado possa se transformar em projetos integrados e exeqüíveis levando a resultados sustentáveis, capazes de efetivamente transformarem as cidades em lugares para viver ao invés de endereços de moradia.

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