O Jornal Primeira Edição, de 14 a 20 de junho de 2010, destaca uma manchete de uma matéria onde o consultor ambiental e ex-secretário de meio ambiente de Maceió, Alder Flores, afirma que o Salgadinho não tem mais como ser despoluÃdo porque não recebe mais nenhuma contribuição hÃdrica, ou seja, não tem mais água doce em seu leito. Todo o lÃquido que pode ser visto no riacho se divide, pelo que se depreende da afirmação dele no jornal, entre esgoto, água de chuvas e, no trecho mais baixo, água do mar que adentra leito acima com a maré alta. Já o atual secretário de infra-estrutura do municÃpio, afirma que com o saneamento do Vale do Reginaldo o Salgadinho será despoluÃdo. A julgar pela situação atual e, sem qualquer dúvida, visÃvel para todos os que passem próximos ao Salgadinho, o consultor Alder Flores está coberto de razão. Sem condições ambientais que permitissem sua sustentabilidade, preservação e conservação ao longo dos anos, as nascentes que mantinham a vazão de base do riacho Salgadinho não se mantiveram, o homem e a urbanização sem controle fizeram o resto matando as últimas possibilidades de manutenção delas e conseqüentemente, da existência de água doce no riacho. O engenheiro e projetista Daniel Eugênio, secretário de infra-estutura, também tem razão quando fala em despoluir o Salgadinho com a implantação de redes coletoras de esgoto no Vale do Reginaldo, só que, a despoluição a que ele se refere é apenas a indicação de que o Salgadinho não deverá receber mais esgotos brutos como recebe hoje, pois, para que se tenha água doce correndo no leito do Salgadinho de novo não basta apenas executar obras de esgotamento sanitário. O consultor Alder Flores tem razão quando diz que as chances de ter a despoluição que traga água doce de volta ao Salgadinho são remotÃssimas. Se existirem, serão carÃssimas e exigirão bons estudos e projetos, coisa que em Alagoas não é muito comum. Além disso, os custos serão tão elevados que com certeza, nos próximos 50 anos, com o PAC 100 lançado na dinastia Lulista, ainda será pouco recomendável fazer com que as nascentes do Salgadinho renasçam. Assim, a vocação natural do Salgadinho deve ser respeitada: ele é um grande e importante canal de drenagem dentro da cidade de Maceió. As obras de despoluição do Vale do Reginaldo devem prever a utilização do leito do Salgadinho de forma racional e adequada para coletar e direcionar as águas de chuva para o mar, cuidando-se de todas as outras ações ambientais recomendadas pelo consultor. A prefeitura de Maceió podia começar também a elaborar um projeto de requalificação da calha do Salgadinho de modo que ele funcione como o canal de drenagem de águas de chuvas e que tenha pelo menos suas paredes refeitas, seu fundo regularizado e retirados bancos de areia que vergonhosamente se acumulam dentro de seu leito. O rio Salgadinho não existe mais. O que existe é o canal de drenagem do Salgadinho, o qual, não é coletor de esgotos.
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O Salgadinho morreu.
segunda-feira, junho 14th, 2010Pessoas sem saneamento
sexta-feira, junho 11th, 2010As vezes achamos que não há pessoas que possam estar vivendo em condições sub-humanas na Terra. Muitas vezes, protegidos pelo conforto que nossas casas oferecem e pelos bairros e cidades onde vivemos não nos damos conta da gravidade do problema que ainda existe. Recentemente um representante do Water and Sanitation Program(WSP), do BIRD-Banco Mundial, afirmou que 700 milhões  de pessoas permanecem sem nenhum tipo de saneamento básico, ou seja, são pessoas que não tem sequer onde urinar ou defecar, fazendo as necessidades ao ar livre. Pelo menos 2,5 bilhões de pessoas não possuem instalações sanitárias adequadas, o que significa dizer que usam equipamentos sanitários precários.Os piores Ãndices do planeta estão no sudeste asiático onde 48% da população precisam defecar e urinar ao ar livre. Em paÃses como a BolÃvia, por exemplo, há quase 42% da população vivendo sob estas condições.
Embora muitos programas venham sendo desenvolvidos e muitas pessoas participem de treinamentos e cursos de capacitação e conscientização, um dos fatores que mais contribuem para sustentação de Ãndices tão sérios é a pobreza que decorre, no mais das vezes, da inexistência de governos e polÃticos sérios. No Brasil,por exemplo, possuem coleta de esgoto 50,6% da população urbana e 43,2% da total,demonstrando que há um grande número de brasileiros sem serviços adequados de esgotamento sanitário quando se fala em transporte do esgoto doméstico.Quando se fala de tratamento de esgoto,só 34,35 da população tem este “luxo”.
Sem coleta de esgoto as pessoas são obrigadas a conviver com fezes correndo pelo meio-fio das ruas ou a possuirem sistemas próprios,como fossas individuais ou coletivas,que tanto em caso como no outro, provocam doenças e degradação ambiental.Reverter tal situação exige planejamento, bons projetos de engenharia,boas obras, boa gestão dos serviços e comunicação eficaz levando a população claras informações sobre a necessidade e os benefÃcios de sistemas de esgotamento sanitário.
O Riacho Salgadinho – Uma história de abandono.
domingo, maio 16th, 2010Em 1963 eu morava na rua do Uruguai e tanto minha mãe, como minha avó materna ou a empregada da minha casa, quase todos os dias me levava com meu irmão para passear pelas vizinhanças, chegando normalmente à s margens do Salgadinho. Naquela época, até chegar a antiga e hoje inexistente ponte de madeira para pedestres que ladeava a ponte metálica para passagem dos trens, passavamos por sÃtios e casarões que faziam a paisagem da avenida Maceió. A distração era ver os rapazes, era assim que se chamavam os adolescentes, pulando da ponte nas águas ainda limpas do riacho. Nesse mesmo ano a minha famÃlia voltou para Recife onde ficamos até 1965. Deste ano até 1974, morei sempre perto da praia da Avenida e consequentemente do Salgadinho. Em 1970, minha mãe proibia terminantemente que eu e meu irmão colocássemos os pés nas águas do riacho e, na praia da Avenida, o banho tinha que ser o mais longe possÃvel do Salgadinho que já dava sinais de poluição. Os bagres minúsculos ainda pescados eram jogados fora antes de minha mãe imaginar que havÃamos pescado no riacho de águas sujas pelo esgôto.
Muito tempo se passou e o riacho Salgadinho apenas piorou. De poluÃdo passou a contaminado e doente terminal em função das doenças que são adquiridas em razão da falta de interesse polÃtico em administrar as cidades devidamente e construir os sistemas de infraestrutura, como os de saneamento, para melhorar a qualidade de vida nas cidades e dar mais saúde aos seus moradores. Há algum tempo, 20 anos pelo menos, que se fala na implantação do esgotamento sanitário no Vale do Reginaldo para se pensar em tratar das despoluição e descontaminação do Salgadinho que é uma continuação do riacho Reginaldo. Foram e são muitas histórias, dezenas de promessas, shows de prefeita e secretários com banho de mar na desembocadura do Salgadinho, contenções de tempo sêco e, enfim, nenhum resultado positivo, nenhuma solução consistente.
Atualmente segue mais um capÃtulo de um complexo empreendimento que é a continuação da implantação dos interceptores e coletores de esgoto do Vale do Reginaldo. Não é tecnicamente uma obra de engenharia complexa ou, menos ainda difÃcil.É extremamente complexa do ponto de vista social e exige uma forte mobilização dos poderes públicos para que tenha bons projetos, recursos financeiros e gestão eficiente dos serviços.
O que chama mais atenção no entanto é que de 1963 até hoje, 47 anos depois, feito muito pouco como já se disse, é interessante notar o abandono que o Riacho Reginaldo e seu prolongamento, o Salgadinho, apresentam. Do ponto de vista de estrutura urbana é sujo, cheio de mato e lixo, onde há calçadas ou restos delas a aparência é a pior possÃvel, as paredes laterais de pedra que revestem o canal por onde corria um riacho,pedem recuperação há anos e o fundo do hoje canal de esgotos e lixo, deveria ser revestido em grande parte. Nas minhas lembranças sobre manutenção do canal ainda vejo as dragas do extinto DNOS – Departamento Nacional de Obras de Saneamento, lá nos anos 70… É triste ver que nem limpar o canal é possÃvel hoje.
A Prefeitura de Maceió vem realizando um bom trabalho nos últimos anos. O Salgadinho é um cartão postal negativo,pois,nem o mato que cresce dentro dele perto da antiga rodoviária consegue ser retirado.


