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ENGENHEIROS EM PERIGO.

quinta-feira, maio 26th, 2011

A engenharia civil é uma das profissões em alta. Faltam engenheiros para as obras na área de infra-estrutura e engenheiros experientes para elaborar projetos de saneamento e construção de barragens, por exemplo. Melhor também verificar que faltam engenheiros com experiência na coordenação, gerenciamento e execução dessas obras. O atraso no PAC tem causas que são conhecidas por qualquer profissional de engenharia ou gestor público mais atento: projetos de engenharia incompletos e execução sem planejamento. Assim, sobram contratos não concluídos e serviços mal executados. Os órgãos de fiscalização para controlar preços, no caso do saneamento, usam o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI, como uma tabela de preços e encargos para obras e serviços de engenharia e não como uma pesquisa mensal que informa os custos finais e índices da construção civil. Este sistema, implantado em 1969, no BNH – Banco nacional de Habitação, é adotado como tabela de preços na LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias do Governo Federal, o que é uma grave distorção na forma como deve ser avaliado o orçamento de projetos e obras de saneamento. É interessante observar que para estradas e barragens valem tabelas do DNIT e DNOCS, enquanto que para saneamento não servem nem os preços legalmente compostos pelas empresas estaduais de saneamento, nem pelos serviços municipais e nem pelas Secretarias Estaduais. Desta forma, trabalhar como engenheiro nas obras do PAC é um desafio permanente e de extremo cuidado com a responsabilidade profissional, pois cada contrato trás projetos que não puderam ser completos por falta de tempo de execução e dinheiro, além de se fundamentar em planilhas orçamentárias irreais e inadequadas aos locais onde estão as obras, por se basearem no SINAPI, como preço máximo. Outro grande risco para a engenharia nacional e seus profissionais é a COPA de 2014. Aqui os perigos são muito maiores, porque o Brasil está submetido à intervenção da FIFA, entidade financeira que deixou a organização de partidas de futebol de lado e virou empreendedora financeira vendendo pacotes completos de obras: aeroportos, estradas, vias públicas, vilas habitacionais, saneamento, energia, redes de telefonia e lógica e por fim, estádios de futebol. Na África do Sul eles viraram campos de rúgbi, aqui, em muitos lugares, depois da COPA, virarão fontes de desperdício de dinheiro público. As obras dos estádios estão todas atrasadas e dos aeroportos nem começaram, ou seja, os engenheiros e arquitetos responsáveis pelos projetos e obras dessas unidades estão com suas reputações em jogo podendo ser substituídos pelos construtores indicados pela FIFA e taxados de incompetentes por não terem atendidos aos prazos. Por outro lado, poderão ter que exagerar nos coeficientes de segurança para evitar riscos de desabamento de estruturas, levando a elevação de custos. A FNE – Federação Nacional dos Engenheiros, os Sindicatos de Engenheiros e O CONFEA – Conselho Federal, devem com urgência se mobilizar pela proteção aos profissionais envolvidos com as obras da COPA e do PAC. “Os engenheiro não pode ficarem quietos”, conforme a novíssima gramática do Ministério da Educação.

 

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A ética e a engenharia.

sexta-feira, março 12th, 2010

Todos nós temos a opção de viver eticamente ou não. A escolha é estritamente pessoal, podendo sofrer, é claro, as importantes influências da educação familiar e do ambiente onde se vive. O que não existe é o que o Lulismo prega: cada um tem a sua ética. Isto, não é verdade. A ética se pauta basicamente por alguns princípios que conduzem a questionamentos práticos e permanentes que se relacionam com o que cada um faz e não com o que cada um diz. Se fosse pelo que se diz, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e outros lugares importantes da vida pública seriam bem diferentes do que se vê. Tudo porque a prática da ética tem que se pautar por avaliar:

1. Se o que está sendo feito é legal;

2. Se é imparcial;

3. Se faz com que cada indivíduo se sinta bem consigo mesmo;

4. Se as conseqüências do que está sendo feito podem prejudicar a outras pessoas;

5. Se a satisfação de interesses individuais está superando interesses coletivos.

Ou seja, tem tudo a ver com PRÁTICA, AÇÃO,EMPREENDENDORISMO,NEGÓCIO.

Como os profissionais da engenharia praticam a ética em suas profissões? Quando se trata de trabalhar apenas na elaboração de projetos e na construção de obras para particulares, é muito mais fácil agir eticamente porque a relação é direta com o cliente, o beneficiário, o povo. Os cinco pontos acima listados são mais facilmente praticados. É claro que há distorções e posturas que não tem nada a ver com a ética, porém, o mais comum é o respeito a ética com base em uma relação comercial, um negócio.

Quando a engenharia se relaciona com o poder público a coisa muda completamente. Tanto para execução de obras como para prestação de serviços, a prática da ética fica contaminada pelo vício da falta de princípios comerciais na relação contratual. Não se considera um negócio. O poderoso contratante, revestido de mantos de legalidade institucional e Leis de todo tipo, age como se a relação com o contratado envolvesse algo pessoal em alguns casos, ou algo meramente burocrático tipo não interessa o custo x benefício e sim a forma jurídica da contratação. Dai, tantos e graves problemas surgem na contratação de obras e serviços públicos.

Uma das coisas que hoje pode mostrar como o universo da relação engenharia x poder público está distante da ética, conforme a definição acima, é a contratação, elaboração e execução de projetos de engenharia sejam eles para implantação de obras de saneamento, construção de estradas ou conjuntos de baixa renda. Diante da urgência com que as demandas vem surgindo em nossas cidades e com o oportunismo político eleitoral que tem pautado as administrações públicas em geral, fazer um planejamento ou contratar a execução de um projeto se tornou quase uma ação proibitiva. Projetos, para que? Eles demoram muito a serem concluídos. Empresas que só elaboram projetos, porque, se a empreiteira já pode chegar com um pacote contendo planilhas, emenda parlamentar,empenho e minutas, em alguns dias?

Se compararmos esse comportamento que ainda acontece e que era regra comum em alguns Estados com a prática da ética, se verá que:

1. Não são legais;

2. Não são imparciais:

3. Não satisfazem aos agentes envolvidos;

4. Tem consequências negativas para a sociedade em última instância;

5. Não atendem aos interesses da sociedade.

A prática da ética na engenharia é fundamental para a construção de um mundo melhor,no entanto, a ética não pode ser praticada apenas por uns. O papel do poder publico em todas as suas esferas é na verdade aquele que pode realmente fazer as mudanças acontecerem.

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