Quando não havia internet e nem tão pouco era possÃvel acessar facilmente imagens de todo o mundo pela televisão, se imaginava que as catástrofes naturais,salvo para alguns poucos que podiam viajar para o exterior,eram aquelas aprendidas nas aulas de geografia.Vulcões,terremotos,tufões,furacões e maremotos,por exemplo.Como no Brasil não havia nada disso, o que mais preocupava era uma enchente de inverno que atingia normalmente as camadas mais pobres, moradoras das periferias. Graças a globalização, instantaneamente se vê o que acontece em qualquer parte do planeta e se viu ainda que as enchentes que aqui acontecem,também acontecem por exemplo,na Europa. As causas são as mesmas: em algum momento o homem promoveu alterações no meio ambiente que resultam hoje nas enchentes, dotadas de alto poder de destruição.
Qual a diferença entre as enchentes na Alemanha e no Brasil? Do ponto de vista fÃsico, quase nenhum. Do ponto de vista urbano,a diferença é grande. As destruições causadas pelas enchentes nas capitais brasileiras não podem realmente serem postas como de responsabilidade dos atuais prefeitos, salvo a execução de alguma obra mal construÃda ou da decisão de não fazer obras necessárias. A causa apontada por 9 entre 10 polÃticos, técnicos e gestores públicos sempre aponta para o crescimento desordenado das cidades. E é verdade. O problema é que esta não é a causa e sim o resultado de uma causa maior que é o absoluto abandono do planejamento e da gestão dos serviços públicos nas cidades. O efeito são as enchentes e alagamentos constantes com danos materiais ao patrimônio particular e público, além das mortes e doenças que à s vezes incapacitam as pessoas para o trabalho.
Na Alemanha e mais especificamente, na Baviera, a solução para reduzir os impactos ambientais foi um pacto firmado na sociedade que estabeleceu compromissos, controles e regulação, de modo que os gestores públicos eleitos ou empregados do estado, trabalhassem com base em planos e projetos que reduzem os impactos decorrentes, por exemplo, das cheias que ocorrem após o inverno ou no perÃodo de chuvas.
E no Brasil? Que controles há?Que leis são respeitadas quando se trata de invasão de  terrenos públicos, encostas, fundos de vales?Quem regula a gestão pública?Quem exige que deve haver uma planejamento de longo prazo, planos e projetos para que se executem obras de habitação, abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem de águas pluviais e coleta, transporte e tratamento de lixo? A resposta é simples: muitos e ninguém.O resultado é que tudo pode ser feito e a cada dia as cidades vão se transformando em zonas de alto risco para a maioria,pois, se as chuvas não matam por desmoronamentos, matam por afogamento em plena via pública.
Será que poderia se pensar também em um pacto pela boa e eficiente gestão das cidades no Brasil?Sem dúvidas que sim. O problema é que o maior desafio está na compatibilização do interesse polÃtico com a sobrevivência das cidades. Do jeito que o Lulismo avança no Brasil fortalecendo e induzindo práticas puramente eleitoreiras e com a aprovação quase unânime dessas práticas pela população, é difÃcil acreditar que alguém assuma sair do imediatismo para a ação de longo prazo. Será que dá para imaginar algum prefeito propondo aos seus eleitores e vereadores a execução de um projeto de pavimentação que contemple a execução de drenagem de águas pluviais e do sistema de  esgotamento sanitário antes do asfaltamento da rua? Ou ainda um prefeito que desista de fazer milhares de casas em uma área da cidade completamente desprovida de infraestrutura? A resposta geral é não. O pior é que a população não aceitaria a justificativa de que antes do asfalto é mais importante a drenagem,o esgotamento sanitário e o abastecimento de água.

