Agora o Presidente Lula pode de verdade e com razão, pelo menos uma vez em oito anos, dizer que nunca antes na história deste paÃs uma eleição foi realizada de forma tão pouco republicana como a de 2010 para Presidente da República. Ele próprio comandou o desrespeito a lei com uma naturalidade pouco vista e o nÃvel da campanha, entre os dois principais candidatos, nunca foi tão agressivo e reprovável como o que se viu. Em resumo, pode se considerar que o que mais parecia preocupar aos candidatos era provar que seus currÃculos tinham menos escândalos que o de seu adversário ou, que entre seus assessores, não havia campeões em desvio de recursos públicos. Uma triste campanha que em suma atesta quão pobres de lideranças de verdade está este inÃcio de século XXI. Um alento resta quando se analisa o que aconteceu nas eleições para Governadores, pois, em Estados importantes para a sustentabilidade do princÃpio federativo o nosso “sol do sóisâ€, não conseguiu impor a vontade dele e o povo foi soberano na escolha de candidatos que não representavam retornos ao passado ou atestação de que a memória do eleitor é fraca. Registro se faça sobre a vitória justa e reconhecida do Governador de Alagoas Teotônio Vilela Filho que foi reeleito enfrentando uma aliança que se compunha de Collor, Lula, Dilma, Renan e Ronaldo Lessa.
Encerrada a eleição, resta agora a velha máxima de que o que passou, passou e vamos para frente, pois o Brasil é maior que seus polÃticos e, graças a tudo que foi iniciado em 1994, há realmente uma esperança de continuidade de desenvolvimento, apesar dos riscos do continuÃsmo dos mensalões, taxas de sucesso e outras coisas mais que tanto nos envergonharam. A eleição da ex-ministra Dilma é emblemática por várias razões que podemos relacionar:
- Pela primeira vez um presidente impõe uma candidata e por pouco, dispensava até eleições para isso;
- Uma mulher foi eleita em uma sociedade machista e, pior ainda, em um meio pouco dado a respeitar a opinião das mulheres que é o meio polÃtico;
- A candidata eleita vem de uma escola ideológica e que sonhava com um paÃs para todos.
Só o tempo poderá dizer se a escolha foi a melhor. Não faltarão desafios para a futura Presidente da República. O maior deles, sem dúvida, será ser ela mesma sem aparentar ser o Lula de saias e outro, se impor perante toda uma turma de aliados, deputados e senadores que formam uma base de apoio cujo compromisso com a ética já foi testado em mandatos anteriores e agora na campanha de 2010. O brasileiro é um eterno esperançoso, ou melhor, como afirma Ariano Suassuna, ao invés de ser um eterno otimista, é preferÃvel ser um realista esperançoso. Vive-se um momento de crescimento econômico, desenvolvimento social e melhoria de qualidade de vida do povo brasileiro, no entanto, há muito a fazer para que os pobres do paÃs sejam tratados como reais cidadãos e não apenas como cadastrados no programa bolsa famÃlia ou sendo educados em PROUNI’s da vida, para enfrentar um mercado de trabalho que só os habilitará a serem funcionários públicos aprovados não por competência e sim por militância a favor de alguém ou de um partido. Apesar da campanha, apesar de alguns eleitos para o Senado e para Câmara dos Deputados, hoje é de novo dia de confiar ou de ter esperança de que nunca mais na história deste paÃs teremos um presidente que acha que é Deus e que está acima da lei. Torçamos todos para que a candidata eleita, futura presidente Dilma, seja humana ou, no popular, seja de carne e osso como todos os brasileiros. No campo do poder executivo há um caminho aparentemente delineado sobre o futuro. Os maiores e mais graves problemas estão nos poderes legislativo e judiciário, com sérias implicações sobre o futuro do paÃs e de seus cidadãos, pois naqueles poderes, não se nota muita conexão entre os verdadeiros princÃpios da legalidade e da justiça com a vida de cada um dos brasileiros, principalmente os mais necessitados e aqueles que trabalham dia após dia na geração de renda e de impostos. Sobre estes poderes, a presidente eleita pouco pode. Porém, a esperança realista está sobre a oposição que nunca antes na história deste paÃs foi tão pouco combativa como nos oito anos do Governo Lula. A oposição precisa existir de novo no Brasil.

