Acho que já poderiam ter composto aqui no Brasil uma música com o tÃtulo sofrendo na chuva. Não faz seis meses e se via o sofrimento no Rio de Janeiro com o prefeito da cidade agindo com a presteza comum aos polÃticos brasileiros, comunicando garbosamente que o Presidente Lula já estava enviando milhões de reais para reconstruir tudo que fora destruÃdo. Nada chegou até hoje… Ótimo, todos de volta à s mesmas encostas e margens de riachos, córregos e rios, devidamente acomodados e torcendo para que uma próxima chuva não tarde, pois, ela é uma das formas de reformar o barraco, ganhar alguns móveis novos, roupas usadas aproveitáveis e, com sorte e um tÃtulo de eleitor em perfeitas condições, ganhar até uma casa nova. Todos cantando na chuva…
O que acontece hoje já está mais do que explicado pelos estudiosos e sempre acontecerá por ser um fenômeno natural. É claro que estes, algumas vezes superam a normalidade esperada, porém, nunca estão fora das probabilidades de ocorrência. A cada cinqüenta ou a cada cem ou a cada quinhentos anos, ou até mil, dez mil anos, uma vez pelo menos ocorrerá. O problema está exatamente no despreparo das cidades para enfrentarem esses fenômenos. E aqui, vale destacar o papel importante da sociedade, ou melhor, do povo para ficar mais explÃcita a ideia e dos prefeitos, os quais, para ficar mais claro também, serão denominados de polÃticos.
Quando a chuva forte vem começam as reclamações. O povo cobrando as promessas feitas nas campanhas e os polÃticos dizendo que os culpados foram os que estavam antes de seus mandatos. Nem uma coisa nem outra podem justificar as reclamações, afinal, a má gestão dos polÃticos é o retrato de um peculiar cruzamento entre as más intenções do eleitorado, o qual, buscando apenas seus benefÃcios vota e elege mentirosos, bandidos, enrolões, ladrões do dinheiro do povo e até fichas –suja, com os polÃticos cheios de boas intenções declaradas em palanques e repetidas em inúmeras entrevistas, porém, dificilmente postas em prática porque o próprio status da relação povo x poder público não deseja qualquer solução que não passe pelo atendimento imediato dos interesses locais e particulares. Na verdade, em geral, é uma enganação: uns fingem que querem fazer o bem para todos e outros acreditam que satisfeitas suas necessidades locais todos estão sendo beneficiados. Todos dançando na chuva…
Cidades de Alagoas e Pernambuco foram arrasadas em uma cheia pior que as mais recentes. Muitas dessas cidades são pobres, possuem prefeituras sem estrutura administrativa quase nenhuma e suas populações sobrevivem do “cartão de crédito†do Lulismo que é o Bolsa FamÃlia. A pergunta que sempre surge depois da catástrofe recorrente, é como evitar que ela se repita? Bem, do ponto de vista técnico tudo parece ser simples: planejar as cidades de forma diferente, evitando construir prédios de qualquer tipo em áreas de risco; remanejar as populações para longe dessas áreas e revitalizar as áreas de risco levando-as de volta à s suas condições de normalidade ambiental. Do ponto de vista polÃtico-administrativo a coisa não é tão simples, pois, a própria população instalada em áreas de risco não acha muito justo ser transportada para a periferia das periferias onde até pegar um ônibus, quando se tem dinheiro, é um sacrifÃcio. O desafio é muito grande para todos e uma saÃda é sem dúvidas estabelecer regras de gestão de recursos hÃdricos e cidades de modo que se possa conviver com os riscos utilizando-se das técnicas da engenharia e da arquitetura para que se possa gerenciar melhor os espaços urbanos.

