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Sofrendo ou cantando na chuva?

segunda-feira, junho 21st, 2010

Acho que já poderiam ter composto aqui no Brasil uma música com o título sofrendo na chuva. Não faz seis meses e se via o sofrimento no Rio de Janeiro com o prefeito da cidade agindo com a presteza comum aos políticos brasileiros, comunicando garbosamente que o Presidente Lula já estava enviando milhões de reais para reconstruir tudo que fora destruído. Nada chegou até hoje… Ótimo, todos de volta às mesmas encostas e margens de riachos, córregos e rios, devidamente acomodados e torcendo para que uma próxima chuva não tarde, pois, ela é uma das formas de reformar o barraco, ganhar alguns móveis novos, roupas usadas aproveitáveis e, com sorte e um título de eleitor em perfeitas condições, ganhar até uma casa nova. Todos cantando na chuva…

O que acontece hoje já está mais do que explicado pelos estudiosos e sempre acontecerá por ser um fenômeno natural. É claro que estes, algumas vezes superam a normalidade esperada, porém, nunca estão fora das probabilidades de ocorrência. A cada cinqüenta ou a cada cem ou a cada quinhentos anos, ou até mil, dez mil anos, uma vez pelo menos ocorrerá.  O problema está exatamente no despreparo das cidades para enfrentarem esses fenômenos. E aqui, vale destacar o papel importante da sociedade, ou melhor, do povo para ficar mais explícita a ideia e dos prefeitos, os quais, para ficar mais claro também, serão denominados de políticos.

Quando a chuva forte vem começam as reclamações. O povo cobrando as promessas feitas nas campanhas e os políticos dizendo que os culpados foram os que estavam antes de seus mandatos. Nem uma coisa nem outra podem justificar as reclamações, afinal, a má gestão dos políticos é o retrato de um peculiar cruzamento entre as más intenções do eleitorado, o qual, buscando apenas seus benefícios vota e elege mentirosos, bandidos, enrolões, ladrões do dinheiro do povo e até fichas –suja, com os políticos cheios de boas intenções declaradas em palanques e repetidas em inúmeras entrevistas, porém, dificilmente postas em prática porque o próprio status da relação povo x poder público não deseja qualquer solução que não passe pelo atendimento imediato dos interesses locais e particulares. Na verdade, em geral, é uma enganação: uns fingem que querem fazer o bem para todos e outros acreditam que satisfeitas suas necessidades locais todos estão sendo beneficiados. Todos dançando na chuva…

Cidades de Alagoas e Pernambuco foram arrasadas em uma cheia pior que as mais recentes. Muitas dessas cidades são pobres, possuem prefeituras sem estrutura administrativa quase nenhuma e suas populações sobrevivem do “cartão de crédito†do Lulismo que é o Bolsa Família. A pergunta que sempre surge depois da catástrofe recorrente, é como evitar que ela se repita? Bem, do ponto de vista técnico tudo parece ser simples: planejar as cidades de forma diferente, evitando construir prédios de qualquer tipo em áreas de risco; remanejar as populações para longe dessas áreas e revitalizar as áreas de risco levando-as de volta às suas condições de normalidade ambiental. Do ponto de vista político-administrativo a coisa não é tão simples, pois, a própria população instalada em áreas de risco não acha muito justo ser transportada para a periferia das periferias onde até pegar um ônibus, quando se tem dinheiro, é um sacrifício. O desafio é muito grande para todos e uma saída é sem dúvidas estabelecer regras de gestão de recursos hídricos e cidades de modo que se possa conviver com os riscos utilizando-se das técnicas da engenharia e da arquitetura para que se possa gerenciar melhor os espaços urbanos.

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Cidades crescem e …

quinta-feira, junho 10th, 2010

…podem morrer. É claro que as cidades não serão destruídas e nenhum prédio sobrará. Não se trata disso. As cidades podem se tornar locais onde viver será um sacrifício e todos os confortos que a vida moderna voltada para o consumismo e o lazer entre quatro paredes, bem entendido, restaurantes, bares, cinemas e clubes, não suprirão as necessidades básicas de qualidade de vida associada ao acesso a parques e jardins, abastecimento de água, esgotamento sanitário, transporte urbano, segurança e acessibilidade. No mundo todo há exemplos de sobra de cidades onde o viver de verdade se tornou um exercício diário de paciência e onde os seres humanos estão se adaptando a uma dura rotina de engarrafamentos e outros problemas urbanos, os quais, por um lado são resolvidos por obras e obras que alargam ruas, criam avenidas, constroem novos sistemas de abastecimento água e de esgotamento sanitário e, por outro lado, não são resolvidos nem serão porque os limites físicos e naturais das cidades estão ultrapassados ou estão sendo. Apesar de toda pujança e opções de consumo que cidades como São Paulo, México, Nova Iorque, Paris e Tóquio possam oferecer, é fácil imaginar que quem mora nessas cidades já não tem mais uma vida tranqüila. Muita riqueza, muita pobreza também, muitas oportunidades de negócios e poucas chances de se vislumbrar uma vida saudável nessas cidades.

No Brasil, a começar por São Paulo e sua região metropolitana, com quase 20 milhões de habitantes, as outras cidades como Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília e Belo Horizonte, por exemplo, dão evidentes sinais de stress urbano e esgotamento de fontes naturais capazes de permitirem a manutenção de seu crescimento a um custo aceitável. A cada dia que passa manter essas cidades e suas regiões metropolitanas, provendo-as de serviços públicos que garantam qualidade de vida aos seus moradores deixou de ser um desafio e se tornou um delírio ou um pesadelo. O poder público, a quem cabe buscar e implantar as soluções que viabilizem as cidades, por mais que faça não conseguirá trazer vida normal de volta às grandes cidades. Uma das saídas é começar realmente a criar condições para que as cidades médias e pequenas possam se transformar em pólos de atração de novos negócios e de melhor qualidade de vida. Só que, bem antes de tudo, é preciso ter um plano estadual e planos municipais de desenvolvimento e negócios, onde se estabeleça com precisão o que cada cidade ou região é capaz de absorver para que em cada uma delas não venham a se criados também os centros urbanos de “inconvivênciaâ€. As cidades de médio porte, principalmente no nordeste, podem ser a oportunidade de desenvolvimento que a região necessita ter, muito antes de estar se querendo fazer com que as suas regiões metropolitanas virem uma grande São Paulo.

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Cidades do futuro.

terça-feira, maio 18th, 2010

Diante dos problemas enfrentados pelas cidades grandes em todo o Brasil e ao descontrole que atinge violentamente as regiões metropolitanas, as cidades ditas médias, aquelas que não chegam ao 500.000 habitantes, parecem surgir como um opção de vida sustentável e mais racional, sem que se perca a importância e necessidade do desenvolvimento empresarial que promoverá a garantia de renda e qualidade de vida. No sudeste brasileiro já há exemplos muito determinantes dessa tendência e São Paulo, surge, como sempre, à frente desse processo,pois, é lá que estão os melhores exemplos de descentralização do desenvolvimento se assim se pode falar.

Para que as cidades médias se tornem pólos de desenvolvimento sem se tornarem celeiros de miséria e caos urbano, é necessário que se tenha planejamento e planos de negócios para as cidades de modo que se saiba e se trabalhe para que as melhores características de cada localidade sejam desenvolvidas e aproveitadas para que se gere riqueza para muitos. Além disso,ou melhor, antes disso, é preciso uma real integração entre os governos estaduais e municipais para que sejam definidos os planos e os projetos que tornarão as cidades  lugares mais atraentes para trabalhar e morar. No Nordeste, há alguma cidade, até mesmo grande, que possa mostrar que caminha para se tornar um lugar bom para se viver? E Maceió?

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As cidades e as águas.

quinta-feira, janeiro 21st, 2010

Quando não havia internet e nem tão pouco era possível acessar facilmente imagens de todo o mundo pela televisão, se imaginava que as catástrofes naturais,salvo para alguns poucos que podiam viajar para o exterior,eram aquelas aprendidas nas aulas de geografia.Vulcões,terremotos,tufões,furacões e maremotos,por exemplo.Como no Brasil não havia nada disso, o que mais preocupava era uma enchente de inverno que atingia normalmente as camadas mais pobres, moradoras das periferias. Graças a globalização, instantaneamente se vê o que acontece em qualquer parte do planeta e se viu ainda que as enchentes que aqui acontecem,também acontecem por exemplo,na Europa. As causas são as mesmas: em algum momento o homem promoveu alterações no meio ambiente que resultam hoje nas enchentes, dotadas de alto poder de destruição.

Qual a diferença entre as enchentes na Alemanha e no Brasil? Do ponto de vista físico, quase nenhum. Do ponto de vista urbano,a diferença é grande. As destruições causadas pelas enchentes nas capitais brasileiras não podem realmente serem postas como de responsabilidade dos atuais prefeitos, salvo a execução de alguma obra mal construída ou da decisão de não fazer obras necessárias. A causa apontada por 9 entre 10 políticos, técnicos e gestores públicos sempre aponta para o crescimento desordenado das cidades. E é verdade. O problema é que esta não é a causa e sim o resultado de uma causa maior que é o absoluto abandono do planejamento e da gestão dos serviços públicos nas cidades. O efeito são as enchentes e alagamentos constantes com danos materiais ao patrimônio particular e público, além das mortes e doenças que às vezes incapacitam as pessoas para o trabalho.

Na Alemanha e mais especificamente, na Baviera, a solução para reduzir os impactos ambientais foi um pacto firmado na sociedade que estabeleceu compromissos, controles e regulação, de modo que os gestores públicos eleitos ou empregados do estado, trabalhassem com base em planos e projetos que reduzem os impactos decorrentes, por exemplo, das cheias que ocorrem após o inverno ou no período de chuvas.

E no Brasil? Que controles há?Que leis são respeitadas quando se trata de invasão de  terrenos públicos, encostas, fundos de vales?Quem regula a gestão pública?Quem exige que deve haver uma planejamento de longo prazo, planos e projetos para que se executem obras de habitação, abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem de águas pluviais e coleta, transporte e tratamento de lixo? A resposta é simples: muitos e ninguém.O resultado é que tudo pode ser feito e a cada dia as cidades vão se transformando em zonas de alto risco para a maioria,pois, se as chuvas não matam por desmoronamentos, matam por afogamento em plena via pública.

Será que poderia se pensar também em um pacto pela boa e eficiente gestão das cidades no Brasil?Sem dúvidas que sim. O problema é que o maior desafio está na compatibilização do interesse político com a sobrevivência das cidades. Do jeito que o Lulismo avança no Brasil fortalecendo e induzindo práticas puramente eleitoreiras e com a aprovação quase unânime dessas práticas pela população, é difícil acreditar que alguém assuma sair do imediatismo para a ação de longo prazo. Será que dá para imaginar algum prefeito propondo aos seus eleitores e vereadores a execução de um projeto de pavimentação que contemple a execução de drenagem de águas pluviais e do sistema de  esgotamento sanitário antes do asfaltamento da rua? Ou ainda um prefeito que desista de fazer milhares de casas em uma área da cidade completamente desprovida de infraestrutura? A resposta geral é não. O pior é que a população não aceitaria a justificativa de que antes do asfalto é mais importante a drenagem,o esgotamento sanitário e o abastecimento de água.

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