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Dias de chuva.

domingo, maio 8th, 2011

Nos últimos anos os dias de chuva tem sido cruéis com as cidades brasileiras provocando enchentes, inundações, desabamentos, desmoronamentos de barreiras, danos materiais graves, prejuízos financeiros irreparáveis, mortes e doenças. Não se tratou de ver apenas a reprise do clássico das enchentes urbanas acontecendo anualmente no maior exemplo da desorganização urbana brasileira que é São Paulo agora, as chuvas trazem danos físicos e materiais para cidades de todos os tamanhos, e localizadas em várias regiões do Brasil. Sobram justificativas, elevam-se as acusações e abundam soluções voltadas para a liberação de muitos milhões de reais, cuja destinação, na maior parte das vezes, é combater os efeitos. Chuvas e enchentes são fenômenos naturais que se repetem periodicamente com intensidade e concentração variadas, previsíveis e administráveis desde que haja sistemas de monitoramento, controle, contenção de cheias e gerenciamento de dados. Nas áreas urbanas, uma das mais graves conseqüências das chuvas tem sido o desabamento de barreiras que arrastam casas e matam pessoas, chamando atenção para um erro que se iniciou com a romântica favelização dos morros no Rio de Janeiro na década de cinqüenta, e se consolida a cada dia com o inchaço descontrolado e consentido de muitas cidades. As construções irregulares nas encostas anunciam um desastre que não tem hora marcada, mas que acontecerá com certeza um dia, simplesmente por que nessas localidades está em processo um princípio elementar da física que envolve um peso decorrente dos alicerces ou imóveis construídos sobre um terreno que possui capacidade limitada de suportar cargas. Como as construções, por razões óbvias, são feitas sem técnica de engenharia e como os arruamentos nessas localidades não possuem drenagem de águas pluviais, com o tempo, a infiltração provoca o colapso na relação entre a resistência do solo e o peso que ele está suportando e ai vem o desastre. As causas para tantos danos e tantas cheias são as mesmas e infelizmente estão diretamente associadas a deficiências na gestão pública. As cidades brasileiras continuam sem planejamento urbano e dependentes de modelos predatórios de administração pública, no qual se verifica uma desafiadora luta entre os interesses eleitorais que legitimamente garantem mandatos de prefeitos e vereadores, em contraposição à crescente e justa demanda dos moradores das cidades por mais casas, mais ruas asfaltadas, mais água e mais esgotamento sanitário. Tais necessidades fazem com que os sistemas de drenagem de águas pluviais fiquem relegados ao esquecimento. Implantam-se ruas e avenidas sem drenagem profunda e muitas vezes apenas com sarjetas de meio-fio. A manutenção das galerias existentes muitas vezes não é feita e nem há equipes para tal serviço. Não há saída para administrar racionalmente as cheias nas cidades que não seja a adoção de políticas de governo ao invés de plataformas eleitorais, associando planejamento, planos de investimento e gestão pública profissionalizada.

 

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Sofrendo ou cantando na chuva?

segunda-feira, junho 21st, 2010

Acho que já poderiam ter composto aqui no Brasil uma música com o título sofrendo na chuva. Não faz seis meses e se via o sofrimento no Rio de Janeiro com o prefeito da cidade agindo com a presteza comum aos políticos brasileiros, comunicando garbosamente que o Presidente Lula já estava enviando milhões de reais para reconstruir tudo que fora destruído. Nada chegou até hoje… Ótimo, todos de volta às mesmas encostas e margens de riachos, córregos e rios, devidamente acomodados e torcendo para que uma próxima chuva não tarde, pois, ela é uma das formas de reformar o barraco, ganhar alguns móveis novos, roupas usadas aproveitáveis e, com sorte e um título de eleitor em perfeitas condições, ganhar até uma casa nova. Todos cantando na chuva…

O que acontece hoje já está mais do que explicado pelos estudiosos e sempre acontecerá por ser um fenômeno natural. É claro que estes, algumas vezes superam a normalidade esperada, porém, nunca estão fora das probabilidades de ocorrência. A cada cinqüenta ou a cada cem ou a cada quinhentos anos, ou até mil, dez mil anos, uma vez pelo menos ocorrerá.  O problema está exatamente no despreparo das cidades para enfrentarem esses fenômenos. E aqui, vale destacar o papel importante da sociedade, ou melhor, do povo para ficar mais explícita a ideia e dos prefeitos, os quais, para ficar mais claro também, serão denominados de políticos.

Quando a chuva forte vem começam as reclamações. O povo cobrando as promessas feitas nas campanhas e os políticos dizendo que os culpados foram os que estavam antes de seus mandatos. Nem uma coisa nem outra podem justificar as reclamações, afinal, a má gestão dos políticos é o retrato de um peculiar cruzamento entre as más intenções do eleitorado, o qual, buscando apenas seus benefícios vota e elege mentirosos, bandidos, enrolões, ladrões do dinheiro do povo e até fichas –suja, com os políticos cheios de boas intenções declaradas em palanques e repetidas em inúmeras entrevistas, porém, dificilmente postas em prática porque o próprio status da relação povo x poder público não deseja qualquer solução que não passe pelo atendimento imediato dos interesses locais e particulares. Na verdade, em geral, é uma enganação: uns fingem que querem fazer o bem para todos e outros acreditam que satisfeitas suas necessidades locais todos estão sendo beneficiados. Todos dançando na chuva…

Cidades de Alagoas e Pernambuco foram arrasadas em uma cheia pior que as mais recentes. Muitas dessas cidades são pobres, possuem prefeituras sem estrutura administrativa quase nenhuma e suas populações sobrevivem do “cartão de crédito†do Lulismo que é o Bolsa Família. A pergunta que sempre surge depois da catástrofe recorrente, é como evitar que ela se repita? Bem, do ponto de vista técnico tudo parece ser simples: planejar as cidades de forma diferente, evitando construir prédios de qualquer tipo em áreas de risco; remanejar as populações para longe dessas áreas e revitalizar as áreas de risco levando-as de volta às suas condições de normalidade ambiental. Do ponto de vista político-administrativo a coisa não é tão simples, pois, a própria população instalada em áreas de risco não acha muito justo ser transportada para a periferia das periferias onde até pegar um ônibus, quando se tem dinheiro, é um sacrifício. O desafio é muito grande para todos e uma saída é sem dúvidas estabelecer regras de gestão de recursos hídricos e cidades de modo que se possa conviver com os riscos utilizando-se das técnicas da engenharia e da arquitetura para que se possa gerenciar melhor os espaços urbanos.

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