Archive for the ‘Saneamento e Vida’ Category

PLANSAB – Últimos comentários

quinta-feira, junho 9th, 2011

Comentário 15.

Análise de indicadores a partir da página 100.

Tanto o SNIS como os demais fornecedores de indicadores hoje existentes, possuem muitas informações e podem de fato propiciar uma visão completa da prestação dos serviços de saneamento ambiental, principalmente quando se trata de AA e de ES. No caso do PLANSAB, salvo melhor entendimento e considerando que se está lendo um documento bem elaborado por competentes e experientes profissionais, sem se ter participado das reuniões que levaram à sua consecução, cabe questionar o que o PLANSAB pretende ser para o serviço de saneamento brasileiro. Os indicadores devem servir para avaliar o cumprimento de metas que juntas levem à universalização dos serviços de AA, ES e RSD, com a melhoria significativa da DU. Os indicadores de curto, médio e longo prazo mostrados nas páginas 102 e 103, merecem as observações seguintes:

a) Se o PLANSAB servirá para avaliar a redução do déficit a partir de ações do Governo Federal e dos entes federados, os indicadores A1, A2 E A3 não identificam as soluções localizadas que existem nas áreas urbanas e são objeto da Lei 11.445/07. Com estes indicadores se avaliará quem tem água de qualquer forma, independente de ser parte do plano de investimentos de governos ou não;

b) Para o indicador A4, a eficiência dos investimentos e gestão poderia ser mais bem avaliada com indicadores do SNIS;

c) Para o indicador A5 vale a observação anterior com o acréscimo de que é preciso separar áreas urbana e rural. A meta para 2020 deveria ser entre 7% e 10% para todas as regiões de modo a se equivaler com A2 (áreas urbanas) e em 2030 de 3% para todos. Falta separa para as áreas rurais;

d) No caso de A7 por que não ter 100% para todos já em 2015?

e) Para o caso de esgotamento sanitário seria importante ter um indicador que mostrasse apenas domicílios com fossa séptica, de modo que estes sistemas individualizados de tratamento pudessem ser gradualmente substituídos;

f) Caberia uma revisão de metas para E1 e E2 com 90% já em 2020 para todas as regiões;

g) No caso de E6 por que não ter 100% para todos já em 2015?

h) Para os indicadores de RSD seria bom ter o acompanhamento das melhorias com a construção de sistemas de tratamento de RSD, hospitalares e Industriais;

i) A situação da drenagem urbana é tão crítica nos municípios em geral que o indicador apontado (D1) é pouco representativo. Se haverá um plano de investimentos para DU é necessário ter indicadores que determinem a evolução da implantação dos sistemas, tipo existência de coleta e destinação de águas pluviais, etc.;

j) Para a Tabela 6.3 o PLANSAB deveria estabelecer como metas 100% até 2020 para todos os indicadores em todas as regiões;

Finalizando, há que se chamar atenção para certa tendência a esquecer as companhias estaduais de saneamento como prestadoras mais qualificadas e com melhores resultados no mercado brasileiro de saneamento, dando – se uma visível ênfase a gestão municipal e a titularidade.

 

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IDOLATRIA PERIGOSA

sexta-feira, setembro 3rd, 2010

Sem dúvidas, a julgar pelo que diz de si mesmo, o Presidente Lula é o mais santo dos políticos e o mais político dos santos que o Brasil já viu. Ôpa, não se deseja, para tristeza de seus fiéis, compará-lo a santo Tomás de Aquino, de quem a Igreja Católica diz ter sido o mais santo dos sábios e mais sábio dos santos. Apesar de já ter sido a razão de muitas das mobilizações de movimentos ditos de libertação e progressistas da Igreja Católica, Lula já superou, transcendeu e está acima de movimentos religiosos formais, já que, como os santos são, em geral, figuras da religião católica, ele não pode mais ser tratado assim. Lula é de todas as religiões. Os altos índices de popularidade e aprovação que alcança, o transformaram em uma unanimidade do ponto de vista estatístico. Não é mais um santo. Está mais para deus. É um ídolo religioso, um guia espiritual, um guru, o dono da palavra, aquele que é e pronto. Não sendo mais um líder político e sim um ídolo com características de líder religioso, é preocupante observar como ele vem sendo tratado no nosso Brasil. Não que o governo dele tenha sido ruim, pois os resultados sociais e econômicos mostram que realmente os mais pobres melhoraram de vida, principalmente quando se mede a capacidade de compra que eles adquiriram, ainda que seja a prazo e que comprometa toda a renda deles por muitos meses. Os ricos e milionários nunca estiveram tão bem, bastando olhar para o lucro estonteante dos Bancos, até os Federais e para a farra que o BNDES promove com as grandes empresas do Brasil, usando dinheiro público, tal e qual uma SUDENE no Sudeste. Ou mesmo, quando se vê que na educação o aumento do índice de universitários resulta de muitos analfabetos chegando ao nível superior, caminhando-se a passos largos para tornar muitas das faculdades particulares brasileiras verdadeiros sucessos financeiros, bancadas com dinheiro público do PROUNI. O que é grave e mostra os perigosos sinais da idolatria quase generalizada, é que ele e seus companheiros já acreditam que tudo que está dando certo no Brasil é resultante do que Lula fez e mais, alguns tem certeza disso. O lamentável é que pessoas instruídas, cultas e capazes de entenderem o que lêem e ouvem, assumem sem nenhum senso crítico, que sem Lula o Brasil não estaria onde está. Alimentam um processo que em nenhum lugar da Terra levou a coisa boa para o povo. Além de ser um claro sinal de perda de consciência ética e moral, a defesa cega de qualquer político transformado em ídolo, é uma demonstração de desconhecimento da realidade. O presidente Lula é mais um dos que contribuíram e, no caso dele, estão contribuindo para que um processo de mudança iniciado no final da década de oitenta siga a bom termo. Nada justifica dizer que ele é o grande responsável. Por justiça e olhando pelo lado da manutenção da política econômica, se pode dizer que ele é o atual condutor. Se olharmos também para o que acontece hoje no Brasil em termos de liberação de verbas públicas federais para obras, ele também merece reconhecimento pelo que fez e vem fazendo. Coisa normais e compatíveis para qualquer presidente ou governante. Triste é ver que ele às vezes comanda, outras delega e em muitas, faz de conta que não vê, o desmando no gasto público com o elevado número de militantes, amigos, amigos dos amigos e outros mais; o desvio e uso indevido de dinheiro do povo em graves casos de corrupção quando ele ainda defende e protege o, às vezes, assumido ladrão; o uso de órgãos públicos para manipulação de interesses pessoais prejudiciais ao povo. Vive-se um novo milagre brasileiro e em breve, alguém pagará a conta, simplesmente porque se entendeu que Lula é infalível. Não reconhecer as falhas graves do governo Lula e considerar que tudo que ele diz, faz e deixa fazer é bom, não levará o Brasil ao desenvolvimento, a não ser que Lula já tenha convencido também a muitos que Cuba, Venezuela, Bolívia, Haiti, Irã e as “desenvolvidas” ditaduras sanguinárias da África são exemplos bem sucedidos de administração pública com seriedade, responsabilidade e ética. Será que o povo brasileiro já se convenceu disso também?

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Sustentabilidade para viver melhor.

segunda-feira, julho 26th, 2010

Sustentabilidade, Novos Hábitos de Consumo e Simplicidade

Sustentabilidade vai ganhar vida

na prática no Projeto CASA VIVA

O desafio é transformar a própria casa num pedacinho do planeta

Mais do que um evento, Projeto CASA VIVA vai fazer o Rio viver a sustentabilidade no dia a dia, da cozinha até o banho, e coloca em pauta os desafios da humanidade para repensar seus hábitos de consumo

Já imaginou morar em uma casa totalmente sustentável e integrada ao meio ambiente? Isto já é possível, mas muitas vezes as pessoas não se dão conta da importância da sua escolha na hora de construir, comprar um imóvel, eletrodomésticos, roupas, alimentos ou mesmo uma simples torneira. O fato é que na rotina diária, é possível incorporar hábitos simples que, se adotados pelo conjunto da sociedade, podem se transformar em poderosas ferramentas para a sustentabilidade do planeta. E como formadora de opinião e de comportamento, a Cidade do Rio de Janeiro vai sair na frente com um projeto ambicioso, que pretende mostrar na prática como isto é possível.

Este conceito vai nortear o conjunto de atividades e temas que estarão na pauta do CASA VIVATransforma sua casa num pedacinho do planeta, um evento que acontecerá em abril de 2011, a partir da construção de uma casa totalmente sustentável, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio. É para os pequenos atos do dia-a-dia que devemos estar atentos, como reciclagem, o uso racional da água e energia, através de eletrodomésticos mais eficientes e do consumo saudável de produtos, por exemplo, de maneira a mostrar que qualquer pessoa pode fazer a sua parte, por menor que seja. Serão 5 mil metros quadrados de exposição, feira, debates e muito mais, que vão plantar a semente da sustentabilidade em quem passar por lá.

No centro da área de exposição será montada uma casa modelo ecologicamente correta, cujo projeto está sendo elaborado pela Arquiteta Alexandra Lichtenberg, da ONG ECOHOUSE Urca. A feira só abordará produtos e negócios sustentáveis e, além disso, haverá toda uma programação voltada para o entretenimento que guarda, na verdade, a vontade de provocar mudanças profundas nos hábitos de consumo da sociedade. Isso tudo unido a uma série de palestras técnicas, debates, apresentação de cases e estudos voltados para a sustentabilidade na área da construção.

O evento já tem o apoio oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro e tem o propósito de integrar a competitividade nos negócios e a responsabilidade socioambiental, trazendo também um forte viés de educação ambiental. A equipe RIZOMA, que é especialista em esportes radicais e circenses e usa sua criatividade para chamar a atenção para as causas ambientais, também está aliada ao projeto. Suas habilidades, intervenções e missões desafiam a rotina urbana. A partir de agora, a turma vai bolar missões para chamar a atenção do público para as questões ambientais de forma muito criativa e surpreendente. Sustentabilidade e ambientalismo são as palavras-chave do projeto, que promete sacudir o Rio em teasers que vão dar o que falar.

O EVENTO

São esperadas mais de 3 mil pessoas por dia. O evento vai acontecer de 7 a 10 de abril de 2011 e prevê diversas atividades.

A CASA MODELO, que estará no centro de tudo não é mera decoração. Cada cômodo chamará atenção para as atividades calcadas nos três R´s da sustentabilidade (Reduzir, Reutilizar e Reciclar). Na cozinha, cheffs badalados darão aulas de gastronomia, dando ênfase ao reaproveitamento de alimentos e aos produtos orgânicos. Os eletrodomésticos serão todos com padrões de baixo consumo, de água e energia. A sala de estar será o palco de Talkshows com entrevistas e debates com pessoas ligadas a área de meio ambiente e sustentabilidade em diversas setores. No quarto do casal, a idéia é convidar todos a repensar os hábitos de consumo. No quarto das crianças, os pequenos vão conhecer histórias de conscientização ambiental, descobrir que os games podem coexistir com consumo consciente de energia e ainda conhecer equipamentos para a hora do estudo que estejam atentos aos novos hábitos de consumo.

No banheiro da CASA VIVA, os visitantes serão convidados a praticar hábitos rotineiros como escovar os dentes de maneira consciente, correta. Como na cozinha, a atividade pretende ser uma experiência nova e atenta aos novos hábitos de consumo. Do chuveiro a torneira da pia, passando pelos materiais e equipamentos ecologicamente corretos, o objetivo é re-educar o público de modo a demonstrar na prática como essas atividades podem ser conscientes do início ao fim, na rotina do dia a dia. No closet da casa modelo, workshops com profissionais convidados demonstrando para o público na prática como reaproveitar roupas e recriar roupas antigas com técnicas de customização.

No jardim, todos serão convidados a se sujar de alguma maneira, seja plantando uma árvore ou pintando desenhos. Na lavanderia, onde o público passará depois de sair do jardim, o visitante irá acompanhar o processo de lavagem de roupas nas máquinas ecológicas. Vamos mostrar novas formas e maneiras de lavar a roupa construindo um novo hábito, consciente, atento a evitar desperdícios e economizar água.

No SPA CASA VIVA, dicas de saúde, bem estar e hábitos saudáveis serão passadas ao público, que poderá sentir na prática a diferença que esses novos hábitos trazem para sua vida. Através de massagens e terapias alternativas, o público da CASA VIVA poderá experimentar no próprio corpo como os novos hábitos podem transformar a vida e deixá-la mais saudável e gostosa. Na garagem está prevista a exposição de um carro inteligente além de informação e equipamentos voltados para a conscientização do transporte inteligente.

Além da casa, estão previstos mais três espaços: EcoDebate – destinado a palestras, cases, estudos e discussões que estejam alinhadas aos valores macro do evento; EcoShow – área voltada para os negócios sustentáveis com feira de produtos e materiais voltada para o setor de construção, equipamentos, soluções, tecnologias, decoração e produtos de consumo que estejam dentro dos novos padrões conscientes que CASA VIVA quer difundir; e EcoEstilo – um desfile de moda e leilão beneficente que acontecerá em passarela construída com material ecologicamente correto. Além disso, os estilistas serão convidados a criar looks seguindo o conceito de upcycling, que é transformar algo que está no fim da vida útil ou que vai virar lixo em algo novo sem passar pelo processo físico ou químico da reciclagem. Esta técnica virou hit na última “Esthetica” salão de moda ética que acontece dentro da London Fashion Week.

www.nossacasaviva.com.br

Realizadora: Planeja & Informa Comunicação e Marketing

( (21) 2262.9401 e 2215.2245 | comercial@planejabrasil.com.br

Assessoria de Imprensa: Milene Ponce de Leon ( 8276-4567  |  Email: planeja@planejabrasil.com.br

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21 Anos depois, aprova-se a Lei de Resíduos Sólidos

sábado, julho 10th, 2010

Mais uma lei é aprovada no Senado e seguirá para sanção ou não do nosso iluminado e magnânimo presidente Lula. Como se pode ler no texto abaixo, não se trata de uma simples lei a mais no meio de tantas outras que há nas nossas vidas. Esta lei é a que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o antigo LIXO. Dá para acreditar que esta lei pegará? Acreditamos que sim, por que a primeira vantagem desta lei é que ela chega a sociedade encontrando um ambiente receptivo à adoção de medidas que visem proteger, conservar e preservar o meio ambiente, tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais. Uma coisa que nos anima é a própria utilização pela sociedade em geral e meios de comunicação da expressão RESÍDUOS SÓLIDOS ao invés de LIXO. Após a sanção da lei aprovada no Senado, ainda virá a fase da regulamentação que esperamos, não dure 21 anos também. Mesmo sem a regulamentação, alguns artigos são alto aplicáveis e poderão ser usados pelos cidadãos, pelas empresas e pelo poder público.

VAMOS TODOS LUTAR PARA QUE ESTA LEI SEJA TÃO FORTE COMO AQUELA QUE NOS LEVOU A USAR OS CINTOS DE SEGURANÇA!!

Texto do Senado.

Um dos mais sérios problemas do país, que é a ausência de regras para tratamento das 150 mil toneladas de lixo produzidas diariamente nas cidades brasileiras, é o principal alvo de um projeto aprovado na noite desta quarta-feira (7) pelo Plenário do Senado. O substitutivo da Câmara dos Deputados ao projeto de lei do Senado (PLS 354/89) que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos será encaminhado à sanção do presidente da República.

A proposta, que tramitou por 21 anos na Câmara dos Deputados, havia sido aprovada à tarde por quatro comissões do Senado, em reunião conjunta: Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE), Assuntos Sociais (CAS) e Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, esteve presente durante a votação.
Lixões
O projeto proíbe a criação de lixões, nos quais os resíduos são lançados a céu aberto. Todas as prefeituras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou compostagem. Será proibido catar lixo, morar ou criar animais em aterros sanitários. O projeto proíbe a importação de qualquer lixo.
Com 58 artigos que ocupam 43 páginas, a Política Nacional de Resíduos Sólidos apresenta algumas novidades, entre elas a “logística reversa”, que obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores a realizarem o recolhimento de embalagens usadas. Foram incluídos nesse sistema agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas (todas elas) e eletroeletrônicos.
Responsabilidade
Além disso, é introduzida na legislação a “responsabilidade compartilhada”, envolvendo a sociedade, as empresas, as prefeituras e os governos estaduais e federal na gestão dos resíduos sólidos. A proposta estabelece que as pessoas terão de acondicionar de forma adequada seu lixo para a coleta, inclusive fazendo a separação onde houver coleta seletiva.
A proposta prevê que a União e os governos estaduais poderão conceder incentivos à indústria de reciclagem. Pela nova política, os municípios só receberão dinheiro do governo federal para projetos de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos depois de aprovarem planos de gestão. Os consórcios intermunicipais para a área de lixo terão prioridade no financiamento federal. As cooperativas de catadores de material reciclável foram incluídas na “responsabilidade compartilhada”, devendo ser incentivadas pelo poder público.
Incentivo
Com os incentivos e as novas exigências, o país tentará resolver o problema da produção de lixo das cidades, que chega a 150 mil toneladas por dia. Desse total, 59% vão para os “lixões” e apenas 13% têm destinação correta, em aterros sanitários. Em 2008, apenas 405 dos 5.564 municípios brasileiros faziam coleta seletiva de lixo.
O projeto foi relatado, na CMA, por Cícero Lucena (PSDB-PB) e, na CCJ, na CAE e na CAS, por César Borges (PR-BA). Participaram da reunião conjunta, além dos integrantes das quatro comissões, os presidentes da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO); da CMA, Renato Casagrande (PSB-ES); e da CAS, Rosalba Ciarlini (DEM-RN).

Djalba Lima / Agência Senado

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ÁGUAS PASSADAS. FUTURO NO PRETÉRITO.

quinta-feira, julho 8th, 2010

Passada a enxurrada em Alagoas, 268.186 pessoas foram afetadas por uma das maiores cheias já registradas. Há ainda a contabilização de 26 mortos. Entre desabrigados e desalojados, quase sem referencial e sem documentos, 72.757 pessoas. Bem, águas passadas não movem moinhos diz o velho ditado. Apesar de muitas histórias que buscassem justificar a causa de tanta tragédia e surpreendente fúria de rios que passam anos e anos quase secos, restou a sensação de que algo faltou. Na verdade houve, e há uma louvável mobilização para amparar uma imensa massa de pobres e para recuperar os estragos causados. Agiu com competência o Governo Estadual e atuaram de forma responsável, solidária e transparente as autoridades, os militares, os técnicos, enfim, os membros de órgãos estaduais e municipais. O desastre já é passado perfeito e no indicativo do presente, muitas ações como a relocação de cidades ou parte delas, e até a inacreditável proposta de realização de estudos técnicos para contenção das cheias e proteção contra as mesmas vem sendo discutidas. Uma pergunta que fica é: por que isso aconteceu? Uma resposta bem direta é: porque faltam o planejamento urbano e o de bacias hidrográficas. Simples, parece ser. Sem dúvidas muito seria evitado se as cidades pudessem crescer de forma planejada e mais que isto, geridas de acordo com suas necessidades, condições ambientais e tendências de negócios. Muito mais seria evitado se as bacias hidrográficas tivessem planos diretores e se os sistemas integrados de gestão fossem reais. Seria, seria, poderia… Há uma enorme importância na interpretação do uso do futuro do pretérito nessas situações, porque ele é um cômodo meio de se encontrar respostas e um grande inimigo da busca persistente por soluções sustentáveis, tanto do ponto de vista ecológico quanto social e econômico. Haveria então condições de se imaginar que daqui para frente o verbo irá para o futuro perfeito e será possível ter implantados projetos de gestão de bacias hidrográficas com sistemas de contenção de cheias, monitoramento de tempo, clima e vazão devidamente acompanhados, proteção das margens dos rios, desassoreamento de leitos de rios e, até nas cidades, a construção de obras para proteção das áreas onde não é possível remanejar mais as populações instaladas há anos? Poderia se supor que as Prefeituras iriam adotar medidas para não só elaborar, mas também para aplicar os planos municipais de saneamento, ou de urbanização? Um futuro é certo e não é do pretérito. Se as cidades, os Estados e o Governo Federal não se envolverem ativamente na implementação das medidas que são velhas conhecidas de todos como a gestão das bacias hidrográficas e das cidades, haverá novas enxurradas, novas cheias, novos desastres, com o agravante de que poderão ser piores que o último, de acordo com os reais resultados de estudos hidrológicos, normalmente esquecidos. É um grande desafio no meio de tantas necessidades que essas cidades pobres do nordeste e do norte possuem, impor a realização de obras que não serão inauguradas com festas e banhos de bica.

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Melhores serviços em saneamento.

segunda-feira, junho 28th, 2010

Estima-se que o peso das ações de furtos e fraudes representa cerca de 50% das perdas de água nos sistemas de abastecimento no Brasil. Tomando por base os dados do último relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2008) do Ministério das Cidades, os dados apontam uma perda média de 37% que, traduzida em valores, significa que dos R$ 4 bilhões anuais que se perdem pelo ralo com as perdas de água, R$ 2 bilhões equivalem a furtos e fraudes – o popular “gato”.

Este assunto está no centro da discussão do Workshop “Temporada de Caça aos Gatos”, que a Planeja & Informa vai realizar no próximo dia 14 de julho, no auditório da AEERJ – Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro. O evento vai debater as tecnologias modernas que hoje estão colocadas à disposição das concessionárias para combater e prevenir os “gatos”, tanto na rede elétrica quanto na rede de abastecimento de água e experiências de sucesso nos dois setores.

A idéia é reunir ali representantes das concessionárias dos dois setores, empresas de tecnologia de medição e de consultoria, agências reguladoras e experiências de empresas públicas e privadas no combate ao furto de água e energia e controle de perdas de água e energia, além de técnicos e estudiosos no assunto, de forma a promover uma grande mesa redonda que leve a soluções que possam ser colocadas em prática o mais rapidamente possível.

O evento vai contar com a presença de representantes da área de distribuição da Eletrobrás e do Programa de Conservação de Energia (Procel/Eletrobras), além do Centro de Pesquisas Elétricas (CEPEL), do Instituto Bioterra, de companhias de saneamento e distribuidoras públicas e privadas de energia.

No setor de saneamento, em sistemas públicos de abastecimento, do ponto de vista operacional, as perdas de água são consideradas correspondentes aos volumes não contabilizados. Esses englobam tanto as perdas físicas, que representam a parcela não consumida, como as perdas não físicas, que correspondem à água consumida e não registrada, que tem em sua principal origem os furtos e as fraudes no sistema – o popular gato.

As companhias de saneamento, tanto públicas como privadas e os serviços municipais, colocam hoje entre suas prioridades e planejamento estratégico, a redução de perdas como um dos projetos mais importantes. Ele não se atém só ao combate aos “gatos”, indo mais além, trabalha numa ação integrada de gestão que atua sobre as áreas comerciais e operacionais dessas entidades. Em Alagoas, a CASAL – Companhia de Saneamento de Alagoas vem colhendo bons e rápidos resultados com a aplicação de recursos da SABESP – Companhia de Saneamento de São Paulo, por meio de um pioneiro contrato de performance para redução de perdas e melhoria empresarial.

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As cheias em Alagoas e Pernambuco.

terça-feira, junho 22nd, 2010

Tudo começou no dia 18 e tornou o amanhecer do dia 19 um inacreditável cenário de guerra atômica em muitas cidades da zona da mata e do agreste alagoano e pernambucano. A grande imprensa nacional, diferente do show de transmissão feito quando há cheias no vale do Itajaí ou mais recentemente no Rio de Janeiro, mal citava o que estava ocorrendo nas cidades nordestinas. Na verdade, apenas hoje, os jornais de televisão mais importantes começaram a mostrar a destruição de casas e vidas, pessoas sem nada a não ser a roupa do corpo, de uma hora para outra, miseravelmente mais pobres do que de costume. Uma catástrofe como nunca se viu nesses Estados.

A solidariedade, como sempre e com justiça, aflora nessas horas e o grande apelo passa a ser o de atender as necessidades básicas e imediatas: roupa, comida, abrigo, remédios e água. Os que moravam em casas localizadas em áreas de risco ou voltam logo para suas casas recuperadas na base do jeitinho ou ficam anos morando em abrigos públicos a espera de uma nova moradia. Além da solidariedade e como consequência dela, vem o sentimento de aceitação da realidade dentro do espírito católico que prega que quanto mais um ser humano sofre, mais feliz ele será no céu. E ai, ao invés de se lutar para que o poder público não só construa novas casas em lugares menos arriscados, como também, que os gestores públicos e políticos implantem e sigam leis,normas e políticas que levem ao povo segurança e qualidade de vida, ocorre a submissão geral a um sistema de vida onde prevalece o interesse local ao contrário do comunitário.

As cheias, com a desolação e sofrimento que trazem, são apenas o retrato de um passado de administrações equivocadas nas cidades e do descaso para com  o meio ambiente. Representam  ainda um presente que não recolhe do passado nenhuma lição e que considera o futuro como algo que não existe. As cheias são a constatação das falhas da sociedade no uso dos recursos naturais, na convivência com o meio ambiente e no relacionamento com cada uma dos habitantes das cidades. As áreas urbanas continuarão crescendo e será cada vez mais necessário ter clareza de que não se pode mais brincar de gestor público ou, do contrário, além de cheias, teremos a manutenção de condições de vida medievais de volta à modernidade dos grandes centros urbanos.

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Sofrendo ou cantando na chuva?

segunda-feira, junho 21st, 2010

Acho que já poderiam ter composto aqui no Brasil uma música com o título sofrendo na chuva. Não faz seis meses e se via o sofrimento no Rio de Janeiro com o prefeito da cidade agindo com a presteza comum aos políticos brasileiros, comunicando garbosamente que o Presidente Lula já estava enviando milhões de reais para reconstruir tudo que fora destruído. Nada chegou até hoje… Ótimo, todos de volta às mesmas encostas e margens de riachos, córregos e rios, devidamente acomodados e torcendo para que uma próxima chuva não tarde, pois, ela é uma das formas de reformar o barraco, ganhar alguns móveis novos, roupas usadas aproveitáveis e, com sorte e um título de eleitor em perfeitas condições, ganhar até uma casa nova. Todos cantando na chuva…

O que acontece hoje já está mais do que explicado pelos estudiosos e sempre acontecerá por ser um fenômeno natural. É claro que estes, algumas vezes superam a normalidade esperada, porém, nunca estão fora das probabilidades de ocorrência. A cada cinqüenta ou a cada cem ou a cada quinhentos anos, ou até mil, dez mil anos, uma vez pelo menos ocorrerá.  O problema está exatamente no despreparo das cidades para enfrentarem esses fenômenos. E aqui, vale destacar o papel importante da sociedade, ou melhor, do povo para ficar mais explícita a ideia e dos prefeitos, os quais, para ficar mais claro também, serão denominados de políticos.

Quando a chuva forte vem começam as reclamações. O povo cobrando as promessas feitas nas campanhas e os políticos dizendo que os culpados foram os que estavam antes de seus mandatos. Nem uma coisa nem outra podem justificar as reclamações, afinal, a má gestão dos políticos é o retrato de um peculiar cruzamento entre as más intenções do eleitorado, o qual, buscando apenas seus benefícios vota e elege mentirosos, bandidos, enrolões, ladrões do dinheiro do povo e até fichas –suja, com os políticos cheios de boas intenções declaradas em palanques e repetidas em inúmeras entrevistas, porém, dificilmente postas em prática porque o próprio status da relação povo x poder público não deseja qualquer solução que não passe pelo atendimento imediato dos interesses locais e particulares. Na verdade, em geral, é uma enganação: uns fingem que querem fazer o bem para todos e outros acreditam que satisfeitas suas necessidades locais todos estão sendo beneficiados. Todos dançando na chuva…

Cidades de Alagoas e Pernambuco foram arrasadas em uma cheia pior que as mais recentes. Muitas dessas cidades são pobres, possuem prefeituras sem estrutura administrativa quase nenhuma e suas populações sobrevivem do “cartão de crédito” do Lulismo que é o Bolsa Família. A pergunta que sempre surge depois da catástrofe recorrente, é como evitar que ela se repita? Bem, do ponto de vista técnico tudo parece ser simples: planejar as cidades de forma diferente, evitando construir prédios de qualquer tipo em áreas de risco; remanejar as populações para longe dessas áreas e revitalizar as áreas de risco levando-as de volta às suas condições de normalidade ambiental. Do ponto de vista político-administrativo a coisa não é tão simples, pois, a própria população instalada em áreas de risco não acha muito justo ser transportada para a periferia das periferias onde até pegar um ônibus, quando se tem dinheiro, é um sacrifício. O desafio é muito grande para todos e uma saída é sem dúvidas estabelecer regras de gestão de recursos hídricos e cidades de modo que se possa conviver com os riscos utilizando-se das técnicas da engenharia e da arquitetura para que se possa gerenciar melhor os espaços urbanos.

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A água reutilizada

terça-feira, junho 15th, 2010

Este tema ainda aparece como um tabu a ser vencido por nossa sociedade. Um tabu, simplesmente porque não se tem trabalhado de forma organizada e planejada o binômio demanda x oferta de água, principalmente para as cidades maiores e capitais do Brasil. A ANA – Agência Nacional de Águas vem desenvolvendo estudos e publicou em 2009 o Atlas de Abastecimento Urbano que apresenta dados muito importantes para que se avalie a situação de mananciais e de sistemas urbanos de abastecimento de água nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, a partir da avaliação de cada uma das grandes bacias hidrográficas dessas regiões. Com o diagnóstico feito se constata que 36 % dos sistemas pesquisados possuem sistemas de abastecimento de água que atendem satisfatoriamente a demanda até 2015; 64%, requerem investimentos para garantir a oferta até 2025, sendo que para 13% serão necessários novos mananciais e 51% deverão fazer adequações nos sistemas  de produção.

A situação não é confortável e também, não é estarrecedora. Para os 1.896 municípios pesquisados, sem dúvidas há também outras questões emergenciais que precisam ser administradas. Entre elas: o elevado índice de perdas nos sistemas de abastecimento de água e a falta de políticas que definam com clareza as regras para o reuso de água, uma das alternativas para conservação dos mananciais e para redução dos desperdícios de água. Sobre a redução das perdas já há excelentes exemplos no Brasil de empresas prestadoras dos serviços de saneamento, estaduais, municipais e privadas que vem trabalhando com padrões internacionais, obtendo expressivos resultados.

Quanto ao reuso, ainda há muito a fazer quando se trata de utilizar este sistema em sistemas não industriais, pois, nas indústrias, notadamente em São Paulo, já há muitos casos de reuso em andamento. A SABESP – Companhia de Saneamento de São Paulo, está implantando o Programa AQUAPOLO AMBIENTAL para o Pólo Petroquímico do ABC, onde serão investidos R$ 130 milhões para coletar e distribuir água de reuso da ETE – Estação de Tratamento de Esgotos do ABC. No COMPERJ – Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, também está em curso a adoção de sistema semelhante ao de São Paulo. Todos envolvem vazões altas, como 1.000 l/s e 3.000 l/s.

Nas grandes cidades e nas regiões metropolitanas, onde há um claro desequilíbrio na relação oferta x demanda, o potencial para reuso também é elevado e, de certa forma, viável economicamente. Não só para muitas industrias, como também para condomínios de apartamentos e de casas, shoppings, supermercados, etc. Faltam as regras técnicas e legais, os códigos e os projetos de engenharia para que se torne obrigatório o reuso de água para utilização na irrigação de parques, jardins, lavagem de pisos e garagens, descargas sanitárias e lavagem de veículos. Sem a inclusão da parcela da água de reuso como um dos itens do balanço hídrico em cada bacia hidrográfica e especificamente para as grandes cidades e regiões metropolitanas, será cada vez mais difícil garantir a conservação dos mananciais e o atendimento das demandas.


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O Salgadinho morreu.

segunda-feira, junho 14th, 2010

O Jornal Primeira Edição, de 14 a 20 de junho de 2010, destaca uma manchete de uma matéria onde o consultor ambiental e ex-secretário de meio ambiente de Maceió, Alder Flores, afirma que o Salgadinho não tem mais como ser despoluído porque não recebe mais nenhuma contribuição hídrica, ou seja, não tem mais água doce em seu leito. Todo o líquido que pode ser visto no riacho se divide, pelo que se depreende da afirmação dele no jornal, entre esgoto, água de chuvas e, no trecho mais baixo, água do mar que adentra leito acima com a maré alta. Já o atual secretário de infra-estrutura do município, afirma que com o saneamento do Vale do Reginaldo o Salgadinho será despoluído. A julgar pela situação atual e, sem qualquer dúvida, visível para todos os que passem próximos ao Salgadinho, o consultor Alder Flores está coberto de razão. Sem condições ambientais que permitissem sua sustentabilidade, preservação e conservação ao longo dos anos, as nascentes que mantinham a vazão de base do riacho Salgadinho não se mantiveram, o homem e a urbanização sem controle fizeram o resto matando as últimas possibilidades de manutenção delas e conseqüentemente, da existência de água doce no riacho. O engenheiro e projetista Daniel Eugênio, secretário de infra-estutura, também tem razão quando fala em despoluir o Salgadinho com a implantação de redes coletoras de esgoto no Vale do Reginaldo, só que, a despoluição a que ele se refere é apenas a indicação de que o Salgadinho não deverá receber mais esgotos brutos como recebe hoje, pois, para que se tenha água doce correndo no leito do Salgadinho de novo não basta apenas executar obras de esgotamento sanitário. O consultor Alder Flores tem razão quando diz que as chances de ter a despoluição que traga água doce de volta ao Salgadinho são remotíssimas. Se existirem, serão caríssimas e exigirão bons estudos e projetos, coisa que em Alagoas não é muito comum. Além disso, os custos serão tão elevados que com certeza, nos próximos 50 anos, com o PAC 100 lançado na dinastia Lulista, ainda será pouco recomendável fazer com que as nascentes do Salgadinho renasçam. Assim, a vocação natural do Salgadinho deve ser respeitada: ele é um grande e importante canal de drenagem dentro da cidade de Maceió. As obras de despoluição do Vale do Reginaldo devem prever a utilização do leito do Salgadinho de forma racional e adequada para coletar e direcionar as águas de chuva para o mar, cuidando-se de todas as outras ações ambientais recomendadas pelo consultor. A prefeitura de Maceió podia começar também a elaborar um projeto de requalificação da calha do Salgadinho de modo que ele funcione como o canal de drenagem de águas de chuvas e que tenha pelo menos suas paredes refeitas, seu fundo regularizado e retirados bancos de areia que vergonhosamente se acumulam dentro de seu leito. O rio Salgadinho não existe mais. O que existe é o canal de drenagem do Salgadinho, o qual, não é coletor de esgotos.

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