Posts para a tag ‘censura’

Supremo Tribunal Federal apóia censura

terça-feira, dezembro 15th, 2009

A decadência e a deterioração ignominiosa do Poder Judiciário brasileiro é uma constatação que está ai para que todos vejam e assistam com desprezo. Praticamente todos os dias a imprensa nacional traz em seus noticiários o envolvimento de juízes, desembargadores e ministros em casos de corrupção, vendas de sentenças e uma gigantesca afronta aos princípios da legalidade e da moralidade, ferindo de morte o interesse público e a sociedade.

Não bastassem os lamentáveis fatos narrados acima o que se pode destacar no Judiciário brasileiro hoje são sentenças equivocadas, julgamentos perniciosos, cheios de vícios e imoralidade explícita. Com raríssimas exceções não é exagero se afirmar que a lama e a podridão invadiram as salas de julgamento e sujaram as togas daqueles que deveriam fazer justiça!

A jornalista Lucia Hipólito. Cientista política, historiadora e especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro, publicou um memorável texto com uma análise contundente sobre a postura do Poder Judiciário e em especial o Supremo Tribunal Federal que em sessão vergonhosa legitimou a censura à imprensa mantendo o jornal O Estado de São Paulo censurado por informar à população ações de uma quadrilha que assaltou os cofres públicos. Vejamos alguns trechos do artigo de Lúcia Hipólito:

“É inacreditável! É estarrecedor!

O Supremo Tribunal Federal, a Suprema Corte do nosso país, o guardião da Constituição brasileira e dos direitos dos cidadãos, acaba de legitimar um dos atos mais odientos e repugnantes na vida de povos que se pretendem civilizados.

Declara textualmente o § 2º do Art. 220 da Constituição brasileira: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.â€

De novo, para a gente não esquecer: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.â€

Pois os “Supremos†sapatearam sobre a Constituição brasileira e legitimaram a censura à imprensa.

Por seis votos a três, os meritíssimos mantiveram a censura ao jornal “O Estado de São Pauloâ€.

Não se trata aqui de defender este ou aquele jornal. Como dizia Thomas Jefferson, um dos pais fundadores da democracia americana e terceiro presidente dos Estados Unidos, “a lei determina que a imprensa deve ser livre, não que deva ser boaâ€.

Quem decide se é boa ou não é o cidadão.

Thomas Jefferson é autor, também, de outra reflexão crucial para a democracia. Disse ele: “se eu tiver que escolher entre um governo sem jornais e jornais sem um governo, eu não hesitaria em escolher a última fórmula, isto é, jornais sem um governoâ€.

É irrelevante julgar os atores desse processo. O jornal “O Estado de São Paulo†foi censurado porque um juiz amigo da famiglia Sarney proibiu a publicação daqueles áudios deliciosos em que o filho de Sarney contava como a família exerce seu poder privatizando todos os espaços públicos ao seu alcance, desde um bem do Patrimônio Histórico, como o Convento das Mercês, transformado em mausoléu do patriarca, José Sarney, passando pelo Senado Federal, onde foram empregados aliados, cabos eleitorais, asseclas, netos, cunhadas, agregados da família, namorados de netas, filhos fora do casamento.

Aqui se trata do perigosíssimo golpe contra a democracia. Golpe perpetrado por aqueles que têm como única função defender a Constituição brasileira.

Durante a ditadura militar (1964-1985) existiu censura. Pesada, tenebrosa, assustadora.

Mas a aplicação da censura era prerrogativa do Poder Executivo, através dos hediondos Atos Institucionais.
Não se tem notícia de que ministros do Supremo Tribunal Federal tenham coonestado a censura.

Ao contrário, temos exemplos de ministros heróicos, que resistiram e perderam a toga por ato da ditadura.
Os nomes de Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva permanecem vivos na nossa memória.
Mas mesmo aqueles que concordaram com o golpe de 64 – e depois se arrependeram –, como o ministro Aliomar Baleeiro, que tirou a toga e a pisoteou quando soube da destituição dos três, jamais legitimou a censura da ditadura.

Tivemos que viver mais de 24 anos de democracia para assistir à cena de hoje: seis ministros da Suprema Corte do país apoiando a censura.

É importante registrar aqui os votos dos ministros do Supremo. A favor da liberdade de imprensa, dos cidadãos, da democracia e da Constituição brasileira, votaram os ministros Carlos Ayres Britto, Celso de Mello e Carmen Lúcia.

A favor da censura, contra os direitos dos cidadãos, contra a democracia e pelo desprezo à Constituição de 88 votaram os ministros Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Eros Grau, Ellen Gracie, Ricardo Lewandowski e José Dias Toffoli.

A morte da liberdade sempre começa com a censura à imprensaâ€

O repúdio do vice- presidente.

O vice-presidente José Alencar afirmou estar preocupado com o que considerou cerceamento à liberdade de imprensa. Há 134 dias o jornal O Estado de S. Paulo está proibido de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A mordaça foi imposta pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DF) no dia 31 de julho.

“Eu não quero entrar no mérito do caso em si. Agora, tenho preocupação quando há decisão que cerceia a liberdade de imprensa”, disse Alencar. “Tem uma frase antiga que agora não me está ocorrendo quem é o autor. Ela diz assim: ‘o preço da liberdade é a eterna vigilância’. Um dos instrumentos mais importantes para liberdade é a liberdade de imprensa. É isso que fortalece a democracia.”

Entidades nacionais e internacionais ligadas ao jornalismo e à defesa da liberdade de expressão repudiaram a decisão do Supremo. A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, divulgou nota em que classifica a decisão do STF de “incompreensível e perigosa”. A entidade afirma que o arquivamento é “um grave revés para a liberdade constitucional fundamental”.

Para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o STF “deu aval à censura no Estadão”. “Além de sacramentar a mordaça à liberdade de informação típica da ditadura militar, o Supremo Tribunal deu mostra de seu inadequado entendimento acerca da Constituição, persistindo em incompreensões constantes em votos de vários dos seus membros, como o ministro Gilmar Mendes, que se tornou, como demonstram recentes julgamentos, um defensor de restrições ao exercício da liberdade de imprensa que a Carta Magna não admite”, afirmou o presidente da instituição, Maurício Azedo.

É este o Judiciário brasileiro!

PDF Download    Enviar artigo em PDF   

Judiciário “bundãoâ€

quarta-feira, novembro 18th, 2009

CENSURADOCom 92 ações por improbidade administrativa deputado acusa a imprensa de atacar sua “honraâ€.

O juiz da 13ª Vara Civil de Cuiabá, Pedro Sakamoto, determinou que os sites não emitam opiniões contra o ex-presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso José Geraldo Riva (PP), sob pena de multa de R$ 1 mil. O magistrado também determinou que o jornalista Enock Cavacante, do blog Página do E, exclua três notícias de seu site.

A decisão foi contrária também à minha estimada companheira jornalista Adriana Vandoni, editora do site Prosa & Política, com o qual colaboro, além dos membros da ONG Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) e Moral, Vilson Nery, Antonio Cavalcante e Ademar Adams. Na liminar, o juiz afirma que os blogueiros não podem acusar Riva – que tem 92 ações por improbidade administrativa e 17 ações criminais – sem um julgamento definitivo que confirme as denúncias, sem possibilidade de recursos.

Na decisão, o juiz coloca que o deputado estadual é uma personalidade pública do Estado de Mato Grosso e que seria atacado em sua honra e dignidade em razão do exercício, pelos réus, do direito de livre expressão e liberdade de imprensa. “(…) Contudo, devo reconhecer que, em algumas matérias, os réus extrapolaram o direito de informação e agrediram a dignidade do autor por meio de afirmação indevida da prática de crimes sobre os quais ainda não há decisão judicial irrecorrívelâ€, diz o magistrado.

A economista e blogueira Adriana Vandoni, disse que irá recorrer. “Eu considero um absurdo uma decisão como essa. Se formos esperar que ele seja transitado e julgado as ações para divulgar poderemos esperar até 20 anos para que isso ocorra. À medida que somos impedidos de informar, a população é impedida de saber o que ocorre. A América Latina vive um processo de censura aos veículos, um exemplo disso é o que ocorre na Venezuela, Argentina e Honduras, temos que repudiar esses atosâ€, afirmou.

O presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva, possui 92 ações civis públicas por improbidade administrativa e o valor do ressarcimento aos cofres públicos é de aproximadamente R$ 470 milhões, segundo informações do Ministério Público do Estado de Mato Grosso. Além disso, há 17 ações criminais por formação de quadrilha e peculato. Apenas duas ações criminais foram recebidas pela Justiça, mas elas estão suspensas enquanto ele exercer o mandato de deputado estadual.

Das 92 ações civis, Riva foi condenado até o momento em uma ação por improbidade administrativa, que determinou seu afastamento do cargo de presidente da Assembléia. A condenação do dano aos cofres públicos é de R$ 2,6 milhões, valor que deverá ser devolvido. A ação inclui outros cinco condenados: o ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Humberto Bosaipo, os servidores Geraldo Lauro e Nivaldo Araújo; e os contadores Joel Quirino Pereira e José Quirino Pereira.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) solicitou na tribuna a inclusão nos Anais do Senado do artigo “Por falar em liberdade de expressãoâ€, da colega jornalista Adriana Vandoni, de Mato Grosso. Nele, Adriana manifesta sua estranheza com liminar concedida pelo juiz Pedro Sakamoto ao deputado estadual José Riva (PP), presidente da Assembléia Legislativa do Mato Grosso, afastado das funções de ordenador de despesas por determinação do juiz Luiz Bertolucci, da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular daquele estado.

Arthur Virgílio lembrou que o deputado entrou com uma ação contra Adriana Vandoni e mais quatro pessoas por terem, segundo ele, atingido sua honra ao relatarem, em seus blogs, processos que os Ministérios Públicos Estadual e Federal sugerem contra ele. Em sua sentença, o juiz Sakamoto diz que os réus devem se abster de “emitir opiniões pessoais†pelas quais atribuam ao deputado Riva a prática de crime, “sem que haja decisão judicial com trânsito em julgado que confirme a acusaçãoâ€.

- Isso me parece um absurdo, porque, para se criticar, não é preciso haver o trânsito em julgado de um réu; basta a convicção daquele que está acusando; basta que ele arque com as consequências cíveis e penais quaisquer, se porventura incorrer nos crimes de calúnia, injúria e difamação – afirmou o senador

Por estas e outras tantas não nos furtamos em afirmar que é difícil para uma imprensa séria, competente e livre conviver com um Judiciário Bundão!

PDF Printer    Enviar artigo em PDF