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Carta de um brasileiro

quarta-feira, dezembro 9th, 2009

Maceió, 09 de dezembro de 2009

Meu caro governador José Roberto Arruda

Acompanho, desde o início, esse episodio de lama e corrupção que invadiu a sua administração no Distrito Federal. Com os olhos marejados e com muita emoção assisti na televisão as graves denúncias de que você tinha se envolvido em uma tremenda e deplorável rede de negócios sujos de propinas, sonegação, peculato e outros crimes.
Veio em minha lembrança a sua imagem na tribuna do Senado quando do “escândalo do painel eletrônico†jurando em nome de seus filhos que não tinha envolvimento com o caso e em seguida renunciar ao mandato para não ser cassado. Coitadinho de você meu caro governador! Sempre perseguido e envolvido em escândalos, mas com coragem de enfrentá-los e mostrar “ a sua verdadeâ€.
Fiquei pasmo ao assistir os vídeos mostrados na televisão nos quais aparecia a sua imagem (quem sabe não foi uma montagem de adversários?) com evidências da participação do presidente da Câmara Distrital, deputados, secretários, empresários, jornalistas e até o seu vice-governador Paulo Otávio, denunciados por fazer parte de uma quadrilha de assaltantes de dinheiro público.
Vi que o ator principal do escândalo, Durval Barbosa, seu homem de confiança, centralizava a distribuição de propinas no próprio gabinete de trabalho e, não obstante carregasse dezenas de processos nas costas e integrasse a turma do antecessor Joaquim Roriz, de estripulias conhecidas na área – a mais vistosa, a partilha de R$ 2,2 milhões com Nenê Constantino, o levou à perda do mandato de senador – foi nomeado secretário de Relações Institucionais do seu governo. Fazia tudo institucionalmente, na hora do expediente, sem grandes mistérios e nenhuma cerimônia.
No prosseguimento dos fatos também acompanhei na imprensa que você teria hoje um patrimônio que, em apenas sete anos, cresceu 1.060%. E que também pessoas de sua família também são apontadas como envolvidas em “negócios sujosâ€, a exemplo do seu filho que comprou recentemente uma sala e duas garagens em um prédio comercial de luxo em Brasília, por R$ 519 mil.
Acho que esse pessoal está morrendo de inveja de você, meu caro Arruda. Um carequinha charmoso, podre de rico e com uma família que é um exemplo de competência no trato com “investimentos imobiliáriosâ€.
Soube que você estaria preocupado com esses fatos todos e até pensou em renunciar (de novo cara?). Liga não amigo velho tudo isto vai passar. Não ouviu o conselho que o “dinossauro†do Maranhão deu? Olha que disso ele entende bastante!
Se “avexe†não governador! Vejamos alguns fatos recentes: o mensalão no Congresso, por exemplo: entre “mortos e feridos†escaparam todos (ou quase todos); o escândalo do senador, sua amante as propinas de construtoras e seus bois de ouro, que também não deu em nada apesar das robustas provas e das gravíssimas acusações. E os fantasmas do Senado, as mutretas do senador José Sarney, seus filhos, seus amigos e um mar de lama que invadiu o Maranhão e os tapetes do Congresso Nacional. Como sempre, quando os iguais julgam, tudo caminha para acabar em pizza. E agora não vai ser diferente.
Lembre-se que é você muito inteligente e os deixou assustados quando disse esta semana:- “Se eu abrir a boca levo muita gente comigoâ€.
Seu julgamento, já disse o ex-deputado José Thomas Nôno, (relator do processo no âmbito do seu partido) será político. Pronto! Tudo resolvido! Se é político, é essa esculhambação que a gente está acostumado a ver. São os iguais que lhe julgarão, portanto não ousarão se auto-condenar!
Liga não Roberto, dá uma esticadela na Igreja Dom Bosco e faz uma encenação. Convoca a imprensa e se possível dá uma choradinha ai estará tudo sacramentado.
Deixa passar o tempo e daqui a pouco ninguém nem lembrará mais dessa sacanagem que fizeram com você.
Uma dica: por que você não entra na disputa para a Presidência da República? Tem todas as prerrogativas e agora já é conhecido nacionalmente.
Fica com Deus governador… e com o dinheiro dos tolos.

Um brasileiro

PS. Agora amigo, da próxima vez recomenda a essa turma de seus amigos evitar essa exposição ridícula de colocar dinheiro na meias, cuecas e no “fiofóâ€. Ou pelo menos se colocar não se deixar filmar. Coisa feia, cara!

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Os efeitos do escândalo

terça-feira, dezembro 8th, 2009

O Escândalo da propina envolvendo o governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, fez com que tucanos e democratas suspendessem temporariamente as conversas sobre a indicação do vice na chapa da oposição para a sucessão presidencial de 2010 e o primeiro reflexo foi o PSDB, conforme apresentado no programa do partido na TV, tentar averiguar se há uma aceitação de dupla José Serra e Aécio Neves em chapa pura.

No DEM, a ordem é só retomar as conversas quando houver clareza sobre a extensão do escândalo que implodiu os projetos do DEM no Distrito Federal. “Não é o momento de tratar da aliança. Em meio à crise, o melhor é resolver a crise primeiro. Acho engraçado que estejam falando de vice agora se não escolheram nem o candidato”, diz o presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ).

Embora ninguém duvide de que os dois partidos estarão juntos em 2010, os tucanos consideram que a crise no Distrito Federal pode alterar os interlocutores dessa aliança. A sensação do PSDB é a de que o cenário hoje é de enfraquecimento da posição de Rodrigo Maia como principal ator do processo de união entre os dois partidos. Por isso, enquanto Maia cuida da crise interna, as relações do DEM com o PSDB se deslocam para os personagens que comandaram a aliança com Fernando Henrique Cardoso em 1994, o ex-vice-presidente da República Marco Maciel o ex-presidente do antigo PFL Jorge Bornhausen e o ministro aposentado do TCU Guilherme Palmeira. Como novidade no grupo, a estrela do DEM em ascensão, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Essa nova configuração é favorável ao governador de São Paulo, José Serra, uma vez que Maia desde outubro declara sua preferência pela candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, por considerar o mineiro mais hábil para implodir a aliança que Lula tenta montar em torno da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT.

Da parte dos tucanos, sem a certeza do que o futuro reserva aos democratas, a ordem inicial do programa de TV do partido, exibido na última quinta-feira, foi apostar numa união entre Serra e Aécio. Para muitos soou como um indício de que, se o estrago no DEM não ficar restrito ao Distrito Federal, a saída será mesmo a chapa pura, com Aécio na posição de vice. Essa configuração, no entanto, tem um problema: Aécio não aceita ser candidato a vice. “O jogo eleitoral será pesado e temos que usar todo o nosso potencial. Acho que a idéia da chapa pura, olhando no contexto de hoje, é a solução. E, sobretudo, nos dá mais chance de vitóriaâ€, comenta o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ).

Nos últimos 30 dias, a relação entre Aécio e Serra estremeceu. Em conversas reservadas, os tucanos comentam a respeito de um diálogo onde Aécio teria dito a Serra que se o paulista “amarelasse agora”, daria tempo para que ele (Aécio) viabilizasse uma candidatura de janeiro a abril. “Se você amarelar em março, inviabiliza o partido”, teria dito o governador mineiro, segundo relato dos próprios tucanos. Serra não disse nem sim, nem não. Apenas afirmou que estava cedo para tratar disso, já que os dois tinham estados para governar.

Texto base: abcpolitiko.com.br

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Um governador de sorte

segunda-feira, dezembro 7th, 2009

UM GOVERNADOR DE SORTEAcossado por denúncias de corrupção e filmado recebendo dinheiro vivo no escândalo do “mensalão do DEM”, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, tem hoje um patrimônio que, em apenas sete anos, cresceu 1.060%. Nas declarações apresentadas à Justiça Eleitoral, em 2002 e 2006, a soma dos bens do governador não passava de R$ 600 mil. Agora, o patrimônio real da família Arruda, só em imóveis, em Brasília, acumulou um valor de mais de R$ 7 milhões.

Antes, o governador declarava R$ 598 mil em bens, que incluíam apenas um imóvel em Brasília. As demais propriedades, um apartamento, uma casa e um lote, ficavam na cidade mineira de Itajubá, sua terra natal. Uma caminhonete, uma linha telefônica e uma conta com R$ 20 mil, no Banco do Brasil, completavam o patrimônio.

Da posse como governador do DF, em 2007, para cá, a maneira como as aquisições foram feitas levanta suspeita – em pelo menos dois casos, os imóveis foram comprados por terceiros e depois transferidos para filhos de Arruda. O hábito de registrar imóveis em nome dos filhos fez com que as declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral ficassem modestas diante de seu patrimônio real.

A lista inclui aquisições recentes. Uma delas foi feita neste ano, após a gravação dos vídeos que mostram a farta distribuição de dinheiro do “mensalão do DEM”. Em 17 de setembro, ele comprou cinco salas em novíssimo prédio comercial com localização nobre em Brasília, em frente ao Banco Central, ao preço de R$ 1,6 milhão. O negócio, registrado em nome do próprio governador, chama a atenção por várias razões.

Quem vendeu as salas foi a Brasal Incorporações e Construções, cujo dono é um correligionário do governador, o deputado federal Osório Adriano (DEM-DF), empresário de sucesso na cidade. De acordo com a escritura, pelas cinco salas, mais seis vagas de garagem, Arruda deu um sinal de R$ 350.000,08 e financiou a diferença direto com a construtora, em 91 prestações, sem juros.

A julgar pelas cifras previstas na escritura, o governador teria de comprometer uma parte considerável de seu salário só para pagar as prestações das salas. São R$ 9.999,98 por mês em prestações, quase dois terços dos R$ 16 mil que Arruda recebe como governador, mais as prestações intermediárias anuais de R$ 49.999,98.

Há mais negócios da família com a construtora do deputado-empresário Osório Adriano. Pouco depois da aquisição feita por Arruda, um de seus filhos comprou uma sala e duas garagens no mesmo prédio, por R$ 519 mil.

As salas do governador estão vazias até hoje. Na do filho funciona a Nabuko, empresa de design da qual é sócio. O filho também é sócio da Notabilis, que recebeu pelo menos R$ 604 mil da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), estatal que, segundo a investigação da Polícia Federal, na Operação Caixa de Pandora, teria abastecido o caixa 2 da campanha de Arruda em 2006. É, ou não é, um governador de sorte?

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