Não faz muito tempo assistia um comunicador à beira do histerismo, bradando sua revolta contra a grande imprensa nacional por divulgar apenas fatos negativos de Alagoas. E eu ficava a fazer uma análise de sua ira equivocada: Ora, se apenas produzimos em abundância noticias ligadas à corrupção, irresponsabilidade administrativa, falta de segurança, saúde em frangalhos e outras da mesma natureza, como querer outro tratamento dos veículos de comunicação? Não estão inventando nada, também não estão exagerando, mas apenas noticiando para o Brasil e para o Mundo as mazelas produzidas por nossos políticos, nossos governantes, nossos administradores e outros que deveriam agir de forma diferente.
Nos últimos dias, mais uma vez estamos expostos à mídia de maneira pejorativa e somos alvo da perplexidade nacional. A imprensa noticiou o que nós produzimos. Nada mais.
Carteiradas imorais
Agentes públicos despreparados, corporações viciadas e sob o manto protetor daqueles que deveriam dar o exemplo invadem um complexo de cinemas, prendem e constrangem sua gerente pelo fato de ter agido de acordo com a ética e a lei: barrou o ingresso gratuito de alguns policiais que se achavam no direito que não tinham. A arbitrária e deplorável atitude policial indignou a sociedade alagoana e nos exibiu para todo o Brasil, em redes nacionais de televisão, que em nada cometeram excesso, mas apenas noticiaram os fatos. O país inteiro assistiu um secretário de Defesa Social trapalhão, mentindo diante das câmeras e ainda defendendo a aberração cometida por seus subordinados. Muitos com certeza riram do inusitado dos fatos. Nós choramos de vergonha.
Padres pedófilos de Arapiraca
Para completar nos vem a vergonhosa, podre e imoral história dos padres pedófilos de Arapiraca. O Brasil viu através do programa “Conexão Repórter” apresentado pelo competente jornalista Roberto Cabrini, cenas degradantes de um velho padre, com 80 anos de idade, fazendo sexo com jovens que ele praticamente criou e com os quais teve um longo relacionamento. Um advogado maroto, contratado pelos padrecos pedófilos, apressou-se em declarar que “não se trata de pedofilia pois a pessoa que aparecia no vídeo com o monsenhor Luiz Marques era maior de idade”. Foi pedofilia sim, pois o menor começou a ser aliciado aos 12 anos de idade quando passou a exercer a atividade de coroinha do vigário pervertido. Como ele outros menores também foram para a cama com o padre Luiz Marques. Nada foi inventado, está lá no vídeo que foi mostrado com cortes na televisão e nos sites, mas ao qual muitos tiveram acesso ao conteúdo integral. Soube até que o DVD estava à venda na cidade por 5,00 e a primeira tiragem esgotou em menos de duas horas. E o pior, tem mais padres envolvidos nessa rede pornográfica dentro da Igreja Católica de Alagoas, onde os encontros sexuais eram feitos diante da imagem de Deus e nos locais supostamente “sagrados” daquele templo. Confesso que não entendo não estarem todos na cadeia, indiciados como criminosos pedófilos e submetidos ao tratamento dado a qualquer criminoso comum. Não são padres, são imorais, são psicopatas perigosos que destruíram as vidas de jovens que acreditaram em sua igreja. Onde está o Ministério Público? Onde estão as autoridades policias?
O bispo da diocese, após a grande pressão da sociedade e a repercussão do caso, resolveu afastar de suas funções o monsenhor Luiz Marques (já aposentado), o monsenhor Raimundo e o padre Edilson. Mas isto não basta apesar de sempre ter sido este o comportamento da igreja diante de casos semelhantes.
A igreja acolhe seus pedófilos
A imprensa internacional noticiou que o Papa Bento XVI fez acolher, quando era arcebispo de Munique, no sul da Alemanha, em 1980, um padre acusado de atos de pedofilia, para que ele se tratasse. A pedido do bispo de Essen, o acusado foi recebido no arcebispado de Munique, do qual era titular Josef Ratzinger.
Quantos padres pedófilos nós já vimos ser punidos pela Igreja Católica? É preciso que a sociedade exija e as autoridades façam cumprir a lei.
No mais não adianta culpar a imprensa pelos escândalos nacionais aos quais somos submetidos. Nada foi inventado, nada foi criado pelos jornalistas. As cenas estão ai, para quem quiser ver. Fomos flagrados literalmente “com a bunda de fora”.


