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Como mudaram as eleições!

27/08/2010 - 8:53 -

Os tempos mudaram e também mudaram as eleições. Lembro na minha adolescência a agitação política no período eleitoral. Não se falava em outra coisa desde a capital ao menor município do interior. O dia da eleição então era uma festa. Assistia meu velho pai com o maior orgulho chegar em casa com os instrumentos que iria trabalhar no dia seguinte como presidente da sessão eleitoral da Serra da Mandioca (durante 25 anos) e no dia da eleição colocava seu melhor terno e saia impecável para exercer em toda sua plenitude a função que a cidadania lhe confiava. Votar de paletó e gravata também era quase um hábito comum para os da cidade, as mulheres colocavam as suas melhores vestes.

E os comícios que antecediam os pleitos? Apinhados de gente, sem trio elétrico, sem “alegorias”, apenas com as palavras dos candidatos que empolgavam multidões com suas oratórias vibrantes, suas histórias de dignidade expostas nos palanques.

Também não haviam as pesquisas. Nem as “fabricadas” e também as originais. A única pesquisa eram as urnas que abertas revelavam a vontade do povo. Não tinha a chatice do horário eleitoral, nem o lero-lero de candidatos que estão mais para palhaços de circo.

Não havia o famigerado e abundante “cadastro eleitoral” (que é a compra de votos registrada, carimbada e anotada) que todos sabem e só a Justiça Eleitoral não quer ver.

A eleição era uma verdadeira festa cívica, onde prevalecia a vontade do povo, o resultado das urnas, sem que bons candidatos fossem tolhidos por uma justiça caolha e cheia de interesses. Era uma eleição com justiça limpa.

Tenho saudades dessa época e principalmente do que essas eleições produziam: políticos dignos, mandatos honrados e o prevalecer do interesse público. Nunca os políticos de hoje corruptos, salteadores dos cofres públicos e negociantes dos balcões sujos da propina e da compra de consciências.

Ministro na terra

Desde quarta feira Alagoas está mais honrada e dignificada. É que desembarcou em Maceió o maior governador da história política de Alagoas: Guilherme Palmeira. Após sua aposentadoria como ministro do TCU pode voltar a fazer o que mais gosta: política.

Veio para acompanhar a campanha do filho Rui Palmeira a deputado Federal e vai se envolver no processo eleitoral.

Tenho conversado muito com ele esses dias em Brasília e agora pessoalmente, como sempre o faço.

Não está nada satisfeito com o tratamento que a coligação do governador tem dado à candidatura do filho e vai reagir se providências não forem adotadas. Aqui um conselho para quem o conhece de muito perto: não brinquem com fogo, pois a reação poderá ser devastadora. Ninguém me contou eu vi e ouvi.

Pesquisa ou “Golpe”

O Instituto de pesquisa Gape, de propriedade da Organização Arnon de Mello segue mais uma vez na linha da desmoralização a exemplo do que aconteceu nas eleições de 1998 quando sua credibilidade chegou a zero pela irresponsabilidade dos números fictícios mostrados e desmentidos. Agora, mais uma vez, acontece a mesma prática imoral, os mesmos golpes baixos para enganar os eleitores. Agora poderá ser diferente. Ministério Público Eleitoral e também o TRE estão querendo ir a fundo para desvendar o mistério dos números do já conhecido “Gafe”.

A ditadura da maioria

No painel “O futuro da democracia e o jornalismo”, Otavio Frias Filho manifestou preocupação com a ação de presidentes plebiscitários sul-americanos, como Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador). Segundo ele, o principal perigo que ronda as democracias é o da ditadura da maioria. Para ele, exercer jornalismo crítico é mais difícil quando se está sob um governo popular, com maior capacidade de intimidar. “Não vejo uma reação muito diferente entre o general Figueiredo, na época em que era presidente, e o presidente Lula hoje, no que diz respeito à insatisfação cada vez que é objeto de algum tipo de crítica.”

Não fica ninguém

Em tramitação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Complementar que torna inelegível por oito anos o político eleito condenado por descumprir promessas de campanha. Segundo o texto, a condenação deverá ser em decisão transitada em julgado ou de órgão colegiado da Justiça Eleitoral – uma condenação em Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já será suficiente. Segundo o projeto, a Justiça também poderá cassar o mandato do candidato que, após eleito, adotar política contrária aos seus compromissos de campanha. Com a falta de palavras, de vergonha e cumprimento de promessas de nossos políticos atuais você acredita que vai sobrar alguém para contar a história? Duvido.

Uma esquisita absolvição

O Tribunal Regional Eleitoral depois de cassar oito de nove candidatos denunciados pelo Ministério Público com fartas e robustas provas livrou da cassação o candidato a deputado estadual Henrique Manso, que por uma contingência da vida é filho do desembargador Orlando Mando, integrante e vice-presidente licenciado da mesma Corte. O pedido de cassação ajuizado pelo procurador Rodrigo Tenório teve como base decisão do Tribunal de Contas da União, que rejeitou suas contas quando prefeito de Paripueira, uma administração desastrosa. O julgamento indignou, mais uma vez, a sociedade alagoana. Votaram pela absolvição os juízes: Luciano Guimarães, Francisco Malaquias, Sebastião Vasques e o presidente desembargador Estácio Gama. Coisas de Alagoas.

A violência alagoana

O secretário de Direitos Humanos, Cidadania e Segurança Comunitária de Maceió, Pedro Montenegro foi brilhante em sua entrevista à imprensa quando fez colocações pontuais sobre o problema da Segurança Pública em Alagoas. Defendeu que todos os militares da reserva técnica que foram nomeados recentemente possam atuar nas polícias comunitárias, nos maiores focos de violência em Maceió e Arapiraca – as cidades alagoanas com os maiores índices de violência no estado e entre as mais violentas do Brasil. Sua proposta não foi entendida pelo Conselho estadual de Segurança, que ao que parece prefere que o alagoano conviva com esse altíssimo índice de violência.

Collor nordestino?

O senador Fernando Collor que tem lá seus problemas de rejeição com quase a unanimidade da imprensa brasileira sempre que é alvo de alguma denúncia se sai com a evasiva de que “acredita que este fato ocorra por conta de ser nordestino”. Pura falácia para enganar os tolos. Collor nunca foi nordestino, muito menos alagoano. Nasceu e criou-se no Rio de Janeiro. Vinha aqui de passeio até que descobriu que aqui era mais fácil enveredar pela carreira política. Começou como prefeito (sic), com o uso da máquina do Estado fez-se deputado federal e depois o carma dos alagoanos o fez governador. Por um equívoco do destino virou presidente ai deu no que deu. É senador por Alagoas, mas nordestino ou alagoano, jamais!

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6 Comentários para “Como mudaram as eleições!”

  1. FALE A VERDADE

    Não o conheço, mas voto no Rui Palmeira, pela sua trajetória. Quanto ao pai dele, é brincadeira dizer que foi o melhor governador. Vamos separar o joio do trigo, mesmo quando se trate de pai e filho!

  2. amauri

    Guilherme foi sim o melhor governador de Alagoas nos últimos tempos. Mostre apenas um que tenha feito mais do que ele.
    Dá de dez a zero nos candidatos que ai estão em honestidade e capacidade de governar. É uma pena que não tenha saido candidato. Ai não ia dar pra ninguém. Lessa, Collor Teotonio quem é essa gente diante de Guilherme? O seu filho Rui segue o mesmo caminho e os filhos dos outros? Os filhos do Renan que exemplo dão? Os filhos do Collor que ainda bem parece não se contaminaram com o seu sangue, parecem mais com a mãe que é uma mulher digna. E os filhos do Lessa? Esses ninguém pode nem falar pois o cara não é chegado a esse negócio.

  3. FALE A VERDADE

    Se beber, comer, dormir e não pagar (e ainda recebver muito bem!) é governar, concordo com o Sr. Arauri!

  4. FALE A VERDADE

    Não tem pessoa melhor do que ex-político. Que bom quando está acabando o mandato de alguns governantes e parlamentares! Que bom que não voltasse nunca mais ao meio político! Não vou citar nome, pois o espaço é pequeno e o tempo é curto.

  5. Arnon

    E como mudaram, meu caro Pedro.
    Não alcancei as eleições em que vc fala do seu velho pai com muito orgulho. Quanto me entendi de gente e comecei a votar já estavam ai esses corrutos de hoje. Renan, Collor, Benedito de Lira, João Beltrão e tantos outros. Isto não vai mudar nunca, pois é da indole de todos eles. Pobres dos jornalistas que tentam enfrentar essas feras a seu exemplo, não conseguem convencer o povo que é burro e ainda corre risco de vida, pois todos são bandidos covardes.

  6. Fabiano

    Lessa não poderia jamais ser candidato. Tem mais processo que Fernandinho Beira Mar. Foi um pessimo governador e ainda comprometeu um nome sério como o do meu colega engenhiro Luiz Abilio de Souza.
    O seu governo foi de corrupção e ai está respondendo a vários processos.
    Fora Lessa…Fora Collor Alagoas já não aguenta mais tanta corrupção.


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