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Depois do Fantástico

segunda-feira, abril 4th, 2011

Hámais de dez anos este foi o título de um texto que escrevi, no qual apontavaque as medidas dos governos em combate a algum problema só vinham após denúncias no famoso programa de TV. Isso servia para o governo federal, para osestaduais, para os municipais e até para quaisquer instituições, mesmo asorganizações não governamentais, e muito mais nas ligadas direta ouindiretamente a Administração Pública. Pois, após dez anos, não há problema que seja detectado antes pelasautoridades; as medidas só veem depois de denúncias na imprensa. O caso do menino baleado por policiais em Manaus apenas exemplifica. Porém, todas asautoridades só tomam uma medida, sempre tímida, sempre recheada de desculpas,depois de se tornarem públicas.
Logoapós as denúncias pela imprensa, as primeiras negativas vem dos envolvidos.Eles negam afirmações gravadas há poucos minutos, ou até há algumas horas.Depois, vêm as explicações das autoridades por que nunca fizeram nada antes. Apopulação encaminha inúmeras cartas às seções dos jornais e revistas,telefonemas indignados às emissoras de rádios e de televisões. Nada maia. As famosas sindicâncias são abertas e os resultados todos já conhecem.
Anteriormenteas denúncias geralmente só recaíam sobre funcionários do baixo clero. Mas, acorrupção foi galgando postos e já chegou a derrubar dois ministros da Casa Civil. Os casos são tantos que talvez ninguém mais se lembre de WaldomiroDiniz, José Roberto Arruda, Maurício Marinho, que desencadeou a máfia domensalão, Ari Artuzi, prefeito de Dourados, todos flagrados recebendo dinheiro,de Erenice Guerra. Nenhum superior sabiade nada.
Existemfatos mais amplos que causam prejuízos e mortes sem nunca haver punição alguma.Em 2007 um pedaço do estádio da Fonte Nova voou e 8 vidas se foram. Na final de1992, outros tantos morreram no Maracanã. Assassinatos de torcedores viraramrotina e por muito tempo só se ouviu desculpas. Depois de muitas mortes,algumas medidas óbvias praticamente resolveram o problema. Mortes existiram,assassinos punidos, nenhum. Além desses, assassinatos em pacotes tambémexistiram, sem nenhum culpado.
Somentea negligência institucionalizada explica por que as medidas só são tomadas apósa publicidade. Quando os filhos mudam de comportamento em casa, seus pais ouresponsáveis percebem. Quando um funcionário de empresa privada muda decomportamento, seu chefe percebe. Quando um departamento vai mal, os diretoresda empresa desconfiam. Apenas nos serviços públicos a percepção cabe à gente defora, especialmente à imprensa.
Nãopode ser razoável que haja necessidade da imprensa mostrar as condições das estradas,da qualidade do ensino público fundamental e médio, de mostrar o atendimento médico,dos ônibus lotados, da sujeira das cidades. Bastaria que as autoridadessuperiores exigissem dos seus subalternos que cumprissem suas funções; dosórgãos fiscalizadores que investiguem e tomem medidas preventivas; e da Justiçaque puna imediatamente como determina a lei. Efetivamente criou-se a cultura deque tudo pode, desde que não se torne público. Decorre dessa cultura a ação sóvir como punição à publicidade e não em razão do fato. Não raro o punido é quemdá publicidade e não quem cometeu o erro.
Alémdessas iniciativas, seria preciso tornar público todos os atos. Hoje, ninguémconsegue os dados estatísticos sobre as diversas atividades dos governos, nemsaber como andam os procedimentos e processos relativos aos episódios citados. ARede Globo precisaria ter maisconsciente de seu papel de órgão fiscalizador e aumentar a vigilância. Resta apenas a todos os cidadãos esperarem apróxima denúncia no Fantástico e as explicações muito “convincentes†das nossasautoridades.
PedroCardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito

ACREDITE: “NÃO Hà DEMOCRACIA ONDE O VOTO É OBRIGATÓRIO”

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Atuação fraca da imprensa

sábado, setembro 25th, 2010

Talvez pelas verbas oficiais que recebem dos governos, a imprensa brasileira demonstra muita insegurança ou sensibilidade com relação às palavras das autoridades federais quando a criticam, em especial do presidente da República. É preciso reforçar a idéia de que a democracia já tem força suficiente para superar ameaças, concretas ou vãs, de uma única pessoa, independente do cargo que ocupe.
Ressalva feita, a proposta é falar da atuação fraca da imprensa no processo eleitoral. As perguntas formuladas aos candidatos são genéricas demais e divagações são aceitas como respostas. Responder o que foi perguntado deveria ser a regra primeira dos debates, sem importar a dureza da pergunta nem da resposta.
Como caminha para isso, caso vença no estado de São Paulo, o Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB vai completar vinte anos no Poder. Poderiam fazer um levantamento de quantas pessoas moravam em favelas em 1994 e quantas moram hoje. Por que não diminuíram ou acabaram com as favelas. Caso sustentem que fizeram isso, a imprensa deveria apresentar os números e as imagens de milhares de favelas em São Paulo. Exigir que as autoridades comprovassem onde foram transformadas, mas mostrar quantas favelas surgiram, que não existiam em 94. Sobre a violência, deveriam apresentar as centenas de milhares de pessoas assassinadas nesse período e saber como o governo resolveria esse genocídio tolerado até aqui. Além disso, mostrar ou indagar deles quantos assassinos foram punidos. As perguntas deveriam ser diretas e objetivas. Exemplo: qual governo é responsável direto pela segurança pública e pelos julgamentos de assassinos? Quantos assassinatos ocorreram no estado de São Paulo durante os dezesseis anos de governo do PSDB? Ou em outro estado, conforme quem esteja no poder.
Sobre a educação, o debate se restringe à promessa de uma em acabar a progressão automática. A questão não está na progressão automática, se a criança de 10 anos não sabe ler nem escrever, não importa se ela está na quinta série, com a progressão automática ou na 1ª com a reprovação. O relevante é que ela deveria saber e não sabe. Definitivamente, os fatores decisivos para isso são outros.
Agora, existem outras questões defendidas ou citadas por todos, mas ninguém fala do essencial. Voto consciente e colocar a culpa no eleitor por conta de pilantras que se aproveitam do poder para roubar dinheiro público. Ninguém cobra que os partidos tenham atividades fora do período eleitoral para conscientizar os cidadãos. Nenhum normal sabe onde fica a sede de um partido nem o que ele faz. Nada mais essencial para caracterizar um voto consciente do que ele ser facultativo. Defende-se democracia para tudo, menos para exercer o seu elemento principal, que é o voto.
A imprensa brasileira não sai do “a†falou de “bâ€, “c†respondeu a “dâ€, sobre os principais candidatos. Trata-se da elitização da fofoca de boteco. O pior é não se vislumbrar algum movimento na tentativa de mudança. Nem dos veículos de comunicação nem das várias entidades sociais. A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, a União Nacional dos Estudantes – UNE, as ONGs, e outras entidades que se posicionam em tudo que lhes diz, ou não respeito, não tocam no voto facultativo.
Repete-se o que escrevi após as eleições de 1998. Depois dessas eleições, seriam necessários movimentos neste país para acabarem com o voto obrigatório. E já aproveitar o momento para avançar no aprimoramento do processo eleitoral para que a votação se realize pela internet.
Para o momento, tendo em vista que haverá muito bate-boca ainda, que a imprensa apresente dados e exija explicação objetiva dos candidatos da situação, por que determinados números, o que deveria ter sido feito e não foi. E da oposição, por que faria diferente num eventual governo, comparando com números de estados onde estão governando ou com gestões anteriores.
Como são feitos os chamados debates, o aproveitamento para o público é zero, tanto faz com um ou com mil. Nenhuma resposta coerente, prioridade para tudo e nenhum posicionamento objetivo ou tecnicamente confiável. Já a imprensa finge que está contribuindo para o voto consciente. Só se for de que nenhum político tem conteúdo. E, com a maior cara de conteúdo, descem a lenha em Tiririca. Talvez este, é que esteja sendo mais sincero.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito
ACREDITE: “NÃO Hà DEMOCRACIA ONDE O VOTO É OBRIGATÓRIO”

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