CÂMARA APROVA EMENDA QUE DÁ A ALAGOAS R$ 1, BILHÃO DE RECURSOS DA EXPLORAÇÃO DO PRÉ-SAL
Plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem , com 369 votos a favor e 72 votos contra, emenda apresentada pelos deputados Humberto Souto (PPS-MG) e Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), subscrita pelo deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) alterando a distribuição dos royalties e diminuindo os recursos de Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.
O plenário realizou duas sessões extraordinárias durante a tarde e noite de quarta-feira. Na primeira, às 13 horas, poderia ter concluída a votação da proposta que estabelece o regime de partilha para exploração do petróleo na camada pré-sal e define regras para distribuição de royalties, valor pago ao detentor de uma marca, patente, processo de produção, produto ou obra original pelos direitos de sua exploração comercial.
Os detentores recebem porcentagens das vendas dos produtos produzidos com o concurso de suas marcas ou dos lucros obtidos com essas operações. No caso do petróleo e do gás, trata-se de compensação financeira paga aos estados e municípios pela exploração desses produtos em depósitos localizados em terra ou na plataforma continental.(PLs 5938/09 e 2502/07).
O deputado federal Marcelo Castro disse que ontem a votação da emenda dos deputados Humberto Souto e Ibsen Pinheiro pela Câmara dos Deputados era, citando uma canção de Elvis Presley, era “agora ou nunca”.
Ele disse que com a aprovação da emenda, o Estado de Alagoas vai receber R$ 1 bilhão por ano.
“A aprovação foi um momento histórico. Fizemos história como na votação das Diretas e na eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República”, declarou Marcelo Castro, que fez palestras contra a vantagem da emenda nos Estados do Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Paraná, e fez uma palestra, em Brasília, para os prefeitos e deputados de Rondônia.
Ele disse que os municípios de 4 mil a 6 mil habitantes vão receber R$ 1,3 milhão por mês com os recursos da exploração do pré-sal.
Marcelo Castro fez palestra para 2 mil prefeitos na manhã de ontem, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.
“É evidente que não estamos tratando aqui somente de um Estado querer dinheiro e outro achar que não deve ceder. Mas é uma questão de justiça. O deputado Marcelo Itagiba, a quem respeito muito, disse que isso seria uma violência contra o Rio de Janeiro. Mas, historicamente, esta Casa não percebe a violência histórica que vem sofrendo o Nordeste, a desigualdade regional que há no nosso País. No Piauí, meu Estado, mais de 50% das famílias recebem o Bolsa Família. O que estamos querendo, portanto, não é subtrair recursos dos Estados mais ricos. Estamos querendo apenas uma divisão justa dos recursos da União. Esses recursos, conforme diz a Constituição, pertencem à União. E o que queremos e pretendemos, e vamos votar aqui no dia de hoje, é que essa divisão seja justa”, disse ontem o deputado federal José Maria Filho, o Mainha (DEM-PI), durante a votação da emenda de Souto e Ibsen.
Alguns parlamentares protestaram contra a possibilidade de retirada de pauta de todas as propostas de emenda à Constituição até as eleições de outubro e ameaçam obstruir recurso utilizado por parlamentares em determinadas ocasiões para impedir o prosseguimento dos trabalhos e ganhar tempo. Em geral, os mecanismos utilizados são pronunciamentos, pedidos de adiamento da discussão e da votação, formulação de questões de ordem, saída do plenário para evitar quorum ou a simples manifestação de obstrução, pelo líder, o que faz com que a presença dos seus liderados deixe de ser computada para efeito de quorum. todas as votações. O assunto será discutido em reunião de líderes marcada para as 14 horas.
O texto principal do projeto sobre os royalties foi aprovado, em dezembro, na forma de um substitutivo, espécie de emenda que altera a proposta em seu conjunto, substancial ou formalmente. Recebe esse nome porque substitui o projeto.
O substitutivo foi apresentado pelo relator e tem preferência na votação, mas poderia ser rejeitado em favor do projeto original. do relator Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A principal polêmica é em torno da distribuição entre os Estados dos royalties do petróleo, tanto do óleo extraído da camada do pré-sal quanto de outros blocos.
Para concluir a análise desse projeto, o plenário precisou votar um recurso contra a decisão, do presidente Michel Temer, de não admitir uma emenda dos deputados Humberto Souto (PPS-MG) e Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) por falta de assinaturas de apoio. Temer atendeu a uma questão de ordem, solicitação de esclarecimento a respeito da forma de condução dos trabalhos legislativos, em caso de dúvida sobre a interpretação do regimento na sua prática exclusiva ou relacionada com a Constituição. Da decisão do presidente da Câmara cabe recurso ao Plenário, ouvida a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), no caso de apresentação em sessão.
Em comissão, a questão de ordem foi resolvida pelo seu presidente, cabendo recurso a ser dirigido à Presidência da Casa. do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A emenda determina que os royalties e a participação especial devidos pela exploração do petróleo (do pré-sal ou não) sejam distribuídos de acordo com os critérios dos fundos de participação dos estados (FPE) e dos municípios (FPM), rransferência constitucional composta de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados.
A distribuição dos recursos aos municípios é feita de acordo o número de habitantes. São fixadas faixas populacionais, cabendo a cada uma delas um coeficiente individual. O mínimo é de 0,6 para municípios com até 10.188 habitantes e o máximo é 4,0 para aqueles acima 156 mil. Os critérios atualmente utilizados para o cálculo dos coeficientes de participação estão baseados na Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) e no Decreto-Lei 1881/81. Do total de recursos, 10% são destinados às capitais, 86,4% para os demais municípios e os 3,6% restantes vão para um fundo de reserva que beneficia os municípios com população superior a 142.633 habitantes (coeficiente de 3.8), excluídas as capitais. ). Metade dos recursos iria para os estados e metade para os municípios.
O conteúdo da emenda provoca divergências entre os estados e também dentro dos partidos, pois, se aprovada, ela retiraria recursos dos principais produtores de petróleo (Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo), em benefício dos demais estados e municípios.