A famÃlia brasileira gasta, em média, R$ 2.626,31 por mês: as do Sudeste gastam mais (R$ 3.135,80), quase o dobro do que gastam as do Nordeste, que têm a menor despesa (R$ 1.700,26).
No Sul e no Sudeste, as famÃlias de menor rendimento (até R$ 830) gastam, em média, mais do que recebem (R$ 929,75 e R$ 831,67, respectivamente)
Para 51% das famÃlias do paÃs e 74% das rurais, o tipo de alimento consumido nem sempre ou raramente era o preferido. Declararam sempre consumir alimentos do tipo preferido 27,7% das famÃlias do Norte, 25,7% do Nordeste, 44% do Sul, 37,9%, do Sudeste e 40,6% do Centro-Oeste. Maranhão e Piauà (21%) tinham os menores percentuais, e Santa Catarina (47%) o maior, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE).
O Distrito Federal tinha a maior despesa média total, R$ 3.963,99, que está 50,9% acima da média nacional (R$ 2.626,31). Em seguida, vinham Santa Catarina (R$ 3.509,58) e Rio de Janeiro (R$ 3.386,78). Alagoas (R$ 1.223,94), Ceará (R$ 1.431,96) e Maranhão (R$ 1.466,96) tinham as menores despesas.
A despesa média total é 8,6% menor que a urbana (2.853,13) e 46,8% maior que a rural (1.397,29).
As despesas correntes representavam 92,1% da despesa média mensal familiar (R$ 2.626,31) do Brasil, sendo 81,3% referentes às despesas de consumo e 10,9% referentes às outras despesas correntes. O aumento de ativos correspondia a 5,8%, e a diminuição do passivo, a 2,1%.
A região Sul tinha a maior participação no aumento de ativos (8,3% frente a uma média de 5,8%).
As despesas monetárias e não monetárias representavam, respectivamente, 4,8% e 15,2% do total na média do paÃs. A despesa não monetária urbana tinha participação média de 14,7% e a rural, 20,8%.
A participação das despesas correntes teve ligeira redução entre a POF 2002/03 (93,3%) e a de 2008/09 (92,1%). Em relação ao Endef (79,9%), houve aumento de 12,2 pontos percentuais. As despesas de consumo tiveram mudanças semelhantes (tabela 5, abaixo) assim como as outras despesas correntes (crescimento de 5,3% para 10,9% em relação ao Endef), o aumento do ativo e a diminuição do passivo.
DESPESAS DE CONSUMO
As despesas de consumo são o mais importante componente das despesas das famÃlias: 81,3% para o Brasil, ou R$ 2 134,77. O valor médio das despesas de consumo rurais (R$ 1.220,14) correspondeu a 57,2% da média nacional e a 53% da urbana (R$ 2.303,56).
As despesas de alimentação, habitação e transporte corresponderam a 75,3% da despesa de consumo médio mensal das famÃlias brasileiras, ou a 61,3% da despesa total. Na Alimentação (19,8%) a proporção rural (27,6%) superou a urbana (19%). Na Habitação (35,9%) deu-se o inverso: urbana (36,4%) e rural (30,6%).
Na tabela abaixo, comparações entre as despesas das famÃlias das classes de rendimentos de até R$ 830,00 e de R$ 10.375,00. Um destaque são as despesas com Assistência à Saúde: para classe até R$ 830,00, os remédios pesam 4,2%, ou 76,4% do dispêndio com saúde, contra 1,9% na classe oposta. Já a participação de plano/seguro de saúde foi de 2,4% na classe com os maiores rendimentos, contra 0,3% na classe oposta.
SÉRIE HISTÓRICA DE 73/74 A 2008/09
As participações dos grupos de consumo (inclusive urbano e rural) tiveram alterações expressivas na série. Dois exemplos: Alimentação – queda acentuada entre ENDEF (33,9%) e a POF 2008/09 (19,8%). Habitação – crescimentos significativos entre o ENDEF (30,4%) e a POF 2008/09 (35,9%), sendo que evolução rural foi mais significativa, desde o ENDEF (17,8%) à s POF 2002/03 (28,66%) e 2008/09 (30,6%).
DESPESA E ALGUNS INDICADORES SOCIOECONÔMICOS
Despesa média per capita dos 40% das famÃlias com menores rendimentos e 10 % das famÃlias maiores rendimentos
No Brasil, os 40 % de famÃlias com menores rendimentos possuÃam despesa total per capita de R$ 296,35, e os 10% com maiores rendimentos, de R$ 2 844,56. No PaÃs a distância média da despesa per capita desses dois grupos foi de 9,6 vezes. Na área rural, a disparidade é acima de 10 X 1. Em 2002-2003, a disparidade no PaÃs era de 10,1 vezes e, portanto, reduziu-se em 0,5 pp.
Gráfico xx – Distância média per capita dos 40% das famÃlias com menores rendimentos e 10% das famÃlias com maiores rendimentos, por região geográfica –2002/03 e 2008/09
Entre as regiões, a maior despesa média familiar per capita, tanto entre os 40% com menores rendimentos quanto entre os 10% com maiores rendimentos foi do Sul (R$ 406,00 e R$2.799,00, respectivamente) e a menor, no grupo com menores rendimentos, do Nordeste (R$233,00). Ainda no grupo com menores rendimentos, a despesa per capita do Sul era 74% maior que a do Nordeste.
Entre as famÃlias com maiores rendimentos, o Norte tinha a menor despesa média per capita (R$2.094,00) e o Sul, a maior (R$2.799,00). Nesse grupo, a despesa per capita do Sul era 33% maior que a do Norte.
A região mais desigual foi a Nordeste (distância de 11,3 vezes entre despesas médias per capita das duas classes de rendimento), enquanto a menos desigual foi a Sul (6,9 vezes). Entre as POF 2002/03 e 2008/09, essa desigualdade reduziu-se no Sul, Centro-Oeste e Nordeste, e ficou quase estável nas demais regiões.
ASPECTOS DA EDUCAÇÃO
Anos de estudo da pessoa de referência: para famÃlias em que a pessoa de referência possuÃa menos de um ano de estudo, o total da despesa média mensal foi de R$ 1 403,42. Nas famÃlias com pessoa de referência com 11 anos ou mais de estudo, esse total foi de R$ 4 314,92, ou seja, quase 207% maior. Mas em relação à POF 2002-2003 houve expressiva redução da diferença, que era cerca de 400%.
Pessoas com nÃvel superior completo ou incompleto no interior da famÃlia, mesmo não sendo a pessoa de referência, produziram efeitos semelhantes: nas famÃlias em que não havia pessoa com nÃvel superior completo ou incompleto, a despesa total média mensal era de R$ 1.659,99. Já naquelas com uma pessoa com nÃvel superior completo ou incompleto, a despesa subia para R$ 4.296,05 (mais 160%); e nas famÃlias com mais de uma pessoa, subia para R$ 8 117,27 (390% maior que o primeiro extrato). Embora persistam, essas acentuadas diferenças estão menores, em relação a 2002/03 (190% e 430% respectivamente).
SEXO E COR OU RAÇA DA PESSOA DE REFERÊNCIA
As famÃlias com pessoas de referência do sexo masculino tinham despesa média mensal (R$ 2 800,16) em torno de 7% acima da média nacional (R$ 2.626,31) enquanto a despesa média das famÃlias com pessoa de referência do sexo feminino (R$ 2 237,14) era 15% menor. A diferença entre os dois estratos aumentou: era de 15% na POF 2002/03 e foi para 20% na POF 2008/09.
A despesa de famÃlias com a pessoa de referência de cor branca estava 28% acima da média nacional, e 89% acima das despesas das famÃlias com a pessoa de referência de cor preta, além de 79% acima das famÃlias com pessoa de referência de cor parda. Em relação à POF 2002/03, as diferenças percentuais entre famÃlias com pessoa de referência branca e preta cresceram (de 82% para 89%). Já a diferença entre famÃlias com pessoa de referência branca e parda teve redução (de 84% para 79%).
DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO
As despesas com alimentação representam 16,1 % da despesa total e 19,8% das despesas de consumo das famÃlias brasileiras. A despesa total com alimentação nas famÃlias com rendimentos mais altos (acima de R$ 10.375) foi quase seis vezes maior do que nas com rendimentos mais baixos (até R$ 830).
A despesa média mensal familiar com alimentação foi de R$ 421,72, sendo R$ 290,39 gastos com alimentação no domicÃlio e R$ 131,33, na alimentação fora do domicÃlio.
Na área urbana, a alimentação fora do domicÃlio representa cerca de um terço dos gastos com alimentação (33,1%), enquanto na área rural a participação da alimentação fora de casa é de 17,5%. Em 2002/03, a alimentação fora do domicÃlio representava 25,7% (urbana) e 13,1% (rural) das despesas com alimentação.
O Sudeste tinha maior percentual de gastos com alimentação fora do domicÃlio (37,2%) e Norte (21,4%) e Nordeste (23,5%), os menores.
Nas famÃlias com rendimentos mais altos (acima de R$ 10.375), a proporção da despesa com alimentação fora do domicÃlio (49,3%) é praticamente igual à despesa com alimentação no domicÃlio (50,7%).
O grupo de alimentos carnes, vÃsceras e pescados lidera os gastos com alimentação, tanto na média do PaÃs (21,9%) quanto nas áreas urbana (21,3%) e rural (25,2%). A seguir, na área urbana, vêm Leites e derivados (11,9%), Panificados (11,0%) e Bebidas e infusões (10,0%). Na área rural, vêm Cereais, leguminosas e oleaginosas (13,1%), Leites e derivados (8,7%) e Aves e ovos (8,5%) (ver tabela 4 da publicação).
RENDIMENTO
O rendimento médio mensal familiar no Brasil era R$ 2.641,63. Somada a variação patrimonial, a quantia subia para R$ 2.763,47. E o rendimento do trabalho foi responsável por 61% desses valores (R$ 1.688).
A segunda maior participação no rendimento era das transferências (18,5%), com destaque para as aposentadorias e pensões governamentais: em 2008/09, elas representaram mais de 80% das transferências, sendo 55% provenientes do INSS. Já os programas sociais federais representaram 3%.
Nas famÃlias com recebimentos até R$ 830,00 (cerca de 12,5 milhões), a maior parte dos rendimentos (46,3%) era proveniente do trabalho. Nas famÃlias com recebimentos superiores a R$ 10.375 (cerca de 4% do total), a maior participação dos rendimentos também era proveniente do trabalho (60,5%). As transferências vinham em segundo lugar (17,5%), com destaque para as aposentadorias e pensões da previdência pública (9,1%).
Já nas famÃlias com recebimentos até R$ 830, a maior participação dos rendimentos também era proveniente do trabalho (47,0%). As transferências vinham em segundo lugar (26,7%), quase a mesma taxa do rendimento não-monetário (25,2%) com destaque para as aposentadorias e pensões do INSS (15,8%).
No gráfico 2, abaixo, os percentuais das transferências nas duas faixas de renda, mostrando a predominância do INSS (58,3%) no primeiro grupo, e a dos programas sociais federais (52,1%) no segundo.
Gráfico 2–Distribuição dos componentes das Transferências por classes de rendimento – Brasil – 2008/09
Nas áreas rurais, a participação dos rendimentos de transferências (20,5%) se assemelhava a dos não-monetários (18,7%). Já a soma do rendimento total e da variação patrimonial rural equivalia a 49% da mesma soma urbana. A região com o menor rendimento total e variação patrimonial foi o Nordeste (R$ 1.764, ou cerca de 63,5% da média nacional), seguido pelo Norte (76% da média).
QUESTIONÃRIO SUBJETIVO – CONDIÇÕES DE VIDA
A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 investigou a percepção da população sobre alguns aspectos da qualidade de vida através de um questionário especÃfico e com respostas subjetivas aplicado no último dia de entrevista em cada domicÃlio. As famÃlias indicaram um de seus membros para responder as perguntas subjetivas sobre condições de moradia, facilidade para chegar ao final do mês com os rendimentos familiares e a avaliação da suficiência e do tipo do alimento consumido. Esta foi a segunda vez em que o questionário subjetivo foi apresentado, a primeira foi na POF 2002/03.
Em 2008/09, 64,5% das famÃlias declararam ter alimentos suficiente para chegar ao fim do mês, contra 53% em 2002/03. A POF também investigou se as famÃlias consumiam (sempre, nem sempre ou raramente) seu alimento preferido: em 2002/03, 73,2% declararam alguma insatisfação, contra 65% em 2008/09.
75% das famÃlias têm algum grau dificuldade para chegar ao fim do mês com seus rendimentos. Na classe com rendimentos até R$ 830, cerca de 88% indicaram algum grau de dificuldade e 31,1%, muita dificuldade. Na classe com mais de R$10.375, só 2,6% tinham algum grau de dificuldade e 72%, facilidade.
As percepções da quantidade de alimentos são mais favoráveis que em 2002/03, mas as desigualdades regionais são marcantes. No Norte e Nordeste, cerca de 50% das famÃlias referiram insuficiência na quantidade de alimentos consumidos, contra cerca de 60% em 2002/03. Para os mesmos perÃodos: no Sul, cerca de 23%, ante 30%; no Sudeste, cerca de 29% contra 43%. No Centro-Oeste, 32% contra 39%. Rio Grande do Sul (80,7%) e Santa Catarina (78,1%) tiveram as maiores proporções da resposta “quantidade sempre suficienteâ€, e Rorâima (41,6%0 e Sergipe (40,6%), as menores.