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Lula provocou milagre econômico no Brasil

quarta-feira, novembro 25th, 2009

O Brasil é visto como uma história de sucesso econômico e sua população reverencia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um astro. Ele está na missão de transformar o país em uma das cinco maiores economias do mundo por meio de reformas, projetos gigantes de infraestrutura e explorando vastas reservas de petróleo. Mas ele enfrenta obstáculos.

Elizete Piauí aguarda pacientemente por horas à sombra de uma mangueira. Ela calça sandálias de plástico e veste um short largo sobre suas pernas finas. A 40ºC, o ar tremula neste dia incomumente quente na Barra, uma pequena cidade no sertão, o coração do Nordeste brasileiro. Mas Elizete não se queixa, porque hoje é seu grande dia, o dia em que se encontrará com o presidente, que está trabalhando para fornecer água encanada para sua casa.

O barulho de um helicóptero sinaliza sua chegada. A aeronave branca sobrevoa a multidão antes de pousar. Uma escolta de batedores acompanha o presidente até a cerimônia.

Lula sai da limusine vestindo uma camisa branca de linho e um chapéu militar verde. Ignorando os dignitários locais em seus ternos pretos, Lula segue direto para a multidão atrás de uma barreira de segurança. “Lula, Papai!”, chama Elizete. Ele a puxa até seu peito e aperta a mão de outros na multidão, permitindo que as pessoas o toquem, façam carinho e o abracem. Gotas de suor correm pelo seu rosto corado enquanto pessoas o puxam pela camisa, mas Lula se deixa embeber na atenção. Ele se sente em casa aqui, em uma das regiões mais pobres do Brasil.

O presidente passa três dias viajando pelo sertão. Ele conhece a rota. Ele veio à região pela primeira vez há 15 anos, em campanha, viajando de ônibus e ficando hospedado em locais baratos. Ele fazia paradas em todas as praças, sete ou oito vezes por dia, geralmente realizando seus discursos na traseira de um caminhão. Sua voz geralmente ficava rouca e fraca à noite e ele tinha que trocar sua camisa suada até 10 vezes por dia.

‘Ele ainda é um de nós’

Agora ele viaja de helicóptero e carros blindados, com os carros da polícia, com suas luzes piscando, abrindo o caminho ao longo das estradas. Voluntários montam aparelhos de ar condicionado e bufês nos aposentos de Lula, às vezes até mesmo estendem um tapete vermelho. A imprensa critica as despesas, mas isso não incomoda a maioria dos brasileiros, porque eles têm orgulho de seu presidente. Ele chegou ao topo, eles argumentam, então por que não desfrutar de seu sucesso? “Ele ainda é um de nós”, diz Elizete, “porque ele é o pai dos pobres”.

Lula está familiarizado com o destino dos nordestinos pobres do Brasil. Ele nasceu no sertão, mas sua mãe colocou seus filhos na traseira de um caminhão e os levou para São Paulo, 2 mil quilômetros ao sul. A posterior ascensão de Lula ao poder começou nos subúrbios industriais de São Paulo. Sua mãe foi uma das centenas de milhares de pessoas carentes que deixaram o sertão atormentado pela seca, com seus campos ressecados e animais morrendo de sede, e migraram para o sul mais rico, para trabalhar como porteiros, garçons, operários de construção ou empregados domésticos.

Em um plano para tornar verde esta região árida, Lula está explorando as águas dos 2.700 quilômetros do Rio São Francisco, um rio vital para grandes partes do Brasil. O rio fornece água para cinco Estados, mas ele faz contorna o Sertão. Segundo o plano de Lula, dois canais desviarão água do rio por 600 quilômetros até as áreas atingidas pela seca. “É o mínimo que posso fazer por vocês”, Lula diz às pessoas na Barra.

Projeto controverso

O megaprojeto, que exige a superação de uma diferença de altitude de 200 metros, tem um custo estimado de R$ 6,6 bilhões. Lula posicionou soldados na região para escavar os canais. Oito mil trabalhadores labutam nos canteiros de obras enquanto tratores e escavadeiras movem a terra pela estepe. Se tudo correr bem, 12 milhões de brasileiros se beneficiarão com o projeto de transposição de águas, que deverá ser concluído em 2025. É o maior e mais caro projeto de Lula, assim como provavelmente seu mais controverso.

Aqueles que o apoiam comparam Lula ao presidente americano Franklin D. Roosevelt, que represou o Rio Tennessee nos anos 30, para fornecer eletricidade à região, e que lançou o New Deal, um imenso programa de investimento para superar a Grande Depressão. Mas os críticos veem a obra como um imenso desperdício de dinheiro. O projeto também atraiu a ira dos ambientalistas e até mesmo o bispo da Barra já fez duas greves de fome contra ele. Ele teme que o projeto de transposição das águas secará ainda mais o rio, alegando que a irrigação beneficiaria principalmente o setor agrícola.

O bispo não está presente. Dizem que ele está participando de reuniões fora da cidade. Na verdade, o religioso está mantendo discrição. As críticas ao presidente são desaprovadas por sua congregação. Lula fala a linguagem das pessoas comuns, contando histórias de sua juventude aos seus simpatizantes, histórias dos tempos em que sua mãe o enviava para buscar água e ele voltava para casa equilibrando um balde pesado sobre sua cabeça. Ele tinha cinco anos na época.

O Brasil já foi chamado de “Belíndia”, um termo cunhado por um empresário que via o vasto país como uma mistura entre a Bélgica e a Índia, um lugar com riqueza europeia e pobreza asiática, onde o abismo entre ricos e pobres parecia intransponível. Lula foi o primeiro a construir uma ponte entre os dois Brasis.

Agora ele é tanto o queridinho dos banqueiros quanto ídolo dos pobres. Com o chamado presidente operário no comando, o Brasil está atraindo investidores de todas as partes do mundo. Jim O’Neill, o economista chefe do Goldman Sachs, inventou a sigla Bric para as economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China, prevendo um futuro brilhante para o gigante sul-americano. Mas seus colegas zombaram dele. A China e a Índia certamente tinham perspectivas, mas o Brasil? Por décadas o país era visto como um gigante acorrentado, atormentado por crises infindáveis e inflação.

Potência econômica ascendente

Mas hoje o “B” é a estrela entre os países Bric, com os especialistas prevendo um crescimento de até 5% para a economia brasileira em 2010. O Brasil está atualmente crescendo mais rápido do que a Rússia e, diferente da Índia, não sofre de conflitos étnicos ou disputas de fronteira. O país de 192 milhões de habitantes possui um mercado doméstico estável, com as exportações – carros e aeronaves, soja e minério de ferro, petróleo e celulose, açúcar, café e carne bovina – correspondendo a apenas 13% do produto interno bruto.

E como a China substituiu os Estados Unidos como maior parceira comercial do Brasil no início deste ano, o país não foi severamente afetado pela recessão no mercado americano como poderia ter sido. Os bancos do Brasil são fortes, estáveis e não encontraram grandes dificuldades durante a crise. Mais importante, entretanto, é o fato do Brasil ser uma democracia estável, ao estilo ocidental.

O país pagou sua dívida externa e até mesmo passou a emprestar ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo acumulou mais de US$ 200 bilhões em reservas e o real é considerado uma das moedas mais fortes do mundo. Especialistas internacionais preveem uma década de prosperidade e crescimento para o país. Lula prevê que o Brasil será uma das cinco maiores economias do planeta em 2016, o ano em que o Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos. O país será sede da Copa do Mundo de 2014.

E ainda há os recursos naturais aparentemente ilimitados do Brasil, vastas reservas de água doce e petróleo. O Brasil exporta mais carne do que os Estados Unidos. E a China estaria em dificuldades sem a soja brasileira. Nos hangares da fabricante de aviões, a Embraer, perto de São Paulo, engenheiros brasileiros constroem aviões para companhias aéreas de todo o mundo, incluindo aviões para trajetos menores para a Lufthansa.

Um patriarca extremamente popular

Em outras palavras, o presidente Lula tem bons motivos para estar repleto de autoconfiança. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o estão cortejando, enquanto Wall Street praticamente o venera. Ele é até mesmo tema de um novo filme, “Lula, o Filho do Brasil”, que descreve a saga de sua ascensão de engraxate a presidente.

Todo o Brasil desfruta da fama de seu presidente que, há menos de sete anos no poder, atualmente conta com um índice de aprovação acima de 80%. A oposição praticamente desapareceu e o Congresso se tornou submisso. Lula dirige o país como um patriarca, tanto que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o está acusando de “autoritarismo” e alertando que o Brasil está no caminho de um capitalismo estatal.

Há um quê de verdade nas alegações de Fernando Henrique. Lula nunca teve confiança na capacidade do mercado de curar a si mesmo e considera que o Estado deve moldar uma nova ordem social. Ele adora projetos impressionantes e gestos nacionalistas. Ele é pragmático, mas despreza especuladores. “Brancos com olhos azuis” levaram o mundo à beira da ruína financeira, ele disse recentemente. Ele falava dos banqueiros.

A crise financeira apenas confirmou o ceticismo de Lula em relação ao capitalismo. Lula acredita que o Brasil lidou melhor com a crise do que outros países porque o governo adotou medidas corretivas desde cedo. Segundo Lula, o combate à pobreza e a distribuição justa de renda não podem ficar aos cuidados do mercado.

Classe média crescente

Sob sua liderança, milhões de brasileiros ingressaram na classe média. A evidência dessa transformação social está por toda a parte: nos shopping centers do Rio e São Paulo, lotados de famílias barulhentas da periferia, ou nos aeroportos, onde mães jovens ficam na fila do balcão de check-in, aguardando para embarcar em um avião pela primeira vez em suas vidas. “A desigualdade entre ricos e pobres está começando a diminuir”, diz o economista e especialista em estudos sobre a pobreza, Ricardo Paes de Barros.

A chave para aquela que provavelmente é a maior redistribuição de riqueza na história brasileira é o programa social Bolsa Família, sob o qual uma mãe carente que possa comprovar que seus filhos estão frequentando a escola recebe até R$ 200 por mês do governo. A primeira vista pode não parecer muito, mas este subsídio do governo ajuda milhões de pessoas a sobreviverem no Nordeste brasileiro.

Especialistas inicialmente criticaram o programa como sendo apenas uma esmola, mas agora ele é visto como um modelo mundial. Mais de 12 milhões de lares recebem os subsídios, com grande parte do dinheiro indo para o Nordeste. Graças ao programa Bolsa Família, a região antes atingida pela pobreza começou a prosperar. Muitos nordestinos abriram pequenas empresas ou lojas e a indústria descobriu o Nordeste como mercado. “Agora a região está crescendo por conta própria”, diz Paes de Barros.

Lula foi abençoado pela sorte. Seu antecessor, Fernando Henrique, já tinha estabilizado a economia, que sofria com a hiperinflação, quando foi ministro da Fazenda em 1994. Ele impôs uma reforma da moeda ao país e implantou leis que forçaram o governo a adotar políticas com responsabilidade fiscal. Lula não mudou nada disso.

Não havia necessidade de Lula reinventar a política econômica e social do Brasil. O país tem uma tradição de controle total da economia pelo governo que remonta aos anos 30.

O plano Marshall próprio do Brasil

Os centros nervosos da política econômica do país ficam abrigados em dois imponentes arranha-céus no centro do Rio. O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que conta com seus escritórios em uma torre de aço e vidro, foi criado com a ajuda americana e usando o KFW Banking Group da Alemanha como modelo. Ele financiou uma versão brasileira do Plano Marshall.

Nos anos 90, o BNDES administrou com sucesso a privatização de muitas estatais brasileiras. Hoje, ele fornece assistência a fusões e aquisições corporativas, ajuda empresas em dificuldades e financia os investimentos estratégicos do governo.

O BNDES é altamente respeitado. Acredita-se que seja em grande parte livre de corrupção e ele paga os mais altos salários do país. “Há um ano, os bancos estrangeiros batiam à minha porta perguntando se o Brasil estava preparado para a crise financeira”, diz Ernani Teixeira, um dos diretores financeiros do banco. Teixeira conseguiu tranquilizá-los, notando que o BNDES tinha separado R$ 100 bilhões em reservas adicionais. No ano passado, o banco emitiu mais empréstimos e garantias de empréstimos do que o Banco Mundial – e até apresentou um lucro respeitável.

O segundo pilar do milagre econômico brasileiro fica diagonalmente no outro lado da rua: um bloco de concreto, iluminado à noite com as cores nacionais, verde e amarelo, é a sede do grupo de energia semiestatal Petrobras. A empresa planeja investir US$ 174 bilhões nos próximos quatro anos em plataformas de perfuração, navios e outros equipamentos para explorar as grandes reservas de petróleo além da costa do Brasil.

Há um ano e meio, a Petrobras descobriu novas reservas de petróleo sob o leito do oceano. Mas o petróleo será difícil de extrair, por estar situado abaixo de uma camada de sal em profundidades de pelo menos 6 mil metros. A expectativa é de que os poços comecem a produzir daqui pelo menos seis anos. A receita desse petróleo será depositada em um fundo que o governo usará principalmente para financiar novas escolas e universidades.

Lula apresentou recentemente uma legislação que regulamentaria a exploração das reservas de petróleo submarinas, fortalecendo assim o monopólio da Petrobras. Especialistas temem que Lula esteja criando um monstro corporativo poderoso e corruptível.

Obstáculos burocráticos

O imenso apagão que ocorreu simultaneamente em grandes partes do país, há duas semanas, teria sido um sinal de alerta de que o governo está indo além de sua capacidade? A modernização da infraestrutura decrépita do Brasil está avançando, mas lentamente. Bilhões de dólares em investimentos em portos, construção de estradas e no setor de energia existem apenas no papel, com a implantação atrapalhada por uma burocracia kafkaniana e um Judiciário moroso. Além disso, o país também não teve muito sucesso no combate à criminalidade.

Lula tem mais um ano no poder, após ter resistido à tentação de manipular a Constituição para garantir sua reeleição para um terceiro mandato. Ávido em preservar seu legado, ele tem buscado a indicação de sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sua sucessora, apesar da resistência dentro do próprio Partido dos Trabalhadores.

Rousseff, que foi integrante dos grupos guerrilheiros de esquerda após o golpe militar de 1964 e que posteriormente passou anos presa, tem uma reputação de tecnocrata competente, mas é vista como inacessível e autoritária. Ela está acompanhando o presidente em suas viagens pelo país, inaugurando novas estradas e usinas elétricas. Lula a apoia de modo tão determinado que até parece estar fazendo campanha para si mesmo.

Ela também está com ele em seu giro pelo Nordeste, apesar dos médicos terem removido um tumor de sua axila há poucos meses. Acredita-se que ela esteja curada e ela atualmente usa uma peruca após a quimioterapia. Seu rosto é pálido e seu sorriso parece congelado. O presidente a puxa para o seu lado quando ele caminha até o microfone, e ele menciona o nome dela repetidas vezes.

Elizete Piauí, ainda completamente embriagada pelo seu encontro com Lula, a viu pela televisão. Ela sabe que Dilma é a candidata de Lula e ela fará campanha pela ministra, apesar de que preferiria que Lula permanecesse no poder. “Eu votarei em qualquer pessoa que ele indicar”, ela diz.

Lula também prometeu retornar. Antes do fim de sua presidência, ele planeja fazer outra viagem ao Nordeste para ver o quanto progrediram as obras no Rio São Francisco. Talvez, espera Elizete, ele terá atendido seu maior desejo até lá e ela poderá servir a ele um copo de água – de sua própria torneira, em sua própria casa.

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FAB dá carona a filho de Lula

terça-feira, novembro 24th, 2009

Faltando dez minutos para pousar no aeroporto internacional de Brasília no dia 9 de outubro, uma sexta-feira, o Boeing 737 de prefixo 2116, da FAB (Força Aérea Brasileira), teve de mudar de itinerário e retornar a São Paulo para buscar novos passageiros: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com 15 acompanhantes, informa reportagem de Kátia Brasil, publicada nesta terça-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo a reportagem, a viagem do Boeing começou em Gavião Peixoto (SP), levando a Brasília militares a serviço da Aeronáutica. Eram 17h, já perto da capital federal, quando o comandante recebeu ordem de voltar a São Paulo.

O Boeing voltou e pousou às 19h em Guarulhos, onde foi abastecido. O comandante recebeu nova ordem: os passageiros embarcariam em Congonhas, não em Guarulhos.

A Folha informa que o Sucatinha partiu de Guarulhos às 20h30. Como já havia sido abastecida, a aeronave teve que ficar voando por uma hora para gastar combustível e ingressar nas condições de pouso em Congonhas, onde aterrissou às 21h30.

Os militares foram deslocados para a parte traseira, para que os novos passageiros embarcassem. A decolagem foi às 23h. O avião chegou a Brasília uma hora e 40 minutos depois.

Outro lado

A assessoria do Banco Central diz que Meirelles solicitou a aeronave da FAB apenas para ele e um assessor.

A assessoria de imprensa da Presidência da República afirma que os passageiros, incluindo Lulinha, eram convidados do presidente. Lulinha não foi localizado para comentar o caso.

O tenente-coronel Henry Wender, assessor da FAB, afirma que, como o Boeing estava à disposição da Presidência, a FAB não tem controle de lista de passageiros e de itinerário.

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Lula diz que vai assistir ao filme

quarta-feira, novembro 18th, 2009

Brasília – Bem-humorado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva brincou hoje (18) com o fato de ser alvo das atenções e comentários por causa do filme Lula, o Filho do Brasil. Ele deu a entender que, aos 30 anos de idade, era mais bonito do que o ator que o interpreta na produção. O presidente disse que ainda não assistiu ao filme, dirigido por Fábio Barreto, mas irá vê-lo no dia 28. Ele disse que ontem (17) estava em casa muito bem acompanhado.

“Ontem estava em casa com duas Marisas e uma ex-mulher”, afirmou, referindo-se à primeira-dama, Marisa Letícia, e às atrizes Juliana Baroni, que faz o papel de Marisa no filme, e Cléo Pires, que interpretou a primeira mulher do presidente, que morreu durante o parto.

Perguntado se o ator Ruy Ricardo Dias seria mais bonito do que ele, o presidente reagiu: “É porque vocês não me conheceram quando eu tinha 30 anos”. Depois, soltou uma gargalhada.

O filme de Barreto é baseado no livro de mesmo nome escrito pela jornalista Denise Paraná e conta a história de Lula desde seu nascimento até a morte de sua mãe, depois relata sua fase como líder sindical, quando foi preso durante a ditadura.

O presidente brincou com a imprensa enquanto aguardava a chegada da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, com quem se reúne ao longo do dia. Lula e Cristina assinarão 22 acordos bilaterais. Na relação estão atos de cooperação hidrelétrica e de combate à dengue no Noroeste da Argentina nas regiões de Chaco, Corrientes e Missiones, entre outros.

Mas o principal tema das discussões é sobre as barreiras na liberação de licenças não automáticas para alguns produtos importados da Argentina e vice-versa. O impasse ocorre há cerca de um ano e se agravou no mês passado, quando caminhoneiros argentinos foram impedidos de entrar no Brasil.

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Lula compara apagão a acidente da TAM

sexta-feira, novembro 13th, 2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta sexta-feira (13) de “achistas” as opiniões de especialistas até o momento sobre o apagão que atingiu 18 Estados na terça-feira. Segundo Lula, existem críticos aparentemente satisfeitos com o incidente, assim como na tragédia com um avião da TAM em São Paulo, que matou 199 pessoas no aeroporto de Congonhas em 2007.

O presidente disse que vai aguardar mais investigações sobre o incidente e criticou os “achistas”. “Tenho notado algumas pessoas falando do apagão com o mesmo prazer que falavam culpando o governo quando o avião da TAM teve o acidente em Congonhas. Disseram que o governo ia carregar 200 mortos nas costas. Depois, disseram que era a Infraero. Até que a verdade foi aparecendo e prevaleceu que foi falha humana, que pode ter sido problema técnico”, afirmou o presidente a jornalistas, após abertura de um congresso em uma faculdade de São Paulo.

Na quinta-feira (12), o governo deu por encerrado o assunto e atribuiu a falta de energia elétrica a “raios, ventos e chuva”, nas palavras da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. “O sistema é robusto, bem estruturado. Agora nada neste mundo pode ser tão estruturado que possa suplantar alguma coisa que foi causada por intempéries ou por falha humana que não sabemos ainda”, afirmou Lula.

Questionado sobre se as críticas se destinam à oposição, Lula negou. “São esses especialistas que vão à mídia. Vocês é que conhecem”, completou. “Esse não é assunto de análise política, é de análise técnica. Estamos na fase do ‘achismo’, mas depois vamos entrar na fase dos resultados mais objetivos.”

O presidente também disse que existe uma “deformação” nas comparações da falta de energia no Brasil em 2001 com a de agora. Ele descartou as hipóteses de sabotagem e afirmou que não se pronunciou logo após o incidente “porque tinha que ouvir antes de falar”.

“O que eu quero é um resultado final depois de uma apuração correta para que a opinião pública brasileira fique sabendo o que aconteceu”, disse Lula.

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Vinte anos depois, Collor apoia Lula

terça-feira, novembro 10th, 2009

No dia 15 de novembro de 1989, o Brasil votou pela primeira vez para presidente da República após o fim da ditadura, numa eleição com mais de 20 candidatos na disputa e rivalidades viscerais que eles não tinham o cuidado de disfarçar.

De lá até hoje, alguns rancores foram mais ou menos superados, novos foram criados, mas nada se compara ao fato de o hoje senador Fernando Collor integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. Collor (ex-PRN, hoje PTB) não apenas apoia Lula (PT) – entrevistado pelo UOL Notícias para este especial, disse não se lembrar de seus jingles de campanha, mas cantou o de Lula, o “Lula-lá” .

Lula foi o principal adversário de Fernando Collor, que acabou eleito presidente – em 1992, o PT foi um dos principais responsáveis pelas investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito que levaram, após uma série de denúncias de corrupção, Collor a sofrer o impeachment e ser afastado da Presidência.

Collor, por sua vez, atacava duramente o presidente José Sarney (PMDB), que deu um chega pra lá no candidato do seu partido, Ulysses Guimarães (traído por quase todo seu partido, assim como Aureliano Chaves, o candidato do então Partido da Frente Liberal, o PFL, hoje DEM).

Leonel Brizola (PDT), o terceiro colocado no primeiro turno – e que por pouco não chegou ao segundo turno -, batia sem dó no dono da Rede Globo, Roberto Marinho, que fez o que pôde para evitar que seu adversário chegasse à Presidência da República, segundo relatos do próprio vencedor, Fernando Collor.

Mesmo os candidatos dos pequenos partidos acreditavam enfrentar quixotescamente seus moinhos de vento. Ronaldo Caiado, então no minúsculo PSD, obteve menos de 1% dos votos, mas hoje relembra: “Meus inimigos eram… o Lula”.

A eleição de 1989 foi solteira: ao contrário do que ocorreu a partir de 1994, a eleição presidencial não foi acompanhada de disputas para governador, senador e deputado. Essa situação favoreceu o surgimento de inúmeros candidatos – muitos não interessados na Presidência, mas apenas para tornar o nome e o partido mais conhecidos nacionalmente para disputas posteriores.

Concorreram 22 candidatos, sem contar o empresário Silvio Santos, que, na última hora, tentou entrar na disputa pelo PFL. Sem conseguir, buscou abrigo no obscuro PMB, no lugar de Armando Corrêa, que renunciou à disputa. A candidatura de Silvio, articulada por aliados do presidente José Sarney, acabou impugnada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que encontrou problemas legais no PMB e excluiu o dono do SBT da corrida presidencial.

A ausência de grandes coligações, bem como uma economia desorganizada pela hiperinflação no final do governo Sarney, construiu um cenário em que os partidos tradicionais – como PMDB e PFL, que dominavam as políticas federal e estaduais – racharam, abrindo espaço para novos nomes. O eleitor queria novidade.

A disputa de 1989 renovou, consolidou e fez surgir personagens nacionais na política brasileira – seja na atuação como protagonista ou coadjuvantes.

Vinte anos depois, o segundo colocado Lula é presidente da República. Sarney ocupa, pela terceira vez no período democrático, a presidência do Senado. Collor é senador da base de apoio a Lula.

Brizola, morto em 2004, apoiou Lula no segundo turno de 1989 e foi candidato a vice do petista em 1998. O partido dele, o PDT, integra o governo e controla o politicamente importante Ministério do Trabalho.

Mário Covas (PSDB), quarto colocado, foi eleito governador de São Paulo duas vezes, em 1994 e 1998. Os tucanos apoiaram Lula ostensivamente no segundo turno em 1989, mas, a partir de 1994, passaram a polarizar com o PT a política nacional, tratando-se, muitas vezes, como inimigos.

Maluf (PDS, hoje PP), que em 1985 disputou a Presidência numa eleição indireta, deixou o posto de protagonista para virar coadjuvante deputado da base de Lula (que não cansa de “espetar”, embora goste de elogiar a ministra Dilma Rousseff, das Minas e Energia, provável candidata do PT à sucessão), assim como Guilherme Afif Domingos (ex-PL, hoje no DEM), secretário de governo do tucano José Serra, em São Paulo. Afif, que havia sido um dos colaboradores de Maluf no governo do Estado, apoiou Collor no segundo turno em 1989. Um dos coordenadores da campanha de Afif naquele ano é o hoje prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Os nanicos de 1989 Ronaldo Caiado e Fernando Gabeira, que obtiveram menos de 1% dos votos em 1989, lideram as bancadas, respectivamente, do DEM e do PV na Câmara dos Deputados.

Tensão eleitoral

Foi uma eleição tensa, com forte troca de acusações entre os candidatos, gritarias em debates e muita promessa de moralização.

Collor fez campanha associando Lula ao mundo comunista, aproveitando-se da queda do Muro de Berlim, menos de uma semana antes do primeiro turno. No segundo turno, a campanha de Collor exibiu no horário eleitoral na TV o depoimento de Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, acusando o petista de tê-la pressionado para abortar a filha que esperava do então metalúrgico.

Collor considera hoje um erro ter colocado o depoimento. E Lula justifica a aproximação com o ex-rival.

“Minha relação com o Collor é a de um presidente com um senador da base (…) Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno”, afirmou o petista em entrevista à Folha de S.Paulo no mês passado.

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Lula defende liberdade de imprensa

sexta-feira, outubro 30th, 2009

Em entrevista por escrito ao jornal venezuelano “El Universal”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar convicto de que a liberdade de imprensa é “essencial”, mas evitou se manifestar especificamente sobre a situação na Venezuela, onde o presidente Hugo Chávez é acusado de tentar silenciar os meios de comunicação críticos a seu governo. “Sou duramente criticado no Brasil por boa parte da imprensa, muitas vezes de maneira injusta, em minha opinião.

Mas isso não muda em nada minha convicção de que a liberdade de imprensa é essencial”, afirmou.

“Na questão das relações com os meios de comunicação, posso falar do Brasil. E, no meu país, a imprensa goza de total liberdade”, disse Lula ao jornal, de linha editorial contrária ao governo e acusado por Chávez de representar “as oligarquias”. Em diversas ocasiões, o presidente brasileiro defendeu Chávez da acusação de que seria antidemocrático, usando como argumento o fato de ele ter se submetido a votações e referendos.

Nos últimos anos, a perseguição aos meios de comunicação opositores e a ampliação dos órgãos oficiais orientaram as ações do governo Chávez em relação à imprensa. Em 2007, o regime não renovou a concessão da RCTV, então a líder de audiência, em meio a acusações de que teria participado do golpe que, cinco anos antes, tirou Chávez do comando do País por 48 horas. Em 2009, o governo fechou 32 emissoras de rádio e anunciou que outras 208 teriam o mesmo destino. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Lula: "prefiro muitos ganhando pouco"

quinta-feira, outubro 29th, 2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (29), durante visita à Feira de Catadores de Material de Reciclável (Expocatadores), que vai pedir aos prefeitos de todo o país que protejam os catadores de pessoas ambiciosas. Segundo ele, o Congresso Nacional vai aprovar a Lei dos Resíduos e, por isso, essa proteção é necessária.

“Há pessoas que até agora trabalharam na reciclagem, e não é justo que agora o empresário queira ganhar dinheiro. Prefiro muitos ganhando pouco do que poucos ganhando muito”, disse o presidente.

Na exposição, Lula contou a história de dois catadores, o nordestino Severino Lima e a mineira Maria Madalena, que afirmam ter orgulho de sua profissão porque é dela que tiram o sustento de suas famílias honestamente.

“O dinheiro é consequência. A maior virtude de vocês [catadores] é que ninguém nunca me pediu para sair dessa profissão. Pedem respeito e condições para que possam trabalhar sem ter que baixar a cabeça”, ressaltou Lula. Esses profissionais, disse o presidente, “estão ensinando aos pedantes e arrogantes que o ser humano não pode ser discriminado”.

A Expocatadores é promovida pelo Movimento de Catadores de Materiais Recicláveis com o objetivo de divulgar, fortalecer e profissionalizar o setor. O evento termina amanhã (30).

Em São Paulo, Lula visitou também a 17ª Feira Internacional de Transporte (Fenatran), onde chegou a tirar fotos nos caminhões, usando bonés das empresas expositoras.

Os ministros Márcio Fortes, das Cidades, Carlos Lupi, do Trabalho, e Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, acompanharam o presidente Lula na visita à Fenatran e à Expocatadores.

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Contas do governo pioram em setembro

quinta-feira, outubro 29th, 2009

As contas do governo central fecharam o mês de setembro com deficit de R$ 7,632 bilhões, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Tesouro Nacional. O número ficou bem abaixo do registrado em agosto, quando Tesouro, Previdência Social e Banco Central tiveram resultado superavitário em R$ 3,69 bilhões.

O número é o pior para um mês de setembro desde 1997, além de ser pior mês do ano.
Nas comparações com o ano passado, também houve queda significativa. Em setembro de 2008, o governo central havia tido superavit de R$ 3,95 bilhões.

Nos nove primeiros meses do ano, o governo teve um resultado positivo de R$ 16,37 bilhões, contra R$ 80,98 bilhões no mesmo período do ano passado. A economia do governo central no ano corresponde a 0,74% do PIB (Produto Interno Bruto). No mesmo período de 2008, correspondia a 3,78% do PIB.

No ano, as receitas do governo caíram 1,9% enquanto as despesas subiram 16,5%.

Receitas

A receita total fechou setembro em R$ 53,55 bilhões, contra R$ 60,83 bilhões no mês anterior. Já as despesas aumentaram no mês de setembro para R$ 53,07 bilhões –eram de R$ 46,78 bilhões em agosto.

O Tesouro Nacional teve superavit de R$ 1,6 bilhão, contra R$ 9,2 bilhões em agosto. A Previdência Social registrou deficit de R$ 9,17 bilhões, contra R$ 5,19 bilhões em agosto. Já o Banco Central teve deficit de R$ 62 milhões.

De acordo com o Tesouro, a redução se deve à queda de R$ 7,8 bilhões na arrecadação de dividendos e do aumento de 9,7% nas despesas em relação à agosto por conta, principalmente, de um aumento de R$ 2,3 bilhões nos gastos de custeio e capital.

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Lula faz aniversário e ganha biografia

terça-feira, outubro 27th, 2009

Luiz Inácio Lula da Silva completa 64 anos, nesta terça-feira (27), enquanto a editora Objetiva planeja o lançamento da biografia do presidente para o final do mês de novembro, já que o filme “Lula, o filho do Brasil” está previsto para chegar aos cinemas no dia 1º de janeiro.

Escrito pela jornalista Denise Paraná, o livro de 144 páginas que inspirou o filme deve chegar às livrarias no dia 29 de novembro. A editora informou à Livraria da Folha que a fase de pré-venda (em que os leitores reservam a compra da obra e esperam receber os primeiros exemplares da obra) vai começar no dia 26 de novembro.

O filme, dirigido por Fábio Barreto (“O Quatrilho”), é uma cinebiografia do presidente Lula, desde seu nascimento até se tornar líder sindical, trazendo no elenco Rui Ricardo Dias (no papel do presidente), Glórias Pires e sua filha Cléo Pires.

O livro de Denise Paraná, que a Objetiva lança em uma versão atualizada, já teve no ano passado sua terceira edição pela Fundação Perseu Abramo, com prefácio do crítico literário Antonio Candido, 91.

A obra diz ser “o mais completo levantamento sobre a trajetória do maior líder popular do Brasil”, com entrevista do presidente, lembranças sobre a infância pobre no sertão pernambucano, a mudança para São Paulo e as batalhas para conquistar a Presidência da República. Originalmente, o livro saiu pela editora Xamã em 1996.

No último sábado, o presidente se antecipou à data e comemorou seu aniversário, no Palácio da Alvorada, em Brasília, na companhia de parentes, amigos e sindicalistas.

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Dilma rebate críticas

segunda-feira, outubro 26th, 2009

A petista, que há algumas semanas iniciou uma maratona de viagens ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparou-se a uma dona de casa para devolver as críticas. “É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?”, indagou.

Em um sinal de que trabalha para se aproximar do eleitorado tradicional de Lula, Dilma esteve ontem em São Paulo para um colóquio do PT com movimentos sociais.

Questionada pelos jornalistas, a ministra destacou que coordena vários projetos do governo e que não vê sentido na tese de que não deveria rodar o País para as inaugurações. “Eu não caí do céu e apareci na Casa Civil. Estou lá desde julho de 2005″, continuou.
Dilma evitou mais uma vez se colocar abertamente como candidata. Não se aprofundou, por exemplo, ao comentar a tese de que teria se decidido a permanecer no cargo até o final do prazo legal.

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