Posts para a tag ‘drogas’

PF prende 25 por tráfico e sequestros

quinta-feira, novembro 26th, 2009

SÃO PAULO – A Polícia Federal (PF) da Bahia finalizou ontem a Operação Arakem II, com um total de 25 presos acusados de tráfico de drogas e de planejar sequestros e assaltos a banco. De acordo com a PF, a investigação tinha o objetivo de identificar e prender uma quadrilha liderada pelo traficante conhecido como Nando. Ele comandava, segundo a corporação, um grande número de criminosos e é considerado um dos maiores traficantes do Estado, atuando em diversos bairros de Salvador. A quadrilha também seria responsável por assassinar traficantes rivais para ocupar áreas de venda de drogas.

Durante os sete meses de investigação, foram apreendidos 18 quilos de cocaína e 50 de maconha, aproximadamente R$ 53 mil, seis armas de fogo, três coletes balísticos, sete veículos e uma grande quantidade de explosivo. Os integrantes da organização criminosa tinham funções especificas. A PF afirma que a esposa de Nando era responsável por arrecadar o dinheiro proveniente da venda de drogas e possuía imóveis em seu nome, todos comprados com o verba do tráfico e utilizados para “lavagem” de dinheiro, por meio de alugueis.

Durante as investigações, também foi preso em flagrante um grupo de assaltantes e sequestradores que planejava sequestrar um empresário na cidade de Ibitiara, no interior do Estado. Os integrantes do informaram à PF que pretendiam também roubar uma agência da cidade de Seabra.

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Palestra sobre drogas em Maceió

quarta-feira, novembro 18th, 2009

O evento é uma continuação do Projeto Guerreiros no Combate às Drogas que desta vez formará cerca de 40 jovens universitários a fim de se tornarem voluntários nas ações do fórum.

Dependência química tem cura e é considerada uma doença crônica pelos especialistas. E para explicar tudo sobre este assunto, o Fórum de Combate às Drogas de Alagoas traz o conceituado dr. Sérgio Castilho para ministrar a palestra Intervenção Orientada. A apresentação do médico pós-graduado em Dependência Química, será nesta quarta-feira (18), às 19h, no auditório João Sampaio, do Cesmac, localizado na rua Cônego Machado.

O evento é uma continuação do Projeto Guerreiros no Combate às Drogas que desta vez formará cerca de 40 jovens universitários a fim de se tornarem voluntários nas ações do fórum. Eles participarão com afinco do evento para que depois se tornem multiplicadores do tema em favelas, comunidades carentes, escolas públicas, particulares e em faculdades do Estado.

De acordo com a presidente do fórum, intitulado Quem se Informa Não se Droga, Noélia Costa, o dr. Castilho vai apresentar a todos os participantes como realizar um trabalho preventivo no tocante às drogas, bem como, sair desse vício que atinge jovens, adultos e a família no modo geral.

“Hoje estamos numa epidemia silenciosa das drogas, por isso, precisamos informar, orientar e educar todos os nossos jovens. No encontro vamos apresentar a todos o porquê as drogas fazem mal e quais as causas que ela provoca no usuário”, revelou Noélia, que para a realização deste projeto conta com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

A intensão da presidente é formar 300 jovens guerreiros para repassarem durante o ano de 2010 todas as formas de prevenção às drogas. Atualmente, o grupo formou 80 universitários de diversos cursos de faculdades de Maceió que abraçaram a causa. “Escolhemos esse público para pegar um pouco da linguagem deles e aprender como lidar com os outros jovens da mesma idade”, frisou.

Sobre Castilho — O renomado especialista dr. Sérgio Castilho possui uma das maiores clinicas de tratamento químico de São Paulo, a Grand House. Lá, ele trata viciados em maconha, cocaína, craque e todas as outras drogas licítas. Diariamente ele atende mais de quinze pessoas e um tratamento com ele custa em média R$ 10 mil.

Se você se interessou e quer previnir os seus amigos ou familiares do acesso às drogas e, até, aprender como conviver com um dependente químico, garanta a sua entrada. Para assistir à palestra do dr. Castilho em Maceió, basta pagar R$ 10 e entregar 1kg de alimento não perecível na entrada do evento.

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Drogas: vício começa com 7 anos

segunda-feira, novembro 16th, 2009

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Secretaria de Saúde de São Paulo aponta que 40% dos jovens atendidos pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) começaram a usar drogas entre 7 e 11 anos. A primeira substância consumida por 57% deles foi o cigarro. Maconha e álcool também aparecem no topo da lista, sendo consumidos por 51% e 38% dos jovens, respectivamente.

Depois vem os inalantes, com 18%, a cocaína, com 17% e, por último, o crack, com 10%.

Segundo o autor da pesquisa e coordenador do Programa de Adolescentes do Cratod, o psicólogo Wagner Abril Souto, nota-se que os jovens optam primeiramente pelas drogas consideradas lícitas, como cigarro e álcool, que embora sejam proibidas para menores de 18 anos, são de fácil acesso na sociedade.

“Normalmente, o primeiro contato acaba ocorrendo dentro da própria casa, por meio de familiares ou amigos próximos. Muitas vezes, os jovens em recuperação têm outras pessoas da família também em tratamento de combate à dependência”, afirma Souto.

O levantamento, realizado entre 2007 e 2009, foi feito com 112 dependentes de 12 a 18 anos do centro. Ele mostra ainda que um terço das crianças de 11 anos disse estar fora de escola e 91% dos alunos do último ano no ensino médio apresentam defasagem escolar.

“Quanto mais cedo os jovens passam a consumir drogas, maiores as chances de adquirirem dependência química. A falta de interesse na escola, o absenteísmo e os comportamentos disfuncionais, como agressividade e isolamento, são inerentes ao envolvimento com essas substâncias”, analisou o psicólogo.

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97% dos moradores de rua usam drogas

segunda-feira, novembro 9th, 2009

Uma pesquisa feita pela Prefeitura de Maceió, a pedido do MP (Ministério Público Estadual) e da vice-governadoria, traçou um perfil dos moradores de rua da capital alagoana. Entre os 51 itens dos questionários, o resultado de um deles chama a atenção: 97% dos entrevistados revelaram que consomem algum tipo de droga.

O levantamento, realizado no mês de setembro, teve como base 66 pessoas que vivem nas ruas centrais da cidade. Segundo os dados coletados, a situação mais preocupante é quanto ao uso do crack, que já supera o consumo de álcool e cola de sapateiro.

Dos entrevistados, 22% revelaram que consumem algum tipo de droga mais de 20 vezes por mês. A maior fonte financiadora para a compra das drogas é a esmola dada pelas pessoas nas ruas.

O resultado da pesquisa foi recebido com surpresa e preocupação pelo MP, que já convocou uma reunião para a próxima quarta-feira (11). O objetivo é apresentar os dados a diversos secretários do Estado e de municípios.

Segundo o promotor da área de direitos humanos do MP, Flavio Gomes, o uso de drogas por moradores de rua é apenas um reflexo das péssimas condições de vida dessas pessoas. “Para mudar essa situação é preciso a intervenção em conjunto de todos. São necessárias as secretarias de Saúde, para tratar das DSTs [doenças sexualmente transmissíveis], dos problemas psicológicos; de Assistência Social do Estado, para ‘devolver’ as pessoas que são de outras cidades; de Educação, para mandar as crianças para escola; do Instituto de Identificação, para tirar os documentos deles; dos conselhos tutelares e até da Defesa Social. Todos vão participar dessa reunião na quarta para que cada uma contribua com sua parte”, afirmou.

Para o promotor, as drogas se tornaram um problema social grave e a questão deve ser colocada como prioridade na lista de ações do poder público. “A pesquisa aponta para uma situação de risco, que necessita de uma intervenção urgente do poder público, com ações eficientes, para amenizar o sofrimento de vidas”, alegou Gomes.

Embora o levantamento inclua apenas moradores de rua, o promotor assegura que o consumo do crack se tornou um problema grave entre os adolescentes das classes média e alta de Maceió. “A droga tomou conta de tudo e ela é responsável pela explosão da criminalidade. Hoje, 90% das prisões são de pessoas envolvidas com as drogas”, disse.

Esmola financia drogas, diz coordenador

O coordenador do levantamento e do Projeto Guardião da Cidadania, da Secretaria Municipal de Assistência Social, Carlos César Alves, afirma que o resultado retrata o preocupante avanço das drogas entre os mais pobres. “Ouvimos todos os que não têm para onde ir e moram de verdade nas ruas do centro, que é área que apresenta os maiores problemas nesse sentido. São índices preocupantes e que precisam ser reduzidos”, afirmou.

Para ele, o ponto mais significativo da pesquisa é a relação direta entre a esmola e o financiamento do tráfico. “O dinheiro que você dá não vira comida, e sim fomenta o consumo e o tráfico de drogas. Por isso vamos fazer uma campanha para que as pessoas reflitam sobre isso e não deem esmolas”, informou.

Segundo a pesquisa, 45% dos moradores de rua têm na esmola a única fonte de renda, enquanto 12% ganham a vida como flanelinha e também sobrevivem da “boa vontade” das contribuições voluntárias.

Alves aponta que os problemas familiares respondem por quase metade dos motivos que levam as pessoas a abandonarem suas casas e morarem nas ruas. “Há uma desestruturação muito grande das famílias. Muitos dos entrevistados disseram que saíram de casa por desentendimentos com pais, divórcios e às vezes são expulsos pelo próprio consumo de drogas”, disse o coordenador.

O representante municipal também alegou que a prefeitura já começou a agir para amenizar a situação. “Quarta-feira foi lançado o programa ‘Fique de boa’, onde levaremos vários órgãos até a praça Deodoro [uma das principais do centro] uma vez por semana para atendermos às necessidades dessas pessoas. Onze moradores de rua, sendo quatro crianças, já foram encaminhadas para tratamento contra as drogas”, informou.

Outros dados

Além de revelar o consumo de drogas, o levantamento aponta para outras características do perfil dos moradores de rua. Um em cada quatro alega que não consegue se alimentar todos os dias. No quesito ganhos semanais, 54% afirmaram que conseguem arrecadar apenas até R$ 50.

Outros 33% dos moradores de rua falam que já foram impedidos de entrar em estabelecimentos comerciais, enquanto 31% afirmam que foram barrados de entrar em ônibus urbanos. “Essa também é uma vertente preconceituosa. É preciso que a prefeitura instale banheiros públicos para atender essas pessoas”, afirmou o promotor Flavio Gomes.

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Polícia tenta evitar guerra do tráfico

sexta-feira, novembro 6th, 2009

Rio – Cerca de 80 agentes da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil realizaram uma operação na favela de Acari, Zona Norte do Rio, nesta sexta-feira. Um homem que estava armado foi baleado e morto ao dar entrada no hospital Carlos Chagas. Quatro pessoas foram presas.

De acordo com a Polícia Civil, o objetivo da operação era evitar uma guerra entre traficantes de Acari e do Morro da Pedreira, em Costa Barros. Na chegada da polícia, por volta das 6h, houve troca de tiros, assustando moradores, que chegaram a deitar no chão para se proteger das balas. Todas as escolas municipais da região ficaram fechadas, assim como as creches Zilka Salaberry e Edna Lott, onde estudam 296 crianças.

Entre os presos está Diego Peixoto, de 22 anos, o ‘DG’, informante do tráfico. Ele foi capturado em um local conhecido como Ponte Verde e estava com um rádio passando informações sobre a movimentação da polícia para os bandidos que estavam escondidos dentro da comunidade.

Os policiais apreenderam dois fuzis, três granadas, três rádios de comunicação, um botijão de gás cortado ao meio – usado pelos traficantes para esconder munição -, três quilos de maconha e igual número de tabletes da droga, farda e colete semelhantes ao do Exército, três pistolas, uma luneta, uma máquina de contar dinheiro, além de duas submetralhadoras calibre 9mm – uma de fabricação alemã (HK) e outra feita na cidade argentina de Rosário. A operação contou com o apoio de dois helicópteros e igual número de carros blindados.

Polícia apreende fuzil calibre .30 na Pedreira

Na quinta-feira, a polícia esteve nas comunidades da Pedreira e Lagartixa, em Costa Barros. Cerca de 50 agentes da Dcod da Core trocaram tiros com traficantes e apreenderam um fuzil calibre .30, com a palavra Bufalo – os policiais acreditam que este possa ser o apelido do chefe do tráfico na Pedreira. Um suspeito foi detido para averigação.

Ninguém ficou ferido. A Secretaria Municipal de Educação informou que, por medida de segurança, cinco escolas e quatro creches não funcionaram. Cerca de 4 mil alunos ficaram sem aulas.

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PF faz operação em três Estados

sexta-feira, novembro 6th, 2009

A PF (Polícia Federal) realiza nesta sexta-feira uma operação para combater o tráfico internacional de drogas nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e em São Paulo. No total, devem ser cumpridos 29 mandados de prisão temporária. Até as 10h não havia informações de detidos.

Segundo informações da PF, as investigações que culminaram na operção São Cristovão tiveram início em 2008, após a apreensão de mais de 230 kg de cocaína, em sete episódios diferentes. Na ocasião, a polícia identificou um empresário de Cuiabá como o líder da quadrilha.

A polícia destaca que a quadrilha ainda praticava receptação de veículos roubados e os encaminhava para a Bolívia. Também devem ser cumpridos 35 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de condução coercitiva (onde a pessoa é detida para prestar depoimento).

A polícia investiga a possível participação de servidores públicos nas ações da quadrilha através da liberação de veículos apreendidos por suspeita de adulteração. Em sua maior parte os veículos eram adquiridos em São Paulo e Curitiba e encaminhados para a Bolívia após a adulteração de documentos.

Os presos serão indiciados por tráfico internacional de entorpecentes, associação para o tráfico e receptação de veículos.

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Favela é mais segura do que Copacabana

quinta-feira, outubro 29th, 2009

Rosanne D’Agostino
Enviada especial do UOL Notícias

No Rio de Janeiro “Era de verdade mesmo, mas não se assuste”, diz, sorrindo, o ex-chefe do tráfico Washington Rimas, o Feijão, sobre o fuzil carregado no peito por um adolescente na entrada da favela de Vigário Geral, dominada pela facção a que pertencia, o Terceiro Comando, na zona norte do Rio de Janeiro. “Aqui, se mata e se morre muito, mas é o lugar mais seguro que existe.”

Feijão é mediador de conflitos do grupo AfroReggae, como o colega que trabalhava na favela vizinha, Parada de Lucas, Evandro João da Silva, morto bem longe dali, após um assalto no centro do Rio. O crime aconteceu por volta da 1h de 18 de outubro. Câmeras de circuito interno flagraram a liberação dos dois assaltantes por dois policiais militares, que não prestaram socorro. “Se fosse aqui em Vigário, Parada, ele poderia andar até as 4h, 5h, que dificilmente aconteceria alguma coisa”, afirma.

O descaso tem dois lados

Já na esquina entre as ruas do Carmo e do Ouvidor, onde Evandro foi encontrado ainda com vida pelo amigo José Junior, do AfroReggae, não se ouve o mesmo. A Polícia Militar diz que há patrulhamento, motorizado, a pé, e por meio de um trailer baseado na Candelária, mas, no local, a população se queixa da falta de segurança.

“Aqui é perigoso diariamente, não dá para falar ao telefone, descuidar da bolsa, não tem policiamento. Depois das 20h, fica tudo deserto, e mesmo de sábado e domingo, nem durante o dia é bom andar não”, diz a filha do dono da banca de jornal. “Teve um dia que PMs assaltaram uma loja e levaram os eletrodomésticos durante a noite. Ninguém teria visto não fosse um mendigo, que fez a denúncia”, conta o taxista Antonio.

Sobre as ruas estreitas do centro, números do ISP (Instituto de Segurança Pública) do Rio demonstram como não é seguro andar por ali. No 1º semestre deste ano, em comparação com 2008, aumentaram os registros de roubos a transeuntes (36%), lesão corporal dolosa (13%), tentativas de homicídio (162%) e de homicídios (39%).

Em comparação com a região que compreende Vigário, Parada de Lucas e outras favelas violentas, como as do Complexo do Alemão, o número de ocorrências é 60% menor em média. Lá, no entanto, quase todos os crimes diminuíram no mesmo período, exceto a lesão corporal dolosa (10%), homicídios (14%) e tentativas (85%) que, ainda assim, cresceram em escalas menores.

Em comparação populacional, a região central cujas estatísticas são levantadas pelo ISP também possui uma concentração menor – cerca de 20,3 mil habitantes contra mais de 480 mil moradores na área periférica.

“É uma ironia. O Evandro foi criado dentro da favela, e a violência pega ele onde as pessoas se sentem mais seguras”, diz o presidente do AfroReggae, Altair Martins. “Na favela está mais seguro do que em Copacabana”, complementa Feijão.

Sob o comando do tráfico

Vigário não tem policiamento, mas é difícil entrar ali sem ser percebido. Há três possíveis acessos, vigiados pelos chamados “falcões”, sentinelas do tráfico que, com fuzis e rádios comunicadores, estão incumbidos de proteger o negócio. Feijão, que alerta para não tirar fotos de nada, já teve os seus. Era o “cara de confiança” do chefe do tráfico de Acari aos 12 anos. Oito anos depois, virou chefe da favela.

Chegou a ser preso, tem marcas de bala pelo corpo. Só largou o crime com o nascimento do primeiro filho. “Quando se é moleque na favela, a gente fica seduzido por aquilo, tênis, roupa de marca, e os chefes do tráfico tinham isso tudo. Eram meus ídolos. Mas nenhum bandido quer ver seu filho no crime, e eu percebi que aquilo era uma prisão. Não morri por sorte.”

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Tráfico usa igreja em conflitos no Rio

segunda-feira, outubro 26th, 2009

ELVIRA LOBATO
da Folha de S.Paulo, no Rio

O Santuário de Nossa Senhora da Penha, destino de romeiros de todo o país e um dos cartões-postais do Rio, foi usado por traficantes para monitorar a movimentação dos policiais durante os conflitos da semana passada em favelas vizinhas, que deixaram um morador morto e cinco feridos.

A invasão foi confirmada ontem pelo arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, que participou de procissão e rezou missa campal pelo 374º aniversário do santuário. Na cerimônia, ele pediu paz para a cidade.

Segundo o arcebispo, as incursões de traficantes nas torres da igreja são frequentes e fazem “parte da guerra urbana” no Rio. “A igreja não está isenta disso.” Ele disse não saber se os bandidos estavam armados quando entraram na igreja e lembrou que as casas de moradores também são invadidas. Afirmou que as autoridades têm conhecimento do fato.

Construída no topo de um penhasco, a igreja se destaca na paisagem da zona norte. É cercada por nove favelas, todas com presença de traficantes do Comando Vermelho (CV), entre elas a Vila Cruzeiro, que viveu dias tensos: a polícia fez incursões na quarta e na sexta.

Durante as ações, surgiu a informação de que bandidos invadiram as torres da igreja, mas a Cúria Metropolitana não tinha se manifestado antes.

O reitor do santuário, Serafim Fernandes, disse que a igreja tem bom relacionamento com os moradores vizinhos: a maior parte dos empregados é escolhida nas comunidades; o Colégio Nossa Senhora da Penha dá 150 bolsas de estudos aos jovens; e cestas básicas são distribuídas aos mais pobres.

Paz

O tema do 374º aniversário do santuário foi a paz –escolhido antes dos conflitos recentes, segundo o reitor.
A escadaria de 382 degraus foi enfeitada com bandeiras brancas com corações e a palavra paz. Na rota da procissão, moradores enfeitaram fachadas e muros com colchas, toalhas, flores, balões e cartazes pela paz.

O comerciário Sebastião Melo colocou uma imagem da santa sobre uma mesa enfeitada na frente de sua casa. “Vivemos com medo. Na semana passada, minha rua parecia uma praça guerra”, disse ele.

Outra moradora mostrou dois cartuchos de balas que recolheu em sua varanda. Moradores e ambulantes avaliaram que a violência reduziu o total de fiéis nos festejos deste ano.

Antes de o arcebispo confirmar a invasão, o vice-presidente da Associação dos Moradores de Merindiba, Jorge Ribeiro, negou o fato e disse que os traficantes respeitam a igreja.

Os atuais confrontos entre PM e traficantes no Rio começaram após a derrubada de um helicóptero policial durante invasão do CV ao morro dos Macacos (zona norte), há nove dias. Até ontem, o balanço era de 42 mortos, dos quais três policiais que estavam no helicópteros e 35 supostos traficantes.

Ontem, foi preso Fábio Gonçalves dos Santos, 27, o Binho da Matriz, acusado de ser um dos chefes da invasão do morro dos Macacos.

No sábado à noite, um jovem menor de idade morreu após tiroteio com PMs em São João de Meriti (Baixada Fluminense). Dois outros foram presos com armas e drogas, mas não estava confirmado o envolvimento dos três no conflito do dia 17.

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