
Redação
Foto: Igor Costa
Sábado, à s 15h, acontecerá o Concurso de Fantasia da Miss Paripueira e Orquestra de Frevo “É de perder os sapatosâ€, sob a batuta do maestro Miguel Gomes. A entrada gratuita. A realização é da Casa da Cultura de Paripueira (Abevila).
“Carnaval é isso, e Paripueira sempre teve essa caracterÃstica de ser um carnaval de paz e de muita brincadeira… estamos trazendo isso de volta para que a população e o turista tenham uma opção de carnaval mais alegre e culturalâ€, explica Juan Maurer, um dos organizadores do concurso, que é uma iniciativa do Ponto de Cultura Casa da Cultura de Paripueira (ABEVILA) com o objetivo de homenagear e resgatar a memória de Ambrosina Maria da Conceição, a Miss Paripueira, além de trazer de volta o bom humor e brincadeira ao carnaval da cidade. Falecida em 1998, sua imagem é uma referência para o concurso com todo seu despojamento e com acessórios e alegorias tÃpicos dela.
Segundo Juan Maurer, um dos organizadores do Concurso: “Temos recebido diversos telefonemas e e-mails nos parabenizando pela iniciativa do concurso e com várias histórias da Miss. O carinho com que as pessoas falam dela é impressionante… acho que faremos um grande carnaval e um concurso melhor ainda”, disse. Foram convidadas cinco pessoas conhecedoras da história da Miss Paripueira e da cidade para fazerem parte da júri do concurso.
O concurso acontecerá no sábado, dia 13 de fevereiro, no Paripueira Praia Clube, às 15h, na abertura do carnaval 2010 e a entrada é gratuita e ainda será seguido por um grande baile carnavalesco com orquestra de frevo.
Miss Paripueira: de beata a sÃmbolo de uma originalidade infinita
O Acervo do pesquisador Valter Lima, traz algumas histórias contadas pelo Professor da UFAL, Luciano
Padilha:
Nesse cenário de filme de sessão da tarde vivia uma personagem psicodélica “Ambrosina Maria da Conceiçãoâ€. Ela fazia-se de beata e percorria as ruas do povoado, sobretudo nas praias aos domingos e feriados, conduzia uma bandeja de flores, onde repousava uma imagem de uma santa. Pedia espórtulas para a infindável “novena†que realizava em sua casa, em louvor à santa. Para justificar o pedido das espórtulas e promover a realização da “novena†ela enfeitava o frontispÃcio de sua modesta casa com bandeirolas de papel de seda.
Por onde a beata passava os meninos gritavam: sabiá, sabiá! Então ela enfurecida, reagia com violência procurava atingir os meninos com uma sombrinha, esquecia da santa, que muitas vezes caia da bandeja. Um domingo de carnaval quando ela estava na praia pedindo espórtulas, várias jovens inospitamente perguntaram se ela não queria ser miss. Ela ficou satisfeita com a proposta e respondeu afirmativamente, imediatamente as jovens improvisaram uma fantasia com a faixa de Miss Paripueira e uma coroa, a colocaram em um jipe sem capota que seguia o caminhão da orquestra. Foi aclamada miss durante todo o percurso do corso. E daà por diante, deixou de ser beata e passou a ser Miss Paripueira.
Como entendeu que seria muito assediada pelos seus “admiradoresâ€, dada à condição de Miss, passou a proteger sua virgindade (?) usando várias peças Ãntimas que se sobrepunham. Apaixonou-se por uma personagem de uma novela Antônio Maria, o qual esperou para casar até o último dia de sua vida. A Miss Paripueira foi eternizada num filme do cineasta alagoano José Márcio Vieira Passos: “Meu Nome É Miss Paripueira†(1978), exibido no IV Festival de Cinema Brasileiro de Penedo. Hoje todos que conheceram a Miss Paripueira abrem um sorriso quando seu nome é lembrado.
A sedução da Miss Paripueira estava nas suas criações ousadas: peruca, longo, bolsa, brincos, colares e sempre óculos escuros enormes. Era um desfile do guarda-roupa que acumulava ao longo do tempo, doado por veranistas alagoanas “chiquesâ€, seus modelitos não eram repetidos, sua originalidade era infinita. Uma estética “naif-fashionâ€, encantava pela extravagância.