Já é Natal?
Ainda é verdade que com carinho e boa vontade muita coisa pode ser evitada e/ou resolvida, porém embora estejamos nos preparando para o Natal, parece-me que não entendemos muito bem o que isso significa. Estamos tão preocupados com roupas, presentes, reveillon que esquecemos que preparar-se para o Natal pode simplesmente querer dizer abrir-se para receber simbolicamente Jesus, o que vai além de coisas materiais. Complicou? Talvez, pois somos ótimos tecnicamente, mas quando se fala em espiritualizar, aiai quanta dificuldade!!! Não fomos ensinados que somos divinos por sermos filhos do Divino, mas fomos estimulados a prosperar financeiramente, e isso é maravilhoso, mas não é tudo! Quantas pessoas vocês conhecem que estão bem financeiramente e estão infelizes? Por favor, não estou dizendo que não ter é garantia de ficar bem, não é isso, porque é bom ter, é bom prosperar, mas dinheiro não proporciona amor, embora favoreça encontros. Dinheiro não proporciona amigos, embora favoreça novos conhecimentos que podem ou não evoluir para uma verdadeira amizade. Enfim, dinheiro é um instrumento que pode facilitar ou não, vai depender de quem o utilize. Há aqueles que usam o dinheiro para comprar consciências frágeis, já outros o utilizam para educar consciências. O que estou querendo dizer é que comprar presentes e comer (como se fosse morrer no dia seguinte) não significa preparar-se para o Natal. Entendo que preparar-se para o Natal é mais ou menos o seguinte: retroceder, revisitar o ano e se perguntar: Fui o melhor que pude? Fiz tudo o que sou capaz de fazer? Ou foi mais um ano em que preparei listas intermináveis para esquecer num canto qualquer? Em outras palavras: Qual foi a minha ligação com Jesus? Ele foi o meu modelo? Ou quiçá, eu quis segui-lO?
É Difícil? Também acho desafiador seguir Jesus, essa história de perdoar 70 vezes 7 quando é muito mais fácil não perdoar e ter um câncer? Como assim amar o próximo como a si mesmo, se nem me amo ainda, pois ainda confundo estética com amor? Como amar o outro, se a estima anda em baixa? Como amar se confundo o marido, a esposa com o pai, a mãe? E quero que o marido, a esposa me oferte o que o pai, a mãe não pôde, não soube ou não quis me ofertar? É desafiador seguir o Filho do Homem que há 2011 anos já sabia fazer coisas que até hoje não aprendemos!
Vivemos a síndrome do pavio curto, do comigo é assim, quem quiser que me aceite como sou e por aí vai as nossas mazelas! Queremos o sétimo céu, mas nada fazemos ou fizemos para merecê-lo. Somos ainda crianças rebeldes, exigindo o que não estamos preparados para receber.
Afinal quem somos? E o que realmente merecemos?
Então para que possamos refletir nesse corre-corre Natalino deixo para todos um dito de Jesus que está em Mt 9:13 “Misericórdia quero e não oferenda”, mas se seu coração já é misericordioso, nada mais bonito o movimento de doar àqueles que precisam mais que você uma cesta básica, uma roupa, um cobertor que ainda não podem comprar.
Meus queridos todo dia é Natal, pois todos os dias somos divinos e filhos do Divino, todos os dias é dia de honrar o “amor não amado”. Que possamos refletir o caminho que faz o nosso coração.
Agradeço a caminhada que fizemos juntos em 2011, desejo que o Natal seja do aniversariante e que 2012 sejamos reflexos Dele.
Com carinho,
Sandra Miranda
Solidão
Segundo o Aurélio, solidão é o “um substantivo feminino”, que indica o “estado de quem se acha ou vive só.” Mas parece-me que solidão não significa apenas falta de companhia, posto que vivemos instantes em que estamos a sós no coletivo. Quando a solidão está sob nosso controle a experiência é desejável, mas quando nos é imposta pelo que chamamos falta de sorte ou destino, quanta angústia pode causar.
Porém para quem a vivencia, solidão, também quer dizer crescimento.
Tenho observado a solidão. Falam-me desta companheira junto à família, no trabalho, no casamento, no grupo religioso, na multidão, consigo mesmo. As pessoas vivem a dor de sentirem-se abandonadas entre os seus iguais, e perguntam: como isso aconteceu? Percebem que estão mais ligadas ao vídeo, ao rádio que aos semelhantes. É o corre-corre do cotidiano que impede que se façam vínculos, dizem alguns, tenho minhas dúvidas, já que há tempo para seriados, novelas…
Parece-me que o afastamento entre as pessoas relaciona-se com o olhar para si mesmo. O ser com o qual me relaciono vê em mim e me mostra o que não gosto e não quero, e para não ter que refletir me afasto porque afinal mudar, crescer, é uma tarefa que nos parece gigantesca!
Queremos ser aprovados, atendidos, amados, mas fazermos o caminho do merecimento parece que não nos cabe, o outro que seja sensível, tolerante, paciente, benevolente para com minhas imperfeições. Quando somos machucados formulamos teorias para mostrar que é responsabilidade de alguém prestar atenção em nós. Queremos ser reconhecidos pelo valor que ainda não conquistamos e só a solidão poderia nos iludir que somos tão bons como idealizamos.
Mas mesmo no isolamento a consciência nos assinala que um e outro fazem comentários acertados, justos ao nosso respeito embora não gostemos de ouvir.
Com isso percebemos que solidão pode ser um mecanismo de fuga, mas também um instrumento de crescimento. A solidão que nos é imposta é uma lição que aprendemos a duras penas, é um querer além do nosso (do outro ou da vida), mas o abandono que nos impomos este pode ser entendido, avaliado e transmutado. Podemos transmutar em nós o que não queremos, ao invés de fugir.
A Solidão fala de nós e pode funcionar como um autoencontro recompensador e transformar imposição em escolha.
Que tipo de solidão você está vivendo?
Com muito carinho
Sobre bons pensamentos
O que você valoriza no seu dia-a-dia? Onde você coloca a sua atenção? Qual o rumo de seus pensamentos?
Você tem reparado e agradecido a beleza que a vida possibilita? Contempla as estrelas? Ou acha que isso é bobagem? Coisa de quem não tem o que fazer?
Então vamos mudar um pouco a lente?
Somos uma fábrica produtora de neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelos neurônios) relacionados aos transtornos de humor (ou afetivos) que quando produzidos abaixo do necessário acarretam mau humor, cansaço físico e mental, stress, depressão… O que estou querendo dizer é que o nosso relacionamento afável, carinhoso, com a vida, pessoas, natureza estimula a produção de neurotransmissores que favorecem o nosso bem estar. Os mais importantes são a serotonina, a dopamina e noradrenalina.
Podemos criar, quero dizer, temos o poder de construir uma atmosfera saudável ou não, agradável ou não no nosso cotidiano. Portanto é muito importante termos em mente que nosso nível de pensamento produz ou não neurotransmissores que podem mudar para melhor ou pior o nosso dia! A verdade é que um sorriso faz bem! Um abraço (hummmm) que coisa boa!!!
Tornar a vida mais fácil, mais bonita é pensar melhor e pensar melhor é sentir melhor, e quando unimos pensamento e sentimento, sem dúvida teremos melhores ações.
Invariavelmente escuto das pessoas que elas querem um mundo melhor, mas raramente as ouço falar na própria responsabilidade quanto à criação deste mundo, como se o mundo pertencesse apenas aos outros. É uma concepção de que lá fora se faz necessário uma reforma urgente, e cá dentro de nosso coração continuamos querendo mais, exigindo mais dos outros e continuamos os mesmos (como nossos pais???).
É claro que se a pessoa já está depressiva, ansiosa precisa procurar o médico, mas também já está provado que a forma de se conduzir mentalmente faz toda a diferença!
Passei para desejar um dia com ótimos pensamentos e calorosos abraços!
Com muito carinho,
Vítimas ou Vilões?
Confundimos o Criador com o gênio da lâmpada, eternos pidões, queremos isso e aquilo e mais isso, para sentirmo-nos felizes, como se fosse possível a completude vir de fora. Quiçá pudéssemos entrar no supermercado e comprar meio kg de serenidade, 1 dúzia de paciência, 1 litro de compaixão, 200 gramas de respeito a terra…
Escuto vez por outra, pessoas dizerem que quando tiverem… Quando conseguirem… Quando puderem… E pasmem, quando tudo que planejaram acontece, continuam as mesmas! Buscando outras coisas para responsabilizarem como criadoras de sua infelicidade. Afinal somos vítimas ou vilões? A vida passa sem nos darmos conta da beleza que nos cerca. Queremos mais e mais, sem realmente honrar o que já temos. Quanta contradição para tão pouco tempo de desfrute.
Estamos sempre ansiando. Mas, raramente ouço dizer: eu quero ser melhor como pessoa, quero ser útil, participante, proativo.
Nossa “distração” tem pressa para aproveitar. Estamos destruindo o habitat e queremos mais conforto, mais beleza,mais… Mas como? Se até aqui o que melhor fazemos é demolir?? Somos belicosos, aprendemos com nossos ancestrais a guerrear e depois de tanto tempo de perdas, nem de longe pensamos em atualizar a lição. Bem que disse Belchior: “ainda somos os mesmos…”
Mas, por favor, me desculpem, hoje quero apenas desabafar a contradição de querer tanto sem nada fazer para conquistar o que se pede. Alguém tem idéia do que estamos esperando para virarmos a página?
Não queremos sair do nosso mundinho, o outro é que saia do dele para nos dar passagem, ai ai, parecemos as mesmas crianças a reclamar aos pais da traquinagem do irmão! Batemos o pé por não sermos ouvidos, mas quem disse que escutamos alguém?
Quer o mundo melhor? Faça! Se não quer fazer, por favor, não atrapalhe o trabalho de quem faz! Se achar que o que está fazendo ainda não é o suficiente, ótimo! Continue! Quem sabe seu exemplo não sensibiliza alguém que faz melhor e o motiva a novos aprendizados?
Quando damos permissão para que o melhor aconteça na nossa vida , acontece!
Com carinho,
Sandra Miranda
Psicologando sobre a raiva
A vida ofereceu-me uma amiga-irmã, dessas pessoas raras que aparecem na nossa vida. Por esses dias, ela enviou- me um e-mail perguntando como trabalhar a raiva e divido com vocês o que fiquei pensando…
O que se pode dizer sobre a raiva como auxilio para não desenvolvê-la?
Sabemos que sentir raiva amplia a possibilidade de riscos de saúde, pois o que sentimos reflete-se no físico, tanto para emoções positivas como para as negativas. O que direciona o sentir é o pensamento. Então por que a raiva surge? Por que permitimos que uma emoção destrutiva conduza-nos?
Bem, ficamos com raiva quando somos contrariados; quando o outro não faz conforme estamos dizendo ou querendo; ou ainda quando somos descobertos em nossa imperfeição, ou seja, quando erramos.
Recorde um momento em que sentiu raiva. Lembrou? Agora analise o que disse e o que fez. Como se portou na ocasião? Foi paciente? Foi sensível? Foi gentil? Manteve a calma? Gostaria de ser seu próprio companheiro quando fica colérico? É apenas uma provocação, na verdade quando nos deixamos domar pela raiva, fazemos coisas das quais podemos nos arrepender, perdemos o controle, ferimos verbalmente ou fisicamente. Dentro de nós vamos construindo um galpão no qual começamos a depositar negatividade, não gostamos de pensar nisso porque nos envergonharmos, então ocultamos, escondemos, mas a cada reação negativa, aumentamos o patrimônio de impaciência, irritação, intolerância…
Agora a pergunta que não quer calar: É bom liberarmos a raiva que sentimos?
Alguns terapeutas estimulam seus clientes a liberar a raiva e reviver as que estão no passado. Mas, se levarmos em conta que na raiva, o organismo libera uma sobrecarga de adrenalina no sangue, aumentando o número de batimentos cardíacos ao mesmo tempo em que estreita os vasos sanguíneos, aumentando a pressão arterial… E se juntarmos a isso, informações médicas de que a raiva pode ocasionar desde uma alergia até um ataque cardíaco fulminante, não me parece muito indicado ficarmos liberando a raiva, até porque poderemos encontrar um mais raivoso que nós mesmos! Lembrando que o processo ocorre com quem sente a raiva, independente de expressá-la ou não.
Então o que fazer?
Entender o que ocorre conosco, ou seja, conhecer-nos.
Não liberar a raiva, não quer dizer que se deva reprimi-la, porém conhecê-la, esmiuçá-la. Manter a raiva, é andar com uma bomba-relógio, não há como manter-se tranqüilo. Conscientizando-nos das razões que nos impele a raiva, poderemos olhar de frente o que nos fere e fazer uma escolha consciente para não nos deixar aprisionar pela mesma.
Isso quer dizer que vamos deixar de ter raiva? Não creio, pois que ainda somos “osos”… melindrosos, orgulhosos, vaidosos e outros… Mas podemos aprender a identificar o nosso ponto frágil para melhor e quando o outro o assinalar dizermos: é mesmo, errei, desculpa, estou trabalhando nisso… E aceitar que falharemos vezes sem conta, assim como o outro também falhará!
Então o que podemos fazer quando ficamos com raiva?
Quem respondeu: treinar a paciência acertou! É isso mesmo!!!
Enquanto enraivecidos, não pensamos com clareza e isto dificulta mais ainda a situação. Se o outro diz algo que não gostamos, geralmente deixamos de ouvir o que está sendo dito porque nos desagrada. Diluir a raiva é um processo a perder de vida. Não ache que a raiva que foi treinada durante 20, 30, 40 ou mais anos, vá arrumar as malas já! porque você entendeu as razões. Via de regra, demoramos para substituir maus hábitos por bons hábitos.
Além de trabalharmos a paciência com o outro, precisamos ser paciente conosco, pois no aprendizado da paciência (como em qualquer outro aprendizado) teremos recaídas e neste caso ficaremos com raiva de nós mesmos… Se não prestarmos atenção carinhosamente na nossa atualização.
Quando começamos a treinar a paciência, começamos a ouvir o outro com mais clareza e podemos entendê-lo da mesma forma que passamos a nos ouvir melhor e também entender que é apenas uma parte de nós que se aborrece, e para identificá-la, precisamos ouvir-nos.
Exemplo: Se somos criticados, a raiva surge. Por que?
Porque acreditamos que o nosso ponto de vista é o único correto. A nossa forma de ver é que nos deixa ou não com raiva. Aprendemos a ser auto-centrados e cada outro que se esforce para nos deixar em paz. Será que sempre estamos certos? Por outro lado, quando somos nós a criticar… Claro que criticamos o óbvio!!! O mesmo se dá de lá para cá. Alguém fica com raiva quando o outro diz: Nossa você tem dois olhos!!!? Quando a crítica surge, ela está lá para todos verem, alguém viu e comentou. É o que ocorre com nossas falhas, pessoas as percebem quer queiramos ou não, pois elas estão a vista, por mais que as escondamos! Então para que enraivecer-nos porque o outro as viu? Carl Gustav Jung* ensinou que “Não nos iluminamos imaginando figuras de luz, porém tornando consciente a escuridão.” Ou seja, precisamos visitar o nosso galpão.
Admitir que erramos, que não somos o anjo que achavam que éramos, ui, provoca inflamação de ego! (Egotite, já ouviram isso? Nem eu, não existe!) Parece-nos insuportável!!!! É como se o outro passasse a ter poder sobre nós. Viu só? Ela erra!! E para que não digam que eu não sou anjo, torno-me defensiva. Ou seja, projetamos nossos monstrinhos no outro e quando eles aparecem… ai ai
Se nos permitimos errar, nos desculpar, nos auto-aceitar com nossas dificuldades e limitações, auxiliamos o outro a fazer o mesmo. Ter defeitos não nos candidata a sermos atirados a primeira lixeira que aparecer!
Portanto, o primeiro passo para diluir a raiva é praticar a paciência, o segundo compreender-se. Aprender a chegar a um acordo com a parte escura de si, porque é assim que somos: luz e sombra.
Só temos a ganhar com o autoconhecimento!
Carl Gustav Jung*- foi psiquiatra suíço, fundador da psicologia analítica ou Junguiana.
Com muito carinho,
Sandra Miranda
Felicidades em 2011!
Minha gratidão a todos que carinhosamente partilharam 2010 comigo, não teria graça sem vocês!
Que 2011 seja do tamanho de nossa vontade e coragem!!!
A equipe mais que especial do tudoglobal que 2011 seja tudo (de bom)!!!
Felicidades hoje e sempre!
Carinhosamente,
Sandra Miranda
Pensando sobre a mentira
Nos dias de hoje a mentira anda solta… Mas quando pequeninos ao cometermos alguns equívocos e relatarmos fomos elogiados ou punidos?
Se a criança conta a verdade e vai (na melhor das hipóteses) para o banquinho pensar, ela voltará a contar a verdade? O que é ou foi estimulado em nossas crianças? Não por favor, não me perguntem o que deve ser feito, lembrem-se que quem vos escreve é apenas uma psicóloga, a pedagoga só aparece vez por outra. Li outro dia que todos, todos mentem, ficaram desconfortáveis com a leitura? Mas é verdade, é só lembrar que mamãe (personalidade ilibada, acima de qualquer suspeita) já nos pediu para dizer ao telefone que ela não estava.
Mentimos para agradar (mentira humanitária, alguém lembra daquele penteado que nossa melhor amiga fez no casamento da prima? que dissemos liiiiiiiiiiiiiiiiiiiinnnndo! Mentimos para sermos agradados,mentimos para sermos aceitos, reconhecidos e nos sentimos melhores (defesa e baixa auto-estima), mas há outros tipos de mentiras, desde a mentira fisiológica (a mentirinha branca) a mentira patológica. O que chama atenção com relação a mentira é sua intencionalidade e o propósito de enganar, induzir ao erro.
Quando a mentira é um transtorno?
Quando a pessoa tem “compulsão a fantasiar uma vida fictícia para causar grande mobilização e perplexidade em outras pessoas (Catalán, 2006)”, ou seja, a pessoa não admite a vida como é, tem que ser super, tem que ser além do que se é. Apesar de qualquer pessoa estar sujeita a mentir há que se separar a mentira “branca” da mentira psicopática. O psicopata mente com naturalidade, olhando nos olhos, friamente, premeditadamente. Nesses casos, o melhor a fazer é procurar ajuda profissional adequada, pois boas conversas não ajudarão.
Mas meus queridos ajudem-me: como definir a sociedade que estimula a mentira? Que estimula a maquiagem? Que mais valoriza o parecer do que o ser?
Infelizmente fazemos parte de uma sociedade doente. Onde pessoas sentem-se mais seguras enganando, mentindo, pois enquanto não forem descobertas serão o centro das atenções. Essas pessoas terminam embaraçadas em outras e outras mentiras, pois que uma mentira termina levando a outra até o desmascaramento e a solidão. Pois aquele que prima pela verdade termina por se afastar do mentiroso contumaz. Mas por favor, não acredite que se mente por mentir, mente-se para ser querido, importante, valorizado, ou seja, amado. Essa é a busca do ser humano: o amor
Na verdade, buscamos o amor, de muitas formas equivocadas, e creio que enquanto estivermos buscando amor fora de nós, enquanto acharmos que alguém (seja quem for) nos deve amor, estaremos mentindo (para nós). Na medida em que entendermos que fazendo o nosso melhor, ajudamos não só a nós mesmos,mas ao planeta, quando passarmos a entender que parte de nós, a vida melhor, a paz que queremos, não precisaremos de reconhecimento, nem contar vantagem, pois estaremos tranqüilos e a tranqüilidade atrai carinho, atenção, cuidado e amor!
*A pedido de Elaine – por favor, me perdoe a demora.
Com muito carinho,
Sandra Miranda
Carta às moças da sala de espera.
Quero compartilhar uma alegria: abrirei setembro cinqüentando. Não sei se pode imaginar o que significa viver meio século. Mas é algo maravilhoso! Estou aproveitando carinhosamente o tempo. A vida cede o momento e eu me entrego. Por vezes a entrega é esplêndida, outras… Aprendizado, mas me entrego. E render-se ao sagrado que a vida oferece é mágico! Palavras não descrevem, ou pelo menos não sei descrever.
Agora quero compartilhar uma tristeza. Ouvi na sala de espera de um consultório, jovens que me tocaram profundamente pela inquietação, desencanto e amargura. Fiquei pensando nas razões que levam as pessoas a permanecerem sofrendo, mesmo depois de a dor ter cedido espaço as lembranças. Eram jovens belas que com certeza viverão momentos maravilhosos, mas que no momento escolheram que o medo, a desconfiança, a falta de fé limitem seus sorrisos e a delícia de amar.
Por elas estou escrevendo hoje. Pois preciso dizer: Por favor, acreditem na beleza da vida, acreditem no amor que o outro diz sentir, mesmo que não venha com jeito de uma superprodução hollywoodiana. A verdade é que sem amor não há caminho, não há esperança.
Cada um de nós tem uma cota de dor, mas permanecer com ela quando já se foi não nos faz melhor, nem garante que não vamos mais sofrer.
A vida é muito melhor quando compartilhamos nossa caminhada, quando olhamos para trás e percebemos que não acertamos todas, mas que apesar disso, aprendemos com os erros, pois que naquele momento do equívoco apenas fizemos o que sabíamos (o melhor daquele instante). Se alguém não soube ou pode amá-las, dêem o melhor que podem. Se alguém não pode ou soube dar-lhes a mão quando as suas estavam estendidas, dêem o melhor que sabem, é só o que podem fazer e não ficarem se culpando porque o “outro” seja ele quem for: mãe, pai, marido, filho, religião, não as olharam como gostariam e mereciam.
Moças há pessoas que olham nos nossos olhos o que ainda não vemos e vale à pena o preço a pagar. Se fecharmos os olhos para o outro, jamais descobriremos nosso verdadeiro potencial. Abram seus corações ou como diz Deepak* algum cardiologista abrirá! Estou dizendo que nunca mais serão magoadas? Não! Estou convidando-as a chegar aos 50 sorrindo, amando e acreditando na amorosidade das pessoas. É fácil? Nem sempre, mas é o melhor caminho para o nosso bem estar!
*Deepak Chopra, médico, nascido na Índia.
Carinho sempre,
Sandra Miranda
Reconhecimento e aprovação *
Sei que você em algum momento parou para pensar: por que temos tanta necessidade de reconhecimento e aprovação? É incrível! Podemos fazer tudo certinho, mas se ninguém der o ar da graça, ai, ai. Morremos (por dentro) se não formos aprovados!
A aprovação insere-nos no contexto social, pois que aprovação sugere reconhecimento, isto é, passamos positivamente a existir para o outro. Porque somos seres sociais, coletivos, e existimos a partir do olhar de alguém.
A cultura educou-nos olhando para fora. Condicionaram-nos agradar o outro acima de principalmente nós mesmos, por isso passamos mais tempo mendigando aprovação do que desfrutando o prazer de sermos quem somos como somos ( lembrando a professora.)
Mesmo quando fazemos o melhor que podemos, mesmo quando nos sentimos satisfeitos com o resultado de nossas ações, se não formos “notados”, parece-nos que ficou faltando algo, e se alguém, qualquer alguém emitir uma opinião contrária… Podemos chegar a duvidar de nosso talento, de nossa boa intenção, de nossa eficiência… Parece-me que estamos sempre carentes de reconhecimentos, parece-me que o nosso valor vem e está fora de nós!
Quantas vezes fazemos o que nem pensávamos fazer para agradar? Para nos sentirmos fazendo parte do grupo?
Quantas vezes o trabalho, ou outra atividade deixou de ser importante para nos importarmos com os comentários: o que estão dizendo sobre o nosso desempenho?
A verdade é que quando nos esquecemos do mais importante, nos sentimos de cabeça para baixo. O que fazemos, sempre é mais importante do que possam dizer sobre o que fazemos. Isto é, o trabalho é o importante – é a satisfação em si. Trabalhamos pelo desafio, pela nossa evolução, não para sermos reconhecido, mas porque é gratificante fazer o que fazemos, é o trabalho que nos motiva novas buscas. O reconhecimento acontece… Mas se não acontecer, continuamos crescendo, evoluindo, nos desafiando, pois que a nossa realização só pode estar no que estamos fazendo.
Quando estamos amando o que fazemos a perspectiva muda, pois passamos a nos nutrir, a nos reconhecer,saímos do poder do outro.
Esperar que pessoas façam nosso dever de casa, é nos oferecermos como refém, depositarmos nossa felicidade nas mãos de pessoas que talvez nem estejam felizes. A idéia é que nós reconheçamos o valor do que fazemos e que também possamos entender que amanhã sempre faremos bem melhor.
Gosto muito da abordagem humanista que ensina que somos seres auto-realizáveis. Somos um projeto incompleto, todo dia é dia de ser melhor, mas se deixarmos o melhor que é nosso, nas palavras de alguém que provavelmente interpretará de forma diferente da nossa!!! Perderemos com certeza a oportunidade de sermos tão plenos como podemos ser!
Você já imaginou quantas pessoas maravilhosas, não conhecemos? Quanto deixamos de agradecer a pessoas que nem imaginamos existir? O mesmo ocorre de lá para cá, quantas pessoas deixam de pensar em nós quando nelas pensamos, e mesmo assim vamos tecendo o melhor por elas.
Olhar para dentro de si, reconhecer-se como ser perfectível faz toda diferença.
Se você até hoje se preocupou com o reconhecimento do outro, observe se tem feito o que realmente gosta, se está vivendo como realmente gostaria. Olhe para dentro, quando fizer isso,lá fora será bem melhor!
*Atendendo pedido de Leo
Carinho sempre,
Sandra
Sobre medo*
“se há uma coisa que aprendi aqui, é que o medo do perigo é sempre muito maior do que o próprio perigo”.
Comentário de Robinson Crusoe com o amigo Sexta-Feira
Você tem medo de quê? De ser desmascarado? De morrer? De amar? De não ser amado? De ficar só? De ser traído? De trair? De envelhecer? De não conseguir envelhecer? De ficar desempregado?
O medo vagueia o nosso imaginário. Em algum grau, todos temem o desconhecido. Se vivenciamos algo novo, inesperado, é natural que fiquemos em estado de alerta
Para a maioria de nós, o medo é uma vivência que está sempre presente… Na infância o medo foi do bicho papão, na adolescência, o medo gira em torno da autoafirmação, do autorreconhecimento. Será que passo no vestibular? ou e se ela engravidar? Já na fase adulta, vou encontrar a pessoa certa para casar? (como se soubéssemos distingui-la quando apaixonados…:), vou conseguir o trabalho dos meus sonhos? E por aí vai!
Todos,considerando o padrão de normalidade, já nos sentimos em estado de alerta, desconfortáveis, chegando a sentir no corpo o reflexo do nosso estado mental e emocional. Isso é o medo! Esse estado de alerta demonstrado muitas vezes organicamente (descargas de adrenalina, aceleração cardíaca, tremores), geralmente por se sentir ameaçado (embora nem sempre encontrando base racional) tanto fisicamente como psicologicamente.
Quando o medo nos invade, sendo ele racional ou imaginário, nos preparamos para lutar ou fugir. Mas isso faz parte de um processo, a resposta anterior ao medo é a ansiedade. Já a fobia é medo como doença, quando compromete as relações sociais e causa sofrimento psíquico. Um técnica utilizada pelos psicólogos para diminuir a resposta ansiogênica é a Dessensibilização Sistemática, onde se constrói uma escala de medo, da leve ansiedade até o pavor, e, gradualmente, a pessoa é encorajada a enfrentar o medo. Estabelecendo assim um processo de reestruturação cognitiva onde ocorre uma re-aprendizagem ou ressignificação, objetivando uma reação mais equilibrada.
Há também medos adquiridos, os que aprendemos na infância, copiando o comportamento de nossos pais. Exemplo: o famoso medo da barata. Na verdade não é a barata que causa medo, é a lembrança que é acessada não pelo adulto,mas pela criança que recorda indefesa da mamãe gritando e correndo. Aquela mamãe que grita e corre é a heroina, quem cuida, quem proteje, o primeiro deus. Depois crescemos, mas condicionamos a cena.
Para quem gosta de desenho animado, indico Era do gelo II como dica para trabalhar o medo, Sid, a preguiça, num diálogo genial orienta Diego, o tigre de dente-de-sabre, a vencer o medo da água enfrentando-o.
Por fim, todos sentem medo. Faz parte de nossa humanidade, é um processo natural e nos protege, preserva-nos. O contranatural é querer não sentir medo. Corajoso é aquele que sente medo e o enfrenta, ou seja, estuda seu medo, entende-o e vence-o, esse processo é chamado coragem. E vamos vencendo nossas limitações carinhosamente, aproximando-se lentamente do que nos limita e se não for possível vencer o medo sozinho, por favor, procure a ajuda de um psicólogo. Com certeza você se arrependerá de não o ter procurado antes.
*Atendendo solicitação de Bia
Carinho sempre,
Sandra





