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Democracia oxigena as mentes, apesar dos “tiriricas” e corruptos eleitos

quinta-feira, outubro 14th, 2010

O confronto entre Dilma e Serra no guia eleitoral me despertou para uma reflexão: baixarias a parte, o debate contribui para educar, informar e esclarecer a população sobre questões simples e complexas.

Apesar dos milhões de votos desperdiçados em “tiriricas”, “sanguessugas”, “gabirus” e “taturanas”, a democracia oxigena o sangue ainda enfermo da sociedade.

Beneficiadas pelo arduamente conquistado direito de ir às urnas, as novas gerações tiveram a felicidade de não serem pisoteadas pelas botas da ditadura militar. Porém, sobre elas ainda são despejados resquícios daqueles 22 “anos de chumbo”. Imersa num mar de consumismo desenfreado e à mercê de uma mídia gananciosa e alienante, grande parcela da juventude eleitora (somada a insanos não jovens) demonstra não ter assimilado a magnitude de tão grande conquista e comete o auto-flagelo de jogar o seu voto no lixo.

“Tiriricarizando” e elegendo corruptos em troca de esmolas, esses incautos eleitores retribuem com ingratidão aos heróis de verdade, que com luta, sacrifício e sangue, devolveram-lhes o direito de votar, expulsando do poder os algozes que tanto perseguiram e mataram trabalhadores, estudantes, mulheres e homens civilizados.

Dos 510 anos do Brasil desde a descoberta, poucos foram os perĂ­odos de democracia. A democracia formal plena existe há apenas 21 anos – desde as eleições de 1989. Os episĂłdios democráticos anteriores ao golpe militar de 64 tiveram menor amplitude.

O “Brasil legal” e o “Brasil real” se aproximam um do outro na medida em que a população Ă© lapidada atravĂ©s da informação, do debate polĂ­tico e da educação. O resultado das urnas indica que ainda há um longo caminho a percorrer, já que pessoas esclarecidas e bem intencionadas jamais votariam num “Tiririca”, num “sanguessuga”, num “gabiru” ou num “taturana” – desatino cometido por milhões de eleitores.

Sem acesso ao ensino, à informação e às diversas expressões culturais, os alienados e os “excluídos” acabam por votar contra si próprios ao reeleger e eleger corruptos e palhaços aventureiros.

Um provérbio diz que a esperança é a última que morre. Assim sendo, resta a esperança de que no segundo turno os desatinados sejam minoria para que as urnas consagrem o projeto que acelera a inclusão social e derrotem o projeto que concentra ainda mais riquezas nas mãos dos banqueiros-especuladores e demais parasitas.

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O crime compensa em Alagoas?

quinta-feira, agosto 5th, 2010

Essa pergunta estará respondida após a apuração das urnas em outubro próximo.
As pessoas de bom senso alimentam a esperança de que a maioria do eleitorado alagoano derrote nas urnas os “taturanas”, “gabirus” e demais candidatos denunciados por envolvimento em falcatruas. Assim procedendo, darão continuidade ao bom trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal.
Caso isso nĂŁo aconteça, a pobre Alagoas continuará – mais do que nunca – refĂ©m da misĂ©ria e da corrupção, condições humilhantes que estarĂŁo reforçadas pelo aval do voto popular.
O histórico de desonestidade e crueldade desses candidatos não os credencia como merecedores do voto das pessoas que querem um mundo melhor, um futuro feliz. Reeleger essa gente é contribuir para perpetuar a triste realidade da falta de oportunidades de estudo e de trabalho, é manter a juventude à mercê dos aliciadores do crack e outras drogas que, como ratos de esgoto, infestam Maceió e interior. A juventude está sendo assassinada em Alagoas, vítima do desprezo e da negligência dos maus políticos.
Os menos formados e informados intimidam-se com ameaças e deixam-se seduzir pelos abraços, promessas e doações de pequena monta. Colocam o Estado nas mãos de quem lhes dá as costas após as eleições. Sacrificam o conjunto da sociedade ao dar poder de mando a quem desmoraliza Alagoas por ocupar o noticiário policial sob acusações de crimes e roubo do dinheiro público.
Após o voto, já será tarde para se arrepender. Restará ao eleitor traído e também ao esclarecido aturar por mais 4 anos a humilhação proporcionada pelos desabonados representantes eleitos e sofrer as consequências do atraso que relega Alagoas aos piores índices sociais.
O alagoano que eleger candidatos como esses estará dizendo ao Brasil: Em Alagoas, o crime compensa!

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Enchentes, tragédias e corrupção

quinta-feira, junho 24th, 2010

Zanzando pra lá e pra cá em meio aos escombros, dona Ivete às vezes acha que ainda tem para onde ir. Pálida, olhar espantado, ela se esforça para pensar que tudo é pesadelo e retoma o rumo de sua casa. Mas a casa já não existe. Aliás, a sua rua já não existe. Nem a sua cidade existe mais. Branquinha desapareceu do mapa de Alagoas. Dona Ivete vê, mas não acredita. Nada daquilo é real, não pode ser!

Mas o pesadelo coletivo é real. Infelizmente. As chuvas desabaram, os rios transbordaram e a geografia de Alagoas foi brutalmente alterada. Olhadas de cima, cidades inteiras parecem ter sido destruídas por uma bomba atômica, como comparou o governador Teo Vilela após ver, do helicóptero, as ruínas do que antes eram casas, igrejas, ruas, escolas e pontes. Em meio a isso tudo, vidas também em ruínas, famílias que, mais que seus bens, perderam filhos, pais, parentes, amigos, arrastados pela correnteza devastadora.

Atarantadas, as vítimas mais conscientes ficam mais atônitas por enxergarem que a ajuda federal poderá, em grande parte, chegar às mãos de gerenciadores envolvidos em falcatruas, muitos dos quais condenados por desvio de dinheiro público.

Os anunciados 100 milhões de reais para Alagoas e Pernambuco representam apenas um terço dos 300 milhões surrupiados pelos “taturanas” da Assembleia Legislativa. E ainda há os milhões desviados para as contas particulares dos prefeitos “gabirus” e por outros “fichas sujas”. “Taturanas” e “gabirus” foram presos, mas já estão soltos e muitos à frente de cargos públicos. Entre os gestores corruptos relacionados pelo TCU como inelegíveis para as eleições deste ano, duzentos são de Alagoas.

Afinal, quem tem a cruel frieza de roubar dinheiro da merenda escolar de crianças famintas não merece confiança. Colocar os recursos destinados aos flagelados em mãos como essas é igual a colocar uma raposa esfomeada para tomar conta de um galinheiro.

O outro lado é a solidariedade espontânea de pessoas que, tendo pouco ou muito, somam-se no socorro às vítimas.

Transparência e vigilância são indispensáveis para que os recursos cheguem, na totalidade, ao seu destino. OAB, ongs, sindicatos, associações de moradores e demais entidades merecedoras de credibilidade precisam estar inseridas na gestão desse dinheiro público.

Não tem limites a insensibilidade dos gestores corruptos: apossam-se de recursos públicos e desprezam vidas humanas. Por agirem assim, não lhes ocorreu avisar o povo quando autorizaram abrir as comportas da barragem de Bom Conselho (PE), cujas águas fizeram transbordar o rio Mundaú e inundaram cidades alagoanas e pernambucanas, resultando na maior tragédia já vista no Nordeste.

Ações de prevenção entĂŁo, nem pensar! As tragĂ©dias se sucedem ao longo das dĂ©cadas e quase nada – ou nada – Ă© feito para evitar novas calamidades. Somente 14% da verba destinada pelo MinistĂ©rio da Integração Social para prevenção foram desembolsados. Deixam de ser executadas obras como contenção de encostas, desassoreamento, canalização de rios, drenagens. Tudo em prol das catástrofes, festejadas por quem com elas fica ainda mais rico e amargadas por quem trabalha, paga impostos e tenta ser honesto em meio a esse imenso “mar de lama”.

Você, que é honesto e paga impostos, abra os olhos! As eleições estão aí! Não se curve! Não acredite em promessas de quem já prometeu e nada fez!

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