O confronto entre Dilma e Serra no guia eleitoral me despertou para uma reflexão: baixarias a parte, o debate contribui para educar, informar e esclarecer a população sobre questões simples e complexas.
Apesar dos milhões de votos desperdiçados em “tiriricasâ€, “sanguessugasâ€, “gabirus†e “taturanasâ€, a democracia oxigena o sangue ainda enfermo da sociedade.
Beneficiadas pelo arduamente conquistado direito de ir à s urnas, as novas gerações tiveram a felicidade de não serem pisoteadas pelas botas da ditadura militar. Porém, sobre elas ainda são despejados resquÃcios daqueles 22 “anos de chumboâ€. Imersa num mar de consumismo desenfreado e à mercê de uma mÃdia gananciosa e alienante, grande parcela da juventude eleitora (somada a insanos não jovens) demonstra não ter assimilado a magnitude de tão grande conquista e comete o auto-flagelo de jogar o seu voto no lixo.
“Tiriricarizando†e elegendo corruptos em troca de esmolas, esses incautos eleitores retribuem com ingratidão aos heróis de verdade, que com luta, sacrifÃcio e sangue, devolveram-lhes o direito de votar, expulsando do poder os algozes que tanto perseguiram e mataram trabalhadores, estudantes, mulheres e homens civilizados.
Dos 510 anos do Brasil desde a descoberta, poucos foram os perÃodos de democracia. A democracia formal plena existe há apenas 21 anos – desde as eleições de 1989. Os episódios democráticos anteriores ao golpe militar de 64 tiveram menor amplitude.
O “Brasil legal†e o “Brasil real†se aproximam um do outro na medida em que a população é lapidada através da informação, do debate polÃtico e da educação. O resultado das urnas indica que ainda há um longo caminho a percorrer, já que pessoas esclarecidas e bem intencionadas jamais votariam num “Tiriricaâ€, num “sanguessugaâ€, num “gabiru†ou num “taturana†– desatino cometido por milhões de eleitores.
Sem acesso ao ensino, à informação e à s diversas expressões culturais, os alienados e os “excluÃdos†acabam por votar contra si próprios ao reeleger e eleger corruptos e palhaços aventureiros.
Um provérbio diz que a esperança é a última que morre. Assim sendo, resta a esperança de que no segundo turno os desatinados sejam minoria para que as urnas consagrem o projeto que acelera a inclusão social e derrotem o projeto que concentra ainda mais riquezas nas mãos dos banqueiros-especuladores e demais parasitas.



