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Se reeleger para manter a imunidade e livrar-se da cadeia

quinta-feira, agosto 12th, 2010

Depois de “encher a pança†com dinheiro público e meter-se nas mais escandalosas falcatruas (em muitos casos envolvendo até assassinatos), não são poucos os políticos que se candidatam à reeleição tendo como foco principal livrar-se da cadeia. Sem imunidade parlamentar, elementos desse tipo temem – uma vez “pessoas comuns†– ficar vulneráveis às punições pelos crimes cometidos.

A imunidade parlamentar – assim como os cargos vitalícios de profissionais da área jurídica – alimenta nos debilitados em formação e educação a sensação de estar acima do bem e do mal. Assim como Calígula e outros déspotas históricos, esses imunizados “chacais†disfarçados de bons – geralmente sem amigos verdadeiros e cercados de puxa-sacos – pensam que são “deuses poderosos†credenciados a usar o que é público em benefício próprio e até a eliminar vidas humanas.

Enquanto faltam giz e merenda nas escolas, os “homens públicos†que se arvoram a ser Deus desviam dinheiro para comprar para si vinhos caríssimos, fazer bacanais em hotéis de luxo de outras cidades, viajar ao exterior ou pelo Brasil mesmo, a pretexto de trabalho, mas como turistas – e até com a família.

Quem consegue mover os neurônios para refletir (infelizmente a minoria), pode distinguir quem é quem entre os candidatos das campanhas. Os falastrões prometem o impossível para ganhar imunidade e, assim respaldados, prosseguir com seus crimes tão lucrativos.

Para alcançar esse duplo propósito (imunidade e saldo maior na conta bancária), usam a seu favor as falhas da lei, a desinformação da mídia aliada, o analfabetismo, a crescente degenerescência moral e as ameaças coronelistas características dos currais eleitorais.

A cada campanha eleitoral, as mesmas “caras carimbadas†voltam aos palanques, aos cartazes afixados nas paredes, às musiquinhas dos carros-de-som e aos falsos “tapinhas nas costasâ€. Fartamente denunciados como corruptos e parasitas, buscam impunidade na reeleição. E o que é pior: conseguem se reeleger! Para infelicidade de todos nós, inclusive de seus iludidos e desinformados eleitores!

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Cores vivas em mãos desbotadas

terça-feira, dezembro 15th, 2009

coqueirosO verão aquece e enfeita de cores vivas a orla marítima alagoana, para deleite de nativos e turistas. O brilho do sol que reflete no mar de Alagoas revela um verde-azul que contrasta com o cinza-escuro das nuvens que cobrem o céu em outros Estados, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, onde neste período chuvas intermináveis e inundações atormentam a vida de paulistas e cariocas.

A natureza ainda bela deste pequeno pedaço do Brasil pode ser comparada com uma galinha dos ovos de ouro que tenta sobreviver aos tiros disparados pela corrupção, pela incompetência e pelos interesses mesquinhos de grupos políticos e econômicos que há muito tempo determinam o destino do Estado.

É inacreditável, mas há pouco mais de duas décadas imensos coqueirais enfeitavam toda a orla de Maceió, principalmente Cruz das Almas e Jatiuca. Na época era possível deitar-se nas areias da Pajuçara ou da Ponta Verde para apreciar os golfinhos que, em grande quantidade, emergiam e submergiam das águas próximas às praias para fazer piruetas.

A inexistência de zelo e planejamento resultou na gradativa destruição – que ainda continua – de um dos mais belos cartões-postais do país. Os magníficos coqueirais cederam e continuam cedendo lugar a uma invasão desordenada de edifícios que despejam esgotos e dejetos nas águas antes invejadas pela pureza e beleza, quando eram plenamente próprias para os banhistas. Hoje os coqueiros estão escassos à beira-mar (foto), para tristeza e revolta das pessoas bem intencionadas que assistem a dirigida agressão contra a natureza.

A sina de estar nas mãos de elites políticas e econômicas voltadas exclusivamente para seus próprios umbigos sufoca Alagoas nas profundezas do desprezo ao meio-ambiente e da miséria de seus habitantes, em sua imensa maioria.
Afinal, interessa mais a quem quer preservar privilégios desconectados com o bem-estar social manter os seus currais eleitorais e a ignorância coletiva, sob pena de serem questionados por essa imensa legião sobre os danos que causam à natureza e à qualidade de vida – tão sofrível – de milhares de alagoanos. A conduta dessas elites explica a ausência de iniciativas ousadas em prol da educação. Sabem que o esclarecimento da população mais humilde despertaria a consciência de que suas vidas estão em mãos erradas.

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