Aplaudida em outros paÃses como uma as melhores do mundo, a música popular brasileira (aquela pautada no samba, no chorinho e no ritmo que só o brasileiro sabe cadenciar) vem sendo tratada com extremo desprezo pela grande mÃdia. Quem nasceu de 1980 para cá pouca oportunidade teve de interagir com a MPB porque as programações televisivas e radiofônicas há algumas décadas passaram a ser, em regra geral, dedicadas a divulgar verdadeiras aberrações que alguém ousa qualificar como música.
Poucos são os jovens de hoje que sabem quem foi Pixinguinha, Tom Jobim, VinÃcius de Moraes, Ari Barroso, Lamartine Babo, entre tantos que orgulham a nossa condição de brasileiros perante o mundo. Mesmo músicos ainda na ativa como Chico Buarque, Paulinho da Viola e os grupos MPB4 e Boca Livre são pouco cultivados em meio à juventude, embora muito respeitados em outros paÃses.
No elenco dos artistas mais novos, a preferência da imensa maioria recai sobre nomes praticamente desvinculados da rica herança musical brasileira. Os jovens que prestigiam artistas igualmente jovens como Roberta Sá (foto), Luciana Mello e Yamandu Costa são qualificados como exceção, já que nadam contra a maré por optarem pela música identificada com as raizes da MPB.
Essa triste realidade justifica o protesto do roqueiro Rod Stewart quando veio ao Brasil na década de 90. Na ocasião, ele disse em entrevista que pegou um táxi no aeroporto e pediu ao taxista para ligar o rádio, pois estava ansioso para ouvir a nossa MPB. Em tom indignado, disse ao repórter que em todas as emissoras sintonizadas só tocava “lixo americanoâ€. E, em português arrastado, perguntou ao taxista: “porque vocês não valorizam a música de vocês, que é tão bela e cheia de energia?â€


