Novos “heróis” adentram à casa mais vigiada do Brasil para “fazer a cabeça” de milhões de brasileiros. Do Oiapoque ao Chuí, jovens (e muitos nada jovens) espelham-se nas criaturas criteriosamente selecionadas para confrontar suas personalidades bizarras e garantir audiência para a emissora.
Não por acaso, com raras exceções, programas do naipe do BBB são esmerados com zelo pela Rede Globo, complexo da mídia que emergiu juntamente com o regime militar e ganhou prestígio e poder principalmente nos chamados “anos de chumbo”.
Os “heróis” do Pedro Bial e do Boninho foram escolhidos para disseminar noite e dia sua “sabedoria”, seu “exemplar jeito de ser” e suas baboseiras (esta palavra é sem aspas mesmo) para uma massa imensa de pessoas desabituadas à leitura de livros ou jornais. Movidos pela ganância e desinteresse com o bem-estar geral, potenciais veículos de uma cultura saudável e enriquecedora fazem – impunemente – opção pela audiência através de inutilidades e idiotices que proliferam malefícios e atrocidades.
Sem entrar no mérito das denunciadas “manipulações” desse impropriamente chamado “reality show” que há dez anos ocupa mentes carentes deste país, é evidente que a propagação de qualidades como solidariedade e gentileza são propositalmente evitadas em programas desse tipo para não “despertar consciências”.
Afinal, a história entre dominantes e dominados demonstra que rixas e desentendimentos entre iguais são eficientes para dividir forças e prover um sistema apodrecido e incapaz de apontar soluções para a caótica condição social que aflige multidões.

