A vida está banalizada ao extremo. Jovens (principalmente jovens) matam e morrem por motivo nenhum, por motivos torpes, por motivos agravados pela exclusão social. Porque? É pergunta quase nunca feita. A opinião pública é, em geral, conduzida a rebelar-se contra os efeitos, poupando as causas. E esse equívoco leva muitas vezes a injustiças irreparáveis. Canalizar a revolta para o imediatismo causa alívio, assim como o espirro alivia um momento da gripe.
A desigualdade social é a maior causa da violência entre jovens, revela pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). São, no Brasil, mais de 4 milhões de jovens vivendo na extrema pobreza. Em Alagoas o quadro é proporcionalmente mais grave, já que é o Estado com os piores índices sociais do país. Maceió é a capital brasileira onde mais jovens são assassinados.
O racismo e outras formas de discriminação contribuem para o agravamento dessa mazela social. Os afrodescendentes são os mais excluídos: 73% dos jovens analfabetos são negros e 71% dos extremamente pobres que não trabalham e não estudam são afrodescendentes, registra o Ipea.
Diferente do que muitos pensam, não é a pobreza, mas sim a desigualdade social a principal motivadora da violência entre jovens. A pesquisa indica que é raciocício simplista acusar a pobreza como principal causadora da violência, mesmo porque é crescente o número de atos violentos praticados por jovens de classe média.
É enorme a legião de jovens que trabalham na informalidade para comprar comida. E é também gigantesca a legião de jovens desempregados. O caminho do uso e do tráfico de drogas é o mais fácil para essa multidão que se depara com a falta de escola, de trabalho e de mecanismos lícitos de ascensão social. É claro que são fatores que alimentam a violência.
A tragédia da violência é alimentada também pela generalizada “cultura” do lucro fácil dos meios de comunicação, que buscam audiência apelando para o sensacionalismo, para a vulgarização do erotismo e para a banalização da vida. Nesse caldeirão, conceitos como dignidade, honestidade, respeito e disposição de luta por um mundo melhor são ridicularizados e vistos como ultrapassados.
Todo esse turbilhão deságua não apenas na violência física caracterizada por assassinatos e espancamentos, mas também nas demais modalidades de violência, presentes no trânsito, na exploração dos trabalhadores, no incêndio de mendigos, na hostilidade das relações, na corrupção, na falta de saneamento…
As transformações nesta era da tecnologia e da globalização são rápidas e geradoras de novos problemas que emergem nas relações familiares e comunitárias. O cotidiano dos nossos jovens e adultos passa a exigir projetos ousados e adequados. O caminho para se deter essa crescente escalada de violência é complexo, mas é possível. Aponta no sentido da inclusão social.


