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Consumidor não é surdo


28/10/2009 - 12:59 -

surdez_pHoje, logo de manhã, ao ligar a TV, fui atingido por uma rajada de palavras “encavaladas” umas sobre as outras. Isso me causou irritação. Era um comercial local para “divulgar” promoções a R$…,99 de uma loja com filial em Maceió. O “tiroteio” vocabular foi disparado para acomodar o maior número de ofertas dentro do tempo mínimo comprado pelo anunciante. Um tipo agressivo e jurássico de propaganda, de duvidosa eficiência, já abolido em quase todo o país, mas plenamente adotado em Alagoas.

Quem é atingido por esse “bombardeio” começa o dia um tanto “alterado”, nervoso, sintoma que, mesmo subconsciente, contribui para agravar o inevitável mau humor que decorre do caótico trânsito na ida de casa para o trabalho.

Profissionais da publicidade daqui de Alagoas já demonstraram seu talento e criatividade em muitas oportunidades, mas persiste há muitos anos a generalizada baixa qualidade dos comerciais, talvez por não haver nos anunciantes – em geral – preocupação em investir para anunciar seus produtos de maneira mais elaborada, mais “civilizada”.

Ao lado de toda essa celeuma, a qualidade do produto raramente é alvo da propaganda. É mais fácil tentar atrair o consumidor por meio de preços ilusoriamente mais baixos, como é o caso do R$…,99 ( feliz daquele que recebe o troco de 1 centavo!).

No mundo da propaganda também acontece uma velada “ditadura”: mesmo sem sair da poltrona, o telespectador aciona o controle remoto para mudar de canal e escolher outro programa, mas não escolhe o comercial, que é enxertado entre e até dentro da programação. São comuns as publicidades que usam artifícios de caráter duvidoso para deixar o telespectador vulnerável, influenciado até ser convencido por milhões de repetições, criando desejos desnecessários de consumo.

A falta de questionamento, de senso crítico, contribui para que sejamos infernizados, logo nas primeiras horas do dia, por essa saraivada de comerciais de baixíssima ou nenhuma qualidade. Por outro lado, embora poucos, há bons comerciais, direcionados para a educação, contra preconceitos e injustiças. Mas são raríssimas exceções.

Muito mais do que novelas, programação infantil e filmes, somos levados a concluir que a propaganda é a principal responsável por aquela tão falada “influência negativa” na formação de crianças e até mesmo de adultos. Preocupada apenas em “influenciar” para vender, a propaganda não exita em alimentar preconceitos e sentimentalismos para estimular o consumismo. Forte e triste exemplo disso é o comercial que busca influenciar o pai a comprar um carro novo quando o filho tem “vergonha” de ser deixado com o carro velho na porta da balada, onde estão os amigos.

Não somente os publicitários, mas consumidores e anunciantes, somos todos responsáveis pela qualidade da publicidade, poderoso instrumento usado em todas as atividades humanas que influencia o comportamento, a educação e a cultura de todos, sem distinções. Criticar para melhorar: essa é a nossa arma para responder ao “tiroteio” vocabular que nos atinge logo de manhã, todos os dias, dentro de nossa própria casa.

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O fértil terreno dos blogs


26/10/2009 - 12:53 -

blog_peppersTer um blog e nele escrever com regularidade é atitude que abre portas, revela valores e amplia amizades e horizontes. Vivemos hoje a realidade de um mundo globalizado – cada vez mais – um mundo que exige que nos adaptemos, que nos atualizemos. Isso é irreversível.
O texto postado no blog tem retorno imediato. Os comentários dos leitores proporcionam a interação com o mundo. Tudo é muito rápido, dinâmico. A diversidade das opiniões enriquece as idéias em torno das pequenas e das grandes causas.
O terreno dos blogs é fértil. A sua opinião é importante para as pessoas, mesmo que elas não comentem no blog. Os blogs são visitados por pessoas de diferentes lugares e níveis sociais. Dentro desse universo de opiniões diversificadas há sempre alguém para quem o seu ponto de vista e a sua informação são especialmente importantes.
A força dos blogs é tão grande que é capaz de abrir portas para empregos no mercado de trabalho e até eleger presidentes. Foi imensa a influência dos blogueiros de todo o mundo no resultado das eleições presidenciais vencidas por Nicolas Sarkozy na França. Já na área do mercado de trabalho, quando alguém digita no Google algo que esteja identificado com o seu perfil, links poderão levar para o seu blog, você ficará conhecido e poderá até ganhar um emprego. E isso tem acontecido com frequência.
Na esfera empresarial, o blog funciona também como comercial. Não duvide: empresas e pessoas estão olhando! Os empresários que acreditam na força dessa ferramenta prosperam porque passam a exercer um ativo corpo-a-corpo com os consumidores. Infelizmente, ainda são poucos os empresários que valorizam esse mecanismo. Os mais “antenados” preocupam-se em sempre atualizar suas informações, atitude que os mantém em permanente evidência. Esse artifício é tão importante que em países desenvolvidos foram criadas empresas especializadas em municiar blogs com informação recente e automática, fazendo com que os usuários desses serviços ganhem terreno em relação aos concorrentes.
Portanto, mãos na massa, blogueiros!

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A desigualdade social e a tragédia da violência


22/10/2009 - 14:34 -

A vida está banalizada ao extremo. Jovens (principalmente jovens) matam e morrem por motivo nenhum, por motivos torpes, por motivos agravados pela exclusão social. Porque? É pergunta quase nunca feita. A opinião pública é, em geral, conduzida a rebelar-se contra os efeitos, poupando as causas. E esse equívoco leva muitas vezes a injustiças irreparáveis. Canalizar a revolta para o imediatismo causa alívio, assim como o espirro alivia um momento da gripe.

A desigualdade social é a maior causa da violência entre jovens, revela pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). São, no Brasil, mais de 4 milhões de jovens vivendo na extrema pobreza. Em Alagoas o quadro é proporcionalmente mais grave, já que é o Estado com os piores índices sociais do país. Maceió é a capital brasileira onde mais jovens são assassinados.

O racismo e outras formas de discriminação contribuem para o agravamento dessa mazela social. Os afrodescendentes são os mais excluídos: 73% dos jovens analfabetos são negros e 71% dos extremamente pobres que não trabalham e não estudam são afrodescendentes, registra o Ipea.

Diferente do que muitos pensam, não é a pobreza, mas sim a desigualdade social a principal motivadora da violência entre jovens. A pesquisa indica que é raciocício simplista acusar a pobreza como principal causadora da violência, mesmo porque é crescente o número de atos violentos praticados por jovens de classe média.

É enorme a legião de jovens que trabalham na informalidade para comprar comida. E é também gigantesca a legião de jovens desempregados. O caminho do uso e do tráfico de drogas é o mais fácil para essa multidão que se depara com a falta de escola, de trabalho e de mecanismos lícitos de ascensão social. É claro que são fatores que alimentam a violência.

A tragédia da violência é alimentada também pela generalizada “cultura” do lucro fácil dos meios de comunicação, que buscam audiência apelando para o sensacionalismo, para a vulgarização do erotismo e para a banalização da vida. Nesse caldeirão, conceitos como dignidade, honestidade, respeito e disposição de luta por um mundo melhor são ridicularizados e vistos como ultrapassados.

Todo esse turbilhão deságua não apenas na violência física caracterizada por assassinatos e espancamentos, mas também nas demais modalidades de violência, presentes no trânsito, na exploração dos trabalhadores, no incêndio de mendigos, na hostilidade das relações, na corrupção, na falta de saneamento…

As transformações nesta era da tecnologia e da globalização são rápidas e geradoras de novos problemas que emergem nas relações familiares e comunitárias. O cotidiano dos nossos jovens e adultos passa a exigir projetos ousados e adequados. O caminho para se deter essa crescente escalada de violência é complexo, mas é possível. Aponta no sentido da inclusão social.

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