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O neoliberal debate-se para tentar vencer o social

terça-feira, outubro 26th, 2010

Privatizar tudo, doa a quem doer! Essa é a essência do neoliberalismo, sistema de governo inaugurado no terceiro mundo pelo ditador Augusto Pinochet no Chile e “sonho de consumo†dos abastados capitalistas estrangeiros e nacionais. Para ganhar adeptos, essa elite que quer enfiar as mãos nas empresas estatais vende a falsa idéia de que o “livre-mercado†é capaz de resolver, por si só, os problemas sociais.
Para intensificar o neoliberalismo no Brasil, o então presidente Fernando Henrique Cardoso promoveu incentivos fiscais e privatizações para que investidores estrangeiros (e – em minoria – nacionais) ampliassem seu patrimônio particular. Porém, o “tiro saiu pela culatraâ€, porque os investimentos demoraram por conta da instabilidade econômica que afligia o Brasil.
Empresas brasileiras não conseguiram, na ocasião, se adaptar às “novas regras†de mercado impostas por FHC e foram levadas à falência. Aproveitando-se da quebradeira, as multinacionais, em apenas dez anos, duplicaram sua participação na economia brasileira.
Agora, de olho na imensa “mina de ouro†que é o pré-sal, e, entre outras, na estatal Petrobras (que por pouco não foi transformada em “Petrobraxâ€, projeto elaborado pela equipe da Und Corporate design), grupos poderosos do capital estrangeiro e nacional investem pesado na campanha de José Serra, candidato alinhado com o neoliberalismo  e responsável, na época de FHC, pelo programa de privatizações.
O alinhamento a essa política neoliberal foi a razão maior para Serra, em determinada fase da campanha, ter se recusado a assinar um documento comprometendo-se a dar continuidade a programas sociais como PROUNI, PAC, UPPA’S, Minha Casa, Minha Vida e outros mais.
No calor da campanha, debatendo-se para alcançar melhores índices nas pesquisas, o tucano passou, da boca pra fora, a prometer mundos e fundos para seduzir mais eleitores. Prometeu, por exemplo, aumentar o salário mínimo para R$ 600 reais, ampliar o Bolsa Família e facilitar créditos para as camadas mais pobres.
Serra percebeu que, para vingar seu projeto neoliberal, precisa tentar conquistar a confiança das milhões de famílias que passaram a ter condições de ir a supermercados e restaurantes, adquirir imóvel próprio, celular e até carro. Para vencer, Serra compreendeu que antes precisa derrotar seu maior adversário: a realidade da ascensão social.

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Democracia oxigena as mentes, apesar dos “tiriricas†e corruptos eleitos

quinta-feira, outubro 14th, 2010

O confronto entre Dilma e Serra no guia eleitoral me despertou para uma reflexão: baixarias a parte, o debate contribui para educar, informar e esclarecer a população sobre questões simples e complexas.

Apesar dos milhões de votos desperdiçados em “tiriricasâ€, “sanguessugasâ€, “gabirus†e “taturanasâ€, a democracia oxigena o sangue ainda enfermo da sociedade.

Beneficiadas pelo arduamente conquistado direito de ir às urnas, as novas gerações tiveram a felicidade de não serem pisoteadas pelas botas da ditadura militar. Porém, sobre elas ainda são despejados resquícios daqueles 22 “anos de chumboâ€. Imersa num mar de consumismo desenfreado e à mercê de uma mídia gananciosa e alienante, grande parcela da juventude eleitora (somada a insanos não jovens) demonstra não ter assimilado a magnitude de tão grande conquista e comete o auto-flagelo de jogar o seu voto no lixo.

“Tiriricarizando†e elegendo corruptos em troca de esmolas, esses incautos eleitores retribuem com ingratidão aos heróis de verdade, que com luta, sacrifício e sangue, devolveram-lhes o direito de votar, expulsando do poder os algozes que tanto perseguiram e mataram trabalhadores, estudantes, mulheres e homens civilizados.

Dos 510 anos do Brasil desde a descoberta, poucos foram os períodos de democracia. A democracia formal plena existe há apenas 21 anos – desde as eleições de 1989. Os episódios democráticos anteriores ao golpe militar de 64 tiveram menor amplitude.

O “Brasil legal†e o “Brasil real†se aproximam um do outro na medida em que a população é lapidada através da informação, do debate político e da educação. O resultado das urnas indica que ainda há um longo caminho a percorrer, já que pessoas esclarecidas e bem intencionadas jamais votariam num “Tiriricaâ€, num “sanguessugaâ€, num “gabiru†ou num “taturana†– desatino cometido por milhões de eleitores.

Sem acesso ao ensino, à informação e às diversas expressões culturais, os alienados e os “excluídos†acabam por votar contra si próprios ao reeleger e eleger corruptos e palhaços aventureiros.

Um provérbio diz que a esperança é a última que morre. Assim sendo, resta a esperança de que no segundo turno os desatinados sejam minoria para que as urnas consagrem o projeto que acelera a inclusão social e derrotem o projeto que concentra ainda mais riquezas nas mãos dos banqueiros-especuladores e demais parasitas.

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Urna eletrônica ou cédula de papel: o que é menos inseguro?

sexta-feira, outubro 1st, 2010

Porque países detentores de tecnologia avançada – como os Estados Unidos, terra do Bill Gates – preferem continuar com o voto em papel em vez de fazer como o Brasil e adotar a urna eletrônica?

Também os holandeses compareceram recentemente às urnas com caneta para marcar um X na cédula e escolher o candidato. A Holanda é o primeiro país que volta à cédula de papel depois de ter feito a transição para computadores. Outros países estão considerando se deveriam seguir esse exemplo, apesar da lentidão do processo não informatizado.

São vários os motivos que levam os eleitores a considerar inseguro o voto eletrônico, entre eles a cada vez mais sofisticada ação de hackers e a fragilidade das instituições, incapazes de conter a corrupção nas diferentes instâncias. Porém, por cultivar a cultura de confiar em computadores e achar que eles não erram, o brasileiro, de maneira geral, é levado a acreditar que o voto eletrônico é o mais seguro do mundo.

Ao contrário dos norte-americanos, dos europeus e dos japoneses, os brasileiros são submetidos à ousadia do voto eletrônico, apesar de tantas inconfiabilidades. A apuração é muito mais rápida, mas, por outro lado, a possibilidade de fraude torna-se gigantesca e difícil de ser desmascarada porque o voto do brasileiro fica reduzido a um mero registro na memória do computador impossível de ser recontado no caso de uma auditoria. Já as cédulas – que são algo físico para se conferir – costumavam deixar vestígios reparáveis.

Enquanto especialistas em informática apontam para a insegurança das eleições eletrônicas, o TSE propaga que elas são totalmente seguras. Porém, com um simples radinho de pilhas um hacker conseguiu, em novembro do ano passado, quebrar o sigilo da urna eletrônica brasileira, vencendo assim um concurso sobre a segurança do sistema promovido pelo própio Tribunal Eleitoral. Ficou, com isso, comprovada a extrema vulnerabilidade do sistema. Outro hacker advertiu ser fácil programar a urna: basta inserir um gatilho que, a cada dois votos ao candidato “Aâ€, um seja convertido para o candidato “Bâ€.

Alagoas (sempre Alagoas!) se encarregou de “quebrar o encanto†do voto eletrônico seguro nas eleições de 2006, a partir de um laudo do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) que concluiu que as urnas apresentaram no Estado “resultados suspeitosâ€. Proporcionalmente, Alagoas vence o “campeonato†de fraude eleitoral no país. Os casos mais gritantes foram registrados nos municípios de Minador do Negrão, Porto Real do Colégio, Estrela de Alagoas, São José da Laje e Porto de Pedras.

Eitcha Brasil! Eitcha Alagoas!

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Os “fichas sujas†estão felizes!

sábado, setembro 25th, 2010

Eleições chegando, “fichas sujas†liberados e mais quatro anos para que os corruptos se esbaldem com o dinheiro público. Esse é o destino traçado pelo STF para o Brasil com o “empate†que na verdade representa “derrota†da Lei da Ficha Limpa, para 2010, no julgamento do processo de Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal.

Tendo como missão ser “guardião da Constituiçãoâ€, o Supremo Tribunal Federal passou, na prática, a considerar a Ficha Limpa como uma lei “inconstitucionalâ€, já que o empate não a exclui, mas também não garante a sua aplicação.

Durante a votação, absurdos saíram da boca de ministros que compõem a instância máxima da Justiça brasileira. Gilmar Mendes – um dos cinco que votaram contra a aplicação da lei – cometeu o disparate de desqualificar a Ficha Limpa, entre outros argumentos, por ela ter emergido de um abaixo-assinado subscrito por dois milhões de brasileiros. Ora, a Constituição não diz que “o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido?â€. Causa estranheza que o magnânimo ministro desconheça um detalhe tão básico!

Nomeado ministro em 1990 pelo primo (então presidente ) Fernando Collor de Mello, Marco Aurélio de Mello também votou contra a Lei da Ficha Limpa. Agiu, portanto, em consonância com sua controversa história no STF. Afinal, ele concedeu habeas corpus a Salvatore Cacciola (proprietário do falido Banco Marka e responsável por um rombo de 1,5 bilhão de reais aos cofres públicos); votou a favor de habeas corpus para Suzane Louise Von Richthofen (que matou os pais); votou pela anistia aos agentes do regime militar que torturaram e mataram nos “anos de chumbo†e até declarou que o golpe de 64 “foi um mal necessárioâ€.

O ministro José Celso de Mello, cujos votos, por serem longos, ganharam o apelido de “Bolero de Ravelâ€, também beneficiou os “fichas sujas†e carrega em seu currículo o voto no Supremo, em 1993, contra a cassação dos direitos políticos do ex-presidente Collor por oito anos.

Outro ministro que ao votar a favor de Roriz, e, por conseqüência, contra a Lei da Ficha Limpa, manteve coerência com seu currículo é José Antonio Dias Toffoli, que foi condenado por “licitação ilegal†pela Justiça do Amapá em setembro de 2009 (processo nº 0000576-64.2002.8.03.0001).

Autor do voto que consagrou o empate, o atual presidente do STF, Antonio Cezar Peluso, não se incomoda de parecer antipático. Foi quem impediu o depoimento do caseiro Francenildo na CPI dos Bingos. Argumenta que não se prende “às emoções do momento†e que o Judiciário “não pode se colocar na arquibancada de uma torcida uniformizada para misturar alhos com bugalhosâ€.

Voltando a Gilmar Mendes, dele ninguém esperava outra postura. Mesmo porque em junho último aprovou a candidatura do “ficha suja†Heráclito Fortes (senador pelo Estado do Piauí), condenado por conduta lesiva ao patrimônio público. Sua própria indicação ao STF pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso foi advertida pelo jurista Dalmo Dallari como “sério risco aos direitos no Brasilâ€.

A polêmica atuação do ministro Gilmar Mendes no STF inclui: concessão do habeas corpus “relâmpago†que libertou o banqueiro Daniel Dantas da prisão (Escândalo Opportunity); contribuição para recrudescer a violência contra trabalhadores rurais; defesa da reintegração de posse de grileiros; criticas às ações da Polícia Federal contra a corrupção; determinação do retorno imediato ao Legislativo de oito deputados alagoanos acusados de desviar R$ 280 milhões dos cofres públicos; e por aí vai…

Votaram pela imediata aplicação da Lei Complementar nº 135 (Ficha Limpa), contra Joaquim Roriz, os ministros Ayres Brito, Carmem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie.

Poderá haver nova votação no STF para desempate.

 Fontes: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo On Line, Revista Veja, Revista Época, Wikipédia, Site STF, Site TJ/AP.

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Guerra desigual nas eleições favorece corruptos

terça-feira, setembro 14th, 2010

Canhão contra cassetete. Assim se trava a guerra desigual entre os candidatos economicamente abastados – com seus canhões – e os financeiramente mais pobres – debilmente armados com cassetetes. Perante o “olhar cego†da Justiça Eleitoral, as condições devem ser iguais para todos os candidatos. Mas essa pretensa “igualdade†só existe mesmo nos papéis.

A Lei “Ficha Limpa†– grande avanço conquistado por milhões de brasileiros na luta contra a corrupção e a impunidade – está longe de igualar as oportunidades entre os candidatos. Sua eficácia torna-se maior na medida em que os eleitores recorrem ao direito de denunciar indícios de fraudes ao Ministério Público Eleitoral – iniciativa ainda incipiente, embora já com alguns resultados positivos.

As eleições são mais éticas na proporção em que se combate a corrupção, a impunidade e também a condição desigual em que se processa a disputa. Enquanto os mais ricos usam até helicópteros para jogar panfletos e visitar municípios, os mais pobres mal conseguem levar sua mensagem aos eleitores mais próximos.

Dentro das regras ainda vigentes no Brasil, o fator honestidade coloca o candidato em desvantagem diante daqueles que apelam para doações ilegais, caixa 2 e outras mutretas. Para piorar, a corrupção que começa já na campanha terá continuidade – e com mais intensidade – na gestão do candidato “vencedorâ€.

Nunca houve no País, em termos judiciais, uma ferramenta de combate à corrupção tão importante como a “Ficha Limpaâ€: Lei Complementar nº 135, que estabelece hipóteses de inelegibilidade e visa proteger a probidade administrativa e a moralidade dos mandatos. Mas para que essa lei tenha a eficácia desejada os eleitores precisam ser também atores do processo, e não meros espectadores.

Exercendo seu direito – e dever – de denunciar indícios de corrupção e outras irregularidades, o cidadão conseguirá fazer com que as cadeiras que o representam no Executivo e no Legislativo sejam ocupadas por candidatos mais identificados com os anseios populares.

Uma reforma política que garanta igualdade aos diversos partidos e combata a elitização da representação política precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para coibir distorções como escândalos de desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e transferências para o exterior.

Esse indispensável saneamento terá como reflexo a redução da miséria, o combate às drogas, a melhoria da assistência à saúde e à educação e, enfim, o bem estar geral dos brasileiros, que vivem num país rico, embora rica, detém os piores índices sociais do planeta.

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Pesquisas de intenção de voto influenciam eleitores

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

Em Alagoas, no Brasil e no mundo a história das campanhas eleitorais revelou que as pesquisas de intenção de voto influenciam o eleitor a ponto de até alterar resultados.

As frequentes diferenças gritantes de números entre os institutos colocam em cheque a credibilidade das pesquisas, evidenciando a ocorrência de manipulações para favorecer um candidato ou outro. Exemplo recente é o gigantesco disparate que distancia os percentuais do Ibope e do Gape em pesquisas para o governo de Alagoas.

A manipulação é flagrante: para o Ibope, Teotônio Vilela, candidato à reeleição, detinha 24% das intenções de voto e Fernando Collor 28%. Porém, o Gape (instituto que pertence a Collor) atribuiu a Vilela somente 16% e ao senador e ex-presidente 38% das preferências – uma diferença de 10% entre uma pesquisa e outra, muito acima de qualquer margem de erro tolerada pelos institutos, que varia em 3%, para mais ou para menos.

Os candidatos, em geral, sabem que as pesquisas influenciam fortemente o eleitorado, já que existe a tendência de se votar em quem tem mais condições de vencer para – como se diz comumente – “não perder o votoâ€.
A margem de erro das pesquisas obedece a parâmetros limitados por probabilidades que variam de acordo com bairros, faixas etárias, sexo e regiões. Os dados utilizados para composição da amostra são obtidos junto ao IBGE, ao TSE e aos TREs.

Na maioria das vezes os erros são toleráveis e advém de falhas técnicas. Mas quando algum candidato “aventureiroâ€, apelando para seu poder de influência, ousa “mexer†nos números para favorecer a si mesmo, é fatal: o deslize, mais cedo ou mais tarde, vem à luz, desmoralizando definitivamente o instituto que se submeteu à falcatrua.

Há no Brasil cerca de 126 milhões de eleitores, segundo o TSE. Os grandes institutos de pesquisa entrevistam em média um eleitor para cada grupo de 50 mil. Ou seja: para se atingir o total de eleitores do país seriam necessários 50 mil levantamentos. Em Alagoas, onde o número aproximado de votantes é 2 milhões, a pesquisa, para refletir a realidade, deveria abranger pelo menos 4 mil pessoas selecionadas aleatoriamente nas diferentes regiões do Estado.

Os fatores que mais comprometem a credibilidade das pesquisas – muitas delas encomendadas por partidos políticos – são, além das manipulações, as divulgações mal feitas ou parciais de resultados e a falta de registro no TSE ou TRE.

Há também a possibilidade de uma surpresa negativa, uma novidade de última hora capaz de inverter as intenções de voto. Foi o que aconteceu em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso já contava vitória para a prefeitura de São Paulo, com imensa vantagem nas pesquisas, mas acabou derrotado por Jânio Quadros porque, no dia da eleição, os jornais estamparam uma entrevista onde ele afirmou que não acreditava em Deus e que havia fumado maconha.

Para o Ibope, somente um bombástico fato novo seria capaz de mudar o rumo da disputa presidencial deste ano. Em todas as pesquisas, Dilma Roussef está muito à frente de seu maior adversário José Serra, além de ter também a seu favor os 78% de aprovação ao governo Lula. Só mesmo denúncias fortes, muito bem fundamentadas e com provas para dar “uma virada†e colocá-la em desvantagem.

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Se reeleger para manter a imunidade e livrar-se da cadeia

quinta-feira, agosto 12th, 2010

Depois de “encher a pança†com dinheiro público e meter-se nas mais escandalosas falcatruas (em muitos casos envolvendo até assassinatos), não são poucos os políticos que se candidatam à reeleição tendo como foco principal livrar-se da cadeia. Sem imunidade parlamentar, elementos desse tipo temem – uma vez “pessoas comuns†– ficar vulneráveis às punições pelos crimes cometidos.

A imunidade parlamentar – assim como os cargos vitalícios de profissionais da área jurídica – alimenta nos debilitados em formação e educação a sensação de estar acima do bem e do mal. Assim como Calígula e outros déspotas históricos, esses imunizados “chacais†disfarçados de bons – geralmente sem amigos verdadeiros e cercados de puxa-sacos – pensam que são “deuses poderosos†credenciados a usar o que é público em benefício próprio e até a eliminar vidas humanas.

Enquanto faltam giz e merenda nas escolas, os “homens públicos†que se arvoram a ser Deus desviam dinheiro para comprar para si vinhos caríssimos, fazer bacanais em hotéis de luxo de outras cidades, viajar ao exterior ou pelo Brasil mesmo, a pretexto de trabalho, mas como turistas – e até com a família.

Quem consegue mover os neurônios para refletir (infelizmente a minoria), pode distinguir quem é quem entre os candidatos das campanhas. Os falastrões prometem o impossível para ganhar imunidade e, assim respaldados, prosseguir com seus crimes tão lucrativos.

Para alcançar esse duplo propósito (imunidade e saldo maior na conta bancária), usam a seu favor as falhas da lei, a desinformação da mídia aliada, o analfabetismo, a crescente degenerescência moral e as ameaças coronelistas características dos currais eleitorais.

A cada campanha eleitoral, as mesmas “caras carimbadas†voltam aos palanques, aos cartazes afixados nas paredes, às musiquinhas dos carros-de-som e aos falsos “tapinhas nas costasâ€. Fartamente denunciados como corruptos e parasitas, buscam impunidade na reeleição. E o que é pior: conseguem se reeleger! Para infelicidade de todos nós, inclusive de seus iludidos e desinformados eleitores!

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O crime compensa em Alagoas?

quinta-feira, agosto 5th, 2010

Essa pergunta estará respondida após a apuração das urnas em outubro próximo.
As pessoas de bom senso alimentam a esperança de que a maioria do eleitorado alagoano derrote nas urnas os “taturanasâ€, “gabirus†e demais candidatos denunciados por envolvimento em falcatruas. Assim procedendo, darão continuidade ao bom trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal.
Caso isso não aconteça, a pobre Alagoas continuará – mais do que nunca – refém da miséria e da corrupção, condições humilhantes que estarão reforçadas pelo aval do voto popular.
O histórico de desonestidade e crueldade desses candidatos não os credencia como merecedores do voto das pessoas que querem um mundo melhor, um futuro feliz. Reeleger essa gente é contribuir para perpetuar a triste realidade da falta de oportunidades de estudo e de trabalho, é manter a juventude à mercê dos aliciadores do crack e outras drogas que, como ratos de esgoto, infestam Maceió e interior. A juventude está sendo assassinada em Alagoas, vítima do desprezo e da negligência dos maus políticos.
Os menos formados e informados intimidam-se com ameaças e deixam-se seduzir pelos abraços, promessas e doações de pequena monta. Colocam o Estado nas mãos de quem lhes dá as costas após as eleições. Sacrificam o conjunto da sociedade ao dar poder de mando a quem desmoraliza Alagoas por ocupar o noticiário policial sob acusações de crimes e roubo do dinheiro público.
Após o voto, já será tarde para se arrepender. Restará ao eleitor traído e também ao esclarecido aturar por mais 4 anos a humilhação proporcionada pelos desabonados representantes eleitos e sofrer as consequências do atraso que relega Alagoas aos piores índices sociais.
O alagoano que eleger candidatos como esses estará dizendo ao Brasil: Em Alagoas, o crime compensa!

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Reflexões de uma eleitora arrependida e indecisa

terça-feira, julho 27th, 2010

 A caminhada é longa, mas Fátima Dolores dispensou o ônibus. Decidiu enfrentar a pé os quilômetros que separam sua casa, no Tabuleiro, da seção eleitoral, no Feitosa. Quer pensar melhor. Indecisa, ainda não sabe quem merece de seu voto, arma tão preciosa e poderosa. Arrependeu-se do candidato que escolheu na eleição passada: ele traiu sua boa fé e enveredou-se para o caminho da corrupção.

 Agora Fátima não pretende cometer o mesmo erro: vai pensar em propostas, em condutas, e não mais na “cara de bonzinhoâ€, como a do candidato corrupto que ajudou a eleger. Não quer mais ser enganada pelos tapinhas nas costas, sorrisos, abraços, apertos de mão e beijinhos nas crianças.

 Trocando os passos em direção ao local de votação, Fátima pensa na sua vida difícil e reflete que os tão prometidos projetos sociais nunca foram convertidos em realidade. O posto de saúde, a escola e o saneamento básico permanecem nas palavras tão enfaticamente proferidas pelo candidato durante a campanha. Ela pensa nas crianças que brincam entre esgotos e contraem doenças e, contrariada, pensa nas promessas de que as soluções viriam em pouco tempo. Tudo farsa daquele “cara de bonzinho”!

 Em suas reflexões, Fátima revolta-se com o candidato que lhe virou as costas após as eleições e que ficou mais rico. Ela leu nos jornais que o sujeito em quem votou deixou de lado os compromissos assumidos na campanha para, em troca de favores, aprovar projetos encomendados por grandes empresários do setor financeiro, estimulando assim a especulação em prejuízo do bem-estar social.

 O sofrimento – e não o estudo – ensinou Fátima que o voto é o bem mais precioso para um cidadão que deseja uma sociedade justa. A pouca escolaridade a salvou do analfabetismo, mas limitou sua condição de vida. Ela sente na pele, mas não distingue a diferença entre um projeto que prioriza o social e um projeto que prioriza o financeiro.

 Ela e seus vizinhos do Tabuleiro sofrem as consequências dessa diferença quando deixa-se de gerar empregos para cortar “gastos essenciais†a pretexto de conter a inflação. Sofrem quando deixa-se de recuperar o salário-mínimo a pretexto de reduzir a vulnerabilidade externa em nível de administração cambial. São penalizados quando deixa-se de investir na distribuição de renda a pretexto de preservar nas mãos de poucos extensões de terra maiores que países inteiros.

 Fátima e seus vizinhos amargam no dia-a-dia o sofrimento de não ter acesso à educação e à saúde porque os defensores dos projetos financeiros durante anos deixaram de lado o desenvolvimento social para buscar estabilidade monetária, tendo o “controle†da inflação como único objetivo macroeconômico, a exemplo do que foi feito no período 1995-2002, quando a palavra de ordem era privatizar tudo, inclusive escolas e hospitais, afastando ainda mais a população pobre da educação, da saúde e das oportunidades de emprego.

 Sem emprego, sem educação e excluído das oportunidades de trabalho, o vizinho de Fátima busca refúgio nas drogas e envereda-se para o crime, aumentando a violência dos assassinatos e assaltos.

 A longa caminhada de Fátima rumo à seção eleitoral a fez refletir que quem determina a sua qualidade de vida não é apenas o candidato, mas principalmente o projeto que se implanta no país: o econômico-social ou o econômico-financeiro. Fátima, em sua cansativa caminhada, começa a entender que a mídia televisiva, informatizada, radiofônica e impressa, quando alinha-se ao lado do financeiro, por exemplo, manipula a opinião pública para esse lado, omitindo informações, denegrindo uns e exaltando outros.

 Omite, por exemplo, que um administrador semi-analfabeto criou mais escolas de primeiro e segundo graus, escolas profissionalizantes e universidades do que o administrador poliglota e intelectual que o antecedeu.

 Embora angustiada com vizinhos que – não poucos – optaram por trocar seus inestimáveis votos por tijolos, algum dinheiro e promessas, Fátima está convencida de que desta vez pelo menos ela vai acertar: votará de acordo com sua consciência!

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Desamor e ganância fazem de Alagoas a campeã das exclusões

terça-feira, julho 13th, 2010

Definitivamente, os governos que se sucedem no Estado não amam Alagoas. Em meio aos incontáveis exemplos de desamor está a perda de prazo para Maceió ser incluída entre as cidades-sede da Copa 2014. A Fifa confirmou em 28 de janeiro de 2009 a exclusão da capital alagoana porque não foi entregue o projeto de construção do estádio Arena Zagallo, que seria erguido no bairro do Benedito Bentes.

Desprezou-se a oportunidade única de atrair turistas do mundo inteiro para o “Paraíso das Ãguasâ€, cidade com imensa vocação turística, onde a natureza continua bela, apesar das brutais agressões (línguas negras, desmatamentos, esgotos e outras mazelas agravadas pela falta de saneamento básico).

Condenar Alagoas ao atraso perpétuo parece ser o que mais converge os sucessivos governos ao longo das décadas. É o Estado que registrou a maior taxa de pobreza absoluta em 2008 (56,6%). A exclusão como sede da Copa emerge em coerência com a exclusão social.

As tentativas de explicar a perda de prazo para a entrega do projeto foram absurdas. Alegou-se que era muito caro (3 milhões e meio de reais) e que seria melhor investir em saúde (?), educação (??) e segurança (???).

As condições de saúde, educação e segurança são as piores do Brasil, dizem os índices oficiais. Um quadro desumano que ficou ainda mais dramático após as enchentes que devastaram mais de vinte municípios, vítimas da falta de investimentos em infra-estrutura.

Saúde – Alagoas tem a maior taxa de mortalidade infantil do Brasil (IBGE). De mil crianças nascidas vivas, 66 morrem antes de completar um ano. A situação dos hospitais públicos em Maceió e no interior é tão caótica que o Sindicato dos Médicos chegou a pedir intervenção na Saúde de Alagoas. O Estado apresenta a menor expectativa de vida e o menor IDH (Ãndice de Desenvolvimento Humano) do País: 0,677, equivalente ao IDH do Gabão, 119º do mundo.

Educação – Ostentando o vergonhoso primeiro lugar do Brasil em analfabetismo, Alagoas abriga o maior percentual de pessoas com 15 anos ou mais incapazes de ler e escrever (PNAD). É também o Estado com o pior nível de ensino fundamental (IDEB – principal indicador de qualidade do ensino brasileiro de 2009). É difícil imaginar que esse quadro caótico poderia ficar pior, mas ficou depois que escolas inteiras foram “varridas†pelas enchentes de junho.

Segurança – Logo nas primeiras 24 horas de 2010, 17 pessoas foram assassinadas em Alagoas. É raro o dia em que tiros e facadas não ceifem a vida de pelo menos dez pessoas. Nos finais de semana os crimes são ainda mais numerosos. Mata-se tanto quanto – ou mais – do que em países em situação de guerra. Tudo isso somado com assaltos, agressões físicas e outras barbáries fazem de Alagoas líder nacional também em violência. Maceió é a capital mais violenta do Brasil, indica o Mapa da Violência do Ministério da Justiça.

Como se vê, os indicadores oficiais gritam que segurança, educação e saúde há décadas não são prioridade na pobre Alagoas, onde alguns já muito ricos enriquecem cada vez mais.

Desamor – Faz sentido, portanto, argumentar que falta dinheiro para investir em um projeto que poderia incluir Alagoas na Copa de 2014 e atrair turistas de todo o planeta, que com certeza se encantariam com as persistentes belezas naturais. Afinal, essa é apenas mais uma entre tantas exclusões!

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