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As músicas de Carnaval através dos tempos

sexta-feira, março 4th, 2011

Preciosidades da rica cultura popular brasileira, como as marchinhas de Carnaval que marcaram época, não podem cair no esquecimento! Afinal, um país que se ama valoriza o que é seu.

O improviso, o lirismo, o humor, a malícia, a crítica política, a inteligência e a ironia são características que os brasileiros imprimiram, através dos tempos, nos frevos, nos sambas e nos incontáveis ritmos que animam a mais expressiva festa popular do planeta.

Remando no sentido contrário, grupos econômicos massacram nossos tímpanos com “pocotós†e “paconejos†e “loteiam†blocos carnavalescos com abadas vendidos a prestação para os mais carentes. Desvirtuaram, assim, o senso crítico de adolescentes e jovens com suas micaretas embaladas com palavras de ordem como “todo mundo balançando a bundinha!â€.

É triste ver a multidão de meninas erguendo os braços quando o “pacozeiro†do trio-elétrico brada “quem for rapariga coloca as mãozinhas pra cima!â€. É também triste – e perigoso – ver bocas que nunca se encontraram obedecendo ao comando de “agora todo mundo beijando todo mundo!â€

Esse comercialismo irresponsável que estimula a promiscuidade, o uso de drogas e a banalização da vida não combina com a história do Carnaval brasileiro, pontuada pelas folias de rua gratuitas e sadias e pelas canções de Chiquinha Gonzaga, Zé Keti, Lamartine Babo, Braguinha, Jararaca, Capiba, Nelson Ferreira, Caetano Veloso e tantos outros talentos.

Para preservar nossa memória, segue uma série de marchinhas que fizeram sucesso em antigos carnavais:

MAMÃE EU QUERO (1936) é a música brasileira mais conhecida no mundo. O autor é o alagoano Jararaca (José Luís Rodrigues Calazans) (1896 – 1977), composta em parceria com o paulista Vicente Paiva (1908 – 1964).

“Mamãe, eu quero / Mamãe, eu quero / Mamãe, eu quero mamar! / Dá a chupeta /Dá a chupeta / Dá a chupeta pro bebê não chorar! / Dorme filhinho do meu coração / Pega a mamadeira e vem entrar pro meu cordão / Eu tenho uma irmã que se chama Ana/ De piscar o olho já ficou sem a pestana / Olho as pequenas, mas daquele jeito / Tenho muita pena não ser criança de peito / Eu tenho uma irmã que é fenomenal / Ela é da bossa e o marido é um boçalâ€.

http://www.youtube.com/watch?v=-1aUmyfpSq8

A mais antiga é ABRE ALAS (1899), da carioca Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwiges Neves Gonzaga) (1847 – 1935).

“Ó abre alas que eu quero passar / Ó abre alas que eu quero passar / Eu sou da lira não posso negar / Eu sou da lira não posso negar / Ó abre alas que eu quero passar / Ó abre alas que eu quero passar / Rosa de ouro é que vai ganhar / Rosa de ouro é que vai ganharâ€

PÉ DE ANJO (1920) de Sinhô

“Eu tenho uma tesourinha / Que corta ouro e marfim /Serve também pra cortar / Línguas que falam de mim / O pé de anjo, o pé de anjo / És rezador, és rezador / Tens o pé tão grande / Que és capaz de pisar nosso senhor / A mulher e a galinha / São dois bichos interesseiros / A galinha pelo milho / E a mulher pelo dinheiroâ€

TA-HÃ! (1930) de Joubert de Carvalho

“Taí eu fiz tudo pra você gostar de mim / Ai meu bem não faz assim comigo não / Você tem você tem que me dar seu coração / Meu amor não posso esquecer / Se dá alegria faz também sofrer / A minha vida foi sempre assim / Só chorando as mágoas que não têm fim  / Essa história de gostar de alguém /Já é mania que as pessoas têm / Se me ajudasse Nosso Senhor / Eu não pensaria mais no amorâ€

O TEU CABELO NÃO NEGA (1931) de Lamartine Babo e Irmãos Valença

“O teu cabelo não nega mulata / Porque és mulata na cor / Mas como a cor não pega mulata / Mulata eu quero o teu amor / Tens um sabor bem do Brasil / Tens a alma cor de anil / Mulata mulatinha meu amor / Fui nomeado teu tenente interventor / Quem te inventou meu pancadão / Teve uma consagração / A lua te invejando faz careta / Porque mulata tu não és deste planeta / Quando meu bem vieste à terra / Portugal declarou guerra / A concorrência então foi colossal / Vasco da gama contra o batalhão navalâ€

LINDA MORENA (1932) de Lamartine Babo

“Linda morena, morena / Morena que me faz penar / A lua cheia que tanto brilha / Não brilha tanto quanto o teu olhar / Tu és morena uma ótima pequena / Não há branco que não perca até o juízo / Onde tu passas / Sai às vezes bofetão / Toda gente faz questão / Do teu sorriso / Teu coração é uma espécie de pensão / De pensão familiar à beira-mar / Oh! Moreninha, não alugues tudo não / Deixe ao menos o porão pra eu morar / Por tua causa já se faz revolução / Vai haver transformação na cor da lua / Antigamente a mulata era a rainha / Desta vez, ó moreninha, a taça é tuaâ€

CIDADE MARAVILHOSA (1934) de André Filho

“Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil / Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil / Berço do samba e das lindas canções / Que vivem n’alma da gente / És o altar dos nossos corações / Que cantam alegremente / Jardim florido de amor e saudade / Terra que a todos seduz / Que Deus te cubra de felicidade / Ninho de sonho e de luzâ€

PIERRÔ APAIXONADO (1935) de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres

“Um pierrô apaixonado / Que vivia só cantando / Por causa de uma colombina / Acabou chorando, acabou chorando / A colombina entrou num butiquim / Bebeu, bebeu, saiu assim, assim / Dizendo: pierrô cacete / Vai tomar sorvete com o arlequim / Um grande amor tem sempre um triste fim / Com o pierrô aconteceu assim / Levando esse grande chute / Foi tomar vermute com amendoimâ€

BALANCÊ (1936) de Braguinha e Alberto Ribeiro

“Ô balancê balancê / Quero dançar com você / Entra na roda morena pra ver / Ô balancê balance / Quando por mim você passa / Fingindo que não me vê / Meu coração quase se despedaça / No balancê balance / Você foi minha cartilha / Você foi meu ABC / E por isso eu sou a maior maravilha / No balancê balance / Eu levo a vida pensando / Pensando só em você / E o tempo passa e eu vou me acabando / No balancê balanceâ€

TOURADAS EM MADRI (1937) de Braguinha e Alberto Ribeiro

“Eu fui às touradas em Madri / E quase não volto mais aqui / Pra ver Peri beijar Ceci / Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha / Queria que eu tocasse castanhola e pegasse touro à unha / Caramba caracoles sou do samba não me amoles / Por Brasil eu vou fugir / Isto é conversa mole para boi dormirâ€

YES, NÓS TEMOS BANANAS (1937) de Braguinha e Alberto Ribeiro

“Yes, nós temos bananas / Bananas pra dar e vender / Banana menina tem vitamina /Banana engorda e faz crescer / Vai para a França o café, pois é / Para o Japão o algodão, pois não / Pro mundo inteiro, homem ou mulher /Bananas para quem quiser / Mate para o Paraguai / Ouro do bolso da gente não sai / Somos da crise, se ela vier / Bananas para quem quiserâ€

A JARDINEIRA (1938), de Benedito Lacerda  e Humberto Porto

“Ó jardineira porque estás tão triste / Mas o que foi que te aconteceu / Foi a camélia que caiu do galho / Deu dois suspiros e depois morreu / Vem jardineira vem meu amor / Não fiques triste que este mundo é todo seu / Tu és muito mais bonita / Que a camélia que morreuâ€

ALLAH-LÃ-Ô (1940) de Haroldo Lobo e Nássara

“Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô / Mas que calor, ô ô ô ô ô ô / Atravessamos o deserto do Saara / O sol estava quente / Queimou a nossa cara / Viemos do Egito / E muitas vezes / Nós tivemos que rezar / Allah! allah! allah, meu bom allah! / Mande água pra ioiô / Mande água pra Iaiá / Allah! meu bom allahâ€

AURORA (1940) de Mário Lago e Roberto Roberti

“Se você fosse sincera / Ô ô ô ô Aurora / Veja só que bom que era /

Ô ô ô ô Aurora / Um lindo apartamento / Com porteiro e elevador / E ar refrigerado / Para os dias de calor / Madame antes do nome / Você teria agora / Ô ô ô ô Auroraâ€

PIRATA DA PERNA DE PAU (1946) de Braguinha

“Eu sou o pirata da perna de pau / Do olho de vidro da cara de mau / Minha galera / Dos verdes mares não teme o tufão / Minha galera / Só tem garotas na guarnição / Por isso se outro pirata / Tenta a abordagem eu pego o facão / E grito do alto da popa: Opa! homem não!â€

CHIQUITA BACANA (1949) de Braguinha e Alberto Ribeiro

“Chiquita bacana lá da Martinica / Se veste com uma casa de banana nanica / Não usa vestido, oi! não usa calção / Inverno pra ela é pleno verão / Existencialista com toda razão / Só faz o que manda o seu coração, ôi!â€

SACA-ROLHA (1953) de Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado

“As águas vão rolar / Garrafa cheia eu não quero ver sobrar / Eu passo mão na saca saca saca rolha / E bebo até me afogar  / Deixa as águas rolar / Se a polícia por isso me prender / Mas na última hora me soltar / Eu pego o saca saca saca rolha / Ninguém me agarra ninguém me agarraâ€

CACHAÇA (1953) de Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro e Heber Lobato

“Você pensa que cachaça é água / Cachaça não é água não / Cachaça vem do alambique / E água vem do ribeirão / Pode me faltar tudo na vida / Arroz feijão e pão / Pode me faltar manteiga / E tudo mais não faz falta não / Pode me faltar o amor / Há, há, há, há! / Isto até acho graça / Só não quero que me falte / A danada da cachaçaâ€

EVOCAÇÃO Nº 1 (1956) de Nelson Ferreira,

“Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon / Cadê teus blocos famosos / Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Apôs-Fum / Dos carnavais saudosos / Na alta madrugada / O coro entoava / Do bloco a marcha-regresso / E era o sucesso dos tempos ideais / Do velho Raul Moraes / Adeus adeus minha gente / Que já cantamos bastante / E Recife adormecia / Ficava a sonhar / Ao som da triste melodiaâ€

ME DÃ UM DINHEIRO AÃ (1959) de Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira

“Ei, você aí! / Me dá um dinheiro aí! / Me dá um dinheiro aí! / Não vai dar? / Não vai dar não? / Você vai ver a grande confusão / Que eu vou fazer bebendo até cair / Me dá me dá me dá, ô! / Me dá um dinheiro aí!â€

ÃNDIO QUER APITO (1960) de Haroldo Loboe Milton de Oliveira

“Ê ê ê ê ê índio quer apito / Se não der pau vai comer / Lá no bananal mulher de branco / Levou pra pra índio colar esquisito / Ãndio viu presente mais bonito / Eu não quer colar / Ãndio quer apitoâ€

MARCHA DO CORDÃO DO BOLA PRETA (1962) de Nelson Barbosa e Vicente Paiva

“Quem não chora não mama / Segura meu bem a chupeta / Lugar quente é na cama / Ou então no Bola Preta / Vem pro Bola meu bem / Com alegria inferna / Todos são de coração / Todos são de coração / Foliões do carnaval  / (Sensacional!)â€

MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI (1963) de Capiba

“Madeira do Rosarinho / Vem à cidade sua fama mostrar / E traz com seu pessoal / Seu estandarte tão original / Não vem pra fazer barulho / É só dizer e com satisfação / Queiram ou não queiram os juízes / O nosso bloco é de fato campeão / E se aqui estamos cantando essa canção / Viemos defender a nossa tradição / E dizer bem alto que a injustiça dói / Nós somos madeira de lei que cupim não róiâ€

CABELEIRA DO ZEZÉ (1963) de João Roberto Kelly eRoberto Faissal

“Olha a cabeleira do Zezé / Será que ele é / Será que ele é / Será que ele é bossa nova / Será que ele é Maomé / Parece que é transviado / Mas isso eu não sei se ele é / Corta o cabelo dele! / Corta o cabelo dele!â€

MULATA IÊ IÊ IÊ (1964) de João Roberto Kelly

“Mulata bossa nova / Caiu no hully gully / E só dá ela / Ê ê ê ê ê ê ê ê / Na passarela / A boneca está / Cheia de fiufiu / Esnobando as louras / E as morenas do Brasilâ€

MÃSCARA NEGRA (1966) de Zé Keti e Pereira Mattos

“Quanto riso / Oh quanta alegria / Mais de mil palhaços no salão / Arlequim está chorando / Pelo amor da Colombina / No meio da multidão / Foi bom te ver outra vez / Está fazendo um ano / Foi no carnaval que passou / Eu sou aquele pierrô /Que te abraçou e te beijou meu amor / Na mesma máscara negra / Que esconde o teu rosto / Eu quero matar a saudade / Vou beijar-te agora / Não me leve a mal / Hoje é carnavalâ€

BANDEIRA BRANCA (1969) de Max Nunes e Laércio Alves

“Bandeira branca amor / Não posso mais / Pela saudade que me invade / Eu peço paz / Saudade mal de amor de amor / saudade dor que dói demais / Vem meu amor / Bandeira branca eu peço pazâ€

CHUVA, SUOR E CERVEJA (1971) de Caetano Veloso

“Não se perca de mim / Não se esqueça de mim / Não desapareça / A chuva tá caindo / E quando a chuva começa / Eu acabo de perder a cabeça / Não saia do meu lado / Segure o meu pierrô molhado / E vamos embolar ladeira abaixo / Acho que a chuva / Ajuda a gente a se ver / Venha veja deixa beija seja / O que Deus quiser / A gente se embala, se embola / Se enrola, só pára na porta da igreja / A gente se olha se beija, se molha / De chuva suor e cervejaâ€

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Frevo em Recife, axé em Salvador e prévias em Maceió

sábado, fevereiro 12th, 2011

Antes do Carnaval, em Alagoas chega o Carnaval. De alguns anos para cá, a folia – que deixa muito a desejar nos dias do reinado de Momo em Maceió e no interior – vem sendo garantida pelas prévias, cada vez mais animadas.

O Jaraguá Folia e o Pinto da Madrugada destacam-se entre as atrações que antecedem o Carnaval no Estado. Faça chuva ou faça sol, multidões cada vez maiores vestem a fantasia para colorir a diversão coletiva.

Por outro lado, as escolas de samba – antes tão prestigiadas – e o carnaval de rua tendem a desaparecer por falta de apoio oficial. A folia na Praça do Moleque Namorador, por exemplo, palco de históricos carnavais, caiu no esquecimento.

Este ano, o Jaraguá Folia, com mais de 130 blocos, promete muita agitação nos dias 25 e 26. No ano passado, a chuva não conseguiu diminuir a animação dos milhares de foliões que ocuparam as ruas do bairro do Jaraguá.

Filhos da Pauta, Coroas do Bom Parto, Tomba mais não cai, Pecinhas de Maceió, Filhinhos da Mamãe, Gatos Pingados, Bloco do Prazer, Maracatu Baque Alagoano e Agora Chore estão entre os blocos que voltarão a invadir o trajeto que sai do Orákulo, passa pela Associação Comercial e dá a volta para retornar ao Orákulo.

Não existe dúvida de que o Pinto da Madrugada irá repetir este ano a animação que contagiou a multidão que fantasiou a Pajuçara e a Ponta Verde na prévia carnavalesca do ano passado. O sol escaldante certamente voltará a marcar presença – e tudo indica que com intensidade ainda maior -, mas o calor da alegria promete ser novamente ainda mais intenso que o calor do sol.

Outras atrações se incorporam para incrementar as prévias de Carnaval em Alagoas. O bloco “Amigos do Jaça†sai dia 27 no Jacintinho, Wado apresenta no Banga o Bloco dos Bairros Distantes, o bloco “Já Fui Bom Nisso e Ainda Souâ€, do Sesc, movimentará os idosos na tarde do dia 25 no Calçadão da Rua do Comércio, uma orquestra de frevo animará a Praça Dois Leões, o Grito do Rock cuidará da agitação na Praça Marcílio Dias e grupos afros estarão no Largo do Poeta com atabaques e danças. Há ainda os tradicionais Bois de Carnaval.

Em meio ao frevo pernambucano e ao axé baiano, Alagoas desponta no país, ano após ano, como excelente alternativa para as prévias carnavalescas.

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Nem todos os jovens dizem “não estou nem aíâ€

quinta-feira, janeiro 27th, 2011

Estava na fila do supermercado e fiquei intrigado com o que ouvi de três jovens que falavam sobre política. Um que aparentava 21 anos opinou que estudantes não devem ter participação na vida política do país. Outro, de igual idade, disse achar o mesmo. E o terceiro, uma garota de uns 17 anos, arrematou: “não estou nem aí pra esse assuntoâ€.

Esse diálogo me levou a pensar que a alienação política não é privilégio dos jovens informatizados de hoje: nos anos 60 e 70 grande parte da juventude também era alienada, desinformada sobre a luta clandestina que se travava contra a ditadura militar que torturou e matou tantos outros igualmente jovens – estudantes e trabalhadores.

Hoje as preocupações são outras.  O movimento estudantil dedica-se mais às causas imediatas e particulares – como a questão do passe escolar. Uma vez resolvidas as reivindicações, a mobilização se desmonta.

Após uma rápida reflexão, já menos assustado com a aberração opinativa dos três “nem aí†para as questões políticas, me ocorreu que, quando o momento exige, os jovens sempre “arregaçam as mangas†e partem para as lutas sociais. Foi assim, por exemplo, com os “caras-pintadasâ€, um movimento que em 1992 culminou com a queda do corrupto governo Collor.

A ocultação e manipulação dos fatos ao longo dos anos resultaram em uma imensa atrofia política entre os jovens em geral, um vazio que o restabelecimento da democracia ainda não conseguiu preencher. Sem perspectivas, não são poucos os que buscam uma fuga nas drogas e no álcool. O crack está envenenando a juventude em ritmo galopante.

Vivendo o conforto do avanço tecnológico (que, sem dúvida, representa um salto de qualidade para a humanidade), uma imensidão de jovens da classe média se enclausurou diante do computador e se afastou do convívio pessoal, deixando gradativamente de compartilhar divertimentos, problemas e soluções.

A equivocada superproteção de pais – a pretexto de “poupar†os filhos de sofrimentos e carências que os afligiram no período de ditadura – contribui para isolá-los e aliená-los ainda mais, exacerbando o egoísmo e arrefecendo a solidariedade.

Acomodados, sedentários, sem iniciativa, muitos preferem permanecer com idade cada vez mais avançada na casa dos pais. É crescente a quantidade de filhos que, mesmo após casados, fazem a opção de “fugir do mundo†sob a proteção do “seguro†manto da “ilha†natal.

Desmentindo os sofríveis argumentos daqueles três da fila do supermercado – que provavelmente passam horas solitárias diárias diante do computador -,  jovens, em todo o mundo, prosseguem ativos na busca por dias melhores, seja defendendo o meio-ambiente, seja colocando-se à frente de tanques-de-guerra na China, seja reivindicando a legítima inclusão social, seja através da música e das artes em geral. Buscam educação, trabalho e dignidade.

No Brasil, os jovens marcaram forte presença nas campanhas do petróleo nos anos 50, na luta contra a ditadura nos anos 60 e 70, na reconstrução de entidades sindicais, estudantis e populares nos anos 80 e nas mobilizações que culminaram com a derrubada de Fernando Collor nos anos 90. Apesar do nocivo isolamento virtual, a juventude continua – em maior ou menor grau – a marcar sua presença nas batalhas sociais dos anos 2000.

Por outro lado, não é de agora que as gerações anteriores condenam a “alienação†das anteriores. Eis um exemplo clássico: “Os jovens de hoje gostam do luxo, são mal comportados, desprezam a autoridade, não têm respeito pelos mais velhos e passam o tempo a falar em vez de trabalhar. Não se levantam quando um adulto chega, contradizem os pais, apresentam-se em sociedade com enfeites estranhos, apressam-se a ir para a mesa, comem os acepipes, cruzam as pernas e tiranizam os seus mestresâ€. Tudo isso foi dito há mais de 400 anos a.C. pelo filósofo grego Sócrates.

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Erradicação da miséria versus concentração de renda

segunda-feira, janeiro 10th, 2011

Num país onde 10% da população mais rica detêm 75,4% de todas as riquezas (dados do Ipea), a erradicação da miséria pretendida pela presidente Dilma Rousseff é desafio imensamente difícil. A cruel concentração de renda no Brasil é a maior do mundo depois de sete países extremamente miseráveis: Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.

Alagoas detém uma perversa concentração de renda: a maior parte das riquezas está nas mãos de apenas 12 famílias. Com a menor renda real média e a maior proporção de pobres do Brasil, é o estado que tem mais analfabetos, indica o Ipea de 2009 (24,6% da população é analfabeta). Esse percentual já foi pior: há hoje 43 mil analfabetos a menos em relação à última pesquisa, quando a taxa era de 30% de analfabetismo.

A falta de investimento em capital humano e em infraestrutura ao longo das últimas décadas comprometeu seriamente as chances de reversão deste negativo quadro crônico em Alagoas, onde os índices sociais e econômicos – quando não pioram – melhoram num ritmo muito mais lento do que nos demais Estados.

Os indicativos sociais e econômicos de Alagoas nunca irão melhorar se não houver investimento ousado em políticas públicas, em programas sociais e em infraestrutura. Será impossível concretizar tudo isso sem um aporte maciço de recursos do Governo Federal e das entidades multilaterais.

A ousadia terá de ser ainda maior no sentido da diversificação da economia, secularmente concentrada em sua quase totalidade na monocultura sucroalcooleira. Os “feudais†latifúndios, que possuem quase todas as terras, também são forte entrave para o desenvolvimento econômico de Alagoas, agravado pela extinção do IAA – Instituto do Açúcar e do Ãlcool.

Sem opções diversificadas no mercado de trabalho e sem capital humano qualificado, a economia alagoana vem sendo fomentada pelos projetos sociais, a exemplo do Bolsa Família, do Governo Federal.

Em ritmo mais lento que os outros estados, Alagoas também colhe benefícios do momento de ascensão do poder aquisitivo do brasileiro, cenário constatado na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE. Um forte indicador é a redução da fome: 11% a mais das famílias em relação a 2002 dispõem de alimentos suficientes para até o final do mês.

A desigualdade extrema resultante da concentração de renda em Alagoas nunca será superada com fórmulas mágicas. A ousadia é indispensável para reverter, por exemplo, o IDH (Ãndice de Desenvolvimento Humano), que é também o pior do Brasil neste pequeno estado. Utilizado em todo o mundo para medir o bem-estar da população, o IDH leva em contra três fatores: riqueza, educação e expectativa de vida. Em tudo isso, Alagoas continua no fim da fila.

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Mulheres no poder: “nunca antes na história deste país…”

quarta-feira, dezembro 29th, 2010

Uma “presidenta†e nove ministras no poder prenunciam uma nova dimensão para o Brasil. Diante das mulheres, que tanto já desbravaram, se apresenta um horizonte repleto de conquistas que, por sua amplitude, acabam por beneficiar homens, crianças, diversidades de raça, enfim, o conjunto da sociedade.

A estrada ainda é longa para alcançar plena igualdade de direitos em relação aos homens, mas os passos das mulheres nesse rumo estão muito mais largos no Brasil. Muito sofrimento e muito sangue custaram para que as mulheres alcançassem direitos básicos como do voto, por exemplo. São bases que alicerçaram conquistas democráticas mais avançadas, tão avançadas que culminaram na eleição de uma mulher para a presidência da República.

Ao pleitearem condições de igualdade social e econômica, as mulheres contribuem para combater a discriminação que também aflige negros, pobres, imigrantes, sem-terra e trabalhadores em geral.

Indicada para assumir a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), Luiza Bairros observa que a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra, um quadro que, para ela, não poderá ser revertido sem a erradicação da miséria em geral.

Miriam Belchior, que assume o Ministério do Planejamento, contribuiu ,como coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para que uma multidão de pessoas pobres passasse a ter acesso a benefícios como habitação própria, saneamento e transporte.

Tereza Campello, economista que vai comandar o Ministério do Desenvolvimento Social, anunciou que haverá avanços significativos em programas como Bolsa Família, Inclusão Produtiva e, entre outros, Segurança Alimentar e Nutricional. Ela destaca que promover bem-estar e proteção social a famílias, crianças, adolescentes e jovens, pessoas com deficiência, idosos e a todos que necessitarem “é dever do Estadoâ€.

Iriny Lopes, deputada federal que passa para a condição de ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, teve participação ativa como líder de manifestações como contra a carestia, por exemplo. Ela atuou com destaque na Comissão de Direitos Humanos e Minorias e no Conselho de Ética da Câmara. Sobre a polêmica questão do aborto, declara que “temos a responsabilidade no zelo da saúde pública, dentro da lei, de não permitir nenhum risco às mãesâ€.

No Ministério da Pesca e Aquicultura, a senadora Ideli Salvatti disse que pretende dedicar cuidado especial às micro e pequenas empresas dentro das diretrizes que visam o desenvolvimento e o fomento das produções pesqueira e aquícola.

A espinhosa missão de Maria do Rosário à frente Secretaria dos Direitos Humanos inclui o esclarecimento dos fatos do tempo da ditadura. Ela se dispõe a trabalhar para que o Brasil comece a cumprir a sentença da OEA, o que implica na busca da aprovação do projeto de lei sobre a Comissão de Verdade que tramita no Congresso. Terá também a missão de insistir na abertura de arquivos que estão em poder de militares. Entre suas metas está a punição dos envolvidos em violações aos direitos humanos.

No Ministério da Cultura, Ana Buarque de Hollanda, irmã de Chico Buarque, disse que é enorme o desafio que tem pela frente, “mas nada que seja impossível para quem respira culturaâ€. Ela disse que vai reavaliar questões como direitos autorais e que buscará apoio das empresas estatais para assegurar mais projetos em conjunto. Quando diretora da Funarte foi figura chave na retomada do Projeto Pixinguinha.

Como titular da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), a jornalista Helena Chagas cuidará do relacionamento do governo federal com as agências de publicidade. Com status de ministra, substitui o também jornalista Franklin Martins. Ela disse que pretende atuar com o mesmo equilíbrio e pluralidade que marcaram seu trabalho como chefe da equipe de imprensa do governo de transição.

A bióloga Izabella Teixeira fica no Ministério do Meio Ambiente. Foi escolhida para o cargo pela eficiência na condução de projetos e programas ambientais e de cooperação internacional. Executou, por exemplo, o Programa para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, o Programa Nacional do Meio Ambiente, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara e o Projeto Meio Ambiente e Comunidades Indígenas. Nunca tantas mulheres ocuparam tantas pastas no primeiro escalão do governo federal do Brasil. Portanto, cabe com perfeição a emblemática frase de Lula: “nunca antes na história deste país…â€

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A bossa nova o rejeitou, o rock o acolheu, o sucesso o coroou… e Roberto virou o “reiâ€

segunda-feira, dezembro 20th, 2010

Para mim, que, ainda criança, nos anos 60, o vi apresentando ao vivo uma das edições da Jovem Guarda, Roberto Carlos – naquela época – era realmente “o reiâ€. Curti suas músicas até “Detalhesâ€, LP de 1971. Depois não gostei de quase mais nada. O romantismo brega, as manias, as superstições, a religiosidade exacerbada e o “veto†por ele imposto contra artistas e escritores que tentaram homenageá-lo transformaram-no (opinião minha) em um chato. Mas as “belas tardes de domingo” continuam em minhas emoções .
Fiquei surpreso, não faz muito tempo, ao saber que esse pioneiro do rock no Brasil fracassara nas tentativas de iniciar sua carreira cantando bossa nova. Fora barrado pela parte elitista do movimento musical liderado por Menescal e Boscoli.
Outro que fechou as portas para o “rei†foi o carioca com raízes alagoanas Paulo Gracindo que, em meados dos anos 50, negou ao então rapazinho a chance de mostrar seu talento na Rádio Nacional, onde comandava um programa de auditório. Timidamente, o então desconhecido cantor, com violão nas mãos, perguntou várias vezes ao radialista quando este vinha fumar no corredor da emissora: “Seu Paulo, será que eu podia cantar hoje no programa?”. E sempre recebia a mesma a resposta: “Desculpe, meu filho, mas hoje não dá”. E nunca deu!
As portas fechadas, no entanto, não desanimaram o garoto que em 1956 saiu de Cachoeiro do Itapemirim, pequeno município do Espírito Santo, para se tornar o artista de língua não inglesa que mais vendeu discos em todo o mundo. Sua mãe, a costureira dona Laura, não o deixava desistir.
O desânimo não abalou o menino “Zunga†(apelido de infância) nem mesmo com o grave acidente de 29 de junho de 1947, dia de São Pedro. Ele tinha apenas 6 anos quando caiu na linha férrea, em sua terra natal, e uma velha locomotiva a vapor o atropelou e esmagou sua perna direita, amputada em uma altura que lhe preservou os movimentos do joelho. Esse momento trágico é relembrado em “O Divãâ€, no trecho que diz: “Relembro bem a festa, o apito/ e na multidão um grito/ o sangue no linho branco…”
A fase “bossa nova†chegou depois da experiência com o rock, vivida ao lado de Tim Maia, Jorge Ben e Erasmo Carlos – sua turma no subúrbio da zona norte do Rio de Janeiro. Nessa época – 1957 – imitava Elvis Presley e participava do grupo The Sputniks. Depois, com Erasmo e dois outros rapazes, formou o quarteto The Snakes especialmente para se apresentar no Clube do Rock, show comandado por Carlos Imperial.
Quando ouviu “Chega de Saudade†pela primeira vez na voz pequena e no violão sincopado de João Gilberto, Roberto, em 1958, decidira que iria cantar daquele jeito. O rock ficara no passado.
A chique boate Plaza era o seu palco. Seu pianista, João Donato, levou João Gilberto para lá. Encostado em um canto, bem escondido, o “papa†da bossa nova gostou do que ouviu, ao contrário da turma elitista da zona sul. “Eu achei o Roberto muito musical”, elogiou o já famoso e rigoroso ouvinte.
Discos quase desconhecidos registram a fase “bossa nova†de Roberto Carlos. O primeiro é um 78 rpm lançado pela Polydor que tem duas composições de Carlos Imperial: no lado A “João e Maria†(http://www.youtube.com/watch?v=4ELhmgO3WhE&feature=related) e no lado B “Fora do Tom†(http://www.youtube.com/watch?v=a2ncW46h2-c).
Ninguém tocou, ninguém ouviu. Mas o persistente “Zunga†mais uma vez não desanimou. Sua meta era gravar um Long Play, todo “bossa novaâ€.
Roberto Carlos conseguira, após muitos “nãosâ€, ser contratado pela Columbia, que antes do ambicionado LP lançou, em agosto de 1960, um 78 rpm com “Canção do amor nenhum†e “Brotinho sem juízoâ€, ambas também de Imperial. Outro fracasso comercial!
Sem esconder que a intenção era mesmo imitar João Gilberto, o “rei†finalmente gravou seu primeiro Long Play, “Louco por vocêâ€, mais um fracasso comercial. Ele abomina esse disco e o mantém até hoje fora de sua discografia não apenas por desafinar no bolero “Não é por mimâ€como pela capa que, em vez de sua imagem, traz a foto de um casal anônimo. Vendeu apenas 512 cópias e não tocou sequer em churrascarias!
Depois, pelas mãos de Evandro Ribeiro, veio de novo o rock, o iê iê iê, “Splish splash†e o mega sucesso. Carismático, talentoso e muito esperto para os negócios, Roberto conquistou definitivamente o “povão†com seu romantismo brega e continua ganhando rios de dinheiro.
Perto dos 70 anos, o “rei da juventude†dos anos 60 pela primeira vez em décadas não lançou um novo disco, mas continua garantindo à Rede Globo enorme audiência nos especiais de fim de ano. Essa história também é interessante…
Mas aí já é outra história…

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Invasões instituíram 2011 como o Ano da Holanda no Brasil

segunda-feira, dezembro 13th, 2010

As profundas marcas deixadas pelos invasores holandeses principalmente em Penedo (Alagoas) e em Recife e Olinda (Pernambuco) motivaram que 2011 fosse instituído como o Ano da Holanda no Brasil.

Invasão em Alagoas – Ao invadirem Penedo sob o comando do conde Maurício de Nassau em 1637, os holandeses pretendiam abrir caminho para todo o nordeste e norte do Brasil, o que não conseguiram por não terem contado com o apoio do governo da Holanda.

Continuam em Penedo as heranças arquitetônicas holandesas e os canhões direcionados para o Rio São Francisco para combater tropas inimigas que poderiam chegar da Bahia. Essa estratégia incluiu a construção no município do Forte Maurício de Nassau e também de uma fortaleza no morro do Aracaré, em Sergipe.

Outro fato marcante em Alagoas da malograda invasão holandesa é a história do “herói†e ao mesmo tempo “traidor†Domingos Fernandes Calabar, filho de pai português e de mãe indígena, nascido em Porto Calvo. Foi um dos primeiros a se oferecer para lutar ao lado dos portugueses, mas acabou aliando-se aos holandeses, assim como tantos outros – brasileiros e portugueses – que estavam revoltados com os maus tratos contra eles praticados pelos comandantes lusitanos.

O alagoano Calabar declarava-se “patriotaâ€, e não “traidorâ€, já que, para ele, os holandeses pretendiam implantar liberdade no Brasil, enquanto os portugueses e seus aliados espanhóis tinham apenas o interesse de escravizar este pedaço do “novo mundoâ€.

Submetido ao garrote e depois enforcado após a derrota dos holandeses, Calabar teve seu corpo esquartejado exposto em praça pública e seu nome estigmatizado como sinônimo de “traiçãoâ€.

O maior representante do período holandês no Brasil, conde Maurício de Nassau, aqui deixou um grandioso legado com sua troupe de pintores, músicos, arquitetos e combatentes.

As marcas holandesas são ainda mais fortes em Recife, que na época era a principal zona de produção de açúcar. Lá construíram pontes, palácios, jardins, o museu natural e um observatório astronômico. Está no museu do Instituto Ricardo Brennand, na capital pernambucana, um magnífico acervo de documentos iconográficos e de obras dos pintores Frans Post e Albert Eckhout (que integraram a comitiva de Nassau) com as paisagens e os povos da terra para que vissem na Europa como era o “novo mundoâ€.

Ano da Holanda no Brasil – As comemorações de 2011 serão iniciadas em 4 de abril, dia do centenário da imigração holandesa para o sul do país. As seis colônias holandesas existentes no Brasil (Arapoti, Castrolanda, Carambeí, Não-me-toque, Holambra e Holambra II) elaboraram a programação, que se estenderá para Amsterdã, onde haverá um “festival brasileiroâ€, com apoio da Embaixada e dos Consulados da Holanda.

A programação inclui ainda exposição de obras de Van Gogh e Rembrandt, bem como debates sobre a garota alemã Anne Frank, que durante 25 meses refugiou-se dos nazistas no porão de uma casa em Amsterdã, onde escreveu seu diário.

Outro objetivo do projeto é levar estudantes brasileiros para estudar na Europa e trazer estudantes de lá para cá, através de uma cooperação institucional entre os dois países.

Os 24 anos de dominação holandesa no Nordeste fizeram emergir entre os brasileiros a pergunta: o que teria acontecido se a ocupação tivesse prosperado por mais tempo?  É uma indagação qualificada como “nostalgia nassoviana†pelo diplomata e historiador Evaldo Cabral de Mello.

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Combater os traficantes, mas também a forte corrupção policial

sábado, novembro 27th, 2010

Não há como banir os traficantes no Rio de Janeiro e no País  sem que, paralelamente, haja um rigoroso combate à corrupção policial. Outro ponto fraco nessa guerra é o amadorístico despreparo do tão propagado “lado do bemâ€, de onde muitas balas “perdidas†foram disparadas em direção a inocentes que morreram ou foram feridos até dentro de suas casas.

Somente agora, depois de permitir que o poder do tráfico crescesse ao longo de 40 anos e que a imagem do Rio de Janeiro fosse profundamente maculada no mundo, as polícias Civil, Militar e Federal foram acionadas, além das Forças Armadas com seus tanques, numa ação conjunta, para promover uma ofensiva mais ousada contra as facções criminosas (Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital, Terceiro Comando Amigo dos Amigos, Comando Democrático pela Liberdade, Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade e Primeiro Comando Jovem).

Em meio a tanta inoperância e incompetência, a criação das Unidades de Policia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro foi, sem dúvida, a iniciativa mais eficiente e inteligente nessa batalha campal. Trata-se de um programa que não teve forças para acabar com o tráfico de drogas, mas que inibiu a ostensividade dos criminosos nas comunidades. Pelo menos os bandidos deixaram de circular com fuzis e a população criou mais coragem para fazer denúncias nas cinco favelas onde as UPPs foram instaladas.

A favor dos bandidos caminha um modelo policial herdado da ditadura, que ainda funciona num contexto marcado pelo arbítrio, dentro do qual se proliferam a corrupção, a brutalidade, as máfias e as milícias aliadas dos traficantes. Políticos corruptos e grupos econômicos também alimentam com substância esse inferno que denigre as maravilhas da cidade mais bela do planeta, berço da bossa nova e de outras culturas que orgulham os brasileiros.

Não modernizado, atuando aquém das exigências impostas pela complexidade social contemporânea, o modelo policial carece de uma profunda reforma para se adequar, na prática, ao que determina a Constituição; ou seja: garantir os direitos e as liberdades, proteger a vida e a estabilidade das expectativas positivas relativamente à sociabilidade cooperativa e à vigência da legalidade e da justiça.

Para ser realmente eficaz, o combate ao tráfico, além de uma “limpeza†nas hostes policiais através de ações das corregedorias e ouvidorias, precisa passar por um rigoroso monitoramento nos portos, aeroportos e estradas por onde entram muitas drogas e armas de fogo.

O expressivo envolvimento de policiais no tráfico do Rio é evidenciado em episódios como a invasão do Hotel Intercontinental e dos 59 policiais militares do Batalhão da Polícia Militar (aquele BOPE do filme “Tropa de Eliteâ€) acusados de formação de quadrilha e associação com os traficantes.

Pelo que vemos, são muitas “laranjas podres†dentro das corporações instituídas para proteger os cidadãos.

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Somos atores na novela real da “guerra cambialâ€

sexta-feira, novembro 12th, 2010

A mazela da “guerra cambial†é outra doença que afeta diretamente a cada um de nós, modestos consumidores, dentro desse “mercadão†onde especular fala mais alto do que produzir.

No primeiro momento, o real “mais forte†diante da desvalorização artificial do dólar e de outras moedas alimenta a ilusão de que nossa economia prospera. Afinal, por algum tempo produtos importados da mais alta qualidade ficam até mais baratos do que produtos nacionais de qualidade inferior (a exemplo do que aconteceu em meados dos anos 90).

Mas essa ilusão dura pouco. É uma situação que pode ser comparada a um tsunami que proporciona breve calmaria com o recuo do mar e depois retorna com força devastadora, destruindo impiedosamente tudo o que encontra pela frente.

Ao desvalorizar artificialmente o dólar para exportar mais, os Estados Unidos afetam diretamente a economia do Brasil e demais países, trazendo drásticas consequências sociais. E quando a China, por seu lado, desvaloriza ou mantém sua moeda (yuan) parada artificialmente, privando-a com “mão de ferro†das flutuações cambiais, inviabiliza a concorrência dos demais países no mercado internacional.

Afinal, a moeda fraca torna os produtos mais baratos no mercado global, o que favorece as exportações e a balança comercial de cada país. A excessiva desvalorização de moedas pelo mundo faz com que países como o Brasil, por exemplo, percam competitividade no mercado internacional.

Na atual “guerra cambial†que polariza Estados Unidos e China e que tem a União Européia como coadjuvante a injeção de 600 bilhões de dólares em títulos pelo Banco Central norte-americano não passa de uma “desvalorização disfarçada”. Trata-se de um “ajuste†que é debitado na conta das economias alheias.

Gozando (ainda) do privilégio de ter o dólar como referência internacional, os Estados Unidos inundaram o mundo com uma enxurrada de dólares. Mas agora está praticamente impossível manter essa moeda como de reserva universal. O mundo vivia outra realidade quando os americanos conseguiram se impor na liderança das finanças internacionais, através do Acordo de Bretton Woods, firmado em 1944, em plena 2ª guerra mundial.

Hoje, a correlação de forças é tão outra que, na busca por um equilíbrio cambial, surge com vigor no cenário internacional a idéia de substituir o dólar-referência por uma cesta de moedas onde estariam dólares, euros, ienes, libras, yuan e também o real (sistema defendido pelo ministro da Fazenda Guido Mantega).

Diante desta que é a pior crise internacional dos últimos 80 anos, em meio à guerra protecionista que acontece nos moldes da que acentuou a grande depressão econômica da década de 1930, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, anunciou que vai continuar monitorando o mercado para evitar que as oscilações da moeda provoquem qualquer tipo de desequilíbrio na economia brasileira. Ou seja: poderá ser forçada uma desvalorização do real para derrubar barreiras comerciais e manter a competitividade das exportações brasileiras.

Resta a todos nós, modestos consumidores, ficar atentos aos desdobramentos desse ansiado novo arranjo monetário que poderá se desdobrar em conflitos internacionais mais sérios. Mesmo porque as grandes potências capitalistas preocupam-se apenas em manter seus privilégios e estão se “se lixando†para o resto do mundo, ou seja, para nós!

A novela da guerra cambial é real – e não ficção –, e dela, queiramos ou não, somos atores que sofrem as consequências do que é decidido de cima para baixo. Precisamos, portanto, estar informados e organizados para também decidir de baixo para cima!

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A mulher gestando um novo Brasil

segunda-feira, novembro 1st, 2010

Hoje temos uma mulher como presidente eleita da República do Brasil. E pensar que em 3 de maio de 1933 a mulher brasileira votaria e seria votada pela primeira vez! Dilma Roussef é a primeira presidente e  Carlota Pereira de Queiroz, uma média paulista, a primeira deputada que, mesmo enfrentando preconceitos machistas e toda sorte de adversidades, ainda mais arraigados naquela época, foi reeleita em 1934.

Esses exemplos evidenciam a força da mulher na evolução da história da humanidade – no Brasil e no mundo.

Os homens – mesmo os machistas – usufruem das conquistas resultantes da luta da mulher pela emancipação que não é só dela (mulher), mas de toda a sociedade, já que é uma luta contra a discriminação e  por emprego, renda, inclusão social, cidadania, justiça e dignidade.

As mulheres, com suas árduas conquistas por direitos iguais, consolidam uma nova sociedade. Enquanto intensificam sua independência financeira e sua presença cada vez maior no mercado de trabalho e na política, contribuem para avançar na humanização de uma sociedade milenarmente  tumorizada pelo machismo atrasado e injusto, preconceituoso e discriminador.

Porém, é imprescindível pontuar que a história registra a presença de homens exercendo o poder com regras menos machistas que determinadas mulheres. No entanto, quando a mulher conquista direitos, a conquista é mais profunda, pois carrega de roldão uma leva de conceitos e preconceitos que oprimem vários degraus da escala social. 

A expectativa, diante da marcante participação de Dilma na gestão de Lula (cujo governo elevou a dignidade do Brasil perante o mundo), é de avanços reais no sentido do bem-estar de homens, mulheres, crianças, enfim, do conjunto da sociedade.

É a expectativa de  um parto , uma nova luz para iluminar o túnel que conduz a um novo Brasil!

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