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Pesquisas de intenção de voto influenciam eleitores

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

Em Alagoas, no Brasil e no mundo a história das campanhas eleitorais revelou que as pesquisas de intenção de voto influenciam o eleitor a ponto de até alterar resultados.

As frequentes diferenças gritantes de números entre os institutos colocam em cheque a credibilidade das pesquisas, evidenciando a ocorrência de manipulações para favorecer um candidato ou outro. Exemplo recente é o gigantesco disparate que distancia os percentuais do Ibope e do Gape em pesquisas para o governo de Alagoas.

A manipulação é flagrante: para o Ibope, Teotônio Vilela, candidato à reeleição, detinha 24% das intenções de voto e Fernando Collor 28%. Porém, o Gape (instituto que pertence a Collor) atribuiu a Vilela somente 16% e ao senador e ex-presidente 38% das preferências – uma diferença de 10% entre uma pesquisa e outra, muito acima de qualquer margem de erro tolerada pelos institutos, que varia em 3%, para mais ou para menos.

Os candidatos, em geral, sabem que as pesquisas influenciam fortemente o eleitorado, já que existe a tendência de se votar em quem tem mais condições de vencer para – como se diz comumente – “não perder o votoâ€.
A margem de erro das pesquisas obedece a parâmetros limitados por probabilidades que variam de acordo com bairros, faixas etárias, sexo e regiões. Os dados utilizados para composição da amostra são obtidos junto ao IBGE, ao TSE e aos TREs.

Na maioria das vezes os erros são toleráveis e advém de falhas técnicas. Mas quando algum candidato “aventureiroâ€, apelando para seu poder de influência, ousa “mexer†nos números para favorecer a si mesmo, é fatal: o deslize, mais cedo ou mais tarde, vem à luz, desmoralizando definitivamente o instituto que se submeteu à falcatrua.

Há no Brasil cerca de 126 milhões de eleitores, segundo o TSE. Os grandes institutos de pesquisa entrevistam em média um eleitor para cada grupo de 50 mil. Ou seja: para se atingir o total de eleitores do país seriam necessários 50 mil levantamentos. Em Alagoas, onde o número aproximado de votantes é 2 milhões, a pesquisa, para refletir a realidade, deveria abranger pelo menos 4 mil pessoas selecionadas aleatoriamente nas diferentes regiões do Estado.

Os fatores que mais comprometem a credibilidade das pesquisas – muitas delas encomendadas por partidos políticos – são, além das manipulações, as divulgações mal feitas ou parciais de resultados e a falta de registro no TSE ou TRE.

Há também a possibilidade de uma surpresa negativa, uma novidade de última hora capaz de inverter as intenções de voto. Foi o que aconteceu em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso já contava vitória para a prefeitura de São Paulo, com imensa vantagem nas pesquisas, mas acabou derrotado por Jânio Quadros porque, no dia da eleição, os jornais estamparam uma entrevista onde ele afirmou que não acreditava em Deus e que havia fumado maconha.

Para o Ibope, somente um bombástico fato novo seria capaz de mudar o rumo da disputa presidencial deste ano. Em todas as pesquisas, Dilma Roussef está muito à frente de seu maior adversário José Serra, além de ter também a seu favor os 78% de aprovação ao governo Lula. Só mesmo denúncias fortes, muito bem fundamentadas e com provas para dar “uma virada†e colocá-la em desvantagem.

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Se reeleger para manter a imunidade e livrar-se da cadeia

quinta-feira, agosto 12th, 2010

Depois de “encher a pança†com dinheiro público e meter-se nas mais escandalosas falcatruas (em muitos casos envolvendo até assassinatos), não são poucos os políticos que se candidatam à reeleição tendo como foco principal livrar-se da cadeia. Sem imunidade parlamentar, elementos desse tipo temem – uma vez “pessoas comuns†– ficar vulneráveis às punições pelos crimes cometidos.

A imunidade parlamentar – assim como os cargos vitalícios de profissionais da área jurídica – alimenta nos debilitados em formação e educação a sensação de estar acima do bem e do mal. Assim como Calígula e outros déspotas históricos, esses imunizados “chacais†disfarçados de bons – geralmente sem amigos verdadeiros e cercados de puxa-sacos – pensam que são “deuses poderosos†credenciados a usar o que é público em benefício próprio e até a eliminar vidas humanas.

Enquanto faltam giz e merenda nas escolas, os “homens públicos†que se arvoram a ser Deus desviam dinheiro para comprar para si vinhos caríssimos, fazer bacanais em hotéis de luxo de outras cidades, viajar ao exterior ou pelo Brasil mesmo, a pretexto de trabalho, mas como turistas – e até com a família.

Quem consegue mover os neurônios para refletir (infelizmente a minoria), pode distinguir quem é quem entre os candidatos das campanhas. Os falastrões prometem o impossível para ganhar imunidade e, assim respaldados, prosseguir com seus crimes tão lucrativos.

Para alcançar esse duplo propósito (imunidade e saldo maior na conta bancária), usam a seu favor as falhas da lei, a desinformação da mídia aliada, o analfabetismo, a crescente degenerescência moral e as ameaças coronelistas características dos currais eleitorais.

A cada campanha eleitoral, as mesmas “caras carimbadas†voltam aos palanques, aos cartazes afixados nas paredes, às musiquinhas dos carros-de-som e aos falsos “tapinhas nas costasâ€. Fartamente denunciados como corruptos e parasitas, buscam impunidade na reeleição. E o que é pior: conseguem se reeleger! Para infelicidade de todos nós, inclusive de seus iludidos e desinformados eleitores!

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O crime compensa em Alagoas?

quinta-feira, agosto 5th, 2010

Essa pergunta estará respondida após a apuração das urnas em outubro próximo.
As pessoas de bom senso alimentam a esperança de que a maioria do eleitorado alagoano derrote nas urnas os “taturanasâ€, “gabirus†e demais candidatos denunciados por envolvimento em falcatruas. Assim procedendo, darão continuidade ao bom trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal.
Caso isso não aconteça, a pobre Alagoas continuará – mais do que nunca – refém da miséria e da corrupção, condições humilhantes que estarão reforçadas pelo aval do voto popular.
O histórico de desonestidade e crueldade desses candidatos não os credencia como merecedores do voto das pessoas que querem um mundo melhor, um futuro feliz. Reeleger essa gente é contribuir para perpetuar a triste realidade da falta de oportunidades de estudo e de trabalho, é manter a juventude à mercê dos aliciadores do crack e outras drogas que, como ratos de esgoto, infestam Maceió e interior. A juventude está sendo assassinada em Alagoas, vítima do desprezo e da negligência dos maus políticos.
Os menos formados e informados intimidam-se com ameaças e deixam-se seduzir pelos abraços, promessas e doações de pequena monta. Colocam o Estado nas mãos de quem lhes dá as costas após as eleições. Sacrificam o conjunto da sociedade ao dar poder de mando a quem desmoraliza Alagoas por ocupar o noticiário policial sob acusações de crimes e roubo do dinheiro público.
Após o voto, já será tarde para se arrepender. Restará ao eleitor traído e também ao esclarecido aturar por mais 4 anos a humilhação proporcionada pelos desabonados representantes eleitos e sofrer as consequências do atraso que relega Alagoas aos piores índices sociais.
O alagoano que eleger candidatos como esses estará dizendo ao Brasil: Em Alagoas, o crime compensa!

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Reflexões de uma eleitora arrependida e indecisa

terça-feira, julho 27th, 2010

 A caminhada é longa, mas Fátima Dolores dispensou o ônibus. Decidiu enfrentar a pé os quilômetros que separam sua casa, no Tabuleiro, da seção eleitoral, no Feitosa. Quer pensar melhor. Indecisa, ainda não sabe quem merece de seu voto, arma tão preciosa e poderosa. Arrependeu-se do candidato que escolheu na eleição passada: ele traiu sua boa fé e enveredou-se para o caminho da corrupção.

 Agora Fátima não pretende cometer o mesmo erro: vai pensar em propostas, em condutas, e não mais na “cara de bonzinhoâ€, como a do candidato corrupto que ajudou a eleger. Não quer mais ser enganada pelos tapinhas nas costas, sorrisos, abraços, apertos de mão e beijinhos nas crianças.

 Trocando os passos em direção ao local de votação, Fátima pensa na sua vida difícil e reflete que os tão prometidos projetos sociais nunca foram convertidos em realidade. O posto de saúde, a escola e o saneamento básico permanecem nas palavras tão enfaticamente proferidas pelo candidato durante a campanha. Ela pensa nas crianças que brincam entre esgotos e contraem doenças e, contrariada, pensa nas promessas de que as soluções viriam em pouco tempo. Tudo farsa daquele “cara de bonzinho”!

 Em suas reflexões, Fátima revolta-se com o candidato que lhe virou as costas após as eleições e que ficou mais rico. Ela leu nos jornais que o sujeito em quem votou deixou de lado os compromissos assumidos na campanha para, em troca de favores, aprovar projetos encomendados por grandes empresários do setor financeiro, estimulando assim a especulação em prejuízo do bem-estar social.

 O sofrimento – e não o estudo – ensinou Fátima que o voto é o bem mais precioso para um cidadão que deseja uma sociedade justa. A pouca escolaridade a salvou do analfabetismo, mas limitou sua condição de vida. Ela sente na pele, mas não distingue a diferença entre um projeto que prioriza o social e um projeto que prioriza o financeiro.

 Ela e seus vizinhos do Tabuleiro sofrem as consequências dessa diferença quando deixa-se de gerar empregos para cortar “gastos essenciais†a pretexto de conter a inflação. Sofrem quando deixa-se de recuperar o salário-mínimo a pretexto de reduzir a vulnerabilidade externa em nível de administração cambial. São penalizados quando deixa-se de investir na distribuição de renda a pretexto de preservar nas mãos de poucos extensões de terra maiores que países inteiros.

 Fátima e seus vizinhos amargam no dia-a-dia o sofrimento de não ter acesso à educação e à saúde porque os defensores dos projetos financeiros durante anos deixaram de lado o desenvolvimento social para buscar estabilidade monetária, tendo o “controle†da inflação como único objetivo macroeconômico, a exemplo do que foi feito no período 1995-2002, quando a palavra de ordem era privatizar tudo, inclusive escolas e hospitais, afastando ainda mais a população pobre da educação, da saúde e das oportunidades de emprego.

 Sem emprego, sem educação e excluído das oportunidades de trabalho, o vizinho de Fátima busca refúgio nas drogas e envereda-se para o crime, aumentando a violência dos assassinatos e assaltos.

 A longa caminhada de Fátima rumo à seção eleitoral a fez refletir que quem determina a sua qualidade de vida não é apenas o candidato, mas principalmente o projeto que se implanta no país: o econômico-social ou o econômico-financeiro. Fátima, em sua cansativa caminhada, começa a entender que a mídia televisiva, informatizada, radiofônica e impressa, quando alinha-se ao lado do financeiro, por exemplo, manipula a opinião pública para esse lado, omitindo informações, denegrindo uns e exaltando outros.

 Omite, por exemplo, que um administrador semi-analfabeto criou mais escolas de primeiro e segundo graus, escolas profissionalizantes e universidades do que o administrador poliglota e intelectual que o antecedeu.

 Embora angustiada com vizinhos que – não poucos – optaram por trocar seus inestimáveis votos por tijolos, algum dinheiro e promessas, Fátima está convencida de que desta vez pelo menos ela vai acertar: votará de acordo com sua consciência!

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Desamor e ganância fazem de Alagoas a campeã das exclusões

terça-feira, julho 13th, 2010

Definitivamente, os governos que se sucedem no Estado não amam Alagoas. Em meio aos incontáveis exemplos de desamor está a perda de prazo para Maceió ser incluída entre as cidades-sede da Copa 2014. A Fifa confirmou em 28 de janeiro de 2009 a exclusão da capital alagoana porque não foi entregue o projeto de construção do estádio Arena Zagallo, que seria erguido no bairro do Benedito Bentes.

Desprezou-se a oportunidade única de atrair turistas do mundo inteiro para o “Paraíso das Ãguasâ€, cidade com imensa vocação turística, onde a natureza continua bela, apesar das brutais agressões (línguas negras, desmatamentos, esgotos e outras mazelas agravadas pela falta de saneamento básico).

Condenar Alagoas ao atraso perpétuo parece ser o que mais converge os sucessivos governos ao longo das décadas. É o Estado que registrou a maior taxa de pobreza absoluta em 2008 (56,6%). A exclusão como sede da Copa emerge em coerência com a exclusão social.

As tentativas de explicar a perda de prazo para a entrega do projeto foram absurdas. Alegou-se que era muito caro (3 milhões e meio de reais) e que seria melhor investir em saúde (?), educação (??) e segurança (???).

As condições de saúde, educação e segurança são as piores do Brasil, dizem os índices oficiais. Um quadro desumano que ficou ainda mais dramático após as enchentes que devastaram mais de vinte municípios, vítimas da falta de investimentos em infra-estrutura.

Saúde – Alagoas tem a maior taxa de mortalidade infantil do Brasil (IBGE). De mil crianças nascidas vivas, 66 morrem antes de completar um ano. A situação dos hospitais públicos em Maceió e no interior é tão caótica que o Sindicato dos Médicos chegou a pedir intervenção na Saúde de Alagoas. O Estado apresenta a menor expectativa de vida e o menor IDH (Ãndice de Desenvolvimento Humano) do País: 0,677, equivalente ao IDH do Gabão, 119º do mundo.

Educação – Ostentando o vergonhoso primeiro lugar do Brasil em analfabetismo, Alagoas abriga o maior percentual de pessoas com 15 anos ou mais incapazes de ler e escrever (PNAD). É também o Estado com o pior nível de ensino fundamental (IDEB – principal indicador de qualidade do ensino brasileiro de 2009). É difícil imaginar que esse quadro caótico poderia ficar pior, mas ficou depois que escolas inteiras foram “varridas†pelas enchentes de junho.

Segurança – Logo nas primeiras 24 horas de 2010, 17 pessoas foram assassinadas em Alagoas. É raro o dia em que tiros e facadas não ceifem a vida de pelo menos dez pessoas. Nos finais de semana os crimes são ainda mais numerosos. Mata-se tanto quanto – ou mais – do que em países em situação de guerra. Tudo isso somado com assaltos, agressões físicas e outras barbáries fazem de Alagoas líder nacional também em violência. Maceió é a capital mais violenta do Brasil, indica o Mapa da Violência do Ministério da Justiça.

Como se vê, os indicadores oficiais gritam que segurança, educação e saúde há décadas não são prioridade na pobre Alagoas, onde alguns já muito ricos enriquecem cada vez mais.

Desamor – Faz sentido, portanto, argumentar que falta dinheiro para investir em um projeto que poderia incluir Alagoas na Copa de 2014 e atrair turistas de todo o planeta, que com certeza se encantariam com as persistentes belezas naturais. Afinal, essa é apenas mais uma entre tantas exclusões!

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Solidariedade: Não deixar morrer esse gesto humano!

domingo, julho 4th, 2010

Em meio à escuridão dos escombros empilhados nas cidades devastadas pelas enchentes em Alagoas e em Pernambuco, as vítimas vislumbram uma luz: a solidariedade. Essa qualidade – a melhor do ser humano – consolida-se através de donativos e outras formas de ajuda.

Pessoas que em muitos casos não conhecem ninguém entre os atingidos “arregaçam as mangas†espontaneamente para atuar no sentido de amenizar o sofrimento de quem perdeu entes queridos e bens. Há até quem se faça presente nas regiões destruídas para entregar remédios, roupas e alimentos e prestar socorro médico. Orgulham a raça humana!

Na contramão, “bandidécos†enfiam-se entre as ruínas para saquear bens alheios e “bandidões†engravatados – é indispensável citá-los – ficam de olho no dinheiro público. Denigrem a raça humana!

Solidariedade é, para o ser humano, o principal diferenciador em relação às demais espécies animais. O traço solidário aumenta substancialmente de valor por vivermos uma era de banalização da violência, de subemprego, de desemprego, de especulação financeira e de cruel distribuição de riqueza.

Nesta época, em que a solidariedade está cada vez mais distante do ser humano, as pessoas que agem com altruísmo em favor das vítimas das enchentes revelam-se ainda mais raras e especiais. Independente de credos e religiões, essas pessoas lançam mão de conforto e de interesses próprios para externar a grandeza do gesto solidário.

Vale uma conclamação: vamos crescer enquanto seres humanos e erguer mais alto a bandeira da solidariedade!

 CONFIRA ONDE FAZER DOAÇÕES:

 Caixa Econômica Federal, C/C 955-6 – Agência 2735- Operação 006;

Banco do Brasil – C/C 5241-8 – Agência 3557-2.

ALAGOAS

POSTOS DE ARRECADAÇÃO EM MACEIÓ

1º GBM (1º Grupamento de Bombeiros Militar) – Rodovia 316, Km 14, Tabuleiro dos Martins, próximo a Policia Rodoviária Federal;

GSE (Grupamento de Socorros de Emergência) – Conjunto Senador Rui Palmeira, S/N;

SGIA (Subgrupamento Independente Ambiental) – Av. Dr. Antônio Gouveia, S/A, Pajuçara, próximo ao Iate Clube Pajuçara;

QCG (Quartel do Comando Geral) – Av. Siqueira Campos, S/N, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária;

Cedec (Defesa Civil Estadual) - Rua Lanevere Machado n.º 80, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária;

GSA (Grupamento de Salvamento Aquático) – Av. Assis Chateaubriand, S/N, Pontal, próximo a Braskem;

POSTOS DE ARRECADAÇÃO NO INTERIOR DE ALAGOAS

2º Grupamento de Bombeiros Militar – Maragogi, tel: (82) 3296-2026 / 3296-2270.

6º Grupamento de Bombeiros Militar – Penedo, tel: (82) 3551-7622 / (82) 3551-5358.

7º Grupamento de Bombeiros Militar – Arapiraca e Palmeira dos Ãndios, tel: (82) 3522-2377, (82) 34212695.

9° Grupamento de Bombeiros Militar – Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia, tel: (82) 3621-1491 / (82) 3621-1223.

PERNAMBUCO

Em Recife, o Comando Geral da Polícia Militar, localizado no Derby, E o Quartel Central do Corpo de Bombeiros, na Avenida João de Barros, são os principais pontos de arrecadação, mas todas as unidades desses órgãos também estão recebendo os donativos.

A CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) também instituiu na sua sede um local para arrecadação de donativos, de acordo com o site do governo de Pernambuco. Quem quiser ajudar pode fazer sua doação na sede da agência, localizada na rua Santana, 367, Casa Forte, nas proximidades do Parque Santana.

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Enchentes, tragédias e corrupção

quinta-feira, junho 24th, 2010

Zanzando pra lá e pra cá em meio aos escombros, dona Ivete às vezes acha que ainda tem para onde ir. Pálida, olhar espantado, ela se esforça para pensar que tudo é pesadelo e retoma o rumo de sua casa. Mas a casa já não existe. Aliás, a sua rua já não existe. Nem a sua cidade existe mais. Branquinha desapareceu do mapa de Alagoas. Dona Ivete vê, mas não acredita. Nada daquilo é real, não pode ser!

Mas o pesadelo coletivo é real. Infelizmente. As chuvas desabaram, os rios transbordaram e a geografia de Alagoas foi brutalmente alterada. Olhadas de cima, cidades inteiras parecem ter sido destruídas por uma bomba atômica, como comparou o governador Teo Vilela após ver, do helicóptero, as ruínas do que antes eram casas, igrejas, ruas, escolas e pontes. Em meio a isso tudo, vidas também em ruínas, famílias que, mais que seus bens, perderam filhos, pais, parentes, amigos, arrastados pela correnteza devastadora.

Atarantadas, as vítimas mais conscientes ficam mais atônitas por enxergarem que a ajuda federal poderá, em grande parte, chegar às mãos de gerenciadores envolvidos em falcatruas, muitos dos quais condenados por desvio de dinheiro público.

Os anunciados 100 milhões de reais para Alagoas e Pernambuco representam apenas um terço dos 300 milhões surrupiados pelos “taturanas†da Assembleia Legislativa. E ainda há os milhões desviados para as contas particulares dos prefeitos “gabirus†e por outros “fichas sujasâ€. “Taturanas†e “gabirus†foram presos, mas já estão soltos e muitos à frente de cargos públicos. Entre os gestores corruptos relacionados pelo TCU como inelegíveis para as eleições deste ano, duzentos são de Alagoas.

Afinal, quem tem a cruel frieza de roubar dinheiro da merenda escolar de crianças famintas não merece confiança. Colocar os recursos destinados aos flagelados em mãos como essas é igual a colocar uma raposa esfomeada para tomar conta de um galinheiro.

O outro lado é a solidariedade espontânea de pessoas que, tendo pouco ou muito, somam-se no socorro às vítimas.

Transparência e vigilância são indispensáveis para que os recursos cheguem, na totalidade, ao seu destino. OAB, ongs, sindicatos, associações de moradores e demais entidades merecedoras de credibilidade precisam estar inseridas na gestão desse dinheiro público.

Não tem limites a insensibilidade dos gestores corruptos: apossam-se de recursos públicos e desprezam vidas humanas. Por agirem assim, não lhes ocorreu avisar o povo quando autorizaram abrir as comportas da barragem de Bom Conselho (PE), cujas águas fizeram transbordar o rio Mundaú e inundaram cidades alagoanas e pernambucanas, resultando na maior tragédia já vista no Nordeste.

Ações de prevenção então, nem pensar! As tragédias se sucedem ao longo das décadas e quase nada – ou nada – é feito para evitar novas calamidades. Somente 14% da verba destinada pelo Ministério da Integração Social para prevenção foram desembolsados. Deixam de ser executadas obras como contenção de encostas, desassoreamento, canalização de rios, drenagens. Tudo em prol das catástrofes, festejadas por quem com elas fica ainda mais rico e amargadas por quem trabalha, paga impostos e tenta ser honesto em meio a esse imenso “mar de lamaâ€.

Você, que é honesto e paga impostos, abra os olhos! As eleições estão aí! Não se curve! Não acredite em promessas de quem já prometeu e nada fez!

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Festa Junina: a enraizada e a estilizada

quarta-feira, junho 9th, 2010

Nem mesmo a Copa do Mundo arrefece os ânimos no Nordeste diante das festas juninas. Os dias de Santo Antônio (13), São João (24) e São Pedro (29) são comemorados mais intensamente nas cidades do interior, onde as fogueiras acesas diante de cada casa formam uma imensa neblina de fumaça, enriquecendo com penumbra o cenário dos arraiais enfeitados com bandeirolas onde os matutos dançam quadrilha.

O aspecto familiar que caracteriza as festas juninas no interior está cada vez mais substituído, nas capitais e grandes cidades, pelos megaeventos que visam atrair turistas e gerar emprego e renda. Para se ter uma idéia, Caruaru (PE) e Campina Grande (PB)- que, diz a mídia, promovem “o maior São João do mundo†– atraem, juntas, mais de 4 milhões de visitantes no período dos festejos, movimentando milhões de reais e gerando milhares de empregos temporários.

O trio pé-de-serra felizmente mantém – ainda – a tradição dos matutos que preferem formar seus pares para dançar ao som da sanfona, do zabumba e do triângulo. O ritmo do forró e do baião em casas de taipa e chão de barro batido sustenta o arrasta-pé até o sol raiar.

O “rolo compressor†dos megaeventos faz com que as novas gerações das grandes cidades – na sua maior fatia – desconheçam as raízes das comemorações juninas. As quadrilhas estilizadas que se degladiam em concursos milabolantes e os “forrós de plástico†interpretados por cantores engalanados e dançarinas seminuas promovem atrações qualificadas como “festas juninas†pela mídia, embora nada do que mostrem tenha a ver com a tradição popular.

Mais cultuadas no Nordeste como agradecimento aos santos pelas chuvas que caem nas lavouras e amenizam as consequências da aridez da seca, as festas juninas incluem as comidas típicas feitas com os produtos colhidos na época, como o milho – que resulta na pamonha, na canjica e no mingau – na batata doce – que é assada na fogueira – e no gengibre – que tempera o quentão.

Um detalhe curioso é que, embora os santos Antonio, João e Pedro sejam os grandes homenageados no Brasil, as festas juninas surgiram muito antes do cristianismo e, portanto, antes da Igreja Católica. Remontam ao antigo Egito, onde a população, nessa época, rendia homenagens aos deuses do Sol e da Fertilidade para agradecer o início das colheitas.

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Deficientes: exclusão e preconceito

segunda-feira, maio 24th, 2010

Na tarde em que vi uma mulher cair feio após enganchar o salto de seu sapato num daqueles buracos triangulares do calçadão do centro de Maceió, me veio o seguinte pensamento: “Obstáculos como esse são ainda mais terríveis para um deficiente físico!â€

Enquanto – machucada e envergonhada – a pobre senhora se levantava, ouvi de um lojista das imediações que acidentes como esse são frequentes e que as vítimas são – em maioria – idosos, mulheres e deficientes.

Alguns comerciantes tiveram a iniciativa cidadã de colocar perto de suas lojas tapetes sobre os criminosos buracos de escoamento, que deveriam estar protegidos com grades para garantir segurança aos pedestres.

Portadores de deficiência são submetidos a uma maratona de barreiras desumanas em cidades administradas por irresponsáveis e incompetentes, que priorizam superfaturamentos em detrimento de benfeitorias sociais. Desonestos gerenciadores do erário público preferem desviar recursos para seus bolsos em vez de incorporar às obras os acessórios indispensáveis às pessoas com dificuldade de locomoção, audição e visão.

O deficiente visual, – principalmente portador de cegueira – enfrenta um turbilhão para “driblar†buracos das calçadas e atravessar ruas sem sinalização adequada. Para piorar, raras vezes o deficiente encontra a solidariedade das pessoas; a maioria prefere fingir que não viu para não ajudar o necessitado.

O “cadeirante†– assim chamado o usuário de cadeira de rodas – depara-se com imensos dilemas quando precisa subir ou descer degraus, entrar ou sair dos ônibus e enfrentar uma série de dificuldades absurdas que tornam ainda mais penosa a sua já angustiante condição. Em Maceió, é desprezível a quantidade de ônibus que dispõem de adaptações para deficientes!

O drama seria maior não fosse a atuação de entidades como a Adefal

(Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas), que, mobilizando a comunidade, tem conquistado avanços nas políticas públicas em defesa da pessoa com deficiência. Porém, o dever do Estado – que é garantir acessibilidade aos deficientes – está longe de ser cumprido. Entre as medidas indispensáveis que deixam de ser feitas em prol dessa expressiva parcela de socialmente excluídos está a ampliação das oportunidades no mercado de trabalho e acesso ao ensino e à saúde.

Entre suas reivindicações, os portadores de deficiência querem acesso para pessoas com restrição de mobilidade aos sistemas de transportes, equipamentos urbanos e a circulação em áreas públicas. São prerrogativas que devem ser cumpridas pelos governos municipais e estaduais. Mesmo porque a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana dispõe do programa de Mobilidade urbana Sustentável, aprovado pela Conferência Nacional das Cidades.

O preconceito de pessoas insensíveis é outro obstáculo para os deficientes. Essa gente, que torna ainda mais amarga a difícil vida de quem necessita de cuidados especiais, precisa enfiar no escasso cérebro a informação de que qualquer um de nós pode se tornar um deficiente físico, que um casal saudável pode gerar um filho com problemas físicos ou psíquicos.

Cresce enquanto humano, enquanto cidadão, quem dá sua parcela de contribuição, a exemplo do que fez o novelista Manoel Carlos em “Viver a vidaâ€, no combate a esse preconceito tão cruel.

Portanto, as medidas pleiteadas pelos portadores de deficiência interessam diretamente a todos, sem excessão. Acho que os “não deficientes†precisam interagir cada vez mais com os deficientes para combater com mais eficácia a exclusão que tem presença mais marcante nas cidades gerenciadas por quem não está “nem aí†para as questões sociais.

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Não se anule! Vote!

segunda-feira, maio 10th, 2010

Ditadura é uma porcaria! Submete você a regras aviltantes. Sua opinião não vale nada e sua contestação é punida com chibata, tortura e morte.

Votar – certo ou errado – é exercer o direito de dizer sim ou não! É ser gente! É uma arma que valoriza sua opinião, obtida com suor, lágrimas e sangue ao longo de muitas lutas.

Candidatos corruptos e elitistas existem – e em grande número. Resultam da omissão, dos anos sem democracia e da despolitização. São elites acostumadas a manipular com mentiras e migalhas para fazer prevalecer o que lhes interessa. É um grande erro achar que votar nulo é protestar contra essa corja!

Voto é uma arma que, para funcionar bem, precisa de munição. Uma delas é o esclarecimento, a educação. Confrontando com os avanços tecnológicos desta era, o “voto de cabresto†ainda dita regras para milhões de brasileiros, principalmente nas regiões Nordeste e Norte do país.

Sem discernimento e submetidos a ameaças e pressões de toda ordem, eleitores analfabetos e desinformados colocam nos poderes Executivo e Legislativo verdadeiros ladrões e até assassinos.

Esse é outro drama social que para ser superado exige que também seja assegurado o voto do analfabeto e desinformado que elege o coronel do interior e o candidato corrupto da capital. Não há fórmula mágica que impeça a democracia de passar por essa fase, seja ela longa ou não. O tempo aprimora a democracia – e tudo o mais, com avanços e recuos.

É equivocada a campanha – fartamente difundida – que apregoa que 51% de votos nulos culminam na anulação das eleições, estabelecendo a convocação de novo pleito com outros candidatos. A decisão do Superior Tribunal Eleitoral é diferente: anular o voto não acarreta na anulação das eleições. O artigo 222 do Código Eleitoral prevê, isto sim, anulação dos votos obtidos através de fraudes, coações, abuso do poder econômico ou interferência do poder político ou de autoridade.

No caso de nulidade em decorrência de ilícitos eleitorais que atinjam mais da metade dos votos do Município, o Tribunal Regional Eleitoral marcará nova eleição no prazo máximo de 40 dias.

Portanto, com o voto nulo o eleitor, além de favorecer a vitória de um candidato ruim, estará jogando fora a saudável oportunidade de participar do processo eleitoral e escolher conscientemente o seu candidato. Estará abrindo mão de usar uma arma tão arduamente conquistada nas batalhas pela democracia travadas ao longo da história.

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