Em Alagoas, no Brasil e no mundo a história das campanhas eleitorais revelou que as pesquisas de intenção de voto influenciam o eleitor a ponto de até alterar resultados.
As frequentes diferenças gritantes de números entre os institutos colocam em cheque a credibilidade das pesquisas, evidenciando a ocorrência de manipulações para favorecer um candidato ou outro. Exemplo recente é o gigantesco disparate que distancia os percentuais do Ibope e do Gape em pesquisas para o governo de Alagoas.
A manipulação é flagrante: para o Ibope, Teotônio Vilela, candidato à reeleição, detinha 24% das intenções de voto e Fernando Collor 28%. Porém, o Gape (instituto que pertence a Collor) atribuiu a Vilela somente 16% e ao senador e ex-presidente 38% das preferências – uma diferença de 10% entre uma pesquisa e outra, muito acima de qualquer margem de erro tolerada pelos institutos, que varia em 3%, para mais ou para menos.
Os candidatos, em geral, sabem que as pesquisas influenciam fortemente o eleitorado, já que existe a tendência de se votar em quem tem mais condições de vencer para – como se diz comumente – “não perder o votoâ€.
A margem de erro das pesquisas obedece a parâmetros limitados por probabilidades que variam de acordo com bairros, faixas etárias, sexo e regiões. Os dados utilizados para composição da amostra são obtidos junto ao IBGE, ao TSE e aos TREs.
Na maioria das vezes os erros são toleráveis e advém de falhas técnicas. Mas quando algum candidato “aventureiroâ€, apelando para seu poder de influência, ousa “mexer†nos números para favorecer a si mesmo, é fatal: o deslize, mais cedo ou mais tarde, vem à luz, desmoralizando definitivamente o instituto que se submeteu à falcatrua.
Há no Brasil cerca de 126 milhões de eleitores, segundo o TSE. Os grandes institutos de pesquisa entrevistam em média um eleitor para cada grupo de 50 mil. Ou seja: para se atingir o total de eleitores do paÃs seriam necessários 50 mil levantamentos. Em Alagoas, onde o número aproximado de votantes é 2 milhões, a pesquisa, para refletir a realidade, deveria abranger pelo menos 4 mil pessoas selecionadas aleatoriamente nas diferentes regiões do Estado.
Os fatores que mais comprometem a credibilidade das pesquisas – muitas delas encomendadas por partidos polÃticos – são, além das manipulações, as divulgações mal feitas ou parciais de resultados e a falta de registro no TSE ou TRE.
Há também a possibilidade de uma surpresa negativa, uma novidade de última hora capaz de inverter as intenções de voto. Foi o que aconteceu em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso já contava vitória para a prefeitura de São Paulo, com imensa vantagem nas pesquisas, mas acabou derrotado por Jânio Quadros porque, no dia da eleição, os jornais estamparam uma entrevista onde ele afirmou que não acreditava em Deus e que havia fumado maconha.
Para o Ibope, somente um bombástico fato novo seria capaz de mudar o rumo da disputa presidencial deste ano. Em todas as pesquisas, Dilma Roussef está muito à frente de seu maior adversário José Serra, além de ter também a seu favor os 78% de aprovação ao governo Lula. Só mesmo denúncias fortes, muito bem fundamentadas e com provas para dar “uma virada†e colocá-la em desvantagem.











