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pompeexpressao

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Baixa auto-estima presente em Alagoas

24/11/2009 - 11:03 -

estimaPraias belíssimas, paisagens afrodisíacas, céu de azul ofuscante confundindo-se com o mar degradê e com o verde dos coqueirais. Nem mesmo cenários como esses, de causar inveja, são suficientes para conter a veloz descida dos alagoanos nos degraus da baixa auto-estima.

Alvo de notícias negativas na mídia nacional, detentor dos piores índices em praticamente todos os setores sociais e decadente também nos campeonatos de futebol, o Estado de Alagoas não tem dado motivos para elevar a auto-estima do seu povo. Assaltos e assassinatos impunes, infância abandonada nas ruas, baixo poder aquisitivo de quase todos e falta de oportunidades de emprego para a juventude são problemas que parecem longe das soluções num Estado onde o que prospera mais e mais é a concentração de renda, a incompetência administrativa e a corrupção.

No campo da cultura, a falta de iniciativas oficiais mantém no anonimato a arte de músicos, atores e artesãos cuja beleza, caso não estivesse tão desprezada, contribuiria para que fossem dados largos passos no rumo contrário da baixa auto-estima.

Falando em futebol, é muito difícil ver alguém pelas ruas de Maceió e de cidades interioranas vestindo a camisa do CRB, do CSA, do ASA e de outros times do Estado. Mas é comum nos depararmos com homens, mulheres e crianças trajando camisas do Flamengo, do Corinthians, do Fluminense e de outras equipes de Estados que nem são do Nordeste. O maltratado futebol Alagoano, mergulhado na incompetência e no descaso, empurra torcidas cada vez mais numerosas para os clubes do eixo Rio-São Paulo, para uma paixão perniciosa para os clubes da terra. Lamentável!

A baixa auto-estima é também forte estimulante para a violência. A ausência de medidas voltadas para a melhoria na qualidade do ensino no Estado impede que conceitos de cidadania sejam incutidos nas crianças e adolescentes, inércia e descaso que repercutem na formação de uma juventude socialmente deformada. Caberia às instituições escolares priorizar reflexões e debates sobre temas que afligem a humanidade em seu cotidiano, entre elas a violência.

A tragédia das drogas em Alagoas alcançou status de destaque nacional. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Gilberto Irineu, revelou que 90% dos casos de violência no Estado estão ligados ao tráfico de drogas. “O Governo precisa assumir sua responsabilidadeâ€, recomendou, observando que “tivemos acesso a um retrato triste do que sofrem muitas crianças, muitas vezes por ausência de políticas públicasâ€.

A ciência indica que a auto-estima de uma pessoa ou até de uma comunidade passa por questões, entre outras, como medo, insegurança, frustração, carência, humilhação, raiva, perdas e dependência (financeira e emocional). Portanto, a superação desse grave problema tão presente em Alagoas deve passar necessariamente por atitudes que conduzam à confiança, segurança, amor próprio, cidadania e valores que mereçam a cobrança de que sejam respeitados.

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4 Comentários para “Baixa auto-estima presente em Alagoas”

  1. Redacao

    É isso meu caro Pompe! O nosso Estado é dígno de talentos porém esquecidos, trabalhos não revelados, artístas não apoiados. Esse sempre foi um Estado onde desde sua fundação quem impera são os políticos que o seu próprio povo coloca no poder. Mas, se esquece de cobrá-los depois de sua posse. É como se a autoridade subisse a cabeça desses homens públicos que não vêem o povo como cidadão.

    Eliú.

  2. fabiano

    Muito triste essa realidade alagoana! Acredito, ser na grande parte culpa da incompetência de alguns políticos que dirigiram nosso estado. Por ser rico em todos os aspectos, quis o destino que fossemos pobre em gestores públicos!
    Mas, nosso estado, vará a volta por cima! Pela grandeza de seu povo… Amadurecemos, e em pouco tempo ocuparemos o espaço de direito!

  3. Sandra Cristina

    Acredito profundamente na sensibilidade do artista e tenho certeza que pela arte, podemos educar pessoas (leia-se sociedade), sensibilizá-las. Mas, de certa forma, vamos calando nossa tristeza e deixando nossa esperança para depois.
    E daí permito que me digam Não quando sei que é justo receber Sim porque me calo diante da injustiça. A sociedade começa no individual. Qual é o nosso papel como cidadão?

    Obrigada pela reflexão.

  4. Marta Maristela

    As questões abordadas pelo autor do texto, além de inteiramente procedentes, suscitam o questionamento do que pode ser feito para mudarmos essa realidade. Também entendo que a sociedade começa no individual e que todos podemos, sempre, contribuir para a melhoria dela através do nosso próprio exemplo. É urgente repassar valores que realmente eduquem as novas gerações e resgatem a sua auto-estima. Nesse sentido, cumpre-me ressaltar que o autor tem feito a sua parte, seja através dos textos postados nesse blog, seja através da música de excelente qualidade que faz questão de divulgar. Penso que é por aí… Parabéns!


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