Devemos aos negros as criações mais brilhantes na música, na culinária, no esporte e em tantas outras variantes que dignificam a nossa condição de humanos. Portanto, O Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, deve ser comemorado com entusiasmo indistintamente por brancos, amarelos e demais matizes raciais.
O sofrimento dos negros no período da escravidão fez emergir maravilhas como o samba, a feijoada, o acarajé, o maracatu, o jazz, o blues, o maxixe, palácios, igrejas, estradas, pontes, viadutos, cidades e países inteiros. Foi trabalhando sob açoites de chibatas e sol escaldante na construção das ferrovias que os escravos arrancados da África entoavam os cânticos que resultaram nos ritmos que desde então encantam nossos ouvidos.
A música popular brasileira, tão exaltada no mundo, não teria a mesma beleza e qualidade sem a presença da cultura negra. O lundu, ritmo que resultou no samba, tem origem africana. Parte expressiva dos artistas que mais nos orgulham são negros, a exemplo de Pixinguinha, Gilberto Gil, Luiz Melodia, Djavan, Paulinho da Viola, Zé Kéti, Cartola, Zezé Mota, Jorge Benjor, Margareth Menezes, Wilson Simonal, Seu Jorge, Milton Nascimento, entre tantos e tantos e tantos…
Os negros nos trouxeram a capoeira, arte criada no período colonial que enfeitiça o mundo. Nos trouxeram também danças como o coco, o carimbó, o jongo e o frevo.
Outra marca muito forte da cultura negra no Brasil são as religiões africanas que se mesclaram com o catolicismo, o que culminou no fenômeno do sincretismo, mais comum na Bahia. Salvador é a cidade com a maior população negra do planeta depois das comunidades do continente africano. Oxoce, Ogum, Xangô, Omulu, Oxum, Iemanjá e Iansã são os sete Orixás que mantém com energia a tradição da religião negra no Brasil.
Os negros se fazem presentes com destaque também na literatura brasileira.
Temos João Ubaldo, os clássicos Machado de Assis e Lima Barreto e um enorme elenco de escritores afrodescendentes de inquestionável talento.
A bravura e a criatividade da raça negra evidenciam a bestialidade e a ignorância daqueles que ainda cultuam o racismo. O sentimento daqueles que raciocinam com inteligência só pode ser de gratidão diante da imensidão de maravilhas que a humanidade ganhou de presente dos negros ao longo de sua história de sofrimento e resistência.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009 às 1:28
Com toda certeza, devemos ser GRATOS e nos orgulharmos da raça NEGRA e de toda herança que nos deixou. Lindo texto…PARABÉNS!!!
sexta-feira, 20 de novembro de 2009 às 9:54
Pompe, mais um belo texto para refletir. Parabéns.
domingo, 22 de novembro de 2009 às 20:11
Compartilho do teu sentimento em relação ao negro. A propósito, postei hoje um texto no “Impertinências”, denunciador do preconceito enraizado na sociedade brasileira, com destaque para os meios intelectualizados, onde se relevam, com bastante frequência, manifestações de reprovação e desapreço a quem não é branco. Veja, por exemplo, o que “cientistas” e “inteletuais” fizeram, no Brasil, ali pertinho, nos anos 30 e 40 do século passado, aqui no Brasil, em defesa da purificação da raça. Dentre estes, o escritor Monteiro Lobato, tão cultuado pelas nossas crianças.