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Desamor e ganância fazem de Alagoas a campeã das exclusões

13/07/2010 - 21:14 -

Definitivamente, os governos que se sucedem no Estado não amam Alagoas. Em meio aos incontáveis exemplos de desamor está a perda de prazo para Maceió ser incluída entre as cidades-sede da Copa 2014. A Fifa confirmou em 28 de janeiro de 2009 a exclusão da capital alagoana porque não foi entregue o projeto de construção do estádio Arena Zagallo, que seria erguido no bairro do Benedito Bentes.

Desprezou-se a oportunidade única de atrair turistas do mundo inteiro para o “Paraíso das Águas”, cidade com imensa vocação turística, onde a natureza continua bela, apesar das brutais agressões (línguas negras, desmatamentos, esgotos e outras mazelas agravadas pela falta de saneamento básico).

Condenar Alagoas ao atraso perpétuo parece ser o que mais converge os sucessivos governos ao longo das décadas. É o Estado que registrou a maior taxa de pobreza absoluta em 2008 (56,6%). A exclusão como sede da Copa emerge em coerência com a exclusão social.

As tentativas de explicar a perda de prazo para a entrega do projeto foram absurdas. Alegou-se que era muito caro (3 milhões e meio de reais) e que seria melhor investir em saúde (?), educação (??) e segurança (???).

As condições de saúde, educação e segurança são as piores do Brasil, dizem os índices oficiais. Um quadro desumano que ficou ainda mais dramático após as enchentes que devastaram mais de vinte municípios, vítimas da falta de investimentos em infra-estrutura.

Saúde – Alagoas tem a maior taxa de mortalidade infantil do Brasil (IBGE). De mil crianças nascidas vivas, 66 morrem antes de completar um ano. A situação dos hospitais públicos em Maceió e no interior é tão caótica que o Sindicato dos Médicos chegou a pedir intervenção na Saúde de Alagoas. O Estado apresenta a menor expectativa de vida e o menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País: 0,677, equivalente ao IDH do Gabão, 119º do mundo.

Educação – Ostentando o vergonhoso primeiro lugar do Brasil em analfabetismo, Alagoas abriga o maior percentual de pessoas com 15 anos ou mais incapazes de ler e escrever (PNAD). É também o Estado com o pior nível de ensino fundamental (IDEB – principal indicador de qualidade do ensino brasileiro de 2009). É difícil imaginar que esse quadro caótico poderia ficar pior, mas ficou depois que escolas inteiras foram “varridas” pelas enchentes de junho.

Segurança – Logo nas primeiras 24 horas de 2010, 17 pessoas foram assassinadas em Alagoas. É raro o dia em que tiros e facadas não ceifem a vida de pelo menos dez pessoas. Nos finais de semana os crimes são ainda mais numerosos. Mata-se tanto quanto – ou mais – do que em países em situação de guerra. Tudo isso somado com assaltos, agressões físicas e outras barbáries fazem de Alagoas líder nacional também em violência. Maceió é a capital mais violenta do Brasil, indica o Mapa da Violência do Ministério da Justiça.

Como se vê, os indicadores oficiais gritam que segurança, educação e saúde há décadas não são prioridade na pobre Alagoas, onde alguns já muito ricos enriquecem cada vez mais.

Desamor – Faz sentido, portanto, argumentar que falta dinheiro para investir em um projeto que poderia incluir Alagoas na Copa de 2014 e atrair turistas de todo o planeta, que com certeza se encantariam com as persistentes belezas naturais. Afinal, essa é apenas mais uma entre tantas exclusões!

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7 Comentários para “Desamor e ganância fazem de Alagoas a campeã das exclusões”

  1. Mácleim

    É isso aí, parceiro!!! Com dados e argumentos tão crueis, seu texto tinha mesmo que ser simples, cortante e objetivo . Como eu disse, lá no Quiprocó, nos escritos Crime Anunciado Ie II, temos duas Alagoas: a real e a das propagandas do governo neoloberal.
    Grande abraçoe e, no +, MÚSICAEMSUAVIDA!!!
    http://www.macleim.com.br

  2. Edméa Maria Kummer

    Pompe! É triste a gente constatar os vários níveis de exclusão da nossa (tornou-se sua,também) querida Alagoas. O quadro realístico que você apresenta faz doer e o mais tenebroso é que a gente não vislumbra saída. Aproximam-se as eleições e não sinto perspectivas de mudanças,o que faz aumentar a nossa desesperança. Parabéns,mais uma vez, pela coragem e lucidez nas denúncias, já uma característica de seus textos.Abraços.

  3. Silvana Chamusca

    Infelizmente essa é a nossa realidade. Hoje sou uma pequena empresária que atende a um público de turistas, já que tenho um bistrô num lugar muito especial.. Acrescente aí na sua lista a exclusão também dos pequenos empresários do trading turístico. O buraco aqui é bem mais embaixo, se não conseguimos ter uma política cultural e nem turistica sustentável. Vivemos de promessa do crescimento do turismo, sem planejamento, sem mao de obra especializada, sem uma quantidade leitos (hotéis) necessários nem para um verão normal, sem um aeroporto com estrutura para receber uma quantidade de vôos estrangeiros numa temporada. , uma vez que fizeram um aeroporto até bonito, mas sem capacidade para isto. Todos nos sabemos que o caminho do desenvolvimento sócio-econômico do nosso estado está no turismo cultural, já que possuímos um grande acervo cultural e moramos num lugar paradisíaco. Esse turismo, que a cada dia cresce em estados como o Ceerá e o Rio Grande do Norte, até Sergipe consegue uma politica de desenvolvimento melhor do que a nossa, apesar da natureza não ter sido tão generosa. Enfim, nós empreendedores continuamos na luta para que um dia, esse estado venha a ser um grande destino. Então como poderíamos ser uma das cidades sede da Copa 2014? Sem pistas e estradas, sem leitos, sem mão-de-obra especializada (as pessoas mal falam portugues), sem aeroporto, sem vontade política? Um sonho quase impossível. Mas continuo acreditando que um dia as coisas podem mudar. Grande abraço e parabens pela matéria.

  4. Marco

    Aqui em Lagoas, Pompe, é cada um por si… infelizmente…
    Parabéns pelo belo, atual e reflexivo texto.
    Abraço,
    M. Túlio.

  5. Firmino

    Amigo Luiz Pompe, Parabenizo pela forma em que colocou as “exclusões em Alagoas”; mas com os meus 53 anos de Alagoano, conheço estas exclusões muito bem, tanto em funções Públicas, como Privada. Sempre ouço queixas como: Falta planejamento, falta capacidade administrativa, etc…, outros falam: este ano é de eleição temos que mudar agora…(OS CANDITADOS SÃO OS MESMOS DE ONTEM); Poxa amigo, são sempre as mesmas coisas, este desastre da inundação ja tem politicos no aproveitamento das imagens, passeando pelos destroços e bla,bla bla…. Dizem que em nossa terra tem uma cabeça de burro enterrada, não acho, na verdade o nosso povo ALAGOANO, é de certa forma ABENÇOADA, pois tem um coração imenso, onde sempre acredita nas “PESSOAS” que lhe prometem. Para termos uma mudança de rumo politicamente correta e termos ai uma administração diferenciada, guiada para a sociedade, só quando este povo deixar de acreditar nas promessas vãs, e olhar para si. Acredito que este dia chegará, e ainda não estou cansado de falar, continuarei…
    Grande Abraço.
    Firmino Maia

  6. Eliane alagolista

    Alagoas é ainda um feudo nas mãos tiranas dos políticos sem capacidade ou formação para realmente gerir o sistema. Geração após geração , filhos de seus pais políticos, que assim foram iniciados pelos cantos de conversas indescritíveis de negociatas nojentas de troca de poderes, que se sucedem , e sucedem…
    O povo, excluído de seus direitos, não está sendo excluído dos efeitos das suas escolhas na política.
    Quem não aprende pelo amor, aprende pela dor!
    A vida mostra onde necessitamos mudar. Infelizmente a dor sempre acompanha grandes mudanças. Para Alagoas acordar….só com muita dor!!!

  7. Fabiano

    O triste e vergonhoso passado político de Alagoas nos trouxe a esses indicadores terríveis!
    Mas, como chegamos ao fundo do poço! Só temos que crescer e, ai sim, surgiremos com muito mais força! Acredito muito na força do Alagoano…


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